<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569</id><updated>2012-02-09T03:02:37.780-02:00</updated><title type='text'>E a chuva promete não deixar vestígios..</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>237</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8295318441619141583</id><published>2012-02-09T02:51:00.004-02:00</published><updated>2012-02-09T03:02:37.788-02:00</updated><title type='text'>Friends</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-sGh-pZKw7go/TzNRAxSxrzI/AAAAAAAAATE/uYDhh-UBAuU/s1600/Friends-friends-69087_1024_768.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-sGh-pZKw7go/TzNRAxSxrzI/AAAAAAAAATE/uYDhh-UBAuU/s320/Friends-friends-69087_1024_768.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5706994226482491186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei o box de Friends e prometi a mim mesmo que darei um tempo da série que me ocupa tanto tempo há tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisa ir muito longe pra perceber como Friends é algo especial. Não há nenhuma referência comparável no estilo do seriado, porque é algo que alterou completamente o formato e de uma forma completamente natural. “Seinfeld”, maior referência da área, tem um excelente humor, um tom de casualidade, até certa continuidade. Mas Friends é um seriado além do completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, os próprios atores parecem destinados aos papéis. Muitos deles, como Courteney Cox (que foi indicada inicialmente para Rachel) e Jannifer Aniston (que foi indicada inicialmente para Monica), sentiram por si mesmas a qual personagem eram destinadas e insistiram com a produção para alterarem as personagens nas quais seriam testadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Schwimmer e Matt LeBlanc, segundo os autores, foram escolhidos sem grande necessidade de reflexão, tão bem se adequaram aos papéis em seus testes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos excelentes especiais do box vê-se uma Lisa Kudrow apaixonada por sua personagem, explorando detalhes de forma exaustiva. Lisa passou a ter aulas de violão no decorrer da série e, após aprender alguns poucos acordes (percebam, na maioria das músicas ela usa apenas E, D, A), decidiu que quanto mais aprendesse, menos seria condizente com a Phoebe, como uma atriz que verdadeiramente domina sua personagem, e o resultado foram as canções simples que se tornaram hinos entre os fãs de Friends. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou suspeito para falar de Matthew Perry, como grande fã. Matthew sempre fora considerado um grande ator, mas as oportunidades não surgiam a ele adequadamente. Chegou a escrever um piloto de série semelhante ao de Friends, e por isso foi indicado para os testes ao papel de Chandler. David Crane diz que chegaram a duvidar do roteiro, pelos testes de Chandler, porque era um personagem engraçado, e que a princípio seria fácil para um ator, mas nenhum deles dava certo. E Matthew Perry se encaixou perfeitamente para o papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebam que, além de os próprios esboços dos personagens terem caminhado em direção aos atores, os atores não só deram vida às idéias dos personagens, como terminaram suas construções com situações de suas vidas reais; o nariz de Rachel, a história conturbada entre Matthew Perry e seus pais. Chandler e Phoebe, que a princípio seriam coadjuvantes da série, inevitavelmente foram incorporados como dois entre os seis principais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Crane também expressa diversas vezes sua preferência pelas cenas em que os seis atuam juntos no set. Nessas cenas, bem como nos erros de gravação, percebe-se a incrível sintonia entre os atores, e o domínio de cada um em relação aos seus respectivos personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi com séries como “Friends” ou “Lost” o quão importante é criar personagens que sejam vivos e completos. Lost, com as inúmeras falhas de planejamento do roteiro, sobrevive graças aos personagens envolventes e independentes. Em Friends, os personagens são de tal forma vivos que os fãs são capazes de brincar com eles em situações independentes ao enredo da série; sabemos como eles reagiriam a determinadas situações com as quais nos deparamos na vida, e isso os torna quase nossos amigos imaginários. Foi exatamente esse brilhantismo de cada um que tornou a série tão diferenciada, fugindo dos padrões normais e se tornando quase uma novela de qualidade. Além do humor – nunca deixado de lado -, queríamos saber o que aconteceriam com as diversas situações, cuja continuidade montava um longo e identificável enredo por toda a série, além do constante dinamismo. Nunca deixando o humor de lado, ríamos e sentíamos como um ator-espectador, que não podia tomar parte. Quando Joey e Rachel começam a se relacionar, o fã consegue sentir o que sentem os próprios personagens na série; a vontade de que Rachel e Ross ficassem juntos, mas sempre mantendo em mente os sentimentos puros de Joey e, claro, não conseguindo deixar de lado o fato de adorá-lo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O envolvimento, além disto, não era só interior à série e não se prendia somente aos atores. Foram estes atores, grandes amigos, que ajudaram Matthew Perry a superar seu problema com o álcool e remédios. E o envolvimento de Chandler e Monica, do qual muitos fãs reclamam por tirar um pouco da qualidade dos personagens, pela caricaturização e pela frequência de situações muito semelhantes e, de certa forma, enjoativas, parecem ter sido também a percepção dos autores de que, tal era o envolvimento de Matthew Perry com o personagem Chandler, talvez fosse hora de dar ao próprio personagem um tom de superação e felicidade, coincidente com a superação do próprio ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a série em toda sua complexidade dramática supracitada, acaba por ser importante para os fãs em sua própria vida, confortando-nos de uma forma única. Acho impossível que algum dia eu deixe de rever alguns episódios, ainda que de vez em quando. É como sentir saudades de verdadeiros amigos. Mesmo porque boa parte de meus amigos são também fãs de Friends e de certa forma é um meio que tenho de matar as saudades que tenho deles. Também porque Friends nos ensina a ver a vida como uma grande e divertida piada, e passar por ela encarando seus problemas com bom humor, coragem e otimismo. Também a sermos felizes ainda que convivendo com tais problemas, que às vezes são até necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem entrar no mérito qualidade, no mundo do Cinema/séries/musicais/etc, Friends é sem dúvidas algo pelo que sinto, sobretudo, carinho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não sei como terminar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sure, where?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8295318441619141583?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8295318441619141583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8295318441619141583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2012/02/friends.html' title='Friends'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-sGh-pZKw7go/TzNRAxSxrzI/AAAAAAAAATE/uYDhh-UBAuU/s72-c/Friends-friends-69087_1024_768.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8961622260299394403</id><published>2012-02-06T19:14:00.005-02:00</published><updated>2012-02-06T19:43:42.551-02:00</updated><title type='text'>SSDD</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SSDD&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou sendo o lema deles, mas Jonesy não conseguia se lembrar de modo algum quem começou a dizer primeiro. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O troco é um sufoco&lt;/span&gt;, este era dele. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Freddy me foda&lt;/span&gt; e quase uma dezena de obscenidades mais pitorescas quem inventou foi Beaver. Foi Henry quem lhes ensinou a dizer &lt;span style="font-style:italic;"&gt;o que vai em volta vem de volta&lt;/span&gt;, coisa de babaquice zen. Henry gostava, mesmo quando eram meninos. Mas SSDD; o que dizer de SSDD? De que cuca fundida tinha saído?&lt;br /&gt;Isso não importava. O que importava era que eles acreditavam na primeira metade dessa coisa quadno formaram um quarteto, na coisa inteira quando formaram um quinteto, e depois na segunda metade dela quando tornaram a formar um quarteto.&lt;br /&gt;Quando só os quatro tornaram a se reunir, os dias ficaram mais sinistros. Havia mais dias de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Freddy me foda&lt;/span&gt;. Sabiam disso, mas não por quê. Sabiam que alguma coisa estava errada com eles - pelo menos diferente -, mas não o quê. Sabiam que tinham sido apanhados, mas não exatamente como. E tudo isso bem antes das luzes no céu. Antes de McCarthy e Becky Shue.&lt;br /&gt;SSDD: às vezes é só o que a gente diz. E às vezes a gente não crê em outra coisa se não nas trevas. E aí, como é que a gente segue em frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1988: até Beaver fica na fossa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que o casamento de Beaver não deu certo é o mesmo que dizer que o lançamento do ônibus espacial &lt;span style="font-style:italic;"&gt;challenger&lt;/span&gt; deu um pouco errado. Joe "Beaver" Clarendon e Laurie Sue Kenopensky viveram juntos oito meses e depois tchau, minha garota se mandou, me ajudem a dar a porra da volta por cima.&lt;br /&gt;O "Beav" é basicamente um sujeito feliz, qualquer um da turma vai dizer isso, mas está numa fase negra. Não vê nenhum dos velhos amigos (os que ele considera amigos para valer), a não ser numa ´nica semana em novembro, mês em que se reúnem todo ano, e novembro passado ele e Laurie Sue ainda estavam se segurando. Por um fio, claro, mas ainda se segurando. Agora ele passa um bocado de tempo - demais, ele sabe - nos bares do distrito de Old Port, em Portland. O Porthole, o Seaman's Club e o Free Street Pub. Anda bebendo demais, fumando demais da velha erva, e de manhã quase sempre evita se olhar no espelho do banheiro; os olhos vermelhos se desviam do reflexo e ele pensa: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tenho que parar com as boates. Logo, logo vou ter o mesmo tipo de problema que o Pete teve. Vou pirar de vez&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Parar com as boates, parar com as farras, uma puta idéia, e depois lá está ele de volta, lambe-porre, que se dane. Nesta quinta-feira é o Free Street, e aposto que vai estar com um chopinho na mão, um fuminho no bolso, alguma antiga música instrumental, que lembra um pouco The Ventures, tocando na vitrola automática. Não se lembra direito do nome desta, que foi popular antes do tempo dele. Mesmo assim, conhece; ouve bastante a rádio de música antiga de Portland desde que se divorciou. Música antiga acalma. Uma porção de música nova... Laurie Sue conhecia e gostava de um monte delas, mas Beaver não curte.&lt;br /&gt;O Free Street está praticamente vazio, mais ou menos uma meia dúzia de sujeitos da turma num dos reservados, bebendo cerveja Millers e tirando cartas de um baralho engordurado para ver quem vai pagar cada rodada. O que é esta música instrumento com essas guitarras murmurantes? "Out of Limits"? "Telstar"? Não, tem um sintetizador em "Telstar" que nesta não tem. E quem é que liga para isso? Os outros camaradas estão conversando sobre Jackson Browne, que tocou no Centro Cívico ontem à noite e fez um show duca, na opinião do George Pelsen, que estava lá.&lt;br /&gt;-Vou contar pra vocês uma outra coisa que foi duca - diz George, olhando para eles de um jeito de impressionar. Ergue o queixo saliente, mostrando uma mancha roxa no pescoço. - Sabem o que é isto?&lt;br /&gt;-Um chupão, não é? - Kent Astor pergunta, com certa timidez.&lt;br /&gt;-Você é inteligente pacas - George retruca. - Eu estava parado do lado da porta dos bastidores depois do show, eu e um bando de caras, na esperança de conseguir um autógrafo do Jackson. Ou talvez, não sei, do David Lindley. Ele é legal.&lt;br /&gt;Kent e Sean Robideau concordam que Lindley é legal - não um deus da guitarra, de jeito nenhum (Mark Knopfler, do Dire Straits, é um deus da guitarra; e Angus Young, do AC/DC, e - claro, Clapton), mas mesmo assim legal. Lindley faz um som de ritmo acelerado; tem também um cabelo rasta de impressionar. Até os ombros.&lt;br /&gt;Beaver não entra na conversa. De repente, quer se mandar daqui, deste bar fedido, que não leva a nada, e tomar um pouco de ar fresco. Sabe aonde é que George vai chegar com a história, e é tudo mentira.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O nome dela não é Chantay, vocês não sabem como é que ela se chama, ela passou como vento por vocês como se vocês nem estivessem lá, o que é que vocês iam significar para uma garota como ela, de qualquer modo, só mais um cabeludo classe-operária numa outra cidade classe-operária da Nova Inglaterra, subiu no ônibus da banda e sumiu da vida de vocês. A porra da vidinha desinteressante que vocês levam. Chantays é o nome do grupo que a gente está ouvindo, não Mar-Kets ou Bar-Kays, mas Chantays, é "Pipeline", com o Chantays, e essa coisa no teu pescoço não é um chupão, é um arranhão do aparelho de barbear&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;É nisso que pensa, e depois ouve um choro. Não no Free Street, mas na cabeça dele. Um choro que rolou faz tempo. Entra bem na cabeça da gente, esse choro, entra como cacos de vidro, e ah! porra, Freddy, me foda, alguém faça ele parar de chorar. &lt;span style="font-style:italic;"&gt; Fui eu quem fez ele parar&lt;/span&gt;, Beaver pensa. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fui eu. Fui eu quem fez ele parar. Eu o abracei e cantei para ele&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Enquanto isso, George Pensen está contando para eles que a porta dos bastidores finalmente se abriu, mas quem saiu não foi Jackson Browne, muito menos David Lindley; foi o trio das gatinhas cantoras, uma chamada Randi, uma chamada Susi e uma chamada Chantay. Gostosinhas, ah, tão altas e apetitosas.&lt;br /&gt;-Cara - diz Sean, revirando os olhos. É um sujeito gorducho cujas aventuras sexuais consistem em de vez em quando fazer umas excursões até Boston, onde fica observando as garotas do Foxy Lady fazer strip-tease e as garçonetes do Hooters. - Ô, cara, a danada da Chantay. - Faz um gesto de tocar punheta. Nisso, pelo menos, pensa o Beav, ele parece um profissional.&lt;br /&gt;-Aí comecei a papear com elas... com ela, praticamente, a Chantay, e perguntei pra ela se ela não queria conhecer um pouco da vida noturna de Portland. Então a gente...&lt;br /&gt;O beav tira um palito do bolso e o enfia na boca, saindo de sintonia. De repente, tudo o que ele quer é o palito. Não a cerveja na frente dele, não o fuminho no bolso, decerto não o papo-furado do George Pensen de como ele e a mítica Chantay subiram na traseira da caminhonete dele, bendita seja aquela coberta de acampamento, quando o astral do George rola não teima que ele não dá bola.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É tudo uma canseira&lt;/span&gt;, Beaver pensa, e de uma hora para a outra fica desesperadamente deprimido, mais deprimido do que quando Laurie Sue fez as malas e voltou para a casa da mãe. Isso não é do feitio dele, e de repente só quer se mandar daqui, encher os pulmões do ar fresco e salgado da beira-mar e achar um telefone. Quer fazer isso e então ligar para JOnesy e para Henry, ou um ou ouro, dá na mesma; quer perguntar: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Escuta, cara, o que é que está acontecendo&lt;/span&gt;, e ouvir de um deles a resposta: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ah, vocês sabe, Beav, SSDD. Sem animação, sem diversão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Ele se levanta.&lt;br /&gt;-Ô, cara - George diz. Beaver estudou com George no Westbrook Junior College, e naquela época parecia bastante cuca-fresca, mas isso foi muitas cervejas atrás - Aonde é que está indo?&lt;br /&gt;-Mijar - Beaver responde, rolando o palito de um canto da boca para o outro.&lt;br /&gt;-Bom, então vai depressa e senta esse rabo aí porque eu estou chegando na melhor parte - George diz, e Beaver pensa: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;calcinhas sem fundilhos&lt;/span&gt;. Puxa, rapaz, hoje a antiga e esquisita vibração está forte, quem sabe é o barômetro ou sei lá eu. Baixando a voz, George diz: - Quando ergui a saia dela...&lt;br /&gt;-Jà sei, estava usando calcinhas sem fundilhos - diz Beaver. Registra o olhar de surpresa, quase choque, nos olhos do George, mas não dá atenção. - Claro que quero ouvir essa parte.&lt;br /&gt;Afasta-se, anda na direção do banheiro dos homens, que tem aquele cheiro róseo-amarelado de urina e desinfetante, passa por ele, passa pelo das mulheres, passa pela porta em que está escrito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ESCRITÓRIO&lt;/span&gt; e sai na viela. O céu acima dele está cinzento e chuvoso, mas o ar está bom. Tão bom. Ele o respira muito fundo e torna a pensar. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sem animação, sem diversão&lt;/span&gt;. Dá um sorrisinho.&lt;br /&gt;Anda por uns dez minutos, mastigando palitos e desanuviando a cabeça. Num determinado ponto, não consegue se lembrar exatamente quando, joga fura o fumo que estava no bolso. E depois liga para Henry do telefone público na loja Joe's Smoke, perto da Monument Square. Aguarda a secretária eletrônica - Henry ainda está na escola - mas na verdade Henry está em casa e tira o fone do gancho na segunda chamada.&lt;br /&gt;-Como vai? - Beaver pergunta.&lt;br /&gt;-Ah, você sabe - Henry responde. - A mesma merda, um outro dia. E você, Beav?&lt;br /&gt;Beav fecha os olhos. Por um momento, tudo está bem de novo; tão bem quanto dá para estar neste mundo fodido, de qualquer modo.&lt;br /&gt;-Quase na mesma, companheiro - responde. - Mais ou menos na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se perde na tradução, não tanto por incompetência do tradutor quanto por incompatibilidade dos idiomas, mas enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "O apanhador de sonhos" - Stephen King.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8961622260299394403?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8961622260299394403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8961622260299394403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2012/02/ssdd.html' title='SSDD'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2385825304685339497</id><published>2012-01-31T17:03:00.003-02:00</published><updated>2012-01-31T17:07:51.917-02:00</updated><title type='text'>Trecho de "Cem anos de Solidão" - Gabriel García Márquez</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A história de Remedios, a bela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...)&lt;br /&gt;Remedios, a bela, foi a única que permaneceu imune à peste da companhia bananeira. Estacou numa adolescência magnífica, cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e à desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. Não entendia por que as mulheres complicavam a vida com camisetas e anáguas, de modo que coseu uma bata de aniagem que enfiava simplesmente pela cabeça e resolvia sem mais trâmites o problema de se vestir, sem desmanchar a impressão de estar nua, que no seu modo de entender as coisas era a única maneira decente de se estar em casa. Amolaram-na tanto para que cortasse o cabelo cascateante que já batia na barriga da perna e para que fizesse um coque preso com pentes e tranças com laços coloridos que simplesmente raspou a cabeça e fez perucas para os santos. O assombroso do seu instinto simplificador era que quanto mais se desembaraçava da moda procurando a comodidade e quanto mais passava por cima dos convencionalismos em obediência à espontaneidade, mais perturbadora ficava a sua beleza inacreditável e mais provocante o seu comportamento para com os homens. Quando os filhos do Coronel Aureliano Buendía estiveram pela primeira ez em Macondo, Úrsula se lembrou de que levavam nas veias o mesmo sangue da bisneta e estremeceu com o horror esquecido. “Abra bem os olhos”, fez tão pouco-caso da advertência que se vestiu de homem e se espojou na areia para subir no pau-de-sebo e esteve a ponto de ocasionar uma tragédia entre os dezessete primos transtornados pelo insuportável espetáculo. Era por isso que nenhum deles dormia em casa quando visitavam o povoado, e os quatro que tinham ficado viviam às expensas de Úrsula em quartos alugados. Entretando, Remedios, a bela, teria morrido de rir se tivesse sabido daquela precaução. Até o último instante em que esteve na Terra ignorou que o seu irreparável destino de fêmea perturbadora era uma desgraça  cotidiana. Cada vez que aparecia na sala de jantar, contrariando as ordens de Úrsula, causava um pânico de exasperação entre os forasteiros. Era evidente demais que estava interiamente nua sob a bata grosseira e ninguém podia entender que o seu crânio pelado e perfeito não fosse um desafio e que não fosse uma criminosa provocação o descaso com que descobria as coxas para aliviar o calor e o prazer com que chupava os dedos depois de comer com as mãos. O que nenhum membro da família jamais soube foi que os forasteiros não tardaram a perceber que Remedios, a bela, desprendia um hálito perturbador, uma brisa de tormento que continuava perceptível várias horas depois de ela ter passado. Homens experimentados nos transtornos do amor, vividos no mundo inteiro, afirmavam não ter padecido nunca de uma ansiedade semelhante à que produzia o perfume natural de Remedios, a bela. Na varanda das begônias, na sala de visitas, em qualquer lugar da casa, se podia assinalar o lugar exato onde estivera e o tempo transcorrido desde que deixara de estar. Era um rastro definido, inconfundível, que ninguém da casa podia distinguir porque estava incorporado há muito tempo aos cheiros cotidianos, mas que os forasteiros identificavam imediatamente. Por isso  eram eles os únicos que entendiam que o jovem comandante da guarda tivesse morrido de amor e que um cavaleiro vindo de outras terras tivesse caído em desespero. Inconsciente da aura inquietante em que se movimentava, do insuportável estado de íntima calamidade que provocava à sua passagem,  Remedios, a bela, tratava os homens sem a menor malícia e acabava de transtorná-los com as suas inocentes complacências. Quando Úrsula conseguiu impor a ordem de que comesse com Amaranta na cozinha, para que os forasteiros não a vissem, ela se sentiu mais cômoda, porque afinal de contas ficava a salvo de qualquer disciplina. Realmente, tanto fazia comer em qualquer lugar, e não em horas fixas, mas de acordo com as alternativas do seu apetite. Às vezes se levantava para almoçar às três da madrugada, dormia o dia inteiro, e passava vários meses com os horários trocados, até que algum incidente casual voltava a pô-la em ordem. Quando as coisas andavam melhor, levantava-se às onze da manhã e se trancava durante duas horas completamente nua no banheiro, matando escorpiões enquanto espantav o denso e prolongado sono. Em seguida, jogava água em si mesma tirando-a da caixa com uma cuia. Era um ato tão prolongado, tão meticuloso, tão rico de situações serimoniais, que quem não a conhecesse bem poderia pensar que estava entregue a a uma merecida adoração do seu próprio corpo. Para ela, entretanto, aquele rito solitário carecia de qualquer sensualidade, e era simplesmente uma maneira de matar o tempo enquanto não sentia fome. Um dia, quando começava a se banhar, um forasteiro levantou uma telha do teto e ficou sem respiração diante do tremendo espetáculo de sua nudez. Ela viu os olhos aflitos através das telhas quebradas e não teve nenhuma reação de vergonha, mas sim de preocupação.&lt;br /&gt; -Cuidado – exclamou. – Você vai cair.&lt;br /&gt; -Só quero ver você – murmurou o forasteiro.&lt;br /&gt; -Ah, bem, - ela disse. – Mas tenha cuidado que essas telhas estão podres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto do forasteiro tinha uma dolorosa expressão de espanto e parecia lutar surdamente contra os seus impulsos primários, para não dissipar a miragem. Remedios, a bela, pensou que ele sofria de medo de que as telhas quebrassem e se banhou mais depressa do que de costume, para que o homem não continuasse em perigo. Enquanto se jogava água, disse a ele que era um problema que o teto estivesse naquele estado, pois ela acreditava que a camada de folhas apodrecidas pela chuva era o que enchia o banheiro de escorpiões. O forasteiro confundiu aquela conversa com uma forma de dissimular a complacência, de modo que quando ela começou a se ensaboar cedeu à tentação de dar um passo adiante.&lt;br /&gt; -Deixe-me ensaboá-la – murmurou&lt;br /&gt; -Agradeço sua boa intenção – disse ela. – mas posso perfeitamente fazê-lo sozinha com as minhas duas mãos.&lt;br /&gt; -Só as costas – suplicou o forasteiro.&lt;br /&gt; -Seria um desperdícios – ela disse. – Nunca se viu ninguém ensaboar as costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, enquanto se enxugava, o forasteiro implorou com os olhos cheios de lágrimas que se casasse com ele. Ela lhe respondeu sinceramente que nunca se casaria com um homem tão bobo que perdia quase uma hora, e até ficava sem almoçar, só para ver uma  mulher tomar banho. Por fim, quando vestiu a bata, o homem não pôde suportar a comprovação de que realmente não usava nada embaixo, como todo mundo suspeitava, e se sentiu marcado para sempre com o ferro ardente daquele segredo. Então arrancou mais duas telhas para se atirar no interior do banheiro.&lt;br /&gt; -É muito alto! – ela o preveniu assustada. – Você vai se matar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As telhas apodrecidas se despedaçaram num estrondo de desastre e o homem mal conseguiu lançar um grito de terror e fraturou o crânio e morreu sem agonia no chão de cimento. Os forasteiros que ouviram o barulho na sala de jantar e se apressaram em levar o cadáver perceberam na sua pele o sufocante cheiro de Remedios, a bela. Estava tão entranhado no corpo que as rachaduras do crânio não emanavam sangue e sim um óleo ambarino impregnado daquele perfume secreto, e então compreenderam que o cheiro de Remedios, a bela, continuava torturando os homens além da morte, até a poeira dos ossos. Entretanto, não relacionaram aquele acidente de horror com os outros dois homens que haviam morrido por Remedios, a bela. Faltava ainda uma vítima para que os forasteiros e muitos dos antigos habitantes de Macondo dessem crédito à lenda de que Remedios Buendía não exalava o sopro de amor mas sim um fluxo mortal. A ocasião de comprová-lo se apresentou meses depois, numa tarde em que Remedios, a bela, foi com um grupo de amigas conhecer as novas plantações. Para o povo de Macondo, era uma distração recente percorrer as úmidas e intermináveis avenidas ladeadas de bananeiras, onde o silêncio parecia trazido de outra parte, ainda sem usar, e por isso era tão difícil transmitir a voz. Às vezes não se entendia muito bem o que era dito a meio metro de distância e que entretanto se tornava perfeitamente compreensível no outro extremo da plantação. Para as moças de Macondo aquela brincadeira nova era motivo de risadas e sobressaltos, de sustos e zombarias, e de noite se falava do passeio como de uma experiência de sonho. Era tal o prestígio daquele silêncio que Úrsula não teve coragem de privar Remedios, a bela, da divesão e lhe permitiu ir numa tarde, desde que pusesse um chapéu e uma roupa adequada. Assim que o grupo de amigas entrou na plantação o ar se impregnou de uma fragrância mortal. Os homens que trabalhavam nas valas se sentiram possuídos por uma estranha fascinação, ameaçados por um perigo invisível, e muitos sucumbiram à terrível vontade de chorar. Remedios, a bela, e suas espantadas amigas conseguiram se refugiar numa casa próxima quando estavam já para serem assaltadas por um tropel de machos ferozes. Pouco depois foram resgatadas pelos quatro Aurelianos, cujas cruzes de cinza infundiam um respeito sagrado, como se fossem marcas de casta, selo de invulnerabilidade. Remedios, a bela, não contou a ninguém que um dos homens, aproveitando o tumulto, conseguira agredi-la no ventre com uma mão que mias parecia uma garra de águia aferrada aos bordos de um precipício. Ela enfrentara o agressor numa espécie de deslumbramento instantâneo e vira os olhos desconsolados que ficaram impressos no seu coração como uma brasa de compaixão. Nessa noite, o homem se gabou da sua audácia e se vangloriou da sua sorte na Rua dos Turcos, minutos antes de que o coice de um cavalo lhe arrebentasse o peito e uma multidão de forasteiros o visse agonizar no meio da rua, sufocado em vômitos de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A suposição de que Remedios, a bela, possuía poderes de morte estava agora sustentada por quatro fatos irresfutáveis. Embora alguns homens levianos de palavra sentissem prazer em dizer que bem valia a pena sacrificar a vida por uma noite de amor com tão perturbadora mulher, a verdade é que nenhum se esforçou por consegui-lo. Talvez, não só para vencê-la como também para afastar os seus perigos, bastasse um sentimento tão primitivo e simples como o amor, mas isso foi a única coisa que não ocorreu a ninguém. Úrsula não voltou a se ocupar dela. Em outra época quando ainda não renunciara ao propósito de salvá-la para o mundo, procurou interessá-la nos assuntos elementares da casa. “Os homens são mais exigentes doq eu você pensa”, dizia-lhe enigmaticamente. “É preciso cozinhar muito, varrer muito, sofrer muito por mesquinharias, além daquilo que você pensa”. No fundo se enganava a si mesma, tentando adestrá-la para a felicidade doméstica, porque estava convencida de que, uma vez satisfeita a paixão, não havia um homem sobre a terra capaz de suportar, nem que fosse por um dia, uma negligência que estava além de qualquer compreensão. O nascimento do último José Arcadio e sua inquebrantável vontade de educá-lo para Papa terminaram por fazê-la desistir das suas ocupações com a bisneta. Abandonou-a à sua sorte, confiando que mais cedo ou mais tarde aconteceria um milagre e que, neste mundo onde havia de tudo haveria também um homem com suficiente serenidade para cuidar dela. Fazia muito tempo que Amaranta tinha renunciado a qualquer tentativa de convertê-la numa mulher útil. Desde as tarde esquecidas do quarto de costura, quando a sobrinha mal se interessava por rodar a manivela da máquina de coser, chegara à conclusão simples de que era boba. “Vamos ter que rifar você”, dizia-lhe perplexa diante da sua impermeabilidade à palavra dos homens. Mais tarde, quando Úrsula se empenhou para que Remedios, a bela, assistisse à missa com a cara coberta por um véu, Amaranta pensou que aquele recurso misterioso acabaria por ser tão provocante que muito em breve haveria um homem intrigado o bastante para procurar com paciência o ponto fraco do seu coração. Mas quando viu a forma insensata com que desprezou um pretendente que, por muitos motivos, era mais apetecível que um príncipe, renunciou a qualquer esperança. Fernanda não fez sequer a tentativa de compreendê-la. Quando viu Remedios,a  bela, vestida de rainha no carnaval sangrento, pensou que ela era uma criatura extraordinária. Mas quando a viu comendo com as mãos, incapaz de dar uma resposta que não fosse um prodígio de patetice, a única coisa que lamentou foi que os bobos de nascença tivessem uma vida tão longa. Apesar de o Coronel Aureliano Buendía continua acreditando e repetindo que Remedios, a bela, era na verdade o ser mais lúcido que havia conhecido na vida, e que o demonstrava a cada momento com a sua assombrosa habilidade para zombar de todos, abandonaram-na ao deus-dará. Remedios, a bela, ficou vagando pelo deserto da solidão, sem cruzes nas costas, amadurecendo nos seus sonos sem pesadelos, nos seus banhos intermináveis, nas suas refeições sem horários, nos seus profundos e prolongados silêncios sem lembranças, até uma tarde de março em que Fernanda quis dobrar os seus lençóis de linho no jardim e pediu ajuda às mulheres da casa. Mal haviam começado, quando Amaranta advertiu que Remedios, a bela, chegava a estar transparente de tão intensamente pálida.&lt;br /&gt; -Você está se sentindo mal? – perguntou a ela.&lt;br /&gt;Remedios, a bela, que segurava o lençol pelo outro extremo, teve um sorriso de piedade.&lt;br /&gt; -Pelo contrário – disse – nunca me senti tão bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabava de dizer isso quando Fernanda sentiu que um delicado vento de luz lhe arrancava os lençóis das mãos e os estendia em toda a sua amplitude. Amarante sentiu um tremor misterioso nas rendas das suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não caiur, no momento em que Remedios, a bela, comaçava a ascender. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irremediável e deixou os lençóis a mercê da luz, olhando para Remedios, a bela, que lhe dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos escaravelhos e das dálias e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde nem os mais altos pássaros da memória a podiam alcançar.&lt;br /&gt;(...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "Cem anos de Solidão" - Gabriel García Márquez&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2385825304685339497?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2385825304685339497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2385825304685339497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2012/01/trecho-de-cem-anos-de-solidao-gabriel.html' title='Trecho de &quot;Cem anos de Solidão&quot; - Gabriel García Márquez'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1669202627410887810</id><published>2012-01-30T03:59:00.001-02:00</published><updated>2012-01-30T04:02:28.750-02:00</updated><title type='text'>Overdose</title><content type='html'>O homem fechou a porta atrás de si com a cautela que se toca um recém nascido, aparentando se esconder de algo. Já na calçada, sentindo o vento percorrer seu corpo, percebeu que sua blusa ainda estava em sua mão. Foi naquela noite de frio atípica, em meio ao verão, em que o homem se pôs a caminhar pela cidade enganosamente grande em que morava, repleta de costumes interioranos e cuja população se isolava pelos subúrbios, restando ao centro o silêncio da madrugada de dias úteis. Entre as luzes dos postes e a da lua, jaziam cômodos apagados e mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou suas duas mãos aos bolsos de sua blusa, em parte pelo frio, em parte para assumir um tom ameaçador, ao avistar, à distância, uma pessoa vir em sua direção na mesma calçada em que caminhava. Não conseguia identificar suas roupas ou sua expressão facial, mas era uma rua perigosa. Abaixou a cabeça para passar ao lado de uma pessoa que, na aproximação, era completamente inofensiva, e acabou por reparar nos jeans apertados e desbotados que usava. Eram como sonhos antigos e esquecidos. As desbotadas esperanças. Lembranças do que era vivo, que se apagavam no fraco e transformado preto. Seu pontudo e já disforme tênis branco, que escolhera a dedo anos atrás, quando tudo era uma oportunidade de expressão. Toda aquela vestimenta calada, envolvendo um corpo já mudo. Uma barreira prendendo pensamentos em ebulição e sentimentos hibernantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaminhava-se à única rua que poderia encontrar-se viva àquela hora. Ergueu o pulso esquerdo e percebeu que havia esquecido seu relógio em casa.  “Me dá uma moeda, senhor”. Enquanto tirava uma moeda da carteira, observou que a lanchonete que frequentava a essa hora estava aberta. “O homem que acredita em destino é o mesmo que aceita esmolas”, pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não possuía emprego fixo, suas finanças dinâmicas se encontravam em uma semana difícil. Entrou na lanchonete conferindo sua carteira, e não tinha dinheiro para lanchar. Fez seu pedido, sentou-se na mesma mesa de sempre. Os garçons não sussurraram sobre ele, como faziam com os clientes costumeiros. Ali, de cabeça baixa, imóvel, ficou até que seu lanche chegasse. Permaneceu imóvel à chegada do lanche. Observava-o à sua frente, sem fome. Atentava-se às conversas vazias ao seu redor, pelo simples prazer de ouvir vozes. Pareciam falar outro idioma, tamanho seu desinteresse pelo conteúdo, tamanha sua concentração nas formas. O lanche maltratado, disforme, baseado unicamente em quantidade, o ambiente semi-limpo, as vozes, as vozes, sorrisos, gestos. Vieram-lhe as náuseas. Focava-se em seu lanche como um doente, sem tocá-lo, aparentemente distante. Mas estava ali, completamente presente, de uma forma que não podia evitar. Fechou seus olhos, sentindo tudo girar, até chegar ao limite daquela situação repugnante. Até que toda a vibração se transformasse em equilíbrio. E as palavras fizessem sentido. Os discursos tomassem forma de conteúdo, ainda que desprezível. E o desinteresse parecesse novamente conveniente. Até que o sonho se acabasse, e a vida ordinária fosse novamente banal. Até que o preço do inatingível fosse tolerável. Até que pudesse abrir os olhos e equilibrar-se em seus próprios pés, que pudesse andar novamente naquelas roupas empoeiradas, velhas, que guardavam algo que não queria perder. Que aquele corpo oco pudesse sentir novamente o impulso de buscar o que o instinto previa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A conta, por favor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1669202627410887810?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1669202627410887810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1669202627410887810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2012/01/overdose.html' title='Overdose'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8345699533100056306</id><published>2012-01-03T02:47:00.004-02:00</published><updated>2012-01-03T03:09:45.914-02:00</updated><title type='text'>2012</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CvjprpkZD9M/TwKL-3K0xXI/AAAAAAAAASw/NrgMX6c--WQ/s1600/raging-bull-20090223024213935_640w.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-CvjprpkZD9M/TwKL-3K0xXI/AAAAAAAAASw/NrgMX6c--WQ/s320/raging-bull-20090223024213935_640w.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693266791027230066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém está muito fodido amanhã. São três horas e eu deveria estar dormindo, mas simplesmente não consigo.&lt;br /&gt;Terminei 2011 e comecei 2012 com uma obsessão: começar a lutar boxe.&lt;br /&gt;Acabo de assistir ao "Raging Bull", um dos primeiros filmes que vi de meu diretor favorito (Scorsese), e comecei a pensar no porquê de tamanha obsessão.&lt;br /&gt;A época da gravação do filme é o ápice do vício do diretor em cocaína. Ele foi convencido pelo De Niro a pôr o vício de lado e fazer o filme, que pensava ele ser o último de sua carreira. Esta carregada e pessimista biografia me explicou perfeitamente o por que da minha obsessão pelo esporte.&lt;br /&gt;A última luta de boxe que vi, que não fosse em preto e branco, foi a do Mike Tyson contra o Evander Holyfield, da clássica e infeliz mordida de orelha. Lembro de sentir neste dia exatamente o que era o patético. &lt;br /&gt;Deixei de acompanhar o esporte até conhecer Cassius Clay, o famoso Muhammad Alli (que detestaria ser chamado por mim pelo seu nome de batismo, anterior à sua conversão ao islamismo). Pessoas inteligentes, carregadas e que não conseguem comunicar tudo o que existem dentro delas me despertam um interesse fora do comum; enquanto lia sobre sua vida, percebia aos poucos o ídolo, tantas vezes aplaudido e tantas vezes vaiado, gigante dentro dos ringues e por sua coragem política, percebia o quão genial era esse cara que exigia convívio para que fosse compreendido. É uma frustração, mas que me deixa de resto o ânimo de conhecer muitas pessoas que com ele se parecem. Via-me espelhado naquele cara, toda uma agressividade que enclausurava sentimentos puros. &lt;br /&gt;O Scorsese poderia nunca ter feito esse filme, morrido cheirando pó, seria consagrado como gênio, o que aconteceu com muitos que pararam cedo. Antes de "Raging Bull", já havia feito o que é pra mim o maior filme da história ("Taxi Driver") e outros grandes filmes como "New York, New York" ou "Mean Streets". Mas ele escolheu continuar e superar. Acho que gosto de Boxe pelos mesmos motivos destes caras que pra mim são heróis (De Niro, Scorsese), caras que não são tão diferentes dos grandes boxeadores. A técnica do boxe é importante, mas os grandes boxeadores apanharam muito mais da vida, aprenderam o boxe nas esquinas, em casa com suas famílias, na dureza teimosa e imaleável de suas ideologias.&lt;br /&gt;2011 foi um ano de sonhos pra mim. Fodi muita coisa por besteira, bebi mais do que deveria, pensei menos do que poderia, agi menos do que era necessário e, principalmente, abandonei a espontaneidade que sempre guardei comigo.&lt;br /&gt;A vida nunca vai ser estável, mas nunca deixará de ser incrível. Nunca deixe de confiar que ela possa te surpreender, sempre lute por ela.&lt;br /&gt;Feliz 2012 a todos vocês, não que eu não ache banal querer revigorar o espírito em mudanças de anos, mas é algo que nunca é dispensável, indiferente à data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=5wwItkoapuA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8345699533100056306?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8345699533100056306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8345699533100056306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2012/01/2012.html' title='2012'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-CvjprpkZD9M/TwKL-3K0xXI/AAAAAAAAASw/NrgMX6c--WQ/s72-c/raging-bull-20090223024213935_640w.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7006118318732072865</id><published>2011-12-24T14:02:00.004-02:00</published><updated>2011-12-24T16:25:05.037-02:00</updated><title type='text'>Trecho de "Cem anos de Solidão" - Gabriel García Márquez</title><content type='html'>"(...)&lt;br /&gt;Em quase vinte anos de guerra, o Coronel Aureliano Buendía tinha estado muitas vezes em casa, mas o estado de urgência em que chegava sempre, o aparato militar que o acompanhava a toda parte, a aura de lenda que dourava a sua presença e à qual nem a própria Úrsula foi insensível, terminaram por convertê-lo num estranho. Na última vez que esteve em Macondo e ocupou uma casa com as suas três concubinas, não foi visto na sua a não ser duas ou três vezes, quando teve tempo para aceitar convites para comer. Remedios, a bela, e os gêmeos, nascidos em plena guerra, mal o conheciam. Amaranta não conseguia conciliar a imagem do irmão que passara a adolescência fabricando peixinhos de ouro com a do guerreiro mítico que havia interposto entre ele e o resto da humanidade uma distância de três metros. Mas quando se soube da proximidade do armistício e se pensou que ele regressava outra vez convertido num ser humano, resgatado por fim para o coração dos seus, os afetos familiares adormecidos po tanto tempo renasceram com mais força do que nunca.&lt;br /&gt;- Finalmente - disse Úrsula - vamos ter outra vez um homem em casa.&lt;br /&gt;Amaranta foi a primeira a suspeitar de que o haviam perdido para sempre. Uma semana antes do armistício, quando ele entrou em casa em escolta, precedido por dois ordenanças descalços que depositaram no corredor os arreios da mula e o baú dos versos, saldo único da sua antiga bagagem imperial, ela o viu passar em frente ao quarto de costura e o chamou. O Coronel Aureliano Buendía pareceu ter dificuldade em reconhecê-la.&lt;br /&gt;- Sou Amaranta - disse ela de bom humor, feliz pela sua volta, e lhe mostrou a mão com a atadura negra. - Olhe.&lt;br /&gt;O Coronel Aureliano Buendía dirigiu-lhe o mesmo sorriso da primeira vez em que a viu com a atadura, na remota manhã em que voltou a Macondo sentenciado à morte.&lt;br /&gt;- Que horrror - disse - como o tempo passa!&lt;br /&gt;O exército regular teve que proteger a casa. Ele chegara escarnecido, cuspido, acusado de ter endurecido a guerra apenas para vendê-la mais cara. Tremia de febre e de frio e tinha outra vez as axilas cheias de furúnculos. Seis meses antes, quando ouviu falar do armistício, Úrsula abriu e varreu a alcova nupcial, e queimou mirra nos cantos, pensando que ele regressaria disposto a envelhecer devagar entre as mofadas bonecas de Remedios. Mas na verdade, nos dois últimos anos ele pagara as suas quotas finais à vida, inclusive a do envelhecimento. Ao passar diante da oficina de ourivesaria, que Úrsula tinha preparado com especial cuidado, nem sequer percebeu que as chaves estavam postas no cadeado. Não notou os minúsculos e profundos estragos que o tempo fizera na casa e que depois de uma ausência tão prolongada teriam parecido um desastre a qualquer homem que conservasse vivas as suas recordações. Não o magoou a cal descascada nas paredes, nem os sujos algodões de teia de aranha nos cantos, nem a poeira das begônias, nem os túneis do cupim nas vigas, nem o musgo das dobradiças, nem nenhuma das armadilhas insidiosas que lhe estendia a saudade. Sentou-se na varanda, embrulhado na manta e sem tirar as botas, como que esperando apenas que estiasse, e permaneceu a tarde inteira vendo a chuva cair sobre as begônias. Úrsula compreendeu então que ñao o teria em casa por muito tempo. "Se não é a guerra", pensou, "só pode ser a morte". Foi uma suposição tão nítida, tão convincente, que ela a identificou como um presságio.&lt;br /&gt;Nessa noite, no jantar, o suposto Aureliano Segundo partiu o pão com a mão direita e tomou a sopa com a esquerda. Seu irmão gêmeo, o suposto José Arcadio Segundo, partiu o pão com a mão esquerda e tomou a sopa com a direita. Era tão precisa a coordenação dos seus movimentos que não pareciam dois irmãos sentados um em frente ao outro, e sim um artifício de espelhos. O espetáculo que os gêmeos tinham concebido desde que tomaram consciência de que eram iguais foi repetido em honra do recém-chegado. Mas o Coronel Aureliano Buendía não percebeu. Parecia tão alheio a tudo que nem sequer prestou atenção a Remedios, a bela, que passou despida para o quarto. Úrsula foi a única que se atreveu a perturbar a sua abstração.&lt;br /&gt;- Se você vai embora outra vez - disse-lhe no meio do jantar - pelo menos trate de se lembrar de como éramos esta noite.&lt;br /&gt;Então o Coronel Aureliano Buendía se deu conta, sem espanto, de que Úrsula era o único ser humano que tinha conseguido desentranhar a sua miséria, e pela primeira vez em muitos anos se atreveu a olhá-la na cara, e o olhar atônito. Comparou-a com a lembrança mais antiga que tinha dela, na tarde em que ele tivera o presságio de que uma panela de sopa fervendo ia cair da mesa, e a encontrou espedaçada. Num instante descobriu os arranhões, os vergões, os calos, as úlceras e as cicatrizes que deixara nela mais de meio século de vida cotidiana e comprovou que estes estragos não provocavam nele sequer um sentimento de piedade. Fez então um último esforço para procurar no seu coração o lugar onde se haviam apodrecido os afetos e não conseguiu encontrá-lo. Em outra época, pelo menos, experimentava um confuso sentimento de vergonha quando surpreendia na sua própria pele o cheiro de Úrsula, e em mais de uma ocasião sentira os seus pensamentos interferidos pelo pensamento dela. Mas tudo isso tinha sido arrasado pela guerra. A própria Remedios, sua esposa, era naquele momento a imagem apagada de alguém que podia ter sido sua filha. As inumeráveis mulheres que conhecera no deserto do amor, e que espalharam a sua semente em todo o litoral, não tinham deixado nenhum rasto nos seus sentimentos. A maioria delas entrava no quarto na escuridão e ia embora antes da alvorada, e no dia seguinte era apenas um pouco de tédio na memória corporal. O único afeto que prevalecia contra o tempo e a guerra foi o que sentiu pelo seu irmão José Arcadio quando ambos eram crianças, e não estava baseado no amor, mas na cumplicidade.&lt;br /&gt;- Perdão - desculpou-se diante do pedido de Úrsula - É que esta guerra acabou com tudo.&lt;br /&gt;Nos dias subsequentes ocupou-se em destruir todas as marcas da sua passagem pelo mundo. Reduziu a oficina de ourivesaria até deixar apenas os objetos impessoais, deu as suas roupas aos ordenanças e enterrou as suas armas no quintal com o mesmo sentido de penitência com que o seu pai havia enterrado a lança que dera morte a Prudencio Aguilar. Conservou somente uma pistola, e com uma bala apenas. Úrsula não interveio. A única vez que se meteu foi quando ele estava se preparadno para destruir o retrato da Remedios que se conservava na sala, iluminado por uma lâmpada eterna. "Esse retrato deixou de pertencer a você há muito tempo", disse a ele. "É uma relíquia de família". Na véspera do armistício, quando já não havia em casa um só objeto que permitisse recordá-lo, levou à padaria da casa o baú com os versos, no momento em que Santa Sofía de la Piedad se preparava para acender o forno.&lt;br /&gt;- Acenda com isto - disse a ela, entregando-lhe o primeiro rolo de papéis amarelados. - Arde melhor, porque são coisas muito antigas.&lt;br /&gt;Santa Sofía de la Piedad, a silenciosa, a condescendente, a que nunca contrariara nem os próprios filhos, teve a impressão de que aquele era um ato proibido.&lt;br /&gt;- São papéis importantes - disse.&lt;br /&gt;- Nada disso - disse o coronel. - São coisas que uma pessoa escreve para si mesma.&lt;br /&gt;- Então - ela disse - queime o senhor mesmo, coronel.&lt;br /&gt;Não apenas o fez, mas espedaçou também o baú com uma machadinha e jogou os cavacos no fogo. Horas antes, Pilar Ternera o visitara. Depois de tantos anos sem vê-la, o Coronel Aureliano Buendía se assombrou de quanto havia envelhecido e engordado, e de quanto havia perdido o esplendor do seu riso; mas também se assombrou da profundidade que havia atingido na leitura das cartas. "Cuidado com a boca", disse ela, e ele se perguntou se da outra vez em que dissera, no apogeu da glória, não havia  sido uma visão surpreendentemente antecipada do seu destino. Pouco depois, quando o seu médico pessoal acabou de lhe extirpar os furúnculos, ele pergunto sem demonstrar interesse particular qual era o lugar exato do coração. O médico o auscultou e pintou-lhe em seguida um círculo no peito com um algodão sujo de iodo.&lt;br /&gt;A terça-feira do armistício amanheceu fresca e chuvosa. O Coronel Aureliano Buendía apareceu na cozinha antes das cinco e tomou o seu café sem açúcar habitual. "Num dia como este você veio ao mundo", Úrsula disse a ele. "Todos se assustaram com os seus olhos abertos". Ele não lhe prestou atenção, porque estava alerta aos preparos da tropa, aos toques de corneta e às vozes de comando que estragavam a alvorada. Ainda que depois de tantos anos de guerra estes ruídos lhe devessem parecer familiares, desta vez sentiu o mesmo desalento nos joelhos, e o mesmo arrepio da pele que tinha sentido na juventude, em presença de uma mulher nua. Pensou confusamente, enfim capturado numa armadilha da saudade, que talvez se tivesse se casado com ela teria sido um homem sem guerra e sem glória, um artesão sem nome, um animal feliz. Esse estremecimento tardio, que não figurava nas suas previsões, amargou-lhe o café da manhã. às sete horas, quando o Coronel Gerineldo Márquez foi procurá-lo em companhia de um grupo de oficiais rebeldes, encontrou-o mais taciturno do que nunca, mais pensativo e solitário. Úrsula tratou de jogar-lhe sobre os ombros uma manta nova. "O que é que o governo vai pensar", disse a ele. "Vão imaginar que você se rendeu porque já não tinha nem com que comprar uma manta". Mas ele não a aceitou. Já na porta, vendo que a chuva continuava, deixou que lhe pusessem um velho chapéu de feltro de José Arcadio Buendía.&lt;br /&gt;- Aureliano - Úrsula disse a ele então - prometa-me que se você encontrar por aí com a hora difícil, você vai pensar na sua mãe.&lt;br /&gt;Ele lhe deu um sorriso distante, levantou a mão com todos os dedos estendidos, e sem dizer uma palavra abandonou a casa e enfrentou os gritos, vitupérios e balsfêmias que haveriam de persegui--lo até a saída do povoado. Úrsula colocou a tranca no portão, decidida a não tirá-la durante o resto da vida. "Nós vamos apodrecer aqui dentro", pensou. "Nós vamos nos transformar em cinza nesta casa sem homens, mas não vamos dar a este povo miserável o gsoto de nos ver chorar". Passou a manhã inteira procurando uma lembrança do filho nos cantos mais escondidos e não conseguiu encontrar.&lt;br /&gt;O ato se realizou a vinte quilômetros de Macondo, à sombra de uma paineira gigantesca, em torno da qual se haveria de fundar mais tarde o povoado de Neerlândia. Os delegados do governo e os do partido e a comissão rebelde que entregou as armas foram recebidos por um buliçoso grupo de noviças de hábitos brancos, que pareciam uma revoada de pombas assustasdas pela chuva. O Coronel Aureliano Buendía chegou numa mula enlameada. Estava barbado, mais atormentado pela dor dos furúnculos que pelo imenso fracasso dos seus sonhos, pois tinha chegado ao fim de qualquer esperança, além da glória e da saudade da glória. De acordo com o determinado por ele mesmo, não houve música, nem foguetes, nem sinos de júbilo, nem placas comemorativas, nem nenhuma outra manifestação que pudesse alterar o caráter triste do armistício. Um fotógrafo ambulante, que tirou o único retrato seu que poderia ser conservado, foi obrigado a destruir o filme sem o revelar.&lt;br /&gt;O ato durou apenas o tempo indispensável para que se pusessem as assinaturas. Ao redor da rústica mesa colocada no centro de uma remendada barraca de circo onde sentaram os delegados, estavam os últimos oficiais que permaneceram fiéis ao Coronel Aureliano Buendía. Antes de recolher as assinaturas, o delegado pessoal do Presidente da República tentou ler em voz alta a ata da rendição, mas o Coronel Aureliano Buendía se opôs. "Não vamos perder tempo com formalidades", disse, e se dispôs a assinar os papéis sem os ler. Um dos oficiais, então, rompeu o silêncio soporífero da tenda.&lt;br /&gt;- Coronel - disse - faça-nos o favor de não ser o primeiro a assinar.&lt;br /&gt;O coronel Aureliano Buendía concedeu. Quando o documento deu a volta completa à mesa, em meio a um silêncio tão nítido que seria possível decifrar as assinaturas pelo puro floreio da pena no papel, o primeiro lugar ainda estava em branco. O Coronel Aureliano Buendía se dispôs a ocupá-lo.&lt;br /&gt;- Coronel - disse então outro dos seus oficiais - o senhor ainda tem tempo para ficar bem.&lt;br /&gt;Sem se perturbar, o Coronel Aureliano Buendía assinou a primeira cópia. Ainda não tinha acabado de assinar a última quando apareceu na porta da tenda um coronel rebelde, trazendo pelo cabresto uma mula carregada com dois baús. Apesar da sua extrema juventude, tinha um aspecto árido e uma expressão paciente. Era o tesoureiro da revolução na circunscrição de Macondo. Fizera uma penosa viagem de seis dias, arrastando a mula morta de fome, para chegar em tempo ao armistício. Com uma calma exasperante descarregou os baús, abriu-os, e foi colocando na mesa, uma por uma, setenta e duas barras de ouro. Ninguém se lembrava da existência daquela fortuna. Na desordem do ano anterior, quando o poder central se partiu em pedaços e a revolução degenerou numa sangrenta rivalidade de caudilhos, era impossível determinar qualquer responsabilidade. O ouro da rebelião, fundido em blocos que foram logo cobertos de barro cozido, ficou fora de qualquer controle. O Coronel Aureliano Buendía fez com que se incluíssem as setenta e duas barras de ouro no inventário da rendição, e fechou o ato sem permitir discursos. O esquálido adolescente permaneceu diante dele, olhando-o nos olhos com os seus serenos olhos cor de caramelo.&lt;br /&gt;- Alguma coisa mais? - perguntou-lhe o Coronel Aureliano Buendía.&lt;br /&gt;O jovem coronel trincou os dentes.&lt;br /&gt;- O recibo - disse.&lt;br /&gt;O Coronel Aureliano Buendía estendeu-lhe um, feito do seu próprio punho e letra. Em seguida, tomou um copo de limonada e comeu um pedaço de biscoito que as noviças serviram, e se retirou para uma tenda de campanha que lhe haviam preparado para quando quisesse descansar. Ali tirou a camisa, sentou-se na beira do catre e, às três e quinze da tarde, desferiu um tiro de pistola no círculo de iodo que o seu médico particular lhe pintara no peito. A essa hora, em Macondo, Úrsula destampou a panela do leite no fogão, estranhando que demorasse tanto a ferver, e encontrou-a cheia de vermes.&lt;br /&gt;- Mataram Aureliano! - exclamou.&lt;br /&gt;Olhou para o quintal, obedecendo a um costume da sua solidão, e viu José Arcadio Buendía, ensopado, triste de chuva e muito mais velho do que quando morreu. "Mataram-no à traição", precisou Úrsula, "e ninguém fez a caridade de lhe fechar os olhos". Ao anoitecer viu através das lágrimas os rápidos e luminosos discos alaranjados que cruzaram o céu como uma exalação, e pensou que era um sinal da morte. Estava ainda debaixo do castanheiro, soluçando nos joelhos do marido, quando trouxeram o Coronel Aureliano Buendía embrulhado na manta dura de sangue seco e com os olhos abertos de raiva.&lt;br /&gt;Estava fora de perigo. O projétil seguira uma trajetória tão desimpedida que o médico lhe enfiou um cordão molhado de iodo pelo peito e tirou-o pelas costas. "Esta é a minha obra-prima", disse a ele satisfeito. "Era o único ponto por onde podia passar uma bala sem atingir nenhum centro vital". O coronel Aureliano Buendía se viu rodeado de noviças misericordiosas que entoavam salmos desesperados pelo eterno descanso da sua alma, e então se arrependeu de não ter dado o tiro no céu da boca como tinha previsto, só para enganar o prognóstico de Pilar Ternera.&lt;br /&gt;- Se eu ainda tivesse autoridade - disse ao médico - mandava fuzilar o senhor sem julgamento. Não por me ter salvo a vida, mas por me fazer cair no ridículo.&lt;br /&gt;O fracasso da morte lhe devolveu em poucas horas o prestígio perdido. Os mesmos que inventaram a lorota de que vendera a guerra por um aposento cujas paredes estavam construídas com tijolos de ouro definiram a tentativa de suicídio como um ato de honra e o proclamaram mártir. Em seguida, quando recusou a Ordem do Mérito que o Presidente da República lhe outorgou, até os seus rivais mais encarniçados desfliaram no seu quarto, pedindo que desconhecesse os termos do armistício e promovesse uma nova guerra. A casa se encheu de presentes de solidariedade. Tardiamente impressionado com o apoio maciço dos seus antigos companheiros de armas, o Coronel Aureliano Buendía não descartou a possibilidade de satisfazê-los. Pelo contrário, em dado momento pareceu tão entusiasmado com a idéia de uma nova guerra que o Coronel Gerineldo Márquez pensou que ele só esperava um pretexto para proclamá-la. O pretexto se ofereceu, efetivamente, quando o Presidente da República se negou a conceder as pensões de guerra aos antigos combatentes, liberais ou conservadores, enquanto cada processo não fosse revisto por uma comissão especial e a lei das concessões aprovada pelo Congresso. "Isto é uma confusão", trovejou o Coronel Aureliano Buendía. "Vão morrer de velhice esperando o correio". Abandonou pela primeira vez a cadeira de balanço que Úrsula comprara para a sua convalescença e, andando de um lado para o outro da alcova, ditou uma mensagem taxativa para o Presidente da República. Nesse telegrama, que nunca foi publicado, denunciava a primeira violação do Tratado de Neerlândia e ameaçava proclamar a guerra de morte se a concessão das pensões não fosse resolvida ao fim de quinze dias. Era tão justa a sua atitude que permitia contar, inclusive, com a adesão dos antigos combatentes conservadores. Mas a única resposta do governo foi o reforço da guarda militar que colocara na porta da sua casa com o pretexto de protegê-la e a proibição de toda e qualquer espécie de visitas. Medidas similares foram adotadas em todo o país, com outros caudilhos de cuidado. Foi uma operação tão oportuna, drástica e eficaz que dois meses depois do armistício, quando o Coronel Aureliano Buendía teve alta, os seus instigadores mais decididos já estavam mortos ou expatriados ou haviam sido assimilados para sempre pela administração pública.&lt;br /&gt;O Coronel Aureliano Buendía abandonou o quarto em dezembro, e bastou dar uma olhada na varanda para não voltar a pensar na guerra. Com uma vitalidade que parecia impossível na sua idade, Úrsula voltou a rejuvenscer a casa. "Agora vão ver quem sou eu", disse quandos oube que o filho viveria. "Não haverá uma casa melhor, nem mais aberta a todo o mundo, que esta casa de loucos". Mandou-a lavar e pintar, trocou os móveis, restaurou o jardim e semeou flores novas, e abriua s portas e janelas para que entrasse até os quartos a deslumbrante claridade do verão. Decretou o fim dos numerosos lutos superpostos e ela mesma mudou os velhos trajes rigorosos por roupas juvenis. A música da pianola voltou a alegrar a casa. Ao ouvi-la, Amaranta se lembrou de Pietro Crespi, da sua gardênia crepuscular e do seu cheiro de lavanda, e no fundo do seu murcho coração floresceu um rancor limpo, purificado pelo tempo. Uma tarde em que tentava pôr em ordem a sala, Úrsula pediu ajuda aos soldados que custodiavam a casa. O jovem comandante da guarda concedeu-lhes a permissão. Pouco a pouco, Úrsula lhes foi designando novas tarefas. Convidava-os para almoçar, presenteava-lhes roupas e calçados e os ensinava a ler e a escrever. Quando o governo suspendeu a vigilância, um deles ficou morando na casa, e esteve a seu serviço por muitos anos. No dia de Ano-Novo, enlouquecido pelas grosserias de Remedios, a bela, o jovem comandante da guarda amanheceu morto de amor junto à sua janela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "Cem anos de solidão", Gabriel García Márquez&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7006118318732072865?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7006118318732072865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7006118318732072865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/12/trecho-de-cem-anos-de-solidao-gabriel.html' title='Trecho de &quot;Cem anos de Solidão&quot; - Gabriel García Márquez'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1128560612952503158</id><published>2011-12-07T17:03:00.001-02:00</published><updated>2011-12-07T17:06:08.009-02:00</updated><title type='text'>Livro de Jó - Capítulo 7</title><content type='html'>Capítulo 7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"1 A vida do homem sobre a terra é uma luta, seus dias são como os dias&lt;br /&gt;de um mercenário.&lt;br /&gt;2 Como um escravo que suspira pela sombra, e o assalariado que&lt;br /&gt;espera seu soldo,&lt;br /&gt;3 assim também eu tive por sorte meses de sofrimento, e noites de dor&lt;br /&gt;me couberam por partilha.&lt;br /&gt;4 Apenas me deito, digo: Quando chegará o dia? Logo que me levanto:&lt;br /&gt;Quando chegará a noite? E até a noite me farto de angústias.&lt;br /&gt;5 Minha carne se cobre de podridão e de imundície, minha pele racha e&lt;br /&gt;supura.&lt;br /&gt;6 Meus dias passam mais depressa do que a lançadeira, e se&lt;br /&gt;desvanecem sem deixar esperança.&lt;br /&gt;7 Lembra-te de que minha vida nada mais é do que um sopro, de que&lt;br /&gt;meus olhos não mais verão a felicidade;&lt;br /&gt;8 o olho que me via não mais me verá, o teu me procurará, e já não&lt;br /&gt;existirei.&lt;br /&gt;9 A nuvem se dissipa e passa: assim, quem desce à região dos mortos&lt;br /&gt;não subirá de novo;&lt;br /&gt;10 não voltará mais à sua casa, sua morada não mais o reconhecerá.&lt;br /&gt;11 E por isso não reprimirei minha língua, falarei na angústia do meu&lt;br /&gt;espírito, queixar-me-ei na tristeza de minha alma:&lt;br /&gt;12 Porventura, sou eu o mar ou um monstro marinho, para me teres&lt;br /&gt;posto um guarda contra mim?&lt;br /&gt;13 Se eu disser: Consolar-me-á o meu leito, e a minha cama me&lt;br /&gt;aliviará,&lt;br /&gt;14 tu me aterrarás com sonhos, e me horrorizarás com visões.&lt;br /&gt;15 Preferiria ser estrangulado; antes a morte do que meus tormentos!&lt;br /&gt;16 Sucumbo, deixo de viver para sempre; deixa-me; pois meus dias são&lt;br /&gt;apenas um sopro.&lt;br /&gt;17 O que é um homem para fazeres tanto caso dele, para te dignares&lt;br /&gt;ocupar-te dele,&lt;br /&gt;18 para visitá-lo todas as manhãs, e prová-lo a cada instante?&lt;br /&gt;19 Quando cessarás de olhar para mim, e deixarás que eu engula minha&lt;br /&gt;saliva?&lt;br /&gt;20 Se pequei, que mal te fiz, ó guarda dos homens? Por que me tomas&lt;br /&gt;por alvo, e me tornei pesado a ti?&lt;br /&gt;21 Por que não toleras meu pecado e não apagas minha culpa? Eis que&lt;br /&gt;vou logo me deitar por terra; tu me procurarás, e já não existirei."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livro de Jó, Antigo Testamento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1128560612952503158?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1128560612952503158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1128560612952503158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/12/livro-de-jo-capitulo-7.html' title='Livro de Jó - Capítulo 7'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7335833061372939877</id><published>2011-12-07T17:02:00.001-02:00</published><updated>2011-12-07T17:03:07.039-02:00</updated><title type='text'>Snowflakes</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=wdPK5Zh5xW4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moscow - Russia&lt;br /&gt;Song: The National - Daughters of the Soho Riots&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"My wife loves when it snows. I hate it"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7335833061372939877?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7335833061372939877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7335833061372939877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/12/snowflakes.html' title='Snowflakes'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2186842400847096003</id><published>2011-11-26T17:28:00.002-02:00</published><updated>2011-11-26T17:45:19.665-02:00</updated><title type='text'>Última noite branca</title><content type='html'>Última noite em St. Petersburg. Amanhã (27/11/2011), às 11:53, vou de trem para Moscow, uma viagem de 10 horas sentado, porque não tive grana pra comprar outra passagem com cama. Tenho 1300 rublos no bolso (um real equivale a quinze rublos). Pego um avião de Moscow para Paris às 20h do dia 28/11/2011 e, até lá, tenho de ficar andando pela rua, porque não tenho grana pra ficar em lugar nenhum também. Minhas botas, que comprei na semana passada, estão mais velhas do que muitos de vocês. Chegando a Paris, tenho duas horas para pegar outro vôo pro RJ, o que significa que, se algum desses horários atrasarem, eu estarei fodido. Chegando ao RJ, pego um ônibus do aeroporto pra rodoviária e fico esperando mais uma vez por um ônibus pra Juiz de Fora. Como não vou dormir absolutamente nada por dois dias, era pra eu estar dormindo agora (a madrugada já iniciou aqui), mas como era de se esperar, não consigo dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a única coisa que me incomoda é que ainda posso ser encontrado no mapa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2186842400847096003?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2186842400847096003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2186842400847096003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/11/ultima-noite-branca.html' title='Última noite branca'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1976909796174621715</id><published>2011-11-10T17:16:00.004-02:00</published><updated>2011-11-10T17:25:01.259-02:00</updated><title type='text'>Pesadelos</title><content type='html'>Os pesadelos nunca deixarão que você se esqueça da insanidade, como cicatrizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia um homem casado, com sua vida feita, após beijar seus filhos e sua mulher e deitar-se, acordará de madrugada, com o corpo completamente suado, e não se dará ao trabalho de acordar sua esposa, por saber que será um incômodo em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como um empresário bem sucedido, após um dia muito produtivo, em sua cama solitária, acordará assustado, no escuro, e tentará se concentrar e dormir para seu atarefado dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um padre, a despeito de toda sua dedicação, acordará lembrando-se de que seu interior questiona sua própria fé, ao redor da qual gira sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mendigo, deitado em qualquer lugar coberto de uma calçada, enrolado em um velho cobertor, acordará sem compreender como o interior de sua mente pode assombrá-lo mais do que o próprio mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo que une a existência de todas as pessoas que sentem o mundo. E por mais que se tente ignorá-lo, é impossível deixar de senti-lo. Há uma razão pela qual nenhum corpo se encaixe naturalmente ao seu, e é em vão qualquer esforço para tentar explicar a solidão. Algumas pessoas estão fadadas a ela e terão de aprender a lidar com sua convivência, sem qualquer explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado viajarei para Amsterdam e, posteriormente, Moscou e São Petersburgo. Se não encontrar inspiração na viagem, vou deletar este blog e desistir de escrever. Honestamente, estou cansado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1976909796174621715?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1976909796174621715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1976909796174621715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/11/pesadelos.html' title='Pesadelos'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5540180506877482735</id><published>2011-10-23T12:30:00.001-02:00</published><updated>2011-10-23T12:30:36.041-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A consciência é um inferno" - disse o bêbado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5540180506877482735?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5540180506877482735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5540180506877482735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/10/httpwww.html' title=''/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3490357535087270794</id><published>2011-10-16T02:16:00.007-02:00</published><updated>2011-10-16T02:31:33.638-02:00</updated><title type='text'>A manhã de um miserável</title><content type='html'>Acorde. A luz grita pela janela, fazendo seu cérebro pulsar, como quem conta o tempo em dor. Você dormiu no sofá de novo. Levante-se, olhe ao seu redor. Duas garrafas de vinho no chão, uma câmera ao seu lado, poucas recordações. Objetos ordinários. Você está em apartamento qualquer, mas o conhece melhor do que gostaria. Todos aqueles objetos que todas as pessoas precisam pra sobreviver, muitos os quais você conhece melhor do que conhece as pessoas. Seus detalhes são mais identificáveis que suas utilidades. As pessoas, você as quer conhecer, sabe que todas são individualmente racionais e interessantes, apesar de os homens se tornarem meros animais ao saírem de suas casas, algo que você não suporta. Mas não se pode pular etapas. Ninguém confiará o bastante em você para simplesmente entrar em seu apartamento, fugir de todos os outros, sem antes ter te conhecido. Você abre sua janela e então se lembra do porquê de manter as cortinas sempre fechadas. Olha para seus vizinhos, para as janelas, para as luzes, sabendo de cor tudo o que eles farão em suas rotinas medíocres. Observa, então, que sua mão treme. Há quanto tempo não come? Pega sua câmera e, filmando o chão, vai até a geladeira. Todos os tipos de congelados, aparentemente saborosos. Mas isto não importa. Você simplesmente precisa comer, pra que seu corpo pare de perturbá-lo. O gosto da comida já lhe é indiferente há muito tempo. Uma produção em massa de animais para que simplesmente sejam mortos e postos em sua geladeira. Unicamente porque o homem é mais forte, mais esperto. Estes animais, nascidos em cativeiros fétidos, sem dispor de tempo pra sequer imaginar em que consista suas vidas, eram, ainda assim, mais felizes que você. Seu maço de cigarros. Cujo gosto há muito já perdeu sua graça. Já não acalmam. Você o mantém fechado. Estragam seus dentes, você precisará deles pra entrevistas de emprego futuramente. Vá ao espelho, arrume-se dignamente. Percebe então, ao ver seu reflexo pelas lentes de sua câmera, o corpo sem sonhos que é. Por opção própria, como todas as pessoas. Preferimos sempre esquecer que a existência é curta, mergulhar na futilidade de uma vida ordinária e deixar para reclamar sobre a incompletude quando a velhice nos roubar os escapismos da juventude. Você se lembra, então, que não gosta de ser filmado. Lembra-se de como as pessoas se sentem desconfortáveis quando sua câmera está em suas mãos. De certa forma, você as compreende. Mas não pode ter certeza disto. E nem faz questão, aborrecido como está pelo começo de mais um dia. Dê mais um passeio por seu apartamento, com a câmera na mão. Iluda-se de que tudo será melhor quando você puder se mudar com frequência, nunca parar no mesmo lugar. Mas você sabe que todos esses objetos ao seu redor seguem um padrão – bem como as tradições - e ainda que acorde em diferentes apartamentos, em diferentes cidades, em diferentes países com diferentes culturas, acordará rodeado por pessoas iguais, patéticas. Como você. O padrão é intragável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3490357535087270794?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3490357535087270794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3490357535087270794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/10/manha-de-um-miseravel.html' title='A manhã de um miserável'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7945661545916834315</id><published>2011-09-30T20:57:00.000-03:00</published><updated>2011-09-30T20:58:13.448-03:00</updated><title type='text'>Os olhos do vício</title><content type='html'>O vício assiste ao mundo, com pesar.&lt;br /&gt; O bar esvaziava à medida que a madrugada o invadia. A garçonete, com sua roupa vulgar e sua cara estereotipada, servia sua última dose de whisky. Ela sabia que aquele era o momento em que seu patrão transformava o balcão em um improvisado palco, momento em que ela se transportava ao seu segundo emprego. Torcia para que o tatuador - cujo nome desconhecia – fosse ao jukebox, para que pudesse dançar algo mais lento e agradável. Era horrível quando qualquer homem novo o fizesse, colocando algo vulgar para se divertir com os amigos. É estranho como uma cidade cresce até certo ponto, diminuindo a partir de tal, formando microcidades em seu interior. Apesar de desconhecer os nomes dos frequentadores ou nunca com eles ter trocado sequer uma palavra, sabia muito sobre a personalidade de cada um. Este tatuador, por exemplo, era um dos mais talentosos em todo o enorme concentrado urbano em que viviam, mas não tinha nenhuma credibilidade por ter aprendido a tatuar em seu próprio corpo, tornando-o um emaranhado de desenhos tortuosos e de baixa qualidade, principalmente em suas partes mais visíveis. Por outro lado, gostava de morar em um lugar tão grande, onde sabia que poderia recomeçar simplesmente mudando de bairro. Ou se iludia com essa ideia. Parte das pessoas de emprego medíocre é livre em sua mente, apesar de escravas do dinheiro, da rotina medíocre que exercem pelo necessário para sobreviverem. Outras pessoas, de empregos melhores, são meros escravos do tempo. Há ainda os que são escravos de sua própria vulgaridade. Já parou para pensar quantas pessoas são autônomas o bastante para, caso estejam insatisfeitas com sua vida, poderem simplesmente alterá-la por completo?&lt;br /&gt; Felizmente, o tatuador se dirigiu ao jukebox, escolhendo uma canção a qual deixarei por conta de sua própria imaginação. Desta forma, a mulher poderia se mover lentamente, de acordo com o peso do cansaço em seus olhos. Às vezes, enquanto dançava, pensava que não precisava deste segundo emprego. O dinheiro sequer era compensador, boa parte das gorjetas ia ao seu patrão. Não possuía família. Não possuía grandes ambições. De certa forma, sequer possuía responsabilidades. Mas era incrível o poder do cansaço. Enquanto dançava, observava as pessoas ao seu redor e o constatava. Seu patrão, fumando um cigarro, conversava sorridente com um grupo de amigos, provavelmente a oferecia. Imaginava se ele sequer sabia seu nome, provavelmente pensava nela como a mulher de seios menores, ou da bunda maior, de acordo com seu humor. O tatuador mal assistia à dança, simplesmente tomava mais uma dose de cachaça. Provavelmente havia tirado pouco dinheiro naquela semana, ou estaria bebendo whisky. No balcão, mais próximo a ela, outro frequentador: mais bem vestido, sabia que este era viciado em jogos, compreendia sua infelicidade: quanto mais gostasse de algo, mais provável seria perdê-lo. Cabisbaixo, procurava finalizar sua bebida antes que a perdesse em alguma aposta. Para ele, era horrível pensar no amanhã.&lt;br /&gt; Porém, já não sentia raiva daquelas pessoas. Sabia que cada um estava ali apenas por um motivo, pelo mesmo motivo que ela: o cansaço. Também já não a desprezava pela mesma razão; a idade comera sua arrogância, a possibilitara notar que não era tão diferente deles, e que suas posições também não eram de todo diferentes, desprezando-se o que socialmente se pensava. No fim das contas, eram apenas pessoas no final dos seus dias, de suas rotinas, cansadas demais para mudar, indiferentes demais para julgar. Não há certo ou errado quando se está cansado demais, apenas procura-se mover para frente, continuar o caminho que se construiu. Dançar, não importa a canção, não importa a companhia, se há qualquer companhia, se há qualquer sentido, se a música é boa ou ruim. Move-se para frente. &lt;br /&gt; Ao finalizar sua dança, sem qualquer freguês que pretendesse com ela algo além, a mulher se vestiu e, na saída da espelunca na qual trabalhava, pensou em acender um cigarro. Mas não teve ânimo para tal. Não é de se estranhar que haja, na vida, vícios, sendo esta própria um vício. Mas que de tão viciosa, comia seus próprios vícios, e seu próprio amor por viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7945661545916834315?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7945661545916834315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7945661545916834315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/09/os-olhos-do-vicio.html' title='Os olhos do vício'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-998877782189203868</id><published>2011-09-28T16:32:00.002-03:00</published><updated>2011-09-28T16:40:51.840-03:00</updated><title type='text'>O Grande inquisidor</title><content type='html'>É preciso, sob o ponto de vista literário, que o meu poema tenha um preâmbulo. A acção passa-se no século XVI; bem sabes que era costume, nesta época, fazer intervir nos poemas os poderes celestes. Não falo de Dante1.Em França, os "clercs de la basoche"2e os monges davam representações em que punham em cena Nossa Senhora, os anjos, os santos, Cristo e Deus. Eram espectáculos ingénuos. Na Nossa Senhora de Paris, de Vítor Hugo, o povo é convidado, no tempo de Luís XI, em Paris, e em honra do nascimento do Delfim, para uma representação edificante e gratuita: O Bom Juízo da Sagrada e Graciosa Virgem Maria. Neste mistério aparece a própria Virgem a pronunciar o seu "bom Juízo". No nosso país, em Moscovo, antes de Pedro, o Grande, davam-se, de tempos a tempos, representações deste género, inspiradas sobretudo no Velho Testamento. Além disso, circulava uma grande quantidade de narrativas e de poemas em que figuravam, segundo as necessidades, os santos, os anjos, o exército celeste. Nos mosteiros traduziam- se e copiavam-se estes poemas, e compunham-se mesmo outros novos, tudo sob a dominação dos Tártaros. Existe, por exemplo, um pequeno poema, traduzido sem duvida do grego: A Virgem no Inferno com quadros duma audácia dantesca: a Virgem visita o Inferno, guiada pelo arcanjo S. Miguel, e vê os condenados e os seus tormentos; entre outros, há uma categoria muito interessante de pecadores: os do lago de fogo; mergulham no lago e nunca mais aparecem: são aqueles "de que até Deus se esquece" - expressão esta duma profundeza e duma energia notável. A Virgem, chorando, cai de joelhos diante do trono de Deus e pede o perdão de todos os pecadores que viu no Inferno, sem distinção; o Seu diálogo com Deus é dum interesse extraordinário; suplica, insiste e, quando Deus Lhe mostra os pés e as mãos do Filho furados pelos pregos e Lhe pergunta: "Como poderia eu perdoar aos seus verdugos?" -, ordena a todos os santos, a todos os mártires, a todos os anjos que se ponham de joelhos como Ela e implorem a Deus que perdoe a todos os pecadores, sem distinção. Obtém, por fim, que cessem os tormentos, todos os anos, desde Sexta-Feira Santa ao Pentecostes, e os condenados, do fundo do Inferno, agradecem a Deus e gritam: "Senhor, a Tua sentença é justa!". Pois bem: o meu poemazito teria sido deste género, se o tivesse escrito nessa época. Deus aparece; não diz nada; só passa. Rodaram quinze séculos, depois que prometeu voltar ao Seu reino, depois que o Seu profeta escreveu: "Cedo voltarei; quanto ao dia e à hora, o Filho mesmo não os conhece; só o sabe meu Pai que está nos Céus", segundo as próprias palavras que pronunciou na Terra. E a humanidade espera-O com a mesma fé que outrora, fé mais ardente ainda, porque já quinze séculos passaram depois que o Céu deixou de dar penhores aos homens: "Crê no que te diz o coração; os Céus não dão penhores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que se produziam então numerosos milagres: os santos realizavam curas maravilhosas, a Rainha dos Céus visitava certos justos, a acreditar no que narram as biografias. Mas o Diabo não dorme; a humanidade começa a duvidar da autenticidade destes prodígios. Neste momento, nasceu na Alemanha uma heresia terrível que negava os milagres. "Uma grande estrela, ardendo como um facho (a Igreja, evidentemente!), caiu sobre as fontes das águas, que se tornaram amargas". A fé dos fiéis redobrou. As lágrimas da humanidade elevam-se para Ele como outrora, e aguardam-n'O e amam-n'O e têm esperança n'Ele como outrora... Já há tantos séculos que a humanidade roga com ardor: "Senhor, digna-Te aparecer-nos", já há tantos séculos que para Ele vão seus gritos, que, na Sua misericórdia infinita, quis descer junto dos fiéis. Já antes tinha visitado, pelo que nos dizem os biógrafos, alguns justos, mártires e santos anacoretas. Entre nós, Pintchev3, que acreditava profundamente na verdade das Suas palavras, proclamou que "curvado ao peso da Sua cruz e com humilde aparência, o Rei dos Céus te percorreu, ó terra natal, a abençoar-te toda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que se quis mostrar, por um instante ao menos, ao povo sofredor e miserável, ao povo mergulhado nos pecados, mas que O ama ingenuamente. A acção passa-se em Espanha, em Sevilha, na época mais terrível da Inquisição, quando todos os dias, para glória de Deus, se acendiam as fogueiras e "os medonhos hereges ardiam em soberbos autos-de-fé". Oh! não foi assim que prometeu voltar, no fim dos tempos, em toda a Sua glória, subitamente, "como um relâmpago que brilha de Oriente a Ocidente". Não; quis visitar Seus filhos, precisamente no lugar em que crepitavam as fogueiras dos hereges. Na Sua infinita misericórdia, volta para entre os homens com a forma que tinha durante os três anos de vida pública. Desce pelas ruas ardentes da cidade meridional em que, justamente na véspera, em presença do rei, dos cortesãos, dos cavaleiros, dos cardeais e das mais gentis damas da corte, o grande inquisidor mandou queimar uma centena de hereges, ad majorem gloriam Dei4.Apareceu suavemente, sem se fazer notar, e, coisa estranha, todos O reconhecem; a explicação do motivo seria um dos mais belos passos do meu poema; atraído por uma força irresistível, o povo comprime-se à Sua passagem e segue-Lhe os passos. Silencioso, passa pelo meio da multidão com um sorriso de compaixão infinita. Tem o coração abrasado de amor, dos olhos se Lhe desprendem a Luz, a Ciência, a Força que irradiam e nas almas despertam o amor. Estende-lhes os braços, abençoa-os, e uma virtude salutar emana do Seu contacto e até dos Seus vestidos. Um velho, cego de criança, grita dentre o povo: "Senhor, cura-me e ver-Te-ei"; cai-lhe uma escama dos olhos e o cego vê. O povo derrama lágrimas de alegria e beija o chão que Ele pisa. As crianças deitam-Lhe flores no caminho; todos cantam, todos gritam: Hossana! É Ele, deve ser Ele, não pode ser senão Ele! Pára no adro da Catedral de Sevilha, no momento em que trazem um caixãozinho branco, com uma menina de sete anos, filha única de um homem importante. A morta está coberta de flores.&lt;br /&gt;- Vai ressuscitar a tua filha - gritam da multidão para a mãe cheia de lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre que viera ao encontro do caixão olha com ar perplexo e franze o sobrolho. De repente, ouve-se um grito e a mãe lança-se-Lhe aos pés: "Se és Tu, ressuscita-me a filha! - e estende-Lhe os braços. O préstito pára, pousam o caixão nas lajes. Ele contempla-o com piedade e a Sua boca profere suavemente, uma vez mais: Talitha kum, e a rapariga levantou-se. Soergue-se a morta, senta-se e olha em torno, sorridente, com um ar de espanto; segura nas mãos o ramo de rosas brancas que lhe tinham posto no caixão. Na gente que assiste, há perturbação, gritos e choros. Neste instante, passa pela praça o cardeal grande inquisidor. É um velho alto, quase nonagenário, com uma face seca e olhos cavados, onde ainda brilha, porém, uma centelha. Não tem o vestuário pomposo com que no dia anterior se pavoneava diante do povo, enquanto se queimavam os inimigos da Igreja romana; voltou ao grosseiro burel. Os taciturnos ajudantes e a guarda do Santo Ofício seguem-no a respeitosa distância. Pára diante da multidão e observa-a de longe. Viu tudo, o caixão pousado perante Ele, a ressurreição da criança - e a face tornou-se-lhe sombria. Franze as espessas sobrancelhas e os olhos brilham-lhe com sinistro clarão. Aponta-O com o dedo e ordena aos guardas que O prendam. Tão grande é o seu poder e tão habituado está o povo a submeter-se, a obedecer-lhe, tremendo, que a multidão se afasta diante dos esbirros; estes, no meio de um silêncio de morte, seguram-n'O e levam-n'O. Como um só homem, o povo inclina-se até o chão diante do velho inquisidor que o abençoa sem dizer palavra e prossegue o seu caminho. Conduzem o Preso ao velho e sombrio edifício da Inquisição, metem-n'O em estreita cela abobadada. Termina o dia e chega a noite, uma noite de Sevilha, quente e sufocante. O ar está todo perfumado de loureiros e limoeiros. De súbito, nas trevas, abre-se a porta de ferro do calabouço e o grande inquisidor aparece, com um archote na mão. Está só e a porta se fecha por trás dele. Pára no limiar, considera longamente a Face Sagrada. Por fim, aproxima-se, pousa o archote na mesa e diz-Lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- És Tu, és Tu? - E, como não recebe resposta, acrescenta rapidamente: - Não digas nada, cala-Te. De resto, que poderias Tu dizer? Já o sei de mais. Não tens o direito de juntar uma palavra ao que disseste outrora. Porque vieste incomodar-nos? Bem sabes que nos incomodas. Mas, sabes o que acontecerá amanhã? Ignoro quem és e nem quero sabê-lo: és Tu ou somente a Sua aparência? Mas amanhã hei-de condenar-Te e serás queimado como o pior dos heréticos e o mesmo povo que hoje Te beijava os pés se precipitará amanhã, a um sinal meu, para deitar lenha na fogueira. Sabes tudo isso? Talvez - diz ainda o velho, pensativo, com os olhos sempre fixos no Preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não compreendo bem o que isso quer dizer, Ivã - objectou Aliocha, que tinha escutado em silêncio. - É uma fantasia, um erro do velho, um estranho mal-entendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Admite essa última hipótese - respondeu lvã, rindo - se o realismo moderno te tornou a esse ponto refractário ao sobrenatural. Seja como tu quiseres. É verdade, o meu inquisidor tem noventa anos e pode ser que a sua ideia lhe tenha perturbado o espirito já há muito. Pode ser, enfim, um simples delírio, o sonho de um velho antes do fim, com a imaginação excitada pelo corrente auto-de-fé. Mas, mal-entendido ou fantasia, que nos importa? O que é preciso notar somente é que o inquisidor revela finalmente o seu pensamento, descobre o que calou durante toda a sua carreira.&lt;br /&gt;- E o Preso não diz nada? Contenta-se em olhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Decerto. Não tem outra coisa a fazer senão calar-se. O próprio velho lhe faz observar que não tem o direito de juntar nem mais uma palavra ao que disse antigamente. Na minha humilde opinião, é esta talvez a característica fundamental do catolicismo romano: "Tudo foi transmitido por Ti ao papa, tudo depende agora do papa; não venhas incomodar-nos, antes do tempo, pelo menos." Tal é a doutrina deles; em qualquer caso, é a dos Jesuítas; encontrei-a nos seus teólogos. "Tens Tu o direito de nos revelar um só dos segredos do mundo donde vens?" - pergunta o velho que logo responde em lugar do Outro: "Não, não tens o direito de o fazer, porque esta revelação se juntaria à de outrora, e isso seria retirar aos homens a liberdade que tanto defendias na Terra. Todas as Tuas novas revelações infringiriam a liberdade da fé, porque pareceriam miraculosas; ora, Tu punhas acima de tudo, há quinze séculos, esta liberdade da fé". Não disseste Tu muitas vezes: "Quero tornar-vos livres"? Pois bem: lá os viste, aos homens "livres" - acrescenta o velho, com um ar sarcástico. Sim, custou-nos caro - prossegue, olhando-O, com severidade, mas, enfim, sempre completámos em Teu nome esta obra. Foram necessários quinze séculos de rude trabalho para instaurar a liberdade; mas está pronto, e bem pronto. Não crês? Olhas-me com brandura, sem mesmo dares a honra de Te indignares? Mas é bom saberes que nunca os homens se julgaram tão livres como hoje, e, contudo, depuseram a nossos pés, humildemente, a sua liberdade. É esta a nossa obra, na verdade; é a liberdade que Tu sonhavas?&lt;br /&gt;- Não compreendo outra vez - interrompeu Aliocha; é uma ironia dele, é uma&lt;br /&gt;troça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De modo nenhum! Gaba-se de terem, Ele e os Seus, suprimido a liberdade, com o objectivo de tornar os homens felizes. "Porque é agora, pela primeira vez (fala da Inquisição, bem entendido), que se pode pensar na felicidade dos homens. São, por natureza, uns revoltados; podem os revoltados ser felizes? Tu estavas prevenido, não Te faltaram conselhos, mas não Te importaste, puseste de parte o único meio de obter a felicidade para os homens; e foi uma sorte que, ao partires, nos tivesses transmitido a obra, nos tivesses prometido, nos tivesses solenemente concedido o direito de ligar e desligar; não poderias agora pensar em nos retirares esse direito. Porque vieste incomodar-nos?&lt;br /&gt;- Que significa isso: "Não Te faltaram avisos e conselhos"?&lt;br /&gt;- Mas é o ponto capital do discurso do velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Espírito terrível e profundo, o Espírito da destruição e do nada - continua ele - falou-Te no deserto e contam as Escrituras que Te "tentou". É verdade? E podiam ter-Te dito alguma coisa de mais penetrante que as três perguntas, ou, para falar como as Escrituras, as "tentações" que repeliste? Se jamais houve na Terra um milagre autêntico e retumbante, foi no dia dessas três tentações. Basta o facto de se terem formulado as três perguntas para que haja o milagre. Suponhamos que desapareciam das Escrituras, que era preciso reconstitui-las, imaginá-las de novo para as pôr lá outra vez, e que, para esse fim, se reuniam todos os sábios da Terra, homens de Estado, prelados, homens de ciência, filósofos, poetas, e se lhes dizia: "Imaginai, redigi três perguntas que não somente correspondam à importância do acontecimento, mas exprimam ainda, em três frases, toda a história da humanidade futura; achas que este areópago da sabedoria humana poderia imaginar alguma coisa de tão forte e de tão profundo como as três perguntas que te propôs então o poderoso Espírito? Elas provam, sozinhas, que se tratava do Espírito eterno e absoluto, não dum espírito humano transitório, porque resumem e predizem ao mesmo tempo toda a história posterior da humanidade; são as três formas em que se cristalizam todas as contradições insolúveis da natureza humana. Nesse momento, ninguém deu conta de nada, porque o futuro estava encoberto, mas hoje, como passaram quinze séculos, vemos que tudo fora previsto nas três perguntas e se realizou a tal ponto que é impossível juntar ou cortar uma só palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Decide Tu próprio quem tinha razão, Tu ou aquele que Te interrogava. Lembra-Te da primeira, pelo menos do sentido: querer ir pelo mundo com as mãos vazias, a pregar aos homens uma liberdade que a sua estupidez e a sua ignomínia natural os impedem de compreender, uma liberdade que lhes faz medo, porque nada há nem nunca houve tão intolerável para o homem e para a sociedade! Vês estas pedras neste árido deserto? Transforma-as em pães e a humanidade seguirá os Teus passos, como um rebanho dócil e reconhecido, mas sempre com medo que a Tua mão se retire e que o pão se lhe acabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas não quiseste privar o homem da liberdade e recusaste, achando que ele era incompatível com a obediência comprada como os pães. Replicaste que o homem não vive só de pão; mas, sabes que em nome do pão terrestre o Espírito da Terra se levantará contra Ti, lutará e Te há-de vencer, e que todos o hão-de seguir gritando: "Quem se pode comparar com a besta que nos dá o fogo do Céu?" Hão-de passar os séculos e a humanidade proclamará, pela boca dos seus homens de ciência e dos seus sábios, que não há crimes e que, por conseguinte, não há pecados: só há famintos. "Alimenta-os e só depois podes exigir que sejam virtuosos!" Eis o que se há-de inscrever no estandarte da revolta que abaterá o Teu templo. Elevarão em vez dele um novo edifício, uma segunda torre de Babel que, sem dúvida, como a primeira, ficará por terminar; mas poderias ter poupado aos homens esta nova tentativa e mil anos de sofrimento. Hão-de vir procurar-nos, depois de se terem esforçado, durante mil anos, por construir a sua torre. Hão-de procurar-nos debaixo do chão como outrora, nas catacumbas em que estaremos escondidos (porque nos perseguirão de novo) e hão-de clamar: "Dai-nos de comer, porque aqueles que nos tinham prometido o fogo do Céu nada nos deram." Então havemos de acabar a torre, porque para tal só é preciso comida, e nós os alimentaremos, em Teu nome, claro, e lho faremos crer. Sem nós, estarão sempre com fome. Nenhuma ciência lhes dará o pão enquanto estiverem livres; e hão-de depô-la a nossos pés, a essa liberdade, e dirão: "Fazei de nós escravos, mas alimentai- nos." Compreenderão, enfim, que a liberdade é inconciliável com o pão da Terra à discrição, porque nunca hão-de saber reparti-lo entre si! Também se hão-de convencer da sua impotência para se tornarem livres, porque são fracos e depravados, revoltados e nulos. Prometias-lhes o pão do Céu; e, vamos lá uma vez mais, acaso se pode ele comparar com o da Terra aos olhos da fraca raça humana, eternamente ingrata e depravada? Milhares e dezenas de milhares de almas Te hão-de seguir por causa deste pão, mas que há-de ser dos milhões e dos biliões que não tiverem coragem de preferir o pão do Céu ao pão da Terra? Não serias Tu amigo senão dos grandes e dos fortes, para quem os outros, a multidão inumerável, que é fraca, mas que Te ama, serviria apenas de matéria explorável? Mas nós somos também amigos dos seres fracos. Embora depravados e revoltados, hão-de tornar-se finalmente dóceis. Hão-de admirar-nos e hão-de julgar-nos deuses por termos consentido, pondo- nos à frente deles, em assegurar a liberdade que temiam e em dominá-los; tal será, por fim, o seu medo de serem livres. Mas dir-lhes-emos que somos Teus discípulos, que reinamos em Teu nome. Enganá-los-emos de novo, porque nessa altura não deixaremos que Te aproximes de nós. E é esta impostura que constituirá o nosso sofrimento, porque seremos obrigados a mentir. É este o sentido da primeira pergunta que Te fizeram no deserto e foi isto o que Tu repeliste em nome da liberdade que punhas acima de tudo. Continha, no entanto, o segredo do mundo. Se tivesses consentido no milagre dos pães, terias acalmado a eterna inquietação da humanidade - indivíduos e colectividade - : "diante de quem se inclinar?" Porque não há para o homem que ficou livre cuidado mais constante e mais doloroso do que o de procurar um ser diante do qual se incline. Mas não quer inclinar-se senão diante de uma força incontestada, que todos os seres humanos respeitam por um consentimento universal. Estas pobres criaturas atormentam-se na busca de um culto que reuna não somente alguns fiéis, mas no qual comunguem todos juntos, unidos pela mesma fé. Esta necessidade do comum na adoração é o principal tormento de cada indivíduo e da humanidade inteira, desde o começo dos séculos. É para realizar este sonho que tem havido os extermínios a gládio. Os povos forjaram deuses e desafiaram-se uns aos outros: "Abandona os vossos deuses, adorai os nossos; senão, ai de vós e dos vossos deuses!" E será assim até o fim do mundo, mesmo quando já os deuses tiverem desaparecido; prostrar-se-ão diante dos ídolos. Não ignoravas, não podias ignorar este segredo fundamental da natureza humana e, contudo, repeliste a única bandeira infalível que Te ofereciam e que teria curvado, sem contestação, todos os homens diante de Ti, a bandeira do pão terrestre; repeliste-a em nome do pão celeste e da liberdade! Vê o que fizeste depois, e sempre em nome da liberdade! Não há, torno a dizer-Te, anseio mais doloroso para o homem que o de encontrar o mais cedo possível um ser a quem entregue este dom da liberdade que o desgraçado traz ao nascer. Mas, para dispor da liberdade dos homens, é necessário dar-lhes a paz da consciência. O pão garantia-Te o êxito; o homem inclina-se diante de quem o dá, porque é coisa incontestada; mas logo que outro se assenhoreie da consciência humana, deixará o Teu pão para seguir quem cativou a sua consciência. Nisto tinhas Tu razão, porque o segredo da existência humana consiste, não somente em viver, mas também em encontrar um motivo de viver. Sem uma ideia nítida do fim da existência, o homem prefere abandoná-la e, embora estivesse rodeado de montões de pão, antes seria capaz de suicidar-se do que de ficar na Terra. Mas, que aconteceu? Em lugar de Te apoderares da liberdade humana, foste alargá-la ainda mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueceste que o homem prefere a paz, e até a morte, à liberdade de discernir o Bem e o Mal? Nada há de mais sedutor para o homem do que o livre arbítrio, mas nada há também de mais doloroso. E, em vez de princípios sólidos que tivessem tranquilizado para sempre a consciência humana, escolheste noções vagas, estranhas, enigmáticas, tudo o que ultrapassa a força dos homens; agiste, portanto, como se os não amasses, Tu, que tinhas vindo para dar a vida por eles! Aumentaste a liberdade humana em lugar de a confiscares e impuseste assim, para sempre, ao ser moral as agonias dessa liberdade. Querias ser livremente amado, voluntariamente seguido pelos homens que tivesses encantado. Em vez da dura lei antiga, o homem devia, daí por diante, discernir, de coração livre, o Bem e o Mal, não tendo para o guiar senão a Tua imagem; mas não previas que por fim repeliria e contestaria mesmo a Tua imagem e a Tua verdade, porque estava esmagado pelo fardo terrível da liberdade de escolher? Hão-de gritar que a verdade não estava em Ti; de outro modo, não os terias deixado em tão angustiosa incerteza, com tantos cuidados e tantos problemas insolúveis. Preparaste assim a ruína do Teu reino; não deves, portanto, acusar ninguém dessa ruína. Era isto, contudo, o que Te propunham? Há três forças, as únicas que podem subjugar para sempre a consciência destes fracos revoltados: são o milagre, o mistério, a autoridade! A todas três afastaste, dando assim um exemplo. O Espírito terrível e fecundo transportara-Te ao pináculo do templo e dissera-Te: "Queres Tu saber se és Filho de Deus? Atira-Te abaixo, porque está escrito que os anjos O hão-de sustentar e segurar e não Se ferirá; ficarás então a saber se és o Filho de Deus e provarás assim a Tua Fé em Teu Pai." Mas repeliste a proposta e não Te precipitaste. Mostraste nessa altura uma altivez sublime, divina, mas os homens, raça fraca e revoltada, não são deuses! Sabias que, se desses um passo, se fizesses um gesto para Te precipitares, terias tentado o Senhor e perdido a Fé que n'Ele tinhas. Com grande alegria do tentador, ter-Te-ias despedaçado na Terra que vinhas salvar. Mas haverá muitos como Tu? Podes admitir por um instante que os homens teriam a força de resistir a semelhante tentação? É próprio da natureza humana repelir o milagre e, nos momentos graves da vida, perante as questões capitais e dolorosas, entregar-se à livre decisão do espírito? Oh! Tu sabias que a Tua firmeza seria relatada nas Escrituras, atravessaria as idades, atingiria as regiões mais longínquas, e esperavas que, seguindo o Teu exemplo, o homem se contentasse com Deus, sem recorrer ao milagre. Mas ignoravas que o homem repele Deus ao mesmo tempo que o milagre, porque é sobretudo o milagre o que ele busca. E, como não era capaz de passar sem ele, forja novos milagres, os seus próprios milagres, e inclina-se diante dos prodígios dum mago, dos sortilégios de uma feiticeira, mesmo que seja um revoltado, um herético, um ímpio confesso. Não desceste da cruz quando zombavam de Ti e Te gritavam por troça: "Desce da cruz e acreditaremos em Ti." Não o fizeste, porque não querias escravizar de novo o homem com um milagre; desejavas uma fé que fosse livre e não inspirada pelo maravilhoso. Era-Te necessário um livre amor, não os transportes dum escravo aterrado. Ainda aí fazias uma ideia elevada dos homens, porque são escravos, embora tenham sido criados rebeldes. Vê e ajuíza, após quinze séculos: quem elevaste até junto de Ti? Posso jurar-to: o homem é mais fraco e mais vil do que Tu julgavas. Acaso pode ele realizar o mesmo que Tu? A grande estima que tinhas pelos homens prejudicou a piedade. Exigiste-lhes demasiado, Tu que, no entanto, os amavas mais do que a Ti próprio! Estimando-os menos, ter-lhes-ias imposto fardo mais leve, mais de acordo com o Teu amor. São cobardes e fracos. Que importa que se insurjam agora contra a nossa autoridade e se orgulhem da sua revolta? É o orgulho dos rapazitos de escola que se amotinaram e expulsaram o mestre. A alegria dos garotos acabará e custar-lhes-á cara. Derrubarão os templos e inundarão a Terra de sangue; mas perceberão por fim, essas estúpidas crianças, que não são mais do que fracos revoltados incapazes de manter a sua revolta durante muito tempo. Derramarão lágrimas absurdas e compreenderão que o Criador, fazendo-os rebeldes, quis troçar deles, com certeza. Hão-de chamá-Lo com desespero e esta blasfémia torná-los-á ainda mais infelizes porque a natureza humana não suporta a blasfémia e acaba sempre por se vingar. A inquietação, as perturbações, a infelicidade, eis aqui o que possuem os homens, depois de tudo que sofreste pela sua liberdade! O Teu eminente profeta diz, na sua visão simbólica, que viu todos os que participavam da primeira ressurreição, e que havia doze mil para cada tribo. Para serem tão numerosos deviam ser mais do que homens, deviam ser quase deuses. Suportavam a Tua cruz e a vida no deserto, alimentados a gafanhotos e a raízes; decerto podes estar orgulhoso destes filhos da liberdade, do livre amor, do sublime sacrifício em Teu nome. Mas lembra-Te de que não eram senão alguns milhares e quase deuses; e o resto? É culpa deles, dos outros, dos fracos homens, o não terem podido suportar o que suportam os fortes? Acaso tem culpa a alma fraca de não poder conter dores tão terríveis? Só vieste para os eleitos? Nesse caso, é um mistério, incompreensível para nós, e teríamos o direito de o pregar aos homens, de ensinar que não importam nem a livre decisão dos corações nem o amor, mas sim o mistério, a que se devem submeter cegamente, mesmo contra a aprovação da sua consciência. Foi o que nós fizemos. Corrigimos a Tua obra fundando-a sobre o milagre, o mistério, a autoridade. E os homens alegraram-se, porque eram de novo levados como um rebanho e ficavam livres da diva funesta que tais tormentos lhes causava. Não é verdade que tínhamos razão para proceder assim? Não era amar a humanidade, compreender a sua fraqueza, aliviando-lhe o fardo com amor, tolerar mesmo o pecado à sua fraca natureza, contanto que fosse com permissão nossa? Para que vieste, portanto, entravar a nossa obra? Para que Te conservas em silêncio e me fixas com o Teu olhar terno e penetrante? É preferível que Te zangues, porque não quero o Teu amor: eu mesmo não Te amo. Porque o hei-de dissimular? Sei a quem falo, conheço o que tenho a dizer-Te, vejo-o nos Teus olhos. Terei eu de Te esconder o nosso segredo? Mas talvez o queiras ouvir da minha boca; aqui o tens. Não estamos contigo, mas com ele, e já há muito tempo. Há exactamente Oito séculos que recebemos dele esta última dádiva que Tu afastaste com indignação quando ele te mostrava todos os reinos da Terra; aceitámos Roma e o gládio de César e declarámo-nos os únicos reis da Terra, se bem que não tenhamos tido tempo até agora de ultimar a nossa obra. Mas, de quem é a culpa? O trabalho ainda está no princípio, está longe do termo e a Terra terá ainda muito que sofrer, mas nós atingiremos o nosso objectivo, seremos césares; pensaremos então na felicidade universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, poderias ter empunhado o gládio de César. Por que motivo afastaste esta última dádiva? Se seguisses o terceiro conselho do poderoso Espírito, realizarias tudo o que os homens procuram na Terra: um senhor diante de quem se inclinem, um guarda da consciência e o meio de finalmente se unirem em concórdia num formigueiro comum, porque a necessidade da união universal é o terceiro e último tormento da raça humana. A humanidade, no seu conjunto, mostrou sempre tendência para se organizar sobre uma base universal. Tem havido grandes povos de história gloriosa, mas, à medida que se têm elevado, têm sofrido mais, porque sentem mais fortemente do que os outros a necessidade da união universal. Os grandes conquistadores, os Tamerlão e os Gengiscão, que percorreram a Terra como furacões, encarnavam também, sem disso terem consciência, esta aspiração dos povos para a unidade. Aceitando a púrpura de César, terias fundado o império universal e dado a paz ao mundo. Com efeito, quem pode dominar os homens senão aqueles que lhes dominam a consciência e dispõem do pão? Tomamos o gládio de César e, ao fazê-lo, abandonamos-Te para o seguirmos. Oh! hão-de passar ainda séculos de licença intelectual, de vã ciência e de antropofagia, porque é por isso que hão-de acabar, depois de terem edificado sem nós a sua torre de Babel. Então a besta virá ter connosco, de rastos, lamberá os nossos pés, regá-los-á com lágrimas de sangue; e subir-lhe-emos para cima e levantaremos no ar uma taça em que estará gravada a palavra "Mistério!" Só então a paz e a felicidade reinarão entre os homens. Tens orgulho dos Teus eleitos, mas são apenas um escol, ao passo que nós daremos o repouso a todos. De resto, entre esses fortes destinados a serem os eleitos, quantos se cansaram de esperar, quantos levaram e continuarão a levar para outros pontos as forças do seu espírito e o ardor do seu coração, quantos acabarão por se insurgir contra Ti em nome da liberdade. Mas foste Tu quem a deu. Tornaremos os homens felizes, cessarão as revoltas e chacinas que são inseparáveis da Tua liberdade. Oh! havemos de persuadi-los de que não serão verdadeiramente livres senão abdicando da sua liberdade em nosso favor. Pois bem! Diremos a verdade ou mentiremos? Eles próprios se convencerão de que falamos a verdade, porque se hão-de lembrar da escravatura e da perturbação em que os tinha lançado a Tua lib erdade. A independência, o pensamento livre, a ciência, hão-de perdê-los num tal labirinto, hão-de pô-los em presença de tais prodígios, de tais enigmas, que uns, rebeldes, furiosos, se destruirão a si próprios, outros, rebeldes, mas fracos, multidão de cobardes e de miseráveis, se hão-de arrastar aos nossos pés em clamores: "Sim, tínheis razão, só vós possuís o seu segredo e a vós regressamos; salvai-nos de nós mesmos!" Sem dúvida, ao receberem de nós os pães, verão bem que são os seus os que tomamos, os seus, ganhos pelo seu próprio trabalho, para os distribuirmos, sem nenhum milagre; verão bem que não mudamos as pedras em pão, mas o recebê-lo das nossas mãos dar-lhes-à mais prazer do que o próprio pão. Hão- de lembrar-se de que outrora esse pão, fruto do seu trabalho, se lhes mudava em pedra nas mãos, ao passo que depois, quando voltaram a nós, as pedras se transformaram em pão. Compreenderão o valor da submissão definitiva. E, enquanto o não compreenderem, os homens serão infelizes. Diz-me: quem contribuiu mais para esta incompreensão? Quem dividiu o rebanho e o dispersou pelas estradas desconhecidas? Mas o rebanho se reunirá de novo, voltará à obediência e, então, será para sempre. Vamos dar-lhes uma felicidade humilde e branda, uma felicidade adaptada às criaturas fracas que eles são. Havemos de persuadi-los de que não se orgulhem, porque foste Tu, ao elevá-los, quem lho ensinou; havemos de provar-lhes que são débeis, que são umas lamentáveis crianças, mas que a felicidade infantil é a mais deliciosa. Tornar-se-ão tímidos, não nos perderão de vista e apertar-se-ão a nós, cheios de medo, como a ninhada que se abriga sob a asa da mãe. Hão-de sentir uma receosa surpresa e mostrar-se-ão orgulhosos da energia e da inteligência que nos terão permitido domar a inumerável multidão dos rebeldes. A nossa cólera fá-los-à tremer, encher-se-ão de timidez, e os olhos se lhes velarão de lágrimas como nas crianças e nas mulheres; mas, a um sinal nosso, passarão com a mesma facilidade para o riso e para a alegria, para o radioso júbilo das crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havemos, certamente, de os obrigar ao trabalho, mas, nas horas de repouso, organizar-lhes-emos a vida como um jogo infantil, com cantos, coros e danças inocentes. Oh! permitir-lhes-emos até que pequem, porque são fracos, e por isso nos hão-de amar como crianças. Dir-lhes-emos que todo o pecado será redimido, se o cometerem com permissão nossa; é por amor que os deixaremos pecar e sobre nós recairá o castigo. Hão-de querer-nos como a benfeitores que se apresentam diante de Deus com os pecados deles. Não terão para nós nenhuns segredos. Segundo o grau de obediência, permitir-lhes-emos ou proibiremos que vivam com as mulheres ou as amantes, que tenham filhos ou não os tenham; e hão-de escutar-nos com alegria. Hão-de submeter-nos os segredos mais dolorosos da sua consciência; resolver-lhes-emos todos os casos e hão-de aceitar a nossa decisão com alegria, porque lhes poupará o grave cuidado de escolherem por si próprios, livremente. E todos serão felizes, milhões de criaturas, excepto uns cem mil, os dirigentes, excepto nós, os depositários do segredo. Os felizes hão-de contar-se por biliões e haverá cem mil mártires sob a carga do conhecimento maldito do Bem e do Mal. Morrerão pacificamente, suavemente se extinguirão em Teu nome, e no Além nada encontrarão senão a morte. Mas guardaremos o segredo: embalá-los-emos, para sua felicidade, com uma recompensa eterna no Céu. Porque, se houvesse outra vida, não seria decerto para seres como eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profetiza-se que Tu voltarás para vencer de novo, rodeado dos eleitos, poderosos e altivos; e nós diremos que só se salvaram a si próprios, ao passo que nós salvámos o mundo. Pretende-se que a pecadora, montada na besta e tendo na mão a taça do martírio, será desonrada; que os fracos se revoltarão de novo, lhe rasgarão a púrpura e desnudarão seu corpo "impuro". Então eu me levantarei e mostrarei os biliões de felizes que não conheceram o pecado. E nós, os que tivermos tomado sobre nós as faltas deles, para sua felicidade, erguer-nos-emos diante de Ti, dizendo: "Não Te receio; também estive no deserto, também vivi de gafanhotos e de raízes; também abençoei a liberdade com que favoreceste os homens, também me preparava para figurar entre os Teus eleitos, os poderosos e os fortes, com um ardente desejo de "completar o número". Mas dominei-me e não quis servir uma causa insensata. Voltei, para me juntar aos que corrigiram a Tua obra. Abandonei os altivos, regressei aos humildes, para os tornar felizes. Sucederá o que Te disse e edificar-se-á o nosso império. Repito-Te: amanhã, a um sinal que eu fizer, verás o dócil rebanho trazer brasas para a fogueira a que hás-de subir por teres vindo entravar a nossa obra. Se alguém mereceu mais que todos a fogueira, esse alguém és Tu. Amanhã, queimar-Te-ei. Dixi."&lt;br /&gt;Ivã parou. Tinha-se exaltado com o discurso; quando acabou, apareceu-lhe um&lt;br /&gt;sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;Aliocha tinha escutado em silêncio, com extrema emoção. Por várias vezes&lt;br /&gt;tinha querido interromper o irmão, mas tinha-se contido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... é absurdo! - exclamou, corando. - O teu poema é um elogio a Jesus, não é uma censura, como querias. Quem vai acreditar o que disseste da liberdade? Será assim que temos de a entender? É essa a concepção da Igreja ortodoxa? É Roma, e nem toda ainda, são os piores elementos do catolicismo, os inquisidores, os Jesuítas. Não existem personagens fantásticas como o teu inquisidor. Quais são esses pecados dos outros que ele toma sobre si? Quais são esses detentores do mistério que se carregam de maldições para bem da humanidade? Quando é que se viu coisa semelhante? Conhecemos os Jesuítas, diz-se muito mal deles; mas são semelhantes aos teus? De modo algum! É simplesmente o exército romano, o instrumento da futura dominação universal, tendo à frente um imperador, o pontífice romano... Eis o ideal que eles têm; não há aí nenhum mistério, nenhuma tristeza sublime... a sede de reinar, a vulgar cobiça dos vis bens terrestres... uma espécie de futura servidão em que deles seriam todos os bens de raiz... eis tudo. Talvez mesmo não acreditem em Deus. O teu inquisidor não é mais do que uma ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera, espera - disse-lhe rindo lvã. - Como tu te exaltas! Uma ficção? Seja, evidentemente. No entanto, crês tu que todo o movimento católico dos últimos séculos seja inspirado somente pela sede do poder, que não tenha em vista senão os bens terrestres? Não é o Padre Paisius quem te ensina isso?&lt;br /&gt;- Não, não, pelo contrário. O Padre Paisius falou-me uma vez segundo as tuas&lt;br /&gt;vistas... mas não era precisamente a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí está uma informação preciosa, apesar do teu "não era precisamente a mesma coisa". Mas por que razão os Jesuítas e os inquisidores se teriam unido só em vista da felicidade terrestre? Não se poderá encontrar entre eles um mártir que tenha um nobre sofrimento e que ame a humanidade? Supõe que entre esses seres, que não anseiam por outra coisa senão pelos bens materiais, há um só como o meu velho inquisidor que viveu de raízes no deserto e se bateu por vencer os sentidos, para se tornar livre, para atingir a perfeição; no entanto, sempre tem o amor da humanidade. De repente, vê tudo claro, reconhece que é medíocre felicidade a de chegar a uma liberdade perfeita, quando milhões de criaturas continuam para sempre na desgraça, fracas de mais para usarem da sua liberdade, que estes débeis revoltados nunca poderão acabar a sua torre e que não foi para tais gansos que o grande idealista sonhou a sua harmonia. Depois de ter compreendido tudo isto, o meu inquisidor volta para trás e junta-se às pessoas inteligentes. É impossível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas juntar-se a quem? A que pessoas inteligentes? - gritou Aliocha, quase zangado. – Não são tal inteligentes, não têm mistérios nem segredos... O ateísmo, eis o segredo. O teu inquisidor não crê em Deus.&lt;br /&gt;- Bem, suponhamos que é assim. Adivinhaste, finalmente. É isso mesmo, todo o segredo está aí. Mas não é um sofrimento, pelo menos para um homem como ele que no deserto sacrificou a sua vida ao seu ideal e não deixou de amar a humanidade? Ao declinarem-lhe os dias, convence-se claramente de que só os conselhos do grande e terrível Espírito poderiam tomar suportável a existência dos débeis revoltados, "esses seres de aborto, criados por troça". Compreende que deve escutar o Espírito profundo, este Espírito de morte e de ruína e, para o fazer, admitir a mentira e a fraude, levar conscientemente os homens para a morte e para a ruína, enganando-os durante todo o caminho, para lhes não revelar onde os levam e para que os pobres cegos tenham a ilusão da felicidade. Nota isto: a fraude em nome de Aquele em quem o velho acreditou ardentemente durante toda a sua vida! Não é isto uma infelicidade? E se houver alguém, se houver um só homem semelhante à frente deste exército "ávido do poder apenas para os vis bens", não bastará isto para que se dê uma tragédia? Mais ainda: basta um único chefe semelhante para encarnar a verdadeira ideia directriz do catolicismo romano, com os seus exércitos e os seus jesuítas, a ideia superior. Declaro-te que estou convencido de que nunca faltou um homem deste tipo à frente do movimento. Quem sabe? Talvez haja alguns entre os pontífices romanos! Quem sabe? Talvez que esse maldito velho que ama tão obstinadamente a humanidade, à sua maneira, exista ainda agora em vários exemplares, não por efeito do acaso, mas sob a forma de um entendimento, duma liga secreta, organizada já há muito tempo para guardar o mistério, ocultá-lo aos desgraçados e aos fracos para os tornar felizes. Deve seguramente ser assim; é fatal. Imagino mesmo que a maçonaria tem um mistério análogo na base da sua doutrina e que deve ser por isso que os católicos odeiam tanto os mações; vêem neles concorrentes, vêem neles uma dispersão da ideia única, quando deve existir apenas um rebanho com um único pastor. Mas basta: não quero ter, com esta defesa do meu pensamento, o&lt;br /&gt;ar de um autor que não suporta a tua crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez tu sejas também mação - disse de súbito Aliocha. - Não acreditas em Deus - continuou com profunda tristeza. Tinha-lhe parecido também que o irmão o contemplava com ar de troça. - Como acaba o teu poema? - prosseguiu ele, baixando os olhos. - Não há mais nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há. O fim que eu tinha pensado era este: "O inquisidor cala-se, espera um momento a resposta do Preso. O Seu silêncio oprime-o. O Cativo escutou-o sempre fixando nele o olhar penetrante e calmo, visivelmente decidido a não lhe responder. O velho gostaria de que Ele lhe dissesse alguma coisa, mesmo que fossem palavras amargas e terríveis. De repente, o Preso aproxima-se em silêncio do nonagenário e beija-lhe os lábios exangues. Mais nenhuma resposta. O velho tem um sobressalto, mexe os lábios; vai até à porta, abre-a e diz: "Vai e nunca mais voltes... nunca mais." E deixa-o ir, nas trevas da cidade. O Preso vai.&lt;br /&gt;- E o velho?&lt;br /&gt;O beijo queimou-lhe o coração, mas persiste na sua Ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------&lt;br /&gt;Capítulo, "O grande inquisidor", da obra "Irmãos Karamazov" de Dostoievski.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-998877782189203868?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/998877782189203868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/998877782189203868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/09/o-grande-inquisidor.html' title='O Grande inquisidor'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7439426956107323920</id><published>2011-08-31T21:55:00.002-03:00</published><updated>2011-08-31T21:58:21.058-03:00</updated><title type='text'>Presente</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=zH8-lQ9CeyI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes fechava os olhos em alívio de saber que estava certo. Depois, fechava os olhos em lamentação por saber que estava errado. Hoje, fecho os olhos por não saber distinguir as direções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hoje e o amanhã são como duas casas que dividem a mesma parede como fundação.&lt;br /&gt;Alguém que vive o agora nunca pode vislumbrar o futuro para ser feliz. Olhando para frente notamos que o presente é inútil, que todos os erros são meros fatos cômicos desde que tudo dê certo, que todo deslize é fatal se tudo dá errado. Notamos que, em algum ponto, nossos sonhos se transformam em ruínas e nosso presente nos consome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que sempre sonhei em ser escritor, &lt;br /&gt;Vejo hoje que meu lápis era uma faca e meu papel era meu próprio corpo. &lt;br /&gt;E que as marcas mais permanentes são as que provocamos em nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que sempre sonhei em escritor, já não posso mais dar aos meus textos um fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mim, que sempre me julguei tão forte, resta apenas a beleza do horizonte formado pelo que não se identifica. &lt;br /&gt;Cegando-me ao futuro, vejo qualquer possibilidade. &lt;br /&gt;Aprendo a confiar na sorte.&lt;br /&gt;E passo a admirar o acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Riceputi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7439426956107323920?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7439426956107323920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7439426956107323920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/08/presente.html' title='Presente'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2310058239338689033</id><published>2011-08-14T14:08:00.001-03:00</published><updated>2011-08-14T14:08:50.755-03:00</updated><title type='text'>Dia dos pais</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=YSEUpC7WToI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tive minhas várias diferenças com meu pai, mas hoje vejo que é alguém que amo indubitavelmente. Queria estar em casa comemorando o Dia dos Pais com ele, mas como não posso, fica aqui minha singela homenagem. Caras como ele já não se fazem mais. Valorizem mais o pai que vocês têm em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2310058239338689033?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2310058239338689033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2310058239338689033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/08/dia-dos-pais.html' title='Dia dos pais'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6060951193063712884</id><published>2011-08-08T02:35:00.002-03:00</published><updated>2011-08-08T02:39:17.393-03:00</updated><title type='text'>Mudo</title><content type='html'>O cigarro vai queimando&lt;br /&gt;Continuo procurando&lt;br /&gt;O tom certo pra canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou sambando, até sem jeito&lt;br /&gt;Sem escolha, sem conceito&lt;br /&gt;Vazio de coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dentro vou ardendo&lt;br /&gt;Procurando um alento&lt;br /&gt;Para lembranças sem por quê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cigarro vai queimando&lt;br /&gt;Sem ritmo, sem canto&lt;br /&gt;Sem encanto, sem razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia pego o ritmo&lt;br /&gt;Rimo um passo, um sentido&lt;br /&gt;Um amor, uma ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o samba é assim mesmo&lt;br /&gt;Você dança, estufa o peito&lt;br /&gt;E a tristeza é um perdão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6060951193063712884?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6060951193063712884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6060951193063712884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/08/mudo.html' title='Mudo'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3776790617885505187</id><published>2011-08-04T14:09:00.004-03:00</published><updated>2011-08-04T14:19:04.706-03:00</updated><title type='text'>A política</title><content type='html'>A política impede a abstração livre da &lt;strong&gt;Arte&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política direciona a &lt;strong&gt;Ciência&lt;/strong&gt; por caminhos incoerentes, tornando seu desenvolvimento útil lento e chulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política iguala a &lt;strong&gt;Religião&lt;/strong&gt; a um opióide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política subverte o &lt;strong&gt;Direito&lt;/strong&gt; em uma arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política mata mais do que a &lt;strong&gt;Fome&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3776790617885505187?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3776790617885505187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3776790617885505187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/08/politica.html' title='A política'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-365697564811260894</id><published>2011-07-19T23:06:00.003-03:00</published><updated>2011-07-19T23:43:26.441-03:00</updated><title type='text'>Olhos desbotados</title><content type='html'>O homem se apoiava com um dos cotovelos no balcão. Em sua outra mão, um copo de uísque. Sua maquiagem, borrada em alguns pontos, escorria e revelava sua falsa pele. Seu verdadeiro nariz jazia no chão. Não parecia triste. Apatia. Seus olhos encontravam cada traço em falso na madeira do balcão. Não sentia medo, não sentia fome. Encontrava-se naquele estado em que se chama a atenção por sua condição lastimável acima do que se passa por sua cabeça. Suas olheiras se misturavam a traços brancos de tinta barata. Parecia pensar em algo, causava tal impressão até a si mesmo, que não conseguia identificar do que se tratava. Imagens. Milhares de imagens, frames de milésimos de segundos, borrados, inidentificáveis, velozes, vis. Em contraste com sua pele maltratada e sua barba por fazer, seu sorriso era impecável. Era necessário. Não tinha certeza disso. Certeza. Certeza. Já não podia ter certeza sobre nada. Tinha um maço de cigarros barato em seu bolso. Ninguém fumava aquela marca. Normalmente teria vergonha de tirá-lo naquele local, mas o fez mesmo assim. Lembrou-se de que não podia fumar ali. A lei se preocupava que ele incomodasse os outros com banalidades. Olhou ao seu redor e várias pessoas estavam fumando, ainda assim. Ainda assim, perdeu a vontade de fumar. Estava ficando tarde, precisava ir pra casa. Seu copo dançava em sua mão. Acordaria cedo no outro dia. Olhá-lo era como olhar o mar. O garçom perguntou-lhe algo sobre uma mulher tê-lo abandonado. Não respondeu. Não estava absorto em pensamentos, mas estes sim se espalhavam em migalhas por cada porção de seu corpo. Precisava procurá-los em lugares que não a cabeça. Qualquer coisa era melhor que seu apartamento. Não dormiria se fosse preciso. Se preciso fosse, não estaria ali. Esqueceu o que era preciso. Uma última piada e, então, iria pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Certa vez, conheci uma garota. Como era linda. Cada curva de seu corpo era deliciosa. Ia, porém, muito além disso. Ela sabia como libertar a cabeça de um homem. Convenceu-me de que poderia ser mais feliz dentre quatro paredes do que fora. Ia a festas sozinho, não conhecia pessoas, não bebia. Parava a admirar as luzes irregulares que se misturavam ao som e me faziam transbordar. Não precisava de nada, de ninguém. Não precisava de dinheiro ou roupas. Desconhecia marcas. Não fazia questão de minha consciência. A política era uma merda. Eu estava além das pessoas. Nada havia de errado com a vida vazia, que tudo significava se me sentisse bem com ela. As ruas mais sujas eram as mais belas. As mais vazias, as mais seguras. Quanto mais me encantava, mais me atraía. Quanto mais me atraía, mais transbordava. Eu era a única coisa que significava algo no mundo. Nós. Ela era parte de mim. Parte de toda esta complexidade que justificava o mundo, dava formas à vida. Cada lugar era apenas um detalhe, um esboço a ser preenchido por nós. Os músicos compunham somente para que montássemos nossas trilhas sonoras. Os escritores somente escreviam para que se identificassem conosco. As pichações nos muros eram apenas enfeites para fotografias. Os papéis eram apenas espaços para nossa benevolência em compartilhar experiências aos que tentavam entender por que existiam. Depois de um tempo, nem os usávamos muito. Não importava a qualidade dos cheiros e dos gostos, mas sua excentricidade. À música, bastava sua profundidade. Aos olhos, bastavam sua arrogância expressiva. As olheiras eram belos sinais de pensamento excessivo. Mas o que era ruim não torturava, apenas indicava o caminho do que era especial. Corríamos mais rápido do que a vida e, muito em breve, a alcançaríamos. Não exigiríamos explicações, porque já entenderíamos tudo. Apenas caçoaríamos dela, por sua pretensão em ser tão misteriosa. Debochávamos de tudo quanto fosse inferior, aumentando à medida de seu grau de inferioridade, até cessar em certo ponto, no qual atingisse o desprezível. No final, porém, era tudo um grande desprezo. Haver explicações ou significados era tudo uma besteira que estava abaixo de nossos pés. Flutuávamos no mundo que criávamos para nós sem sequer percebermos. As paredes se tornavam mais grossas, esquecíamos o que era o mundo real. Sorríamos ao seu lado vil como malucos, ignorávamos seu lado bom por o considerarmos vulgar demais perante a nossa criação. Nossas cores escuras brilhavam mais do que qualquer colorido de qualquer tecido rasgável, triturável, obsoleto. Nossas mentes tinham nojo de compartilhar qualquer sentimento com essas mentes mesquinhas de preocupações chulas dos demais seres humanos. Qualquer simples conversa – um pedido em um balcão de padaria ou uma pergunta profissional – nos causava náuseas. A única coisa que odiávamos era este pequeno elo indestrutível que nos ligava à vida comum por questão de sobrevivência. Alternávamo-nos entre empregos banais sempre sorrindo, pensando no quanto cuspíamos na humanidade por sermos tão talentosos e não fornecermos qualquer tipo de progresso. Achamos a cura e queríamos que todos os outros queimassem na doença, pra que ainda houvesse arte. Se todos fossem como nós, tudo seria desespero. Precisaríamos encontrar outro caminho. Éramos um universo indivisível, indisponível. Duas pessoas em um corpo estrangeiro inserido em meio a uma raça fétida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida que desenvolvia a piada, um estranho brilho acendia nos olhos do homem. Já não parecia mais estar encostado em um balcão, em um bar. À sua frente, uma cortina se abria em uma enorme janela, e o céu escuro contrastava com o intenso brilho das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com o tempo, algo pareceu estar errado. O universo se dividia, como se nos castigasse. Lembrava-nos de que éramos humanos. Apenas um de nós podia saber toda a verdade, compreender tudo. O outro deveria ser mero espectador, sentir-se feliz pela oportunidade de estar ao lado de alguém que a tudo compreendia, que reunia em si o significado de tudo. Voltávamos um contra o outro, e eu era a parte mais fraca do dueto. Em muito pouco tempo, sucumbi, tornei-me um escravo. Meu desespero era apenas uma questão de tempo, até que eu me tornasse alvo de pena. Era apenas questão de tempo até que fosse abandonado. Foi o que aconteceu. O vazio que sempre estivera em mim, comprimido como uma pequena e poderosa esfera maciça e negra, agora se expandia lentamente, imprimia violenta força a meus órgãos, encurtava meus pensamentos, desfazia minha lógica. Escapava em sangue, em indiferença ardida. Os objetos que antes ignorava, cavava com unhas em busca de qualquer conteúdo que se perdera no tempo. Vagava pelas ruas cabisbaixo, esperando que em uma falha de sentido, trombasse com ela, também cabisbaixa, perdida sua arrogância, e ela voltasse a me possuir, me ajudasse a reconstruir o que antes havia de tão grandioso e eu já não me lembrava. Meus olhos eram tomados de tal vazio, que tinha a sensação de não fazer diferença olhar ou não a um objeto. Fechá-los ou abri-los. Minhas perspectivas esvaziaram-se até que não fizesse diferença sonhar ou manter-se lúcido e acordado. Minha vontade era tão curta que a voluntariedade de meus movimentos perdia seu propósito. A cortina se fechava a minha frente, mas não queria terminar o show. Apenas não sabia como continuá-lo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilho que antes se acendia atordoante nos olhos do homem, agora descendia progressivamente. A cortina fechava-se a sua frente, sem provocar qualquer reação. Procurava em seu pano algum detalhe que pudesse prender sua atenção, em vão. Já os conhecia de cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi assim que conheci a infelicidade. Assim me apaixonei por ela. Assim ela me abandonou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma golada, o homem terminou mais um de seus incontáveis copos, que seria ainda um grão de areia diante dos muitos que viriam. Percebeu que havia se esquecido de dar à sua história qualquer graça, pra que ao menos pudesse arrancar de terceiros os sorrisos que já não podia acender espontaneamente. Mas isso não importava. Não estava em horário de serviço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-365697564811260894?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/365697564811260894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/365697564811260894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/07/olhos-desbotados.html' title='Olhos desbotados'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7665848983925781863</id><published>2011-07-15T01:59:00.008-03:00</published><updated>2011-07-15T02:12:44.485-03:00</updated><title type='text'>Idade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-395vtcPD08o/Th_KHJ439oI/AAAAAAAAASU/ecJnW1X71nc/s1600/casal_velhinhos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-395vtcPD08o/Th_KHJ439oI/AAAAAAAAASU/ecJnW1X71nc/s320/casal_velhinhos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629440283498772098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre temos a sensação de que, a cada dia, envelhecemos mais rápido. &lt;br /&gt;A verdade é que, quanto mais envelhecemos, mais efêmeras são as coisas.&lt;br /&gt;A semana vira fim de semana.&lt;br /&gt;O mês vira salário.&lt;br /&gt;O ano vira férias.&lt;br /&gt;Até que tudo fica no máximo do tamanho de um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando olhamos pra trás, algumas coisas, de tão pequenas, ficam enormes. &lt;br /&gt;Tentamos explicar, mas ninguém nos ouve. &lt;br /&gt;Acho que só a idade convence mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7665848983925781863?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7665848983925781863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7665848983925781863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/07/idade.html' title='Idade'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-395vtcPD08o/Th_KHJ439oI/AAAAAAAAASU/ecJnW1X71nc/s72-c/casal_velhinhos.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-717141373911611880</id><published>2011-07-09T01:41:00.000-03:00</published><updated>2011-07-09T01:42:20.096-03:00</updated><title type='text'>"Heroes" - David Bowie</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=2WNC6ltZe0I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I, I can remember&lt;br /&gt;Standing by the wall&lt;br /&gt;And the guns, shot above our heads&lt;br /&gt;And we kissed, as though nothing could fall&lt;br /&gt;And the shame was on the other side&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Oh, we can beat them, for ever and ever&lt;br /&gt;We could be heroes, just for one day."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Bowie - Heroes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-717141373911611880?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/717141373911611880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/717141373911611880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/07/heroes-david-bowie.html' title='&quot;Heroes&quot; - David Bowie'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4952254067903224562</id><published>2011-06-16T12:46:00.003-03:00</published><updated>2011-06-16T12:54:22.237-03:00</updated><title type='text'>Society</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=pRUGvArWXLk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) I woke up as the sun was reddening; and that was the one distinct time in my life, the strangest moment of all, when I didn't know who I was - I was far away from home, haunted and tired with travel, in a cheap hotel room I'd never seen, hearing the hiss of steam outside, and the creak of the old wood of the hotel, and footsteps upstairs, and all the sad sounds, and I looked at the cracked high ceiling and really didn't know who I was for about fifteen strange seconds. I wasn't scared; I was just somebody else, some stranger, and my whole life was a haunted life, the life of a ghost. I was halfway across America, at the dividing line between East of my youth and the West of my future, and maybe that's why it happened right there and then, that strange red afternoon".&lt;br /&gt;Trecho the "On the Road" - Jack Kerouac&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4952254067903224562?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4952254067903224562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4952254067903224562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/06/society.html' title='Society'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8144156704018016556</id><published>2011-06-08T04:09:00.002-03:00</published><updated>2011-06-08T04:21:30.994-03:00</updated><title type='text'>Saudades</title><content type='html'>É uma linha tênue, o que há entre a solidão e a saudade.&lt;br /&gt;Poderia dizer que a solidão é sentir falta de algo que não se conhece, enquanto a saudade, sentir falta de algo conhecido. Estaria sendo simplista.&lt;br /&gt;É saudade sentir falta de algo que te deixa curioso a todo tempo, te surpreende e te completa de alguma forma que não se compreende. A saudade arde o prazer de se estar vivo, de querer conhecer, viajar, acordar. Saudade do toque, do arrepio, do que te faz repensar tudo o que há sobre si próprio.&lt;br /&gt;É esta a curiosa diferença entre a saudade e a solidão: a presença. Afinal, a saudade é uma presença, uma indispensável presença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8144156704018016556?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8144156704018016556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8144156704018016556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/06/saudades.html' title='Saudades'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8187705771136471638</id><published>2011-06-02T16:06:00.002-03:00</published><updated>2011-06-02T16:12:07.040-03:00</updated><title type='text'>Trecho de "On the road" - Jack Kerouac</title><content type='html'>"(...) They rushed down the street together, digging everything in the early way they had, which later became so much sadder and perceptive and blank. But then they danced down the streets like dingledodies, and I shambled after as I've been doing all my life after people who interest me, because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes 'Awww!'"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8187705771136471638?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8187705771136471638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8187705771136471638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/06/trecho-de-on-road-jack-kerouac.html' title='Trecho de &quot;On the road&quot; - Jack Kerouac'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5751124267083443329</id><published>2011-04-26T03:21:00.006-03:00</published><updated>2011-04-28T15:27:33.514-03:00</updated><title type='text'>Um segundo</title><content type='html'>Aquele segundo. Não importa a duração, se dez ou oitenta minutos, todas as pessoas estão, invariavelmente, mergulhadas, procurando aquele segundo, rezando por crenças nas quais elas próprias não acreditam, para que este segundo, que nem sempre se manifesta, aconteça. Um segundo de silêncio. Não como aquele hipócrita um minuto de silêncio pela morte de alguém importante, em que as pessoas estão cumprinto seu papel social enquanto pensam merda em suas cabeças. Um segundo de puro silêncio. Esquece-se todos os banais ao seu redor, esquece-se os pensamentos que te tornam banais e fazem com que você se odeie. Esquece-se a pessoa banal embaixo de você. Um segundo. Sozinho, ainda que não esteja. É como se sente a pessoa que se afoga, quando consegue emergir por um instante, ainda que saiba que não há chances de sobreviver. A cabeça sobressai ao mar, a tempestade e as ondas silenciam, nenhum pensamento senão o prazer de respirar. Os braços relaxam por um segundo e se entregam à morte. As pernas já não se agitam. Um segundo. Tic. Não completa-se o barulho do relógio. E então, ruídos, barulho, tempestade, banalidades, insegurança, diversões sociais que não enganam seu próprio corpo. Um segundo e então, a vida. Em toda uma vida, uma pessoa consegue escapar de tudo por, digamos entre dois a oito minutos. Um segundo. E cada vez que este segundo aparece, mais vezes se deseja e mais despreza-se os outros segundos demorados e inúteis da vida. Tenta-se parar o tempo, em vão. Tac.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5751124267083443329?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5751124267083443329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5751124267083443329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/um-segundo.html' title='Um segundo'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7141545295865827685</id><published>2011-04-18T18:13:00.004-03:00</published><updated>2011-04-18T19:22:48.155-03:00</updated><title type='text'>4:27</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-EJNDOOY70q0/TaypxKiLXtI/AAAAAAAAAR4/PBJ6DHNJiZk/s1600/despertador%2Bcris%2Bpaulino.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-EJNDOOY70q0/TaypxKiLXtI/AAAAAAAAAR4/PBJ6DHNJiZk/s320/despertador%2Bcris%2Bpaulino.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597035099021074130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4:27. Quatro e vinte e sete. Meu despertador tocou mais cedo, não interessa por quê. Levanto-me com meus olhos quase fechados, tento olhar ao meu redor. Meu quarto toma a forma a qual desejei por toda a vida e eu a admiro por pequenos buracos lacrimosos e cansados. O sol não haver nascido não me chama atenção. O sol está sempre posto em mim, e a luz não faz qualquer diferença.&lt;br /&gt;Fiz café e andei por meu apartamento. Meu sofá estava coberto de poeira. Minha cama estava coberta de poeira. Meus cadernos, minha câmera, minha guitarra. Tudo em que tocava se convertia em pó no instante seguinte. A brisa ligeiramente congelante da manhã levava tudo e dava ao pó formas delicadas do acaso. Eu assistia a tudo isto sem sorrir. Não era como um dos pesadelos que costumava ter quando adolescente. Estava realmente sozinho. Poeira e sonhos. Passado e futuro. Meu corpo era invadido de sensações que fugiam de meu controle. E os belos finais de meus textos ficaram presos em outrora. E no futuro.&lt;br /&gt;É bom acordar antes de a vida começar, onde há espaço para tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7141545295865827685?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7141545295865827685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7141545295865827685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/427.html' title='4:27'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-EJNDOOY70q0/TaypxKiLXtI/AAAAAAAAAR4/PBJ6DHNJiZk/s72-c/despertador%2Bcris%2Bpaulino.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3345031473317084945</id><published>2011-04-12T23:15:00.001-03:00</published><updated>2011-04-17T21:59:58.398-03:00</updated><title type='text'>Los Heraldos Negros</title><content type='html'>"Hay golpes en la vida, tan fuertes… Yo no sé.&lt;br /&gt;Golpes como del odio de Dios; como si ante ellos,&lt;br /&gt;la resaca de todo lo sufrido&lt;br /&gt;se empozara en el alma… Yo no sé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Son pocos; pero son… Abren zanjas oscuras&lt;br /&gt;en el rostro más fiero y en el lomo más fuerte.&lt;br /&gt;Serán tal vez los potros de bárbaros atilas;&lt;br /&gt;o los heraldos negros que nos manda la Muerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Son las caídas hondas de los Cristos del alma,&lt;br /&gt;de alguna fe adorable que el Destino blasfema.&lt;br /&gt;Esos golpes sangrientos son las crepitaciones&lt;br /&gt;de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y el hombre… Pobre… pobre! Vuelve los ojos, como&lt;br /&gt;cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;&lt;br /&gt;vuelve los ojos locos, y todo lo vivido&lt;br /&gt;se empoza, como un charco de culpa, en la mirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hay golpes en la vida, tan fuertes … Yo no sé!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesar Vallejo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3345031473317084945?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3345031473317084945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3345031473317084945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/los-heraldos-negros.html' title='Los Heraldos Negros'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4475627784733711637</id><published>2011-04-12T11:12:00.003-03:00</published><updated>2011-04-12T23:25:50.408-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>Vendi-me para ti como objeto de luxo&lt;br /&gt;Propaganda enganosa de prazo delimitado&lt;br /&gt;Horrorosa criança abandonada às ruas&lt;br /&gt;Pedindo esmola aos mendigos ao lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometi-lhe a poesia&lt;br /&gt;E, afinal, a ganhei de ti&lt;br /&gt;Um fardo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4475627784733711637?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4475627784733711637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4475627784733711637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/blog-post_12.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-80736531709544626</id><published>2011-04-07T01:17:00.002-03:00</published><updated>2011-04-07T01:20:50.597-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-AbpUQMTn9Po/TZ07SHJARBI/AAAAAAAAARw/8XjcRnpBFIw/s1600/IMG0007A.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-AbpUQMTn9Po/TZ07SHJARBI/AAAAAAAAARw/8XjcRnpBFIw/s320/IMG0007A.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592691494604522514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"From a certain point onward, there is no turning back. That is the point that must be reached.” — Franz Kafka&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-80736531709544626?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/80736531709544626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/80736531709544626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-AbpUQMTn9Po/TZ07SHJARBI/AAAAAAAAARw/8XjcRnpBFIw/s72-c/IMG0007A.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7886066378175501513</id><published>2011-04-07T01:04:00.005-03:00</published><updated>2011-04-27T02:40:54.427-03:00</updated><title type='text'>Cartas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-go-WFTMmzLo/TZ06k8MlmTI/AAAAAAAAARo/ZCodEMHvCh0/s1600/Coleccion_cartas_fotos_Albert_Einstein_Margarita_Konenkova.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-go-WFTMmzLo/TZ06k8MlmTI/AAAAAAAAARo/ZCodEMHvCh0/s320/Coleccion_cartas_fotos_Albert_Einstein_Margarita_Konenkova.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592690718572648754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de cartas curtas e banais. Que falem sobre o clima ou a cidade. Elas têm o poder de acender a saudade e ao mesmo a presença; nos contornos das palavras, no calor de sua caligrafia. Sem precisar pensar, confortavelmente, como é o sentimento de se estar de verdade com alguém. Conhecer cada curva das letras, poder reler em um tempo tão breve quanto a duração de um beijo. Do primeiro, do último, do póstumo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7886066378175501513?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7886066378175501513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7886066378175501513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/04/cartas.html' title='Cartas'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-go-WFTMmzLo/TZ06k8MlmTI/AAAAAAAAARo/ZCodEMHvCh0/s72-c/Coleccion_cartas_fotos_Albert_Einstein_Margarita_Konenkova.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5123732265456605067</id><published>2011-03-13T13:23:00.003-03:00</published><updated>2011-03-13T13:38:21.505-03:00</updated><title type='text'>Anotação de 18/10/2010</title><content type='html'>Se você para por uma viagem e olha pra trás na sua vida, para as inúmeras fases boas e fases ruins, ainda que momentos singulares de tristeza ou felicidade, você consegue perceber que não há nada que possa te acontecer e você não possa superar assim como não há felicidade que você não possa absorver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre carrego comigo, em viagens, bloquinhos de papel pra fazer anotações de coisas que quero transformar em textos. Encontrei perdida esta anotação de 18/10/2010, de uma viagem entre Rio de Janeiro e São Paulo. Resolvi simplesmente colocá-la aqui, ao invés de transformá-la em um texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico aos meus amigos do GD Fuckers.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5123732265456605067?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5123732265456605067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5123732265456605067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/03/anotacao-de-18102010.html' title='Anotação de 18/10/2010'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3841323841532892302</id><published>2011-02-23T01:01:00.000-03:00</published><updated>2011-02-23T01:03:59.960-03:00</updated><title type='text'>Time of your life</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-PYTs2yXisO8/TWSHKP3Q05I/AAAAAAAAARg/VxoOIs9vybE/s1600/OgAAAEjgtYcxL9PpKAxO74tbUKEWuO6HzHXmGIptVUDRzvM0TauUqtR6HncpDt5KTxjlc-0s7v1TlFlgAGoW5i5NOd8Am1T1UIeqy8FoiByG-5MT7W5DtcH4_TBs.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-PYTs2yXisO8/TWSHKP3Q05I/AAAAAAAAARg/VxoOIs9vybE/s320/OgAAAEjgtYcxL9PpKAxO74tbUKEWuO6HzHXmGIptVUDRzvM0TauUqtR6HncpDt5KTxjlc-0s7v1TlFlgAGoW5i5NOd8Am1T1UIeqy8FoiByG-5MT7W5DtcH4_TBs.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576730848718279570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://tinyurl.com/yh9spe3&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3841323841532892302?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3841323841532892302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3841323841532892302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/02/time-of-your-life.html' title='Time of your life'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-PYTs2yXisO8/TWSHKP3Q05I/AAAAAAAAARg/VxoOIs9vybE/s72-c/OgAAAEjgtYcxL9PpKAxO74tbUKEWuO6HzHXmGIptVUDRzvM0TauUqtR6HncpDt5KTxjlc-0s7v1TlFlgAGoW5i5NOd8Am1T1UIeqy8FoiByG-5MT7W5DtcH4_TBs.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4811376036553081940</id><published>2011-02-19T18:58:00.005-02:00</published><updated>2011-02-19T19:17:10.827-02:00</updated><title type='text'>Muros e Grades</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=Vfq-z24wGnw&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto seria completamente desnecessário se eu andasse com uma câmera na mochila. Na verdade, ele é totalmente ineficaz perto do que eu poderia passar com uma única fotografia. Uma fotografia que vive em minha cabeça, uma imagem nítida. Quase posso tocá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto, este enorme fato singular, aconteceu em uma de minhas viagens entre Juiz de Fora e Niterói. Uma mais particular, porque, enquanto eu colocava meus fones no ouvido, dentro do ônibus, o motorista veio nos comunicar, irritado, que não poderia mudar seu trajeto como muitos estavam pedindo. Pelo que pude entender, chegaríamos em um horário de engarrafamento e estava rolando uma onda de assaltos na Av. Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, as minhas viagens de Juiz de Fora a Niterói eram invadidas por uma tranquilidade que até hoje não consigo compreender. Eu saía de Juiz de Fora onde minha vida seria tranquila em relação à minha família e me dirigia pra Niterói, onde minha vida parecia entrar em uma tempestade. Ainda assim, enquanto eu não pisasse com os pés no lado de fora do ônibus, eu era invadido por uma vontade de ouvir um som nos meus fones, ficar deitado tranquilamente na poltrona, raramente gostava de ler um livro, apenas quando eu viajasse à noite. Mas ainda assim, o que eu curtia mesmo era ficar olhando a paisagem e  ouvindo música. Havia pontos da viagem que eram meus favoritos. A Serra de Petrópolis, que é simplesmente incrível. Os viadutos do Gentileza, que era o momento em que me tocava que estava chegando ao Rio. Lembro-me de uma favela interminável e, erguendo-se entre suas construções, um outdoor exaltando a beleza do Maracanã. Como eu tinha vontade de tirar uma foto disso. O Rio é realmente muito curioso, não? Gostava também da ponte Rio-Niterói, Ponte Presidente Costa e Silva. Era o momento em que me sentia como se estivesse observando o Rio de um lugar muito alto. Enquanto eu não enxergava nenhum ser humano, mas apenas as construções, ficava imaginando o que pensaria alguém que estivesse tão longe que nos julgasse apenas pelo que fazemos do mundo, pelos prédios, favelas ou pelas avançadas elaborações de engenharia que se pode ver na Baía de Guanabara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morei no Ingá, muito próximo ao prédio do Direito da UFF. “Em frente ao Clube Português”, era como eu descrevia o lugar para os taxistas e conhecidos. Morava entre duas favelas e via muita coisa enquanto ficava em silêncio. Esta foi a época em que decidi parar de julgar, mas apenas observar, e foi uma experiência incrível. Morar perto de favelas não é igual à impressão que temos por relatos e pelos jornais, mas ao mesmo tempo não é tão diferente dela quanto dizem os cariocas. Lembro-me de costumar ir buscar um hambúrguer logo na entrada de um dos morros, e ficar por lá comendo, sem ter medo. Dizem que os traficantes não permitem assaltos na entrada da favela, é um lugar mais seguro do que algumas ruas depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de minha casa uma mulher morava na rua, altamente magra, viciada em crack. Lembro-me de uma vez em que ela, tremendo e com raiva nos olhos, passou do meu lado me olhando e gritando comigo, me ameaçando. Mas fora do efeito de drogas, ela me trouxe uma das mais tristes lembranças de minha vida. Um dia em que uma tristeza me invadiu de tal forma que não consegui ficar na faculdade, saí no meio da aula e, enquanto me dirigia pro apartamento, ela me abordou, chorando, dizendo que devia quinze reais para os traficantes e que queria parar de usar as drogas. Você até pode me julgar inocente, mas eu senti de tal forma a sinceridade naquele dia, ainda que ela pudesse mudar de idéia por efeitos da abstinência, ainda assim acreditei plenamente em suas intenções. Mas outra coisa que vocês podem não entender direito, mas nesta época eu realmente não tinha dinheiro pra nada. Era tudo contado, se eu queria sair em um fim de semana, tinha de planejar antes por um tempo. Eu realmente não tinha quinze reais pra dar, e tudo o que eu pude fazer foi passar pelo porteiro olhando para o outro lado, porque as lágrimas já haviam invadido meus olhos antes que eu pudesse girar a chave do apartamento e entrar. Sempre vou me sentir em dívida com esta mulher, que sequer sei o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que, fim de semana, via pessoas oferecerem drogas perto da Faculdade de Direito (o morro era literalmente do lado, sua subida ficava na esquina da faculdade). Que imagem estranha. Às vezes entrava em sala e ouvia meus professores falarem, excelentes professores, mas como poderia dar algum crédito às suas falas se via coisas como essa logo em frente ao lugar em que estudava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me pegava conversando sobre futebol com os moradores, em um bar próximo à faculdade de Direito. Acho que me sentia melhor conversando com eles do que com as pessoas da minha sala. Achava estranha a impressão que tinha de que as pessoas da minha sala (salve raras e comuns exceções) nunca haviam sofrido na vida; que assunto posso ter com uma pessoa assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia também o toque de recolher. Depois das dez horas, em dias de semana, era perigosíssimo sair de casa. Eu fui o último da república a aceitar isto. Um dia esqueci-me de comprar comida e, faminto, descobri que não havia nada estocado. Por volta das 23h, resolvi sair e ir ao Sendas (havia um muito próximo de nossa casa) comprar algo pra comer.  Por questão de puro acaso não fui assaltado. Rua deserta, um homem me seguindo, mas um carro de polícia estava parado logo a frente, averiguando algum outro incidente, o que o fez o homem parar. Tive de esperar quase uma hora no Sendas até estar certo de que podia voltar pra casa. Melhor dizendo, “casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em síntese, esta época fez com que eu perdesse todo o preconceito com favelas e seus moradores. São pessoas como em qualquer outro lugar, pessoas as quais precisamos compreender. Em alguns pontos, lamentar, em outros, admirar, como quaisquer outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação que eu adorava nesta época era a de sair na rua à noite para usar o orelhão. Inicialmente eu não tinha telefone ou celular, o que era simplesmente sensacional. Demorei muito tempo pra aceitar o celular, acho horrível saber que você pode ser encontrado a qualquer instante (agora que tenho um, nunca atendo). Nesta época eu aparecia quando quisesse, à noite, em um orelhão, como em filmes antigos. Tenho até hoje, guardados, todos os cartões de orelhão que usei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda essa mistura de imagens e sensações, “Muros e Grades” nunca saiu do meu MP4. Estava sempre ouvindo. Sentia a música no momento em que saía de toda a segurança do meu apartamento à noite pra uma rua perigosa, pra usar o orelhão, mas ao mesmo tempo, quando chegava em casa novamente, lembrava de tudo o que eu via por ali em todos os outros horários de todos os outros dias. Quem é o vilão? Quem é o mocinho? Quais são as armas? Existem regras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao ônibus, lá estávamos nós, nos aproximando da Av. Brasil. Enquanto uns se benziam mil vezes, outros escondiam celulares, cordões, brincos e outros objetos de valor. Em meio aquele clima de pura tensão, havia um cara estranho, portando apenas uma mochila da Juventus de Turim com algumas camisetas, um caderno e um livro, parado, ouvindo música, estranhamente despreocupado: eu. Acho que se assaltassem aquele ônibus, nem passariam por mim. Pra ser sincero, minha vida também não estava valendo tanto assim pra eu me preocupar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que em um momento, no engarrafamento, a tensão era total. O ônibus estava parado, minha cabeça encostada no vidro, quando meu olhar distraído despertou e encontrou um cara, provavelmente da minha idade, sem camiseta, os olhos queimando de ódio e ao mesmo tempo incompreensão. Olhávamos um ao outro nos olhos e tudo o que nos separava era um vidro artificial. Nada mais, é incrível. NADA MAIS nos separava. Vivíamos no mesmo mundo, no mesmo país, na mesma cidade, tínhamos a mesma idade, éramos até parecidos fisicamente. Só havia uma coisa entre nós: vidro. Poderia ser um muro, madeira. Ficamos nos observando por muito tempo, sem desviar os olhos, até o ônibus conseguir movimentar-se de novo e nossas estradas seguirem, cada uma pro seu lado. Este instante me fez realmente sentir “Muros e Grades”, é o instante de minha vida que sempre me vem à cabeça quando ouço a música. Fiquei pensando o que aconteceria ali se aquele muro tão artificial não existisse. Não consegui visualizar o que aconteceria, só pude perceber que eu não me importaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4811376036553081940?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4811376036553081940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4811376036553081940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/02/muros-e-grades.html' title='Muros e Grades'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5996435319321256993</id><published>2011-02-17T19:11:00.004-02:00</published><updated>2011-02-22T22:07:16.024-03:00</updated><title type='text'>Um pedaço de história e um convite</title><content type='html'>“Vendo a vida como um maravilhoso quadro pontilhista, cada ponto em si é uma bobagem. Os pontos se misturam e se transformam. Lá vai a aranha tecendo sua inescapável tapeçaria."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://tinyurl.com/4kr4cun&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia haver momento melhor pra eu receber esta notícia. Esses dias liguei a televisão e vi um comercial do Rock in Rio, com a mesma música que ouvia quando era pequeno e me matava de vontade de ir, quando o festival era apenas um sonho. Fiquei deprimido em perceber que não estava com o mínimo ânimo de ir. Não estava com o mínimo ânimo de fazer nada, nem queria que nada acontecesse comigo. Ia dizer que não sou uma pessoa de multidões, mas percebo que em grande parte dos tempos sou um enorme solipsista, distante de pessoas. Apego-me mais a ambientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderia esquecer meu primeiro semestre de 2009. O que eu pensava ser a pior fase da minha vida, hoje é só um momento visto do alto, um momento que adoro rever. Os amigos que tenho em recordação são idéias, ambientes. Primeiro, toda a praia de Icaraí, que eu caminhava ida e volta todos os dias. A varanda da pousada onde fiquei inicialmente. Depois, o mirante do MAC: ia ao mirante todas as noites e revezava minha visão entre a viva cidade de Niterói e o calmo mar da Baía de Guanabara. Quase ignorava o Rio de Janeiro. Até que descobri um pequeno mirante na Praia das Flechas. Deserto, vazio, virou meu abrigo, meu esconderijo pessoal. O dia podia ser qualquer merda, mas sempre havia o mirante, o Rio de Janeiro e até um cigarro, dependendo de como fosse o dia. Depois descobri que esse mirante era extremamente perigoso, e eu ficava lá tranquilamente até altas horas, como se estivesse completamente seguro. Que cidade artística é o Rio de Janeiro, a arte está no ar de tal forma que você só percebe o quanto foi enfeitiçado por ela quando sai da cidade e volta ao normal. Nesta época, virei uma mistura cultural sem qualquer sentido racional. Enquanto lia poesia concretista brasileira, ouvia Radiohead. Enquanto lia Dostoievski, ouvia Cartola, Arnaldo Antunes. Às vezes me pegava vestido com roupas simbolicamente brasileiras, mas o que tocava em meu mp4 era os dois artistas que invadiram meu corpo como um vírus nesta época: The National e Elliott Smith.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que me ajudou a sobreviver foi o Palmeiras. Que ano simplesmente inacreditável. Quando eu digo que títulos são quase inválidos no futebol, caso não sejam recheados por histórias incríveis, e que estas são mais importantes do que os próprios títulos, as pessoas preferem achar que estou de papo furado. Acompanhei toda a Libertadores isolado em Niterói. Vocês não imaginam o quão difícil é reunir palmeirenses naquela cidade. Talvez por estar longe de casa, de minha família, amigos, tão distante de tudo, foi neste instante que vi o Palmeiras como algo maior que um clube, mas uma casa que se move comigo pra qualquer lugar que eu vá. Lembro de me revezar entre três bares para ver os jogos do Palmeiras, não perdi nenhum. Um deles foi pra mim inesquecível. Em frente à Faculdade de Direito tem um pequeno e clássico bar de esquina, com uma televisão minúscula. Me debruçava no balcão pra ver os jogos, concentrado. Era ali que eu estava, nas oitavas de final, Palmeiras e Sport. Quando o bar lotado me viu inteiramente vestido de palmeirense, eu acabei por promover uma união nunca vista no Rio de Janeiro. Vascaínos, flamenguistas, botafoguenses e tricolores se abraçavam e apoiavam o Sport, tudo isso contra o Marcelo vestido de verde. A partida foi para os pênaltis e eu já estava completamente irritado  - sou calmo pra qualquer coisa, mas futebol, definitivamente não. Primeira cobrança, Mozart disperdiça pelo Palmeiras. Só faltava me espancarem no bar. Não vou me fazer de forte: mantive-me firme unicamente porque eu tinha consciência de que o maior goleiro da história do futebol, meu único ídolo, o jogador que nasceu de Libertadores, estava no gol. E não deu outra, com duas defesas do Marcos, ele estava pulando no canto do gramado pra comemorar com a torcida e eu pulando fora do bar antes que se irritassem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de qualquer falsa impressão que eu possa ter passado, eu gosto muito do Rio de Janeiro. O vejo como um antidepressivo. É um lugar em que eu não me sinto obrigado a pensar tanto, sinto que posso simplesmente ficar bêbado por aí, sair sorrindo com meu cabelo todo bagunçado e meus óculos escuros grandes demais pra minha cara. Ao contrário de Sampa, que é pra mim como um espelho. Quando entro em Sampa, minha cabeça vai à mil, sequer gosto de conversar, gosto de pensar, viver dentro de mim, correr pra dentro até que eu mesmo termine e meus pensamentos caiam em algum vazio. Nem precisa me perguntar que lugar prefiro, né? Não viveria sem visitar o Rio regularmente, mas não troco a sinceridade de Sampa por lugar nenhum. É engraçado, mas se você passa a vida correndo do pessimismo, você acaba completamente pessimista, mas se você mergulha de cabeça no pessimismo, sempre surge uma esperança. Sampa é a cidade onde você pode ter um grupo de amigos incríveis, cada um individualmente muito interessante, e ao mesmo tempo seu grupo ser apenas mais um em uma multidão. Entendo que detestem a sensação, mas não há nada que eu goste mais do que ser algo especial isolado dentro de mim, que ninguém nunca descobrirá. Só assim pode haver sentido em continuar sendo eu mesmo. Acho que é exatamente por isso que a fama tem um poder tão destruidor. Imaginem a expectativa que causa uma multidão, se um dos grãos de arroz que você conhece é tão especial? Irônico ou não, a cidade mais pessimista do mundo pode ser a única coisa a despertar uma pontada de otimismo. Toda a sujeira das ruas, a injustiça, o medo, o cansaço das pessoas, felizmente ou infelizmente, podem construir coisas belas. E é exatamente neste cenário que já sinto meus pés pisando, mais especificamente no Saci Hostel, em Sumaré, pra ver The National.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em dizer que era minha banda favorita, mas aí senti o pavor que sinto quando imagino um questionário em minha frente. As verdades são tão frágeis, o Devir é tão verdadeiro. Às vezes tenho a sensação de que inclusive o céu ou a ciência são meras construções, que podem despedaçar a qualquer instante. E como seria bonito. Já tive várias bandas como favoritas, hoje vejo que cada uma ocupa um espaço muito específico; entre elas não existe a melhor porque entre elas não existe comparação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, deixando a divagação de lado, o fato é que hoje estava no estágio com o pensamento da mesma forma que tem estado por muito tempo: nada na vida realmente vale a pena, a não ser que você se engane um pouco. Como nos formam desde pequenos para sermos robôs. Nos potencializam racionalmente ao máximo, criam diversos objetivos artificiais para que nos sintamos impulsionados a exercer nosso potencial racional ao máximo, mas ao mesmo tempo trabalham por nossa banalização, pra que não fiquemos perigosos. Eis o que somos, máquinas humanas. Meu celular vibrou oito vezes na mesa e eu já ia fazer o de praxe: fazê-lo parar de vibrar e deixar que ele continue tocando. Percebi, então, que não era uma ligação, mas que eu havia recebido quatro SMS simultaneamente. Quatro pessoas me contando que o show do The National havia sido confirmado no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que me veio à cabeça foi quando ouvi o “Alligator” pela primeira vez, em Niterói. Ouvi a primeira música do álbum, “Secret Meeting”, e a identificação foi simplesmente instantânea, como se fosse a banda que eu procurei minha vida inteira. Coloquei o álbum no mp4 e fui pra garagem do prédio, ouvir inteiro, sozinho, sentado, andando em círculos (sempre no sentido anti-horário, meu TOC). Ouvi duas vezes seguidas no estacionamento. A terceira já foi no MAC, olhando as luzes de Niterói. A partir disto, a banda já era parte viva e pulsante de mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vendo estas mensagens, pensando no show, pensando em pisar no Saci Hostel pela segunda vez depois de estar lá com grandes amigos, um de cada canto deste enorme país, pro show de outra banda que marcou minha vida (Green Day). Pensar em tudo o que eu sou e que não fica exposto em nossa sociedade mecânica. Só posso pensar que há um imenso universo dentro de mim, uma liberdade sem tamanho. O homem livre é livre em qualquer circunstância social. Será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5996435319321256993?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5996435319321256993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5996435319321256993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/02/um-pedaco-de-historia-e-um-convite.html' title='Um pedaço de história e um convite'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7635731282828651105</id><published>2011-02-17T02:14:00.004-02:00</published><updated>2011-02-17T02:21:33.413-02:00</updated><title type='text'>Trecho de "Pra ser sincero"</title><content type='html'>"O estúdio onde eu ensaiava ficava em Botafogo, eu ia para casa a pé. Gosto muito de caminhar. As baterias dos meus carros sempre morrem antes que eles percam o cheiro de carro novo. Uma dessas caminhadas eu fiz no fim da da tarde de um dia especial. No Maracanã, Flamengo e Grêmio disputariam o título da Copa do Brasil. Passavam ônibus cheios de flamenguistas. Os que me reconheciam mandavam recados pouco amigáveis, extensivos a todos os habitantes do RS.&lt;br /&gt;Assisti ao jogo sozinho, no apartamento escuro, só iluminado pela TV. A cidade, parada. Excepcionalmente silenciosa. Abrimos o marcador, Grêmio 1 a 0. Uma gritaria de vascaínos vinda dos prédios vizinhos dialogou com meus próprios gritos. Segue o jogo, 1 a 1. Euforia na noite carioca, só superada pelo carnaval de vozes que explodiu quando Romário virou o jogo. Flamengo 2 a 1. Faltando alguns minutos para terminar a partida, desliguei a TV. Sempre acho que, se eu não estiver assistindo ao jogo, o tempo passará mais lentamente. Mais tempo de jogo aumentaria as chances de acontecer o empate que daria o título ao Grêmio. Uma visão otimista da covardia da avestruz.&lt;br /&gt;Tinha dúvida de que o gol aconteceria, mas tinha certeza de que, se acontecesse, a vizinhança vascaína me avisaria. Passava o tempo e eu não olhava para o relógio. A velha esperança de que, se não olhasse, o tempo passaria mais devagar. Silêncio total. Quantos minutos teriam passado? Mais silêncio, tempo demais. Por que ninguém gritava, nem vascaínos secadores nem flamenguistas campeões? Não resisto, ligo a TV. Já não estavam transmitindo o jogo. Toca o telefone, minha irmã, chorando desfaz o suspense: éramos campeões. Havia mais de quinze minutos! Os vascaínos devem ter ido dormir antes do fim do jogo. Sofri quinze minutos desnecessários, já campeão.&lt;br /&gt;Futebol é uma bobagem, né? &lt;strong&gt;Vendo a vida como um maravilhoso quadro pontilhista, cada ponto em si é uma bobagem. Os pontos se misturam e se transformam. Lá vai a aranha tecendo sua inescapável tapeçaria.&lt;/strong&gt; Minha irmã certamente não chorava só por um bando de caras com camisas iguais correndo atrás de uma bola. Projetamos muitas coisas sobre muitas outras coisas. Se misturam e se transformam."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "Pra ser sincero - 123 variações sobre um mesmo tema" - Humberto Gessinger&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7635731282828651105?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7635731282828651105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7635731282828651105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/02/trecho-de-pra-ser-sincero.html' title='Trecho de &quot;Pra ser sincero&quot;'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5114035914916822484</id><published>2011-02-10T19:27:00.000-02:00</published><updated>2011-02-10T19:28:33.879-02:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LiI7SpcTju8/TVRYXpezVZI/AAAAAAAAARY/Rzm9dmrl_DM/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-LiI7SpcTju8/TVRYXpezVZI/AAAAAAAAARY/Rzm9dmrl_DM/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572175802259428754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda e cada palavra de amor é uma metáfora de uma mentira esquecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5114035914916822484?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5114035914916822484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5114035914916822484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/02/amor.html' title='Amor'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-LiI7SpcTju8/TVRYXpezVZI/AAAAAAAAARY/Rzm9dmrl_DM/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8796926928532162192</id><published>2011-01-23T05:31:00.005-02:00</published><updated>2011-01-23T05:45:32.723-02:00</updated><title type='text'>Amor-próprio</title><content type='html'>Antes de contar minha estória, convém dar algumas explicações, pra que ela não soe irreal. É verdade que sou ateu tanto quanto é verdade que odeio grande parte dos ateus, principalmente em nossa geração. Os ateus hoje em dia professam o ateísmo como se este fosse sinônimo de inteligência, sem se dar conta de que seu ateísmo é um enorme produto social (e eu, sinceramente, não respeito produtos sociais). Acho um absurdo que não percebam que é completamente social que hoje em dia soe um completo absurdo crer em Deus. Apesar disto, sou ateu, talvez da mesma forma que eles. Mas corro deles ao ser completamente aberto a ouvir quem crê, seja lá qual for a crença.&lt;br /&gt;Eis que, certo dia, um rapaz, ao ser informado de que sou ateu, se põe a dissertar sobre suas crenças, pressupondo que sou um dos que pregam o ateísmo como religião. Segundo ele, não há céu ou inferno, mas o mesmo ocorre com todas as pessoas. "É tudo questão de amor-próprio", ele dizia. Segundo ele, após a morte, toda pessoa se torna exatamente o oposto do que foi em vida. Se a pessoa possuía amor-próprio, vai para o "inferno"; se não, vai para o "céu". Fazia sentido, muito superficialmente. Tentei lhe explicar que uma pessoa realmente infeliz, ainda que se tornasse o oposto do que é, continuaria a ser infeliz. Ele insistia matematicamente que o que eu dizia era um absurdo sem sentido lógico. E é verdade. Descobri que não faz sentido explicar algumas coisas, há muitas coisas neste mundo que o homem só aprende sentindo, irracionalmente. Mas quem sou eu para torcer para que ele sinta? Não posso desejar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8796926928532162192?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8796926928532162192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8796926928532162192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/01/amor-proprio.html' title='Amor-próprio'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6754723212400038160</id><published>2011-01-13T15:10:00.001-02:00</published><updated>2011-01-13T15:11:42.404-02:00</updated><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>"A solidão é fera, a solidão devora.&lt;br /&gt;É amiga das horas prima irmã do tempo,&lt;br /&gt;E faz nossos relógios caminharem lentos,&lt;br /&gt;Causando um descompasso no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidão dos astros;&lt;br /&gt;A solidão da lua;&lt;br /&gt;A solidão da noite;&lt;br /&gt;A solidão da rua."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu Valença - Solidão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6754723212400038160?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6754723212400038160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6754723212400038160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/01/solidao.html' title='Solidão'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-72696950206121776</id><published>2011-01-13T04:27:00.002-02:00</published><updated>2011-01-13T04:33:48.583-02:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TS6cwVRSITI/AAAAAAAAARM/WhFnmF4rkDU/s1600/cama.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 264px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TS6cwVRSITI/AAAAAAAAARM/WhFnmF4rkDU/s320/cama.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561554944006431026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é uma tortura&lt;br /&gt;A gente luta, a gente dura&lt;br /&gt;E é, por fim, o que se quer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro em tua boca&lt;br /&gt;Morro em teu corpo&lt;br /&gt;Morro em teu copo&lt;br /&gt;E em que te resta entre as pernas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-72696950206121776?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/72696950206121776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/72696950206121776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/01/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TS6cwVRSITI/AAAAAAAAARM/WhFnmF4rkDU/s72-c/cama.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4118895550222038921</id><published>2011-01-06T08:08:00.000-02:00</published><updated>2011-01-06T08:09:35.178-02:00</updated><title type='text'>A noite</title><content type='html'>O prazer é sempre traiçoeiro e insuficiente. É o que dizem as pessoas sobre as drogas. É o que digo sobre amor, sexo, paternidade, dor, morte.&lt;br /&gt; São duas horas da madrugada. Minha consciência explode, mas não pesa.  O que pesa é o ar, sobre cada partícula de meu corpo, como se avisasse as horas ou quantas horas se passou. E foram muitas, infinitas. Uma vida poderia começar, ou terminar. Uma pessoa poderia se matar, ou encontrar um motivo pra ser feliz. Pra mim, qualquer acontecimento, por mais banal que fosse, dependia primariamente de algo. Era uma escolha, uma necessidade, o inevitável.&lt;br /&gt; A cada passo, a certeza de que tudo estava errado, em seu lugar certo. A marca da nicotina em meus dedos. Sua maior vilania e minha maior inocência. Ninguém nunca terá idéia da dor de minha carne: viva, pulsante, independente. Pura e vil.&lt;br /&gt; Um grupo de pessoas se diverte. Banais, vulgares. Grito a eles minha raiva. Minha raiva por não compreenderem um terço do que sou. Besteira, as pessoas banais provavelmente pensam o mesmo. Como saberei se não sou apenas um vulgar incompreendido? Poucas pessoas têm valor atribuído a seus sentimentos. É um privilégio tolo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Não posso terminar. Escrever já não ajuda em nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4118895550222038921?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4118895550222038921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4118895550222038921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2011/01/noite.html' title='A noite'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1348888007011198138</id><published>2010-12-13T09:43:00.005-02:00</published><updated>2010-12-13T13:18:18.515-02:00</updated><title type='text'>IX - O Diabo. A alucinação de Ivan Fiódorovitch.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TQYPsqrCKAI/AAAAAAAAARA/c0OKNxVODRE/s1600/Bergman%252B-%252BO%252BS%25C3%25A9timo%252BSelo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 139px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TQYPsqrCKAI/AAAAAAAAARA/c0OKNxVODRE/s320/Bergman%252B-%252BO%252BS%25C3%25A9timo%252BSelo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550140850824161282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;IX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Diabo. A alucinação de Ivan Fiódorovitch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou médico e, no entato, sinto que chegou o momento de fornecer algumas explicações sobre a doença de Ivan Fiódorovitch. Digamos imediatamente que estava na iminência de uma febre nervosa, tendo a doença acabado por triunfar de seu organismo enfraquecido. Sem conhecer a medicina, arrisco esta hipótese de que tinha ele talvez conseguido, por um esforço de vontade, conjurar a crise, esperando, bem entendido, a ela escapar. Sabia-se doente, mas  não queria abandonar-se à doença naqueles dias decisivos em que devia mostrar-se, falar ousadamente, justificar-se a seus próprios olhos. Tinha ido ver o médico vindo de Moscou a chamado Iekaterina Ivánovna. Depois de havê-lo auscultado e examinado, conluiu o facultativo pela existência de um desarranjo cerebral e não ficou nada surpreso com uma confisão que Ivan lhe fez, no entanto, com repugnância. "As alucinações são muito possíveis no seu estado, mas seria preciso controlá-las... aliás o senhor deve tratar-se seriamente, senão isso se agravará.". Mas Ivan Fiódorovitch não deu importância a esse sábio conselho: "Tenho ainda força para andar. Quando eu cair, será diferente. Tratará de mim quem quiser!".&lt;br /&gt;Tinha quase consciência de seu delírio e fixava obstinadamente certo objeto, em cima do divã, em frente dele. Ali apareceu de repente um indivíduo, que entrou Deus sabe como, porque não estava ele ali quando chegou Ivan Fiódorovitch, após sua visita a Smierdiákov. Era um senhor, ou uma espécie de cavalheiro russo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;qui frisait la cinquantaine&lt;/span&gt;, como dizem os franceses, um pouco grisalho, os cabelos longos e espessos, a barba em ponta. Trazia um paletó marrom, evidentemente de casa de um bom alfaiate, mas já usado, datando de cerca de três anos e completamente fora de moda. A roupa branca, o comprido lenço de pescoço, tudo lembrava o cavalheiro elegante; mas a roupa, observada de perto, não estava lá muito limpa, e o lenço de pescoço bastante gasto. Suas calças de quadrados assentavam-lhe bem, mas eram demasiado claras e demasiado justas, como não se usam mais atualmente, da mesma maneira seu chapéu de feltro branco, malgrado a estação. Em sumna, um aspecto ao mesmo tempo decente e de quem estava em dificuldades financeiras. O cavalheiro parecia ser um desses antigos proprietários rurais que floresciam no tempo da servidão: vivera na sociedade, tivera outrora relações conservadas talvez até agora, mas pouco a pouco, empobrecido após as dissipações dajuventude e a recente abolição da servidão, tornara-se uma espécie de parasita de boa companhia, recebido em casa de seus antigos conhecidos por causa de seu gênio acomodatício e a título de homem decente, que se pode admitir à sua mesa em qualquer ocasião, embora num lugar modesto. Esses parasitas, de gênio afável, que sabem contar uma história, organizar uma partida, detestar as incumbências de que os encarregam, são em geral viúvos ou soleirões; por vezes têm filhos, sempre educados longe, em casa de alguma tia, a respeito da qual o cavalheiro quase nunca fala quando em boa companhia, como se se envergonhasse de tal parentesco. Acaba por se desacostumar de seus filhos, que lhe escrevem de longe em longe, por ocasião de seu aniversário ou do Natal, cartas de felicitações às quais ele por vezes responde. A fisionomia daquele visitante inesperado era mais afável que bonachona, pronta à amabilidade de acordo com as circunstâncias. Não tinha relógio, mas usava um lornhão de tartaruga, presto por uma fita preta. O dedo médio de sua mão direita estava ornado com um anel de ouro maciço com uma opala barata. Ivan Fiódorovitch  mantinha-se em silêncio, resolvido a não travar conhecimento. O visitante aguardava, como um parasita que acaba de deixar o quato que lhe é reservado, à hora do chá, para fazer companhia ao dono da casa, mas que se cala, estando este absorvido em suas reflexões, pronto todavia a uma amável prosa, contanto que o dono da casa a comece. De repente seu rosto revelou preocupação.&lt;br /&gt;-Escuta - disse ele a Ivan Fiódorovitch -, desculpa-me, quero somente lembrar-te: foste à casa de Smierdiákov, a fim de te informares a respeito de Iekaterina Ivánovna, mas vieste embora sem nada saber. Decerto te esqueceste...&lt;br /&gt;-Ah! Sim! - disse Ivan preocupado. - Esqueci-me... Não importa, aliás, deixemos isso para amanhã. A propósito - disse ele, irritado, ao visitante -, era eu quem devia ter-me lembrado disso ainda há pouco, porque me sentia angustiado a respeito. Bastou que tivesses surgido para que acredite que essa sugestão partiu de ti.&lt;br /&gt;-Pois bem! não o creio - e o cavalheiro sorriu com ar amáve. - A fé não se impõe. Aliás, neste domínio, as provas, mesmo materiais, são ineficazes. Tomé acreditou porque queria acreditar, não por ter visto o Cristo Ressuscitado. Assim, os espíritas... gosto muito deles... imagina que acreditam servir à fé, porque o Diabo lhes mostra seus chifres de vez em quando. "É uma prova material da existência do outor mundo." O outro mundo demonstrado materialmente! Que idéia! Enfim, isto provaria a existência do Diabo, mas não a de Deus. Quero passar para uma sociedade idealista, a fim e fazer-lhes oposição.&lt;br /&gt;-Escuta - disse Ivan Fiódorovitch, levantando-se -, creio que estou delirando, conta o que quiseres, pouco me importa! Não me exasperarás como antes. Somente, tenho vergonha... Quero andar pelo quarto... Por vezes deixo de vert-te, de ouvir-te, mas adivinho sempre o que queres dizer, porque "sou eu quem fala e não tu!" Mas não sei se dormia, na derradeira vez, ou se te vi realmente. Vou aplicar na minha cabeça um guardanapo molhado, talvez assim te dissipes.&lt;br /&gt;Ivan foi buscar um guardanapo e fez como dizia, depois do que pôs-se a andar para lá e para cá.&lt;br /&gt;-Causa-me prazer nos tratarmos por "tu" - disse o visitante.&lt;br /&gt;-Imbecil, acreditas que vou tratar-te por "vós"? Sinto-me disposto... se pelo menos não tivesse dor de cabeça... mas não me venhas com tanta filosofia como na última vez. Se não podes ir-te embora, inventa pelo menos algo de engraçado. Conta-me mexericos, porque não passas de um parasita. Que pesadelo tenaz! Mas não te temo. Acabarei vencendo-te. Não me internarão!&lt;br /&gt;-&lt;span style="font-style:italic;"&gt;C'est charmant!&lt;/span&gt; parasita. é meu papel, com efeito. Que sou eu na terra, senão um parasita? A propósito, surpreende-me ouvir-te; palavra, começas a tomar-me por um ser real e não pelo produto apenas de tua imaginação, como o sustentavas da outra vez.&lt;br /&gt;-Nem um instante tomo-te por uma realidade - exclamou Ivan, com raiva - És uma mentira, um fantasma de meu espírito doente. Mas não sei como desembaraçar-me de ti, vejo que será preciso sofrer algum tempo. És uma alucinação, a encarnação de mim mesmo, de uma parte apenas de mim... de meus pensamentos e de mus sentimentos, mas dos mais vis e dos mais tolos. A este respeito, poderias mesmo interessar-me, se tivesse tempo para perder contigo.&lt;br /&gt;-Com licença, vou confundir-te: ainda há pouco, perto do lampião, quando deste com Aliócha, gritando-lhe: "Soubeste-o por ele? Como sabes que ele vem ver-me?", era a meu respeito que falavas. Portanto, acreditaste um instante que eu existo realmente - disse o cavalheiro com um sorriso delicado.&lt;br /&gt;-Sim, era um fraqueza... mas não podia acreditar em ti. Talvez te tenha visto somente em sonho, e não na realidade, na derradeira vez.&lt;br /&gt;-E por que foste tão duro com Aliócha? Ele é encantador, sinto-me culpado para com ele, por causa do Stáriets Zózima.&lt;br /&gt;-Como ousas falar de Aliócha, lacaio! - disse Ivan, rindo.&lt;br /&gt;-Injurias-me rindo, bom sinal. Aliás, estás bem mais amável comigo do que da última vez e compreendo por quê: essa nobre resolução...&lt;br /&gt;-Não me fales disto - gritou Ivan furioso.&lt;br /&gt;-Compreendo, compreendo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;c'est noble, c'est charmant&lt;/span&gt;, vais amanhã defender teu irmão, tu te sacrificas... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;c'est chevaleresque&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;-Cala-te, senão, toma cuidado com os pontapés!&lt;br /&gt;-Em certo sentido, isso me causará prazer, porque meu objetivo será atingido; se ages assim, é que crês na minha realidade, não se trata um fantasma a pontapés. Basta de brincadeiras! Podes injuriar-me, mas vale mais a pena ser um pouco mais delicado, mesmo comigo. Imbecil, lacaio! Que expressões!&lt;br /&gt;-Injuriando-te, injurio-me! Tu és eu mesmo, mas com outro focino. Exprimes meus próprios pensamentos... e nada podes dizer de novo!&lt;br /&gt;-Se nossos pensamentos se encontram, isto me causa honra - disse graciosamente o cavalheiro.&lt;br /&gt;-Somente tu escolhes meus pensamentos mais estúpidos...  És besta e vulgar. És estúpido. Não posso suportar-te! Que fazer, que fazer?! - murmurou Ivan entre os dentes.&lt;br /&gt;-Meu amigo, quero, no entanto, permanecer um cavalheiro e ser tratado como tal - disse o visitante com certo amor-própri, aliás conciliante, bonachão. - Sou pobre, mas... não direi muito honesto, mas... admite-se geralmente como um axioma que sou um anjo decaído. Palavra, não posso imaginar como pude, outrora, ser um anjo. Se o fui em algum dia, foi há tanto tempo que não é um pecado esquecê-lo. Agora, atenho-me apenas à minha reputação de homem decente e vivo como posso, esforçando-me por ser agradável. Gosto sinceramente dos homens: caluniaram-me muito. Quando me transporto aqui para a Terra, entre vocês, minha vida toma uma aparência de realidade, e é o que mais me agrada. Porque o fantástico me atormenta como a ti mesmo, de modo que gosto do realismo terrestre. Entre vocês, tudo é definido, há fórmulas, geometria; entr nós, só equações indeterminadas! Aqui, passeio, sonho (gosto de sonhar). Torno-me supersticioso, não rias, peço-te; a superstição me agrada. Adoto todos os hábitos de vocês; gosto de ir aos banhos publicos, imagina, estar na estufa com os comerciantes e os popes. Meu sonho é encarnar-me, mas definitivamente , em algum comerciante obeso e partilhar de todas as suas crenças.  Meu ideal é ir à igreja e lá acender uma vla, de todo o coração, palavra! Então meus sofrimentos terão fim. Gosto também dos remédios de vocês; na primavera havia uma epidemia de varíola, fui vacinar-me. Se soubesse como estava eu contente! Dei dez rublos para "nossos irmãos eslavos"!... Não me ouves. Não estás no teu estado normal, hoje... - O cavalheiro fez uma pausa. - Sei que foste ontem consultar aquele médico... pos bem! como vais? Que te disse ele?&lt;br /&gt;-Imbecil!&lt;br /&gt;-Em compensação, tens tanto espírito! Invectivas de novo. Não é por interesse que te perguntava isso. Podes não responder. Eis meus reumatismos que se apoderam de mim de novo.&lt;br /&gt;-Imbecil!&lt;br /&gt;-Continuas? Lembr-ome ainda de meus reumatismos do ano passsado.&lt;br /&gt;-O Diabo com reumatismo?&lt;br /&gt;-Por que não? Se m encarno, tenho de suportar todas as consequências. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Satana sum et nihil humani a me alienum puto&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;-Como, como? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Satana sum et nihil humani&lt;/span&gt;... Nao está mal para o Diabo!&lt;br /&gt;-Sinto-me feliz por ver que afinal te causo satisfação.&lt;br /&gt;-Isto não aprendeste de mim - disse Ivan, surpreso - isto jamais me ocorreu. É estranho...&lt;br /&gt;-&lt;span style="font-style:italic;"&gt;C'est du nouveau, n'est-ce pas&lt;/span&gt;? Desta vez agirei lealmente e te explicarei uma coisa. Escuta. Nos sonhos, sobretudo durante os pesadelos que provêm dum desarranjo de estômago ou de outra coisa, o homem tem por vezes visões tão belas, cenas da vida real tão complicadas, atravessa tal sucessão de acontecimentos, de peripécias, inesperadas, desde as manifestações mais altas até as menores bagatelas, que, juro-te, o próprio Liev Tolstói não as imaginaria. Entretanto, esses sonhos ocorrem não aos escritores, mas a pessoas comuns: funcionários, jornalistas, popes... Um ministro chegou a confessar-me que suas melhores idéias lhe vinham quando dormia. é o mesmo agora; digo coisas originais, que nunca te vieram ao espírito, como nos pesadelos, entretanto, não sou senão tua alucinação.&lt;br /&gt;-Mentes. Teu fim é persuadir-me de que existes e eis que tu mesmo pretendes ser um sonho.&lt;br /&gt;-Meu amigo, escolhi hoje um método particular que te explicarei em seguida. Espera um pouco, onde estava eu? Ah! sim! Resfriei-me, mas não entre vocês, lá mesmo...&lt;br /&gt;-Lá mesmo, onde? Dize, pois, demorarás ainda muito tempo? - exclamou Ivan, quase desesperado. Parou, sentou-se sobre o divã, pgou de novo a cabeça entr as mãos. Arrancou o guardanapo molhado e atirou-o fora com despeito.&lt;br /&gt;-Estás com os nervos doentes - observou o cavalheiro com ar displicente, mas amigável. - Estás com raiva de mim porque me resfriei, entretanto aconteceu da maneira mais natural. Conrria eu para uma festa diplomática, em casa duma grande dama de Petersburgo, que manejava a seu gosto os ministros. De casaca, gravata branca, enluvado, no entanto estava ainda Deus sabe onde, e para chegar à Terra era preciso transpor o espaço. Decerto, não é senão um instante, mas a luz do Sol leva oito minutos e, imagina, de casaca e de colete aberto. Os espíritos não gelam, mas quando me encarnei... em suma, agi descuidadamente e aventurei-me; no espaço, no éter, na água... faz um frio, nem se pode mesmo chamar isso de frio, imagina: cento e cinquenta graus abaixo de zero. Conhece-se a brincadeira de jovens aldeãs: quando gela a trinta graus, propõem a algum simplório lamber um machado; a língua gela instantaneamente, o simplório arranca a pele e são apenas trinta graus. A cento e cinquenta graus, bastaria, penso, tocar um machado com um dedo para que este desapareça... se pelo menos houvesse um machado no espaço...&lt;br /&gt;-Mas será possível? - interrompeu, distraidamente, Ivan Fiódorovitch. Lutava com odas as suas forças para resistir ao delírio e não afundar na loucura.&lt;br /&gt;-Um machado? - repetiu o visitante com surpresa.&lt;br /&gt;-Mas sim, que será feito dele lá?  exclamou Ivan com uma obstinação colérica.&lt;br /&gt;-Um machado no espaço? &lt;span style="font-style:italic;"&gt; Quelle idée!&lt;/span&gt; Sese encontrar bem longe da Terra, penso que se porá a girar em torno sem saber por quê, à maneira de um satélite. Os astrônomos calcularão quando se levantará e quando se porá. Gatsuk pô-lo-á nno seu almanaque, eis tudo.&lt;br /&gt;-És estúpido, horrivelmente estúpido! Prega mentiras mais espirituosas, ou não te darei ouvidos. Queres convencer-me pelo realismo de teus processos, persuadir-me de tua xistência. Não creio nela!&lt;br /&gt;-Mas não estou mentindo, tudo iso é verdade. Infelizmsnte, a verdade quas nunca é espirituosa. Vejo que esperas de mim algo de grande, talvez de belo. É lamentável, porque só dou o que posso...&lt;br /&gt;-Não me venhas com filosofia, pedaço de asno!&lt;br /&gt;-Como posso eu filosofar, quando estou com todo o lado direito paralisado, obrigando-me a gemer? Consultei a faculdade; sabem diagnosticar maravilhosamente, explicam-nos a doença, mas são incapazes de curar. Havia lá um estudante entusiasta: "Se o senhor morrer", dizia le, "conhecerá exatamente a natureza de seu mal!". Têm a mania de dirigir-nos a especialistas: nós nos limitamos a diagnosticar, vá ver fulano, ele o curará. Não se encontra mais absolutamente o médico à moda antiga, que tratava todas as doenças. Agora só há especialistas, que fazem publicidade. Para uma doença no nariz enviam a gente a Paris, ao consultório de um especialista europeu. Ele examina o nariz da gente. "Não posso", diz ele, "curar senão a narina direita, porque não trato as narinas esquerdas, não é minha especialidade. Vá a Viena; há lá um especialista para as narinas esquerdas." Que fazer? Recorri aos remédios de curandeiras, um médico alemão aconselhou-me que esfregasse no corpo, após o banho, mel e sal. Fui aos banhos só por prazer e me besuntei em pura perda. Em desespero de causa, escrevi ao Conde Mattei, de Milão; enviou-me um livro e umas bolnhas. Que Deus lhe perdoe! Imagina que o extrato de malte de Hoff curou-me. Tinha-o comprado por acaso, tomei um frasco e meio e tudo desapareceu radicalmente. Estava resolvido a publicar uma declaração nos jornais, porque a gratidão falava dentro de mim, mas foi outra história, nenhuma redação a aceitou! "É demasiado reacionária", dizem, "ninguém acreditará nisso, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;le Diable n'existe point&lt;/span&gt;. Publique isso anonimamente." Mas de que vale uma declaração anônima? Brinquei com os redatores: "Ser reacionário", dizia-lhes, "é crer em Deus em nossa época, mas eu, eu sou o Diabo". "Decerto, toda gente crê no Diabo, contudo é impossível, poderia isso prejudicar o nosso programa. alvez... sob uma forma humorística..." Mas então, pensei, não seria espirituoso. E minha declaração não apareceu. Isto ficou-me pesando no coração. Os melhores sentimentos, tais como a gratidão, estão formalmente proibidos para mim, por causa de minha posição social.&lt;br /&gt;-Voltas a cair na filosofia? - disse Ivan, de dentes cerrados.&lt;br /&gt;-Deus me livre! Mas a gente não pode imperdir-se de queixar-se por vezes. Sou caluniado. Tu m tratas a todo momento de imbecil. Vê-se bem que és um homem jovem. Meu amigo, só há o espírito. Recebi da natureza um coração bom e alegre, "também compus &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vaudevilles&lt;/span&gt;". omas-me, creio, por um velho Khlestakov, mas meu destino é bem mais sério. Por uma espécie de decreto inexplicável, tenho por missão "negar", e no entanto sou visceralmente bom e inapto para a negação. "Não! tens de negar! Sem negação, não há crítica, e que seria das revistas sem a crítica? Só restaria uma hosana. Mas isto não basta para a vida, é preciso que esse hosana passe pelo cadinho da dúvida, etc." Aliás, não me meto em tudo isto, não fui eu quem inventou a crítica, não sou o responsável por ela. Pois bem! teno servido de bode expiatório, obrigaram-me a fazer crítica e a vida começou. Compreendemos essa comédia; quanto a mim, aspiro ao nada. Não, é reciso que vivas, dizem-me, porque sem ti nada existiria. Se tudo fosse razoável na Terra, nada se passaria nela. Sem ti, nada de acontecimentos; ora, são precisos os acontecimentos. Cumpro, pois, minha missão, bm a contragosto, para suscitar acontecimentos, e realizo o irracional, cumprindo ordem. As pessoas levam essa comédia a sério, malgrado todo o seu espírito. Para elas é uma tragédia. Sofrem, evidentemente... em compensação, vivem uma vida real e não imaginária, porque o sofrimento é a vida. Sem o sofrimento, que prazer ofereceria ela? Tudo se assemelharia a um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Te-Deum&lt;/span&gt; interminável; é santo, mas bastante tedioso. E eu? Eu sofro e, no entanto, não vivo. Sou a incógnita de uma equação. Sou o espectro da vida, que perdeu a noção das coisas, e esqueço até o meu nome. Ris?... Não, não ris, zangas-te de novo, como sempre. Ser-te-ia preciso sempre inteligência; ora, repito-te, daria toda essa vida sideral, todos os graus, todas as honras, para encarnar-me na pele duma vendedora obesa e ir queimar velas na igreja.&lt;br /&gt;-Tu também não crês em Deus - disse Ivan, com um sorriso cheio de ódio.&lt;br /&gt;-Como dizer, se falas seriamente...&lt;br /&gt;-Deus existe ou não existe? - insistiu Ivan encolerizado.&lt;br /&gt;-Ah! é sério, então? Meu caro, Deus é-me testemunha de que não sei de nada, não posso dizer melhor.&lt;br /&gt;-Não, tu não existes, tu és eu mesmo e nada mais! Não passas de uma quimera!&lt;br /&gt;-Se queres, tenho a mesma filosofia que tu, é verdade. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;je pense, doc je suis&lt;/span&gt;, eis o que é certo; quanto ao resto, quanto a todos esses mundos, Deus e o próprio Satã, tudo isso não me é provado. Têm eles uma xistência própria, o serão apnas emanação de mim, o desenvolvimento sucessivo de meu "eu", que existe temporal e pessoalmente... mas detenho-me, porque tenho a impressão de que vais bater-me.&lt;br /&gt;-Farias melhor se me contasses uma anedota!&lt;br /&gt;-Eis uma, precisamente no quadro de nosso tema, isto é, mais ma lenda que anedota. Tu me censuras minha incredulidade. Mas, meu caro, não sou eu só assim: entre nós, todos estão agora perturbados por causa das ciências de vocês. Enquanto havia os átomos, os cinco sentidos, os quatro elementos, a coisaia bem ainda. Os átomos já eram conhecidos na Antiguidade. Mas vocês descobriram "a molécula química", o "protoplasma", e o diabo sabe ainda o quê! Aprendendo isso, os nossos baixaram a cauda. Foi a barafunda; sobretudo a superstição, os mexericos proliferaram; fica sabendo que temos disso, tanto quanto voc~es, talvez mesmo um pouco mais, e afinal tamb´m as declarações: há igualmente entre nós uma seção em que recebemos certas "informações". Pois bem, essa lenda de nossa Idade Média, da nossa, não da de vocês, não merece nenhum crédito, exceto entre gordas vendedoras, as nossas, não as de vocês. Tudo quanto existe entre vocês existe também entre nós; revelo-te este mistério por amizade, se bem que seja proibido. Essa lenda fala, pois, do paraíso. Havia na terra certo filósofo que negava tudo, as leis, a consciência, a fé, sobretudo a vida futura. Morreu pensando entrar nas trevas do nada e ei-lo em presença da vida futura. Espanta-se, indigna-se: "Isto", diz ele, "é contrário às minhas convicções". E foi condenado por isso... Desculpa-me, transmito-te esta lenda como ma contaram... Portanto, foi ele condenado a percorrer nas trevas um quatrilhão de quilômetros (porque contamos também em quilômetros, agora), e quando tiver ele acabado o seu quatrilhão, as portas do paraíso se abrirão diante dele e tudo lhe será perdoado...&lt;br /&gt;-Que tormentos há no outro mundo, além do quatrilhão? - perguntou Ivan com estrnaha animação.&lt;br /&gt;-Que tormentos? Ah! não me fales! Outrora, havia-os para todos os gosto; agora, é sempre mais o sistema das torturas morais, "os remorsos da consciência" e outras pataratas. Devemos isso à "doçura dos costumes" de vocês. E quem tira proveito disso? Somente os que não têm consciência, porque zombam dos remorsos! Em compensação, as pessoas decentes, que conervaram o sentimento da honra, sofrem... Eis o que acontece com as reformas operadas em terreno malpreparado e copiadas de instituições estrangeiras. São deploráveis! O fogo de outrora valia melhor. O condenado ao quatrilhão olha, pois, em redor de si, depois se deita atravessado na estrada: "Não ando, por princípio recuso!" Pega a alma de um ateu russo esclarecido e mistura-a com a do profeta Jonas, que se aborreceu três dias e três noites na barriga de uma baleia, e obterás o nosso pensador recalcitrante.&lt;br /&gt;-Sobre que se estendeu ele?&lt;br /&gt;-Havia certamente alguma coisa sobre a qual se estenderia. Não estás brincando?&lt;br /&gt;-Viva! - exclamou Ivan, com a mesma animação. Escutava com uma curiosidade inesperada. - Pois bem! Continua ele deitado?&lt;br /&gt;-Mas não, ao fim de mil anos, levantou-se e pôs-se a andar.&lt;br /&gt;-Que asno! - Ivan deu uma risada nervosa e pôs-se a refletir. - Não será a mesma coisa ficar deitado eternamente ou marchar um uatrilhão de verstas? Mas perfaz isso um bilhão de anos?&lt;br /&gt;-E até mesmo mais. Se houvesse um lápis e papel, poder-se-ia calcular. Faz muito tempo que ele chegou, e é aqui que começa a anedota.&lt;br /&gt;-Como? Mas onde arranjou ele um bilhão de anos?&lt;br /&gt;-Passa sempre na nossa Terra atual! A Terra reproduziu-se talvez um milhão de vezes; gelou-se, fendeu-se, desagregou-se, depois decompôs-se em seus elementos, e de novo as águas recobriram a terra. Em seguida, ofi novamente um cometa, depois um sol donde saiu o globo. Esse ciclo se repete talvez uma infinidade de vezes, sob a mesma forma, até o mínimo detalhe. É mortalmente aborrecedor...&lt;br /&gt;-POis bem! Que aconteceu quando ele acabou?&lt;br /&gt;-Assim que ele entro no paraíso, dois segundos, de relógio na mão, não se tinham passado (se bem que seu relógio, na minha opinião, deve ter-se decomposto em seus elementos durante a viagem) e já exclamava que, por aqueles dois segundos, bem valia fazer não só um quatrilhão de quilômetros, mas um quatrilhão de quatrilhões, à quatrilhonésima potência! Em suma, canto hosanas, exagerou mesmo, a ponto de pensadores mais dignos recusarem estender-lhe a mão nos primeiros tempos; tornara-se demasiado bruscamente conservador. É o temperamento russo. Repito-o, é uma lenda. Eis as idéias que têm em curso entre nós a respeito dessas matérias.&lt;br /&gt;-Apanhei-te! - exclamou Ivan com uma alegria quase infantil, como se lhe voltasse a memória. - Fui eu mesmo que inventei essa anedota do quatrilhão de quilômetros! Tinha então dezessete anos, estava no ginásio... Contei-a a um de meus camaradas, Koróvkin, em Moscou... Essa anedota é muito característica, tinha-a esquecido, mas lembrei-me dela inconscientemente; não foste tu que a contaste! É assim que uma multidão de coisas nos volta à memória, quando marchamos para o suplício... ou quando sonhamos. Pois bem, não passas de um sonho!&lt;br /&gt;-A violência com que me negas assegura-me que, apesar de tudo, crês em mim - disse o cavalheiro jovialmente.&lt;br /&gt;-Absolutamente! não creio em ti nem uma centésima parte!&lt;br /&gt;-Mas uma milésima cês. As doses homeopáticas são talvez as mais fortes. Confessa que crês em mim, pelo menos uma décima milésima parte...&lt;br /&gt;-Não! - gritou Ivan irritado. - Aliás, gostaria bem de crer em ti!&lt;br /&gt;-Eh! eh! eh! Por fim, confessou! Mas sou bom, vou ajudar-te. Fui eu que te apanhei! Contei-te de propósito, essa anedota para desenganar-te definitivamente a meu respeito.&lt;br /&gt;-Mentes. O fim de tua aparição é convencer-me de tua existência.&lt;br /&gt;Precisamente. Mas as hesitações, a inquietação, o conflito entre a fé e a dúvida constituem por vezes tal sofrimento para um homem  escrupuloso como tu, que melhor vale enforcar-se. Sabendo que crês um pouco em mim, contei-te essa anedota para entregar-te definitivamente à dúvida. Conduzo-te  entre a fé e a incredulidade alternativamente, não sem um fito. É um novo método; quando cessares completamente de crer em mim, pôr-te-ás a ssegurar-me que não sou um sonho, que existo verdadeiramente, conheço-te; então meu fito será atingido. Ora, meu fito é nobre. Depositarei em ti um minúsculo germe de fé que dará nascimento a um carvalho, um carvalho tão grande que será teu refúgio e quererás fazer-te anacoreta, porque é teu vivo desejo em segredo, nutrir-te-ás de gafanhotos, prepararás a tua salvação no deserto.&lt;br /&gt;-Então, miserável, é para minha salvação que trabalhas?&lt;br /&gt;-É bem preciso praticar aguma vez uma boa obra. Tut e zangas, pelo que vejo!&lt;br /&gt;-Palaço! Jamais tentaste aqueles que se nutrem de gafanhotos, rezam dezessete anos no deserto até ficarem cobertos de musgo?&lt;br /&gt;-Meu caro, não faço outra ocisa senão isso. A gente esquce o mundo inteiro por uma alma assim, porque é uma jóia de preço, uma aritmética. A vitória é preciosa! Ora, certos solitários, palavra de honra, valem tanto quanto tu, do ponto de vista intelectual, se bem que não o creias; podem contemplar simultaneamente tais abismos de fé e de dúvida que parece por vzes, na verdade, que basta apenas um cabelo para que eles sucumbam.&lt;br /&gt;-Pois bem! Tu te retirarias de nariz bem comprido!&lt;br /&gt;-Meu amigo - observou o visitante, sentencioso -, mais vale ter o nariz comprido do que não ter nariz nenhum, como dizia ainda recentemente um marquês doente (devia ter sido tratado por um especialista), confessando-se a um padre jesuíta. Asssisti a isso, era encantador. "Entregai-me meu nariz!", e batia no peito. "Meu filho", insinuava o padre, " tudo é regulado pelos decretos insondáveis da Providência, um mal aparente traz por vezes um bem oculto. Se uma sorte cruel o privou de seu nariz, o senor ganha com isso pelo fato de ninugém mais doravante ousar dizer-lhe que o senhor tem o nariz comprido." "meu padre, não é isto um consolo!", exclamou ele desesperado. "Ficarei, pelo contrário, encantado por ter cada dia o nariz mais comprido, contanto que ele esteja no seu lugar!" "Meu filho", disse o padre, suspirando, "não se podem pedir todos os bens ao mesmo tempo, e já é murmurar contra a Providência, que, mesmo assim, não o esqueceu; porque, se o senhor grita, como ainda há pouco, que seria feliz toda a sua vida por ter seu nariz comprido, seu desejo será satisfeito indiretamente, porque, tendo perdido seu nariz, pelo fato mesmo, tem o senhro o nariz comprido..."&lt;br /&gt;-Ora! Que coisa estúpida! - exclamou Ivan.&lt;br /&gt;-Meu amigo, eu queria fazer-te rir, juro-te que tal é a casuística dos jesuítas e que tudo isso é rigorosamente exato. Esse caso é recente e causoume bastantes preocupações. De volta para casa, o desgraçado rapaz estourou os miolos naquela noite; não o deixei até o derradeiro instante... Quanto aos confessionários jesuíticos, são na verdade meu divertimento agradável nas horas de tristeza. Eis uma historieta destes últimos dias. Uma jovem normanda, loura, de vinte anos, chega è casa de um velho padre. Uma beleza! Que corpo! Era de fazer vir água à boca. Ajoelha-se, murmura seu pecado através da grade. "Omo, minha filha, você recaiu no pecado?... Ó &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sancta maria&lt;/span&gt;, que ouço eu? Já é outro? Até quando durará isso? Não tem você vergonha?" "Ah! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mon père&lt;/span&gt;", responde a pecadora arrependida, "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ça lui a fait tant de plaisir et à moi si peu de peine&lt;/span&gt;!" Considera essa resposta! É o grito da própria natureza, vale isto mias que a inocência! Dei-lhe a absolvição e voltei-me para retirar-me, quando ouvi o padre marvar-lhe um encontro para aquela noite. Por mias resistente que tenha sido o velho, sucumbiu logo à tentação. A natureza, a verdade desforraram-se! Por que fazes careta? Eis-te de novo zangado? Não sei mais que faze para te ser agradável...&lt;br /&gt;-Deixa-me, tu me obsedas como um pesadelo - gemeu Ivan, vencido pela sua visão. - Tu me aborreces e me atormentas. Daria muito para escorraçar-te.&lt;br /&gt;-Repit, modera tuas exigências, não xijas de mim o grande e o belo e verás como seremos bons amigos - disse o cavalheiro com um tom sugestivo. - Na verdade, tens razão de querer-me mal porque não apareci em meio duma duma nuvem vermelha, entre o trovão e os raios, com as asas avermelhadas, mas me apresentei com traje tão modesto. Em primeiro lugar, teus sentimentos estéticos estão melindrados, depois teu orgulho: tão grande homem receber a visita de um diabo tão comum! Há em ti aquela fibra romântica de que zombou Bielínski! Que fazer, rapaz? Ainda há pouco, no momento de vir à tua casa, pensei, para brincar, em tomar a aparência de um conselheiro de Estado aposentado, condecorado com as ordens do Leão e do Sol, mas não ousei, porque ter-me-ias batido: como, pôr no peito as placas do Leão e do Sol, em lugar da Estrela Polar ou de Sírio?! E insistes em chamar-me estúpido. Meu Deus, não pretendo ter a tua inteligência. Mefistófeles, aparecendo a Fausto, afirma que quer o mal e não faz senão o bem. Bem, isso é lá com ele, comigo é o contrário. Sou talvez o único ser no mundo que ama a verdade e quer sinceramente o bem. Estava presente quando o Verbo crucificado subiu ao céu, levando a alma do bom ladrão; ouvi as exclamações jubilosas dos querubins cantando hosana! e os hinos dos serafins, que faziam tremer o universo. Pois bem, juro-o pelo que há de mais sagrado, quis juntar-me aos coros e gritar também hosana! As palavras iam sair de meu peito... sabes que so bastante sensível e impressionável do ponto de vista estético. Mas o bom senso - a mais desgraçada de minhas faculdades - reteve-me nos justos limites e deixei passar a hora propícia! porque, pensava e então, que aconteceria se eu cantasse hosana? Tudo se extinguiria no mundo, não se passaria mais nada. Eis como os deveres de meu cargo e minha posição social obrigaram-me a repelir um impulso generoso e a permanecer na infâmia. Outros arrogam-se toda a honra do bem: não me deixam senão a infâmia. Mas não invejo a honra de viver às custas de outrem, não sou ambicioso. Por que, entre todas as criaturas, sou eu só votado às maldições das pessoas honestas e mesmo aos pontapés debotas, pois, encarnando-me, evo suportar tais consequências? Há aí um mistério, mas a preço algum querem revelar-mo, com medo de que entoe eu hosana e tão lgoo edsapareçam as imperfeições necessárias, reine a razão no mundo inteiro: seria naturalmente o fim de tudo, até mesmo de jornais e revistas, porque quem os assinaria então? Sei que por fim eu me reconciliaria, farei também eu o meu quatrilhão e conhecerei o segredo. Mas, à espera, amuo-me e cumpro a contragosto minha missão: perder milhões para salvar um só. Quantas almas , por exemplo, foi preciso perder e quantas reputações macular para obter um só justo, Jó, do qual se serviram outrora para me pregarem bem má peça. Não, enquanto o segredo não for revelado, existem para mim duas verdades: a lá de baixo, a deles, que ignoro totalmene, e a outra, a mnha. Resta ver qual é a mais pura... Dormes?&lt;br /&gt;-Penso bem - gemeu Ivan - em tudo o que há de animal em mim, tudo o que desde muito tepmo digeri e eliminei como uma sujeira, tu mo trazes como uma novidade!&lt;br /&gt;-Então, não fui bem sucedido! Eu que pensava encantar-te com minha eloquência! Esse hosana no céu, na verdade, não estava mal, não é? Depois aquele tom sarcástico a Heine, não é?&lt;br /&gt;-Não, jamais tive esse espírito de lacaio! Como pôde minha alma produzir um lacaio de tua espécie?&lt;br /&gt;-Meu amigo, conheço um encantador jovem russo, amador de literatura e de arte. É o autor dum poema que promete, intitulado: O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;grande inquisitor&lt;/span&gt;... Era unicamente ele uqe eu tinha em vista.&lt;br /&gt;-Proíbo-te de falar do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Grande inquisitor&lt;/span&gt; - exclamou Ivan, rubro de vergonha.&lt;br /&gt;-E o cataclismo geológico, lembras-te? Que poema!&lt;br /&gt;-Cala-te o eu te mato!&lt;br /&gt;-Matar-me? Não, é preciso que eu me explique em primeiro lugar. Vim cá para oferecer a mim mesmo esse prazer. Oh! quanto amo os sonhos de meus jovens amigos, fogosos, sedentos de vida! "Ali vive gente nova!", dizias tu na última primavera, quando te preparavas para vir aqui, "eles querem tudo destruir e regressar à antropofagia. Não me consultaram, os estúpidos. Na minha opinião, não é preciso destruir nada, a não ser a idéia de Deus no espírito do homem: eis por onde é preciso começar. Oh! os cegos, não compreendem nada! Uma vez que a humanidade inteira professe o ateísmo (e reio que essa época, à maneira das épocas geológicas, chegará a seu tempo), então, por si mesma, sem antropofagia, a antiga concepção do mundo desaparecerá, e sobretudo a antiga moral. Os homens se unirão para retirar da vida todos os gozos possíveis, mas neste mundo somente. O espírito humano se elevará até um orgulho titânico, e isto será a humanidade deificada. Triunfando sem cessar e sem limites da natureza pela ciência e pela energia, o homem por isso mesmo experimentará constantemente uma alegria tão intensa que ela substituirá para ele as esperanças das alegrias celestes. Cada qual saberá que é mortal, sem esperança de ressurreição, e resignar-se-á à morte com uma altivez tranquila, como um deus. Por altivez, abster-se-á de murmurar contra a brevidade da vida e amará seus irmãos duma maneira desinteressada. O amor só procurará gozos breves, mas o próprio sentimento de sua brevidade reforçar-lhe-á a intensidade tanto quanto outrora la se disseminava nas esperanças de um amor eterno, além-tumular"... e assim por diante. É encantador!&lt;br /&gt;Ivan tapava os ouvidos com as mãos, olhava para o chão, termia da cabeça aos pés. A voz prosseguiu:&lt;br /&gt;-A questão consiste nisto, sonhava meu jovem pensador: será possível que essa época chegue algum dia? Na afirmativa, tudo está decidido, a humanidade se organizará definitivamente. Mas como, diante da estupidez inveterada da espécie humana, não se venha isso a realizar talvez nem dentro de mil anos, é permitido a todo indivíduo que tenha consciência da verdade regularizar sua vida como bem entender, de acordo com os novos princípios. Neste sentido, tudo lhe é permitido. mais ainda: mesmo se essa época nunca chegar, como Deus e a imortalidade não existem, é permitido ao homem novo tornar-se um homem-deus, seja ele o único do mundo a viver assim. Poderia doravante, de coração leve, libertar-se das regras da moral tradicional, às quais estava o homem sujeito como um escravo. Para Deus, não existe lei. Em toda parte onde Deus se encontra, está em seu lugar! Em toda parte em que me encontrar, será o primeiro lugar... tudo é permitido, um ponto, é tudo! Tudo isso é muito gentil; somente, se se quer trapacear, de que serve a sanção da verdade? Mas nosso russo contemporâneo é sasim feito: não se decidirá a trapacear sem essa sanção, tanto ama ele a verdade...&lt;br /&gt;O visitante deixara-se arrebatar pela sua eloquência, elevava cada vez mais a voz e olhava com ironia o dono da casa; mas não pôde acabar. Ivan agarrou de repente um copo em cima da mesa e atirou-o no orador.&lt;br /&gt;-Ah! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mais, c'est bête enfin&lt;/span&gt; - exclamou o outro, erguendo-se vivamente e enxugando as gotas de chá que lhe caíram na roupa; lembou-se do tinteiro de Lutero! - Quer ver em mim um sonho e lança copos contra um fantasma! Isso é digno dma mulher! Bem suspeitava de que fingias tapar os ouvidos e que estavas escutando...&lt;br /&gt;Nesse momento, bateram na janla com insistência. Ivan Fiódorovitch levantou-se.&lt;br /&gt;-Estás ouvindo? Abre então - exclamou o visitante. - É teu irmão Aliócha que vem anunciar-te uma notícia das mais inesperadas, garanto-te.&lt;br /&gt;-Cala-te, impostor, sabia antes de ti que era Aliócha, pressentia-o, e decerto não vem à toa, traz evidentemente uma "notícia" - exclamou Ivan exaltado.&lt;br /&gt;-Abre então, abre-lhe. Está lá fora uma tempestade de neve e é teu irmão quem bate. &lt;span style="font-style:italic;"&gt; Monsieur sait-il le temps qu'il fait? C'est à ne pas mettre un chien debors&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;Continuavam a bater. Ivan quis correr à janela, mas sentiu-se como que paralisado. Esforçava-se por partir os laços que o prendiam, mas em vão. Batiam cada vez com mais força. Por fim os laços se romperam e Ivan Fiódorovitch levantou-se. As duas velas acabavam de consumir-se, o copo que havia atirado contra seu visitante estava sobre a mesa. Sobre o divã, ninguém. As pancadas na janela persistiam, mas bem menos fortes do uqe lhe tinham parecido, bem discretas até.&lt;br /&gt;-Não é um sonho! Não, juro que não era um sonho, tudo isso acaba de ocorrer.&lt;br /&gt;Ivan correu à janela e abriu o postigo.&lt;br /&gt;-Aliócha, eu te havia proibido de vir - gritou ele, com raiva a seu irmão. - Em duas palavras: que queres? Em duas palavras, ouves-me?&lt;br /&gt;-Há uma hora Smierdiákov enforcou-se - disse Aliócha.&lt;br /&gt;-Sobe o patamar, vou abrir a porta - disse Ivan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------&lt;br /&gt;Capítulo IX, "O Diabo. A alucinação de Ivan Fioódorovitch", da obra "Irmãos Karamazov" de Dostoievski.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1348888007011198138?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1348888007011198138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1348888007011198138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/12/ix-o-diabo-alucinacao-de-ivan.html' title='IX - O Diabo. A alucinação de Ivan Fiódorovitch.'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TQYPsqrCKAI/AAAAAAAAARA/c0OKNxVODRE/s72-c/Bergman%252B-%252BO%252BS%25C3%25A9timo%252BSelo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3174862969280859988</id><published>2010-12-07T04:48:00.002-02:00</published><updated>2010-12-07T05:13:56.281-02:00</updated><title type='text'>O demônio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TP3epEFarjI/AAAAAAAAAQ4/3xy8VaDliTA/s1600/hora_do_diabo_23.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TP3epEFarjI/AAAAAAAAAQ4/3xy8VaDliTA/s320/hora_do_diabo_23.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547835113042783794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que sejas o demônio&lt;br /&gt;Quero de novo sonhar contigo&lt;br /&gt;Troco por mil crianças em pranto&lt;br /&gt;O tédio de um belo sorriso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero teus dentes podres. Tua carne crua e quente. Teus pêlos grosseiros e vulgares. Tua insaciável vontade do que é sujo e mal quisto. Um quarto luxuoso e velho, muito alto para lembrar-se de qualquer mundo. Tua humilhação e teu silêncio, teu afago e teu deboche. Tua espontaneidade em ser vil e barata. Vendo minha alma ao teu seio a troco de esmolas. Tudo isso por algumas horas, até que a vida seja somente um peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tua excreção seja minha comida&lt;br /&gt;Para que, enfim, eu esqueça o pão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3174862969280859988?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3174862969280859988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3174862969280859988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/12/o-demonio.html' title='O demônio'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TP3epEFarjI/AAAAAAAAAQ4/3xy8VaDliTA/s72-c/hora_do_diabo_23.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7904863405645525939</id><published>2010-11-22T02:26:00.007-02:00</published><updated>2010-11-22T02:39:24.866-02:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TOnx2QXoKAI/AAAAAAAAAQw/ceqjT4JyHaU/s1600/vinho_taca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TOnx2QXoKAI/AAAAAAAAAQw/ceqjT4JyHaU/s320/vinho_taca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542226730865403906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma revelação pode ser tão dolorosa quanto uma descoberta do passado.  Minha única coragem e tristeza.&lt;br /&gt;Por tanto tempo pensei que a saudade que sinto de você fosse meramente falta de seu sexo. Um dia, uma noite, encontrei uma prostituta idêntica a você. Observando seus movimentos sensuais, me vi à procura de qualquer gesto sutil que escondesse uma lembrança sua, viva, sorrindo pela manhã.&lt;br /&gt;Sou como o vinho: amo tanto quanto sou vulgar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7904863405645525939?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7904863405645525939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7904863405645525939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/11/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TOnx2QXoKAI/AAAAAAAAAQw/ceqjT4JyHaU/s72-c/vinho_taca.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1976753061584589512</id><published>2010-11-14T03:29:00.004-02:00</published><updated>2010-11-14T04:18:38.969-02:00</updated><title type='text'>O coração</title><content type='html'>Há muito venho adiando uma história que não deixa de me atormetar sequer por uma noite. Porque ninguém acreditaria em minhas palavras, ou porque sei como um momento pode se tornar infeliz ao transformar-se em passado. Dentre estes momentos, entre diversos felizes ou tristes, não há qual possa ser mais assombroso do que algo que não possamos compreender e tenha se dado diante de nossos próprios olhos.&lt;br /&gt;Aconteceu-me em uma época muito confusa. Estava desempregado, em grande necessidade de dinheiro. Costumava tomar meus cafés da manhã em uma padaria no mínimo peculiar, em uma esquina qualquer de Niterói. Raramente conversava, as pessoas estavam sempre estressadas. Em contraste, havia este velho. Nunca o havia visto ter uma péssima manhã, estava sempre de bom humor e conversava com todos de forma entusiasmada, qualquer fosse o assunto em questão. Ao lado de muito dinheiro, o velho carregava consigo um excelente, porém doente, coração. Nunca havíamos trocado uma palavra sequer, mas sempre me punha a ouvir suas reconfortantes palavras às pessoas ao seu redor, palavras incrivelmente nunca piegas, mas sim vivas. Havia mais vida em cada uma delas do que em qualquer pessoa que se sentasse ao seu redor, e às vezes me espantava a impressão de que suas palavras fizessem com que as pessoas respirassem, ainda que o ônibus lotado que tivessem de tomar logo em seguida rapidamente removessem este resquício de vida de seus interiores.&lt;br /&gt;Certa vez este velho chegou à padaria mais tarde que de costume, com um sorriso sustentado à força em sua boca e um grande abatimento em seus olhos. Sentou-se ao meu lado, pediu seu "pingado" e seu "pão na chapa", como de costume, e ficou em silêncio. Incrivelmente, nos olhávamos e era como se um diálogo já tivesse se iniciado entre nós há minutos, apesar do longo silêncio.&lt;br /&gt;-Meu coração vai parar de bater dentro de alguns dias e eu não estou preparado para morrer - disse ele.&lt;br /&gt;Aquilo me comoveu, mas não com sua situação, e sim com o quão injusto é o fato de não haver um sentido no mundo. Seria muito mais prudente que a morte levasse um infeliz como eu a privar aquele velho de seu enorme amor pela vida. Permaneci em silêncio, sem saber o que dizer.&lt;br /&gt;-Você sabe, eu tenho muito dinheiro. Talvez, se você pudesse pulsar meu coração até que eu me sinta mais preparado. Posso pagá-lo o quanto for necessário.&lt;br /&gt;Fui pego de surpresa, como você deve estar pensando. Como poderia pulsar seu coração? Seria justo que o fizesse? Posso mesmo permitir que um sujeito, em lugar da natureza, decida o momento de sua morte? Enquanto o velho explicava-me sobre um aparelho que me permitira pulsar manualmente seu coração, me vinha à cabeça, além de diversas perguntas como as anteriormente ditas, minha enorme necessidade de dinheiro, além de grande admiração por aquele velho.&lt;br /&gt;O fato é que aceitei. E o que me soava, a primeira vista, monótono e moralmente grotesco, acabou por se mostrar bem diferente. Primeiro, mudei-me para a casa do velho. Passava as noites em claro de forma a mantê-lo vivo, minhas mãos estavam sempre formigando e dormentes, mas sentia nelas um propósito. Assustava-me a velocidade que me era exigida em suas pulsações. Meu coração estava sempre lento, mas aquele velho estava sempre entusiasmado, obrigava-me sempre a manter seu coração o mais rápido que minhas mãos pudessem aguentar, mas sempre o pedia de forma polida e bem humorada.&lt;br /&gt;Foi um momento feliz de minha vida por muito tempo. Era como se nossos sentimentos começassem a se misturar; como se, de alguma forma, o velho mantivesse também minha pulsação. Este foi, na verdade, o problema. A medida que os sentimentos do velho me invadiam, meus sentimentos também pareciam afetá-lo. Aos poucos o velho foi ficando mais cabisbaixo, sempre pedindo que eu acelerasse sua pulsação e, ainda que fizesse meu máximo, continuava infeliz, desanimado para com a vida. Como se percebesse que, por mais que eu acelerasse seus batimentos, seu coração continuava morto, dependente. Nossa vida (já nos referíamos a ela desta forma, como se fosse apenas uma) havia se tornado miseravelmente infeliz. Ele sentia a infelicidade como uma doença transmissível e crescente, enquanto eu me sentia seu eterno carrasco. Talvez eu devesse tê-lo deixado morrer enquanto ele ainda possuía uma boa impressão da vida. Não porque a natureza seja sábia, mas talvez porque o velho tivesse feito uma escolha muito errada.&lt;br /&gt;Enquanto pensava isto, assistia ao velho dormir confortavelmente ao meu lado. Deixar-se falecer por causas naturais é talvez tão imbecil quanto matar-se por ser infeliz. Ainda que nenhuma das duas sejam necessariamente imbecis, mas iguais. O homem deveria escolher o dia de sua morte. Um dia que se divertisse de forma tão simples e reconfortante, que a vida fosse seu travesseiro em sua infância. Depois deste momento, simplesmente colocar uma arma em sua cabeça e atirar, enquanto sorri.&lt;br /&gt;Foi neste momento que passei a diminuir gradativamente a pulsação do velho. Ele não se agitava, ao contrário, parecia confortável como nunca. Talvez estivesse tendo um daqueles sonhos muito infantis que parecem nunca abandonar a cabeça dos adultos. O velho estava com um semblante bonito, como costumava ser quando seu coração não havia o abandonado, enquanto bebia seu "pingado" e comia seu "pão na chapa". Impulsivamente parei sua pulsação. Assisti ao velho, aos poucos, tranquilamente, morrer, sem perder aquele sorriso de seu semblante. Então o beijei e dormi como há nunca não dormia.&lt;br /&gt;Desde este momento, meu falecido coração procura, em palavras, a vida que aquele velho possuía dentro de si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1976753061584589512?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1976753061584589512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1976753061584589512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/11/o-coracao.html' title='O coração'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6261415818640616110</id><published>2010-11-01T17:40:00.002-02:00</published><updated>2010-11-01T17:50:23.489-02:00</updated><title type='text'>Letícia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TM8X5KUfkEI/AAAAAAAAAQo/-MiwCpQDhM0/s1600/natal2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TM8X5KUfkEI/AAAAAAAAAQo/-MiwCpQDhM0/s320/natal2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534668737851920450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É difícil compreender racionalmente o que outra pessoa sente ou vê. Mas se um dia você quiser entender o mínimo do que uma pessoa sente no instante em que ela está com você, tente respirar no mesmo ritmo que ela e aprecie o que você sente a partir disto. Nada mais.&lt;br /&gt; Todas as pessoas ao meu redor, salve raras exceções, estão tentando se tornar algo e gritar ao mundo o que elas se tornaram, o que elas sempre foram. Quando eu penso em apedrejar minha existência medíocre em meio a isto, fechar os olhos e me trancar em algum lugar, várias imagens me vêm à cabeça.&lt;br /&gt; O olhar de minha mãe, transbordando um amor tão puro que eu, pessoa tão corrompida e inferior, jamais serei capaz de compreender. O amor que estamos acostumados está tão infinitamente ligado à pura necessidade pessoal, mesmo aquele em que deixaríamos de viver por outra pessoa, que não é nada além da necessidade tão intensa que sentimos da outra. Como uma pessoa pode tão puramente abrir mão de si mesma por outras pessoas desta forma? Simplesmente amar outras pessoas acima de si mesma, mas de uma forma real. Amar tanto, que possa ser capaz de simplesmente deixar a outra pessoa ir embora, se este for o melhor pra ela.&lt;br /&gt; O olhar severo de meu pai. Como algumas pessoas simplesmente são, sem tentar ser, de forma que sequer percebem o quanto poderiam enriquecer o mundo se externassem o que pensam. Não consigo concentrar quando vejo um filme com meu pai, porque simplesmente sei que nunca vou conseguir compreender o que está à minha frente de forma tão rica quanto ele. Ou olhar pro mundo. Por mais que eu me considere alguém que compreende bem as pessoas, quando penso em meu pai, me sinto mera criança, na ponta dos pés, tentando enxergar algo novo por uma janela.&lt;br /&gt; Quando penso em praguejar contra nossa existência medíocre, me vem uma memória à cabeça: meu amigo, Túlio. Éramos muito pequenos, estávamos na primeira série, quando ele quebrou a perna de forma grave. Ele teve de usar um aparelho que mantinha suas duas pernas abertas por todo o tempo em que estivemos em contato. Ninguém o aceitava, ele era a piada do colégio. Tinha apenas dois amigos: Eu e Guilherme Henrique. Não estou aqui sendo hipócrita, mesmo porque eu talvez tenha sido o maior de todos. Era-me difícil também aceitá-lo, mas algo me dizia que eu devia estar do lado dele o tempo inteiro. Um dia, na Educação Física, estávamos treinando cobranças de pênaltis, o professor estava no gol e ninguém conseguia acertar a cobrança. Quando chegou a vez de Túlio tentar, todo mundo ria: se nem os melhores, com suas pernas perfeitas, suas vidas perfeitas, seus sorrisos perfeitos, conseguiam fazer o gol, como ele conseguiria? É algo que aconteceu, e ainda ninguém consegue explicar. Como é feliz presenciar uma sensação como essa: uma sensação inexplicável. Acho que nunca verei alguém tão feliz como o vi naquele dia. Consigo me recordar vividamente de nós três – eu, Túlio e Guilherme Henrique – pulando, abraçados, de forma completamente desengonçada (Túlio não podia pular direito com o aparelho em suas pernas), comemorando aquele gol. Todos sabem como amo meu time, Palmeiras, mas acho que nunca comemorei um gol como aquele dia.&lt;br /&gt; Lembro-me de um ensaio para uma apresentação em um Festival de Inglês no colégio, já no terceiro ano. Eu namorava, já há um ano a essa altura, e nunca havia dado qualquer valor para o namoro até esse dia, quando meu namoro já estava em crise e eu já tinha errado tanto que a garota já não tinha qualquer dúvida de que seria melhor pra ela terminar comigo. Neste dia eu me sentei em um canto, tirei pela primeira vez minha aliança e fiquei ali, a girando em meus dedos e pensando. Só ali, tarde demais, percebi que amava aquilo que havia desprezado tanto. E desde este dia não há um momento sequer da minha vida que eu não tenha certeza do quanto amo o que mais desprezo em meu interior: a existência. Esta vida medíocre, sempre triste, com raros momentos simples e insuperáveis. É incrível como nunca sabemos que um momento é especial quando este está acontecendo, assim como sempre julgamos especial, no exato instante em que este se dá em nossas vidas, um momento que não significa nada. A existência pode ser tão sensacional, que ainda que sejamos muito medíocres, ela consegue nos superar e se manifestar em nossas vidas em momentos raros e cientificamente inexplicáveis. Por mais que possamos compreender todas as reações químicas que ocorrem em nosso interior e são responsáveis por tudo isso, não compreendemos perfeitamente por que elas ocorrem em determinados momentos, não compreendemos o momento, não compreendemos o fenômeno.&lt;br /&gt; Minha tia Letícia. Não posso dizer que ela compreendia tudo isto perfeitamente, mas posso dizer que nunca conheci alguém que compreendesse tudo isto tão bem quanto ela. Ela era simplesmente genial, autodidata em todos seus conhecimentos, viveu sua vida inteira em Miraí, uma pequena cidade mineira, próxima ao estado do Rio de Janeiro. Cidade que teve enorme força cultural, embora esta venha se perdendo com o tempo. Seria hipócrita dizer que choro todos os dias por não a ter conhecido melhor, mas não há uma expressão artística minha que não esteja revestida de lágrimas de frustração por não tê-lo feito. Tive logo na ponta de meu nariz uma pessoa da grandeza de todos os escritores que leio e admiro nos dias de hoje e nunca me aproximei dela. Por muito tempo tentei compreender como uma pessoa como ela conseguiu por tanto tempo ficar em silêncio naquela cidade, uma pessoa que tinha tanta coisa a dizer. Hoje percebo que ela disse. Depois de muito tempo, aprendi uma lição extremamente valiosa com esta tão querida tia: Talvez seja realmente impossível mudar o mundo, mas talvez a vida sequer nisto consista. Há tanta coisa simples e bonita ao nosso redor, tantas pessoas que podemos amar de tal forma e de tal forma por elas sermos amados, que o mundo ao nosso redor talvez se transforme em outro mundo, um mundo sensacional, um mundo que todas as pessoas merecem conhecer e nele viver. Nunca realmente a conheci, mas a cada dia aprendo com minhas memórias sobre ela, minhas suposições sobre ela, o que realmente é a vida.&lt;br /&gt; O que me dói é que, neste momento, deixo o texto de lado e passo a observar o a natureza viva que movimenta a cortina, minha caneca de água, o teclado sujo de meu notebook. Minhas crenças religiosas me impossibilitam de acreditar que um dia, quando eu morrer, poderei me sentar com você em um lugar lindo e conversar sobre tudo o que sempre quis conversar com você depois de sua morte. E me recordo de minha irmã recebendo aquele telefonema e que, antes de ela dizer qualquer coisa, eu já tinha a certeza de que você havia falecido. Tudo o que me resta é minha imaginação, e eu sou capaz de construir um momento com grande parte das pessoas que passaram por minha vida sem grandes dificuldades. Mas a verdade é que você era realmente uma escritora talentosa enquanto eu, apenas um pseudoescritor medíocre, fraco e arrogante. Nunca serei capaz de reproduzir você em meus pensamentos, e por mais que a natureza esteja agora viva em minha sala, eu me sinto completamente sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Nessas alturas já entardecia e a mata já se tornava escura. Minha mãe, coitada, era só cansaço. Foi aí que resolvemos voltar. Quem sabe se outro dia retornamos e mais bem informados encontramos o lugar, consolávamos. Ela, conformada, resolveu aderir e novamente nos pusemos a caminho, de volta à casa.&lt;br /&gt;E o diabinho lá, me azucrinando de novo:&lt;br /&gt;- Podem voltar, hahaha! Podem voltar se quiserem, mas àquele tempo nunca mais!&lt;br /&gt;Raios! Pensei em minha mãe e olhei-a de soslaio. Até que ela estava animada e corada de satisfação. Comentava a beleza do passeio e a oportunidade de rever as pessoas e lugares conhecidos. Ela não se decepcionara nem um pouco. Aquele era um novo momento vivido. Para ela a fonte da juventude tinha sido aquele chafariz antigo que a fizera menina de novo.&lt;br /&gt;Também os amigos que reencontrara e com quem comungara belos momentos distantes. O resto fazia parte de outros momentos já vividos e que restavam bem arquivados em sua memória.&lt;br /&gt;Mas para mim, que agora viajava pensativa, a imaginação ainda teimava em regredir no tempo em busca de tudo que minha mãe contava de sua infância e que eu não conhecia. Lá estavam bem direitinhos, perfilados e em posição de sentido, em vidrinhos rotulados pelos nomes, todos os crioulinhos e de mais personagens, nas prateleiras de minha memória.&lt;br /&gt;Aguardando revista eu via o "Jeremias", "Natanael", "tia Toca", "Sinhá Peituda", "Zé Luiz", "Mariinha", "Manoel Abranches" e outros mais. Até o português Marsal, que roubou a tia Rosa para se casarem. Todos eles, todos esperando o renascer da Terra Prometida que se perdera no emaranhado dos anos.&lt;br /&gt;Sim, ela se perdera de fato! Não porque não a encontramos, mas porque o tempo não se repete. Se teimávamos em encontrar-nos lá no horizonte longínquo com aquelas figuras inatingíveis, debalde, pois agora elas só existiam mesmo em nossa imaginação fértil.&lt;br /&gt;Aos poucos quedei-me vencida e cansada, me dando conta de que todos os momentos de nossas vidas são impares e únicos. Não se repetem nunca...&lt;br /&gt;E ai de nossa ilusão perdida que se desfaz em busca de um hipotético horizonte onde ela se evapora após uma caminhada inglória. O horizonte está lá onde o céu encontra a terra e parece ao alcance de nossas mãos. Podemos até tentar uma nova caminhada em sua busca, mas cada momento será bem diferente.&lt;br /&gt;E, se buscássemos esse horizonte como ponto final de nossa jornada, verificamos que ele é feito de outros horizontes e que nossa busca se torna eterna.&lt;br /&gt;Ao atingi-lo, o céu nos foge às mãos e lá se vão nossos castelos, nossos reis, nossos leões, virgens e querubins, produtos de nossa imaginação fantasiosa. E aí nos damos conta de que nossos pés continuam ali em terra firme enquanto se erguem em vão ao infinito nossos braços.&lt;br /&gt;E nós nos perguntamos mais uma vez: Existirá esta Terra Prometida? Onde estará esta Avalon longínqua?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de “Terra Prometida” – Letícia Maria Recipute (25/01/2003)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6261415818640616110?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6261415818640616110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6261415818640616110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/11/leticia.html' title='Letícia'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TM8X5KUfkEI/AAAAAAAAAQo/-MiwCpQDhM0/s72-c/natal2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1715912211819364857</id><published>2010-10-26T02:39:00.000-02:00</published><updated>2010-10-26T02:41:52.751-02:00</updated><title type='text'>O grito</title><content type='html'>O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo feixe de luz que invade&lt;br /&gt;É um nascimento&lt;br /&gt;E nem todo bebê que geme&lt;br /&gt;O faz por sofrimento&lt;br /&gt;A fome já não é mais vaidade&lt;br /&gt;E a cegueira que consome&lt;br /&gt;Já não escolhe idade&lt;br /&gt;Nem toda bandeira ostenta um ideal&lt;br /&gt;E a raiva de quem perdeu sua liberdade&lt;br /&gt;Já não mais está abaixo de bem ou mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda geração é um formigueiro de idéias prontas&lt;br /&gt;A juventude é um relógio parado&lt;br /&gt;Louvamos o fracasso antigo&lt;br /&gt;Escrevemos em um papel usado&lt;br /&gt;A luxúria de mudar o mundo&lt;br /&gt;Mata de frio o velho morimbundo&lt;br /&gt;E a água da chuva se confunde com lágrimas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;br /&gt;O grito virou hipnose&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1715912211819364857?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1715912211819364857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1715912211819364857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/10/o-grito.html' title='O grito'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5321493894470201364</id><published>2010-10-04T03:34:00.014-03:00</published><updated>2010-10-04T05:34:04.462-03:00</updated><title type='text'>Lúpus</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKl9BPdlQYI/AAAAAAAAAQg/SOEHE2t1Ol0/s1600/cigarro5b15d.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKl9BPdlQYI/AAAAAAAAAQg/SOEHE2t1Ol0/s320/cigarro5b15d.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524083878230573442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as pessoas detestam a sociedade, mas todas querem seus pais perfeitamente sociais.&lt;br /&gt;Os pais são nossa eterna recordação ou expectativa de conforto e segurança, ainda que sejam símbolos da ausência destes em nossa vida. &lt;br /&gt;As pessoas sentem a necessidade, independente de sua inerência (ou não) natural, de convivência, dispondo de todos os sacrifícios necessários para que se mantenham em contato social.&lt;br /&gt;O que está em questão não é o desgosto verbal do ser humano pela sociedade, mas um desgosto verdadeiro e raramente percebido. O desgosto verbal pela sociedade pode se tornar algo completamente social, o que é de fato, infelizmente, eficaz, exatamente em função do desgosto real em questão. Este desgosto verbal faz com que o outro ser social tenha sensação de finalmente encontrar alguém que compreende algo que está em seu interior - este desgosto verdadeiro, que é quase inexpressável, embora passível de compreensão por qualquer um.&lt;br /&gt;A sociedade em sua forma atual e em suas formas historicamente conhecidas é um simples vírus, um vício. Obedecemos normas completamente exteriores, que detestamos, em prol do convívio social. Estas normas, postas desta forma, obviamente deveriam ter função de facilitar e tornar agradável o convívio social, mas elas acabam por tomar forma de preços, os quais pagamos. Preços que destroem o que procuramos.&lt;br /&gt;É como um remédio alucinógeno. Inicialmente, por mais que os preços sejam altos, o benefício é válido, e pagamos por ele. Depois, o benefício se torna tão irrisório, que não pagaríamos por ele ainda que os preços abaixassem ou se tornasse gratuito. São normas que destroem não só o convívio social, como a ânsia humana pelo contato com outros homens. Isto porque a relação entre estas normas e o convívio está completamente alterada: o primeiro não facilita o segundo, o primeiro é condição necessária para o segundo, situação que acaba por tornar o convívio um incoveniente, algo que necessitamos e precisamos de alguma forma conseguir pagar por. E este pagamento está na construção de quem somos. É uma doença tão intensa, que a maioria das pessoas tentará moldar sua postura de acordo com esta sociedade ou de forma completamente contrária a esta sociedade e que seja interessante, para que possa participar da mesma de uma forma relevante sem necessariamente destruí-la, ainda que seja reconhecido como um vilão social.&lt;br /&gt;Quando tomo um comprimido qualquer, sinto exatamente o gosto desta doença, sinto as partes de mim que se ocupam dela e das quais não consigo me livrar, expelir. São como fungos por todo o meu corpo, mais velhos até mesmo do que minha memória. Depois me vem à cabeça o preço, o formato desta necessidade, o sumiço de qualquer perspectiva. Por fim, é como se não houvesse mais alimento para aqueles fungos, mas eles continuassem ali, famintos, e tudo o que eu pudesse fazer é esperar alguém retirá-los de meu corpo pra mim. Ou alguém resolver retirar seus próprios fungos enquanto eu retirasse os meus, juntos. &lt;br /&gt;Esta sensação é a que identifico como a única sensação social pura - despida de qualquer construção externa - que conseguimos alcançar sozinhos e livres. Ela é a responsável por minha imaginação - que ocupa tanto espaço em meu tempo -, é a única razão pela qual me mantenho vivo. &lt;br /&gt;Se esta base, uma idéia tão simples, consegue transmitir uma sensação tão diferente e interessante, imagine o que poderia acontecer se duas pessoas livres pudessem se encontrar? É algo que eu talvez nunca conheça em toda minha vida, mas que sempre esperarei conhecer.&lt;br /&gt;A vida como temos agora, porém, é como um cigarro aceso pelo filtro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5321493894470201364?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5321493894470201364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5321493894470201364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/10/lupus.html' title='Lúpus'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKl9BPdlQYI/AAAAAAAAAQg/SOEHE2t1Ol0/s72-c/cigarro5b15d.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1407965849894200211</id><published>2010-10-03T10:26:00.002-03:00</published><updated>2010-10-03T10:42:36.561-03:00</updated><title type='text'>h) Pode-se ser o juiz de seus semelhantes? Fé até o fim.</title><content type='html'>"Lembra-te de que não podes ser o juiz de ninguém. Porque antes de julgar um criminoso, deve o juiz saber que é ele próprio tão criminoso quanto o acusado, e talvez mais que todos culpado do crime dele. Quando tiver compreendido isto, poderá ser juiz. Por mais absurdo que isto pareça, é verdade. Porque se eu mesmo fosse um justo, talvez não houvesse diante de mim um criminoso. Se podes encarregar-te do crime do acusado que julgas em teu coração fá-lo imediatamente e sofre em seu lugar; quanto a ele, deixa-o ir sem censuras. E mesmo se a lei te instituiu juiz dele, tanto quanto é possível, faze também a justiça naquele espírito, porque, uma vez partido, condenar-se-á ele ainda mais severamente que o teu tribunal. Se ele se vai insensível a teu bom tratamento e zombando de ti, não fiques impressoinado; é que a hora dele ainda não chegou, mas chegará; e, no caso contrário, um outro em lugar dele compreenderá, sofrerá, condenar-se-á, acusar-se-á a si mesmo, e a verdade será cumprida. Crê firmemente nisto; é aí que repousam a esperança e a fé dos santos. Não te canses de agir. Se te lembrares, à noite, antes de dormir, de que não cumpriste o que era preciso, levanta-te logo para cumpri-lo. Se os que te cercam, por malícia ou indiferença, recusam ouvir-te, põe-te de joelhos e pede-lhes perdão, porque, na verdade, é culpa tua se não querem escutar-te. Se não podes falar àqueles que estão envinagrados, serve-os em silêncio e na humildade, sem jamais desesperar. Se todos te abandonam e se te expulsam com violência, ao ficares sozinho, prosterna-te, beija a terra, rega-a com tuas lágrimas, e essas lágrimas darão frutos ainda mesmo que ninguém te veja, nem te ouça na tua solidão. Crê até o fim, mesmo que todos os homens se hajam desviado e tenhas ficado fiel sozinho; leva então tua oferenda e louva a Deus, por teres sido o único a manter a fé. E se dois, tais como vós, se reúnem, então eis a plenitude do amor vivo, beijai-vos com efusão e louvai o Senhor, porque sua verdade cunmpriu-se, ainda que apenas em vós dois.&lt;br /&gt;Se tu mesmo pecaste e estás mortalmente aflito por isso, rejubila-te por um outro, por um justo, rejubila-te por ser ele, em compensação, um justo e não ter pecado.&lt;br /&gt;Se estás indignado e aflito por causa da iniquidade dos homens, a ponto de quereres vingar-te, teme acima de tudo esse sentimento; impõe-te o mesmo castigo que fosses tu mesmo culpado do crime deles. Aceita esse castigo e suporta-o, teu coração se acalmará, compreenderás que tu também és culpado, porque terias podido esclarecer os celerados mesmo na qualidade de único justo, e não o fizeste. Esclarecendo-os, ter-lhes-ias mostrado um outro caminho, e o autor do crime não o teria talvez cometido, graças à luz. Se os homens ficarem mesmo insensíveis a essa luz, malgrado teus esforços, e negligenciarem sua salvação, fica firme e não duvides do poder da luz celeste; persuade-te de que, se não foram eles salvos agora, sê-lo-ão mais tarde. Senão, seus filhos serão salvos em lugar deles, porque tua luz não perecerá, mesmo se estiveres morto. O justo desaparece, mas a luz fica. Após a morte do salvador é que a gente se salva. O gênero humano repele seus profetas, massacra-os, mas os homens amam seus mártires e veneram aqueles que eles mesmos fizeram perecer. É pela coletividade que trabalhas, pelo futuro que ages. Não procures recompensa jamais, porque tens já uma grande nesta terra: tua alegria espiritual, de que somente o justo partilha. Não temas nem os grandes nem os poderosos, mas sê sábio e sempre digno. Segue a medida, conhece os termos, instrui-te a este respeito. Retirado na solidão, reza. Prosterna-te com amor e beija a terra. Ama incansavelmente, insaciavelmente, todos e tudo, procura esse êxtase e essa exaltação. Rega a terra de lágrimas de alegria, ama essas lágrimas. Não te envergonhes desse êxtase, ama-o, porque é um grande dom de Deus, concedido somente aos eleitos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho da obra "Irmãos Karamazov", Dostoiévski.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1407965849894200211?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1407965849894200211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1407965849894200211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/10/h-pode-se-ser-o-juiz-de-seus.html' title='h) Pode-se ser o juiz de seus semelhantes? Fé até o fim.'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2191304596248632550</id><published>2010-09-28T04:52:00.004-03:00</published><updated>2010-09-28T04:58:20.788-03:00</updated><title type='text'>Cara para um amigo. Carta para os velhos tempos.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKGe9reoDWI/AAAAAAAAAQY/tvd14ApLBYo/s1600/OgAAAG2BfSxHsIM7sSuuMPDHVcoFlN88krbFV_LwpYHrGjwg4afaZPWN2YaRJe5b5LyAXf7_irxdgNhpSArZJ5_5vswAm1T1UM13DNEQFM9GJu-ldw7aHKU4LYzB.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKGe9reoDWI/AAAAAAAAAQY/tvd14ApLBYo/s320/OgAAAG2BfSxHsIM7sSuuMPDHVcoFlN88krbFV_LwpYHrGjwg4afaZPWN2YaRJe5b5LyAXf7_irxdgNhpSArZJ5_5vswAm1T1UM13DNEQFM9GJu-ldw7aHKU4LYzB.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521869400613326178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, não sei bem por quê, mas me deu uma vontade incontrolável de vir aqui e encher uma caixa de diálogo de besteiras, não tão bestas quanto parecem ser.&lt;br /&gt;Às vezes, quando me sinto mal, milhares de memórias me vêm à cabeça, muitas delas com você, apesar de uma amizade não tão longa. Lembro quando comecei a tocar com bandas, a primeira vez que você me viu tocando num ensaio da Fenris. Maurício na bateria, eu tocando guitarra e cantando, só isso. Naquele dia voltamos pra casa conversando sobre música, eu irritando você, você me irritando e nós dois nos entendendo.&lt;br /&gt;Quando começamos a tocar na Legendarius, me senti como se tivesse finalmente encontrado algo que há muito vinha procurando. Nós simplesmente sabíamos sobre o que se tratava música. Todas nossas cicatrizes de adolescente misturadas a sorrisos. A balalaika no fim de semana era uma mistura de superação e diversão. Aqueles momentos representam exatamente do que se trata música, independente da qualidade que saísse dos nossos instrumentos.&lt;br /&gt;E esses milhares de defeitos que você tem e faz questão de não abrir mão, de teimosia, tendo consciência de que largá-los é perder uma parte valiosa do que você é. Cada um deles é parte essencial de nossa amizade e da admiração que tenho por você. Não gostaria mais ou menos de você se você os perdesse, mas gostaria menos de você se você abrisse mão de algo de forma que te fizesse se sentir vazio, seja esse algo bom ou ruim.&lt;br /&gt;Só queria renovar algo que não consigo ver morrer. Mesmo que agora não tenha absolutamente nada pra fazer em Varginha, nós amadurecemos tanto de forma tão rápida e, ainda assim, nos mantemos reunindo, fazendo qualquer merda, qualquer horário, porque sabemos o valor de tudo o que aconteceu. Essa é uma boa cicatriz que não pode sair do nosso corpo.&lt;br /&gt;Com o tempo vou descobrindo que a amizade não é encontrar alguém com todas as qualidades que você espera, mas sim alguém que te faça se sentir você mesmo, mesmo que a pessoa tenha os defeitos que você nunca esperou. E esses defeitos realçam nela as qualidades que você nunca procurou, mas que se tornam indispensáveis pra você com o passar do tempo.&lt;br /&gt;E esse passar do tempo não consegue apagar certas coisas. Não importa o que você seja agora, não importa o que você se torne, você é um irmão pra mim e sempre será.&lt;br /&gt;Um abraço e se cuide, meu caro "Nocêra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=wrivjzw0RlI&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2191304596248632550?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2191304596248632550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2191304596248632550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/09/cara-para-um-amigo-carta-para-os-velhos.html' title='Cara para um amigo. Carta para os velhos tempos.'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKGe9reoDWI/AAAAAAAAAQY/tvd14ApLBYo/s72-c/OgAAAG2BfSxHsIM7sSuuMPDHVcoFlN88krbFV_LwpYHrGjwg4afaZPWN2YaRJe5b5LyAXf7_irxdgNhpSArZJ5_5vswAm1T1UM13DNEQFM9GJu-ldw7aHKU4LYzB.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6474889521487256354</id><published>2010-09-27T16:18:00.001-03:00</published><updated>2010-09-27T16:28:24.312-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKDwPy4ujPI/AAAAAAAAAQQ/51aR0gZlRwQ/s1600/l_eaa63b576854078d756692aa3851733c.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 223px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKDwPy4ujPI/AAAAAAAAAQQ/51aR0gZlRwQ/s320/l_eaa63b576854078d756692aa3851733c.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521677297304636658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6474889521487256354?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6474889521487256354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6474889521487256354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/09/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/TKDwPy4ujPI/AAAAAAAAAQQ/51aR0gZlRwQ/s72-c/l_eaa63b576854078d756692aa3851733c.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4482822594120041888</id><published>2010-08-24T04:13:00.003-03:00</published><updated>2010-08-24T04:36:14.040-03:00</updated><title type='text'>Feche os olhos e dance</title><content type='html'>Todos já foram a uma festa que simplesmente não poderia ser descrita. Do tipo com poucas pessoas, do tipo que a banda se perde em músicas que nunca tocaria em uma festa comum. Em um lugar ordinário, no qual nunca se imaginaria uma festa, mas que se transforma no lugar perfeito pra uma na mente de todos os que nela estiveram presentes.&lt;br /&gt; A banda tocava “O caminho do bem”, mas não era um cover perfeito. A música havia se tornado única, própria, como uma composição de todos os corpos que se deixavam embalar por ela. A pouca iluminação especial do lugar vibrava com todas as mãos pro alto, pessoas que dançavam como se aquele fosse o único lugar vivo no planeta, ao menos naquele instante. As cabeças dançavam ritmadas, mesmo aquelas que não estavam acostumadas a seguir a música.&lt;br /&gt; Dentre tantas cabeças, uma se destacava, como se fosse natural. Parecia ter sido criada para aquele ambiente. Cabelos chanel, muito escuros, aparentemente pintados. Olhos delineados e castanhos, aparentemente muito velhos, mas os mais jovens olhos daquela noite. Os olhos não pertenciam à noite, a noite pertencia aos olhos. De pele muito clara, usava uma blusa folgada, de alças estreitas, caindo leves ao corpo, deixando a um top a incumbência de esconder os seios. Era baixa – ainda que usasse um salto considerável, o qual não parecia atrapalhar a dança - e magra, talvez até magra demais. Longas meias escuras subiam por bonitas pernas até encontrar o que parecia interessar os diversos homens que dançavam ao seu redor. Uma saia alcançava a parte superior de seus joelhos. Dançava lentamente, de forma sensual e ao mesmo tempo nada vulgar, apesar de deixar transparecer na inocência daquela mulher algo de muito misterioso. Era uma dança tão sutil – e ao mesmo tempo bem composta – que parecia fazer parte daquela melodia, mas da forma certa. Não era um solo, era algo que dava à música um ambiente e permitia que ela alcançasse as pessoas. Seus olhos se fechavam e abriam a todo tempo, como se, apesar de às vezes longe daquele ambiente, estivessem sempre atentos, à espreita, procurando algo. Não sabia o que era, mas sabia que precisava encontrar algo, e não era algo convencional. Fechava os olhos e olhava para o alto, para as luzes, para as teias de aranha abandonadas nas junções da parede com o teto. &lt;br /&gt;Piscou e olhou para a varanda, onde um homem destoava daquele lugar, olhando a rua vazia. Não era, porém, descartável ao ambiente. De repente era como se tudo pudesse desmoronar se não houvesse aquela peça incomum em um canto. Como se o ambiente pudesse novamente se tornar comum, impróprio para uma festa. Como se a música pudesse voltar a ser apenas um cover normal e, como se imagina, inferior ao próprio Tim Maia.&lt;br /&gt; Parou de dançar e puxou um dos homens ao seu redor. A música pareceu ter diminuído seu volume, como se alguém em algum lugar estivesse gravando uma cena ao redor daquela mulher, querendo que todos os que estivessem atentos pudessem ouvir suas palavras.&lt;br /&gt; -Você conhece aquele cara? – apontando para o homem na varanda.&lt;br /&gt; -É o Rafael. – sorriu – Ele é estranho deste jeito, mesmo.&lt;br /&gt; A mulher então voltou a dançar, se aproximando lentamente do homem. Colocou suavemente sua mão na parte interior da coxa de quem, aparentemente, conhecia muito mal aquele rapaz que não parecia querer participar da festa. A mão da mulher estava próxima ao lugar onde ele desejava que ela estivesse, mas não tão próxima quanto ele esperava. A mulher então o beijou nos lábios e, aproximando-se de sua orelha, disse:&lt;br /&gt;-Obrigada, querido.&lt;br /&gt; Começou, então, a caminhar em direção à varanda, deixando o homem no que se supunha ser uma pista de dança, ainda com os olhos fechados.&lt;br /&gt; Rafael havia acendido mais um cigarro e parecia ainda olhar para o mesmo ponto da rua vazia, como se não estivesse realmente ali. A mulher apoiou seus braços nas grades da varanda e, tirando um cigarro de sua bolsa, dirigiu-se a ele:&lt;br /&gt; -Posso fumar do seu lado?&lt;br /&gt; Rafael não respondeu. Aparentemente sequer ouvir o que aquela mulher havia lhe dito.&lt;br /&gt; -Meu nome é Sofia.&lt;br /&gt; Seguiu-se um silêncio constrangedor. A pergunta seguinte está implícita, aquele homem, porém, parecia estúpido, ou morto. Sofia pôs-se a pensar e percebeu que ele talvez não devesse realmente responder àquela pergunta convencional. Já sabia o nome dele, por que perguntou? Por que as coisas devem seguir estes roteiros simplesmente estúpidos? Não poderia simplesmente começar a conversar com o homem, já se referindo a ele com seu nome? É provável que isto o assustasse, é verdade, mas era melhor do que o tédio. Qualquer coisa é melhor do que o tédio, por mais horrível que ela possa parecer, ao menos a princípio, antes que a experimentemos.&lt;br /&gt; -Você dança, Rafael?&lt;br /&gt; Rafael, porém, não só não se assustou, como não esboçou qualquer reação àquela fala. Sofia cogitou que a rua fosse para ele uma memória, uma memória mais interessante que qualquer coisa nova que pudesse acontecer àquele homem. Talvez fosse uma rua vazia apenas para ela, enquanto pra ele fosse um filme, fosse sua cena favorita do cinema. Lembrou-se de repente de Uma Thurman dançando “Girl, you’ll be a woman soon” em "Pulp Fiction". Como adorava aquela cena. Se ela estivesse sendo reproduzida agora em uma televisão em algum canto deste bar, era provável que ela se dirigisse até ele e a assistisse até o fim, sem querer ser incomodada. Havia, porém, algo de impulsivo que a forçava a incomodar aquele homem. Talvez fosse ele o que ela deveria encontrar naquele dia. Talvez ela estivesse apenas sendo muito tola, imaginativa, infantil.&lt;br /&gt; Virou-se de costas ao homem e começou, então, a dançar lentamente muito próxima a ele. Estava realmente muito sensual. Até seu perfume barato parecia ter-se transformado em um perfume francês, que exalava de seu pescoço suado ao ponto certo - como se, naquele momento do que mal era um diálogo, já estivesse no ápice de uma relação sexual – e bem próximo do rosto de Rafael. O homem então virou-se para que a mulher pudesse ficar mais próxima dele e, aproximando-se de seu ouvido, finalmente disse algo:&lt;br /&gt; -Eu costumava esperar a madrugada, para que as ruas, que eu via movimentadas todos os dias, estivessem vazias e eu então pudesse caminhar por elas e pensar livremente. Hoje, já não há mais propósito nisto. Nesta época, as pessoas eram vazias, mas ainda havia tesão, e eu as via como madeiras ocas, esteticamente agradáveis. Agora, é como se a madrugada fosse como o dia. As ruas estão sempre vazias e eu estou sempre sozinho.&lt;br /&gt; Sofia então levou as mãos ao cabelo e, após quase agachar-se, levantou-se lentamente, inclinando para a frente, arrastando as nádegas pela perna do rapaz, até atravessar a virilha e chegar próximo à barriga, inclinando-se então para trás, pondo seu pescoço nos ombros do homem que, apesar de magro, os possuía largos. Era sua vez de aproximar sua boca a um dos ouvidos do homem e preencher o silêncio. Não tinha certeza se o queria fazer. Sentia uma enorme excitação naquele homem silencioso, como se em suas poucas palavras repousasse algo que a deixasse confortável o suficiente para ficar nua ali mesmo, em meio àquela multidão.&lt;br /&gt; -Quer dizer então que você não pode me ajudar a encontrar o que estou procurando?&lt;br /&gt; Rafael, de repente, sentiu-se despertar. Não fazia idéia de como havia chegado ali. Olhou ao seu redor e ninguém dançava, todos estavam parados, o observando fixamente, com olheiras profundas. No palco, restara apenas o baixista. Nunca havia presenciado algo daquele tipo: a banda inteira retirar-se do palco e restar apenas o baixista. Seus dedos percorriam o instrumento levemente, e não da forma agressiva como se costuma ver nos solos de baixo desacompanhados de outros instrumentos. As notas eram suaves, não tremiam nem um pouco, mas eram, apesar de tranqüilas, sinistras. Havia algo de macabro naquilo tudo. O baixista possuía as olheiras mais profundas do lugar e o observava de forma agressiva, como se quisesse matá-lo e então comer toda sua carne, até que não restasse qualquer vestígio seu no mundo. Parecia nervoso, cansado daquilo tudo, como se estivesse ali por obrigação apenas, esperando que ele terminasse logo com Sofia e a cortina pudesse, então, abaixar-se no palco. Correu os olhos pela festa e todos haviam voltado a dançar normalmente. “Foi um delírio momentâneo”, pensou. “É um daqueles sonhos novamente”. Sentiu, então, uma vontade incontrolável de vomitar.&lt;br /&gt; -Meu pau ainda sobe, se é o que você quer saber. Só não estou tão certo se ele pode proporcionar a mim o mesmo prazer que pode proporcionar a você. Preciso ir ao banheiro.&lt;br /&gt; Com seus braços, removeu Sofia de sua frente. Tirou a jaqueta de couro que trajava e a jogou no chão. Parecia uma jaqueta cara e o homem não aparentava ter dinheiro o suficiente para comprar outra daquela no dia seguinte, mas simplesmente não se importava. Usava apenas uma regata branca por baixo. Partiu apressadamente para o banheiro, empurrando as pessoas que se posicionavam na sua frente. A maioria delas sequer percebeu o gesto agressivo; outras o encararam, mas voltaram a dançar segundos depois.&lt;br /&gt; Sofia sentiu-se ofendida com as palavras. Percebeu então o quanto havia sido vulgar nestes últimos momentos. Fechou os olhos e tentou esquecer aquele curto momento estúpido. Interpretou a fala de Rafael como um convite e decidiu segui-lo ao banheiro. Não sabia bem o que estava fazendo, mas estava determinada a fazê-lo.&lt;br /&gt; Já na entrada do banheiro, Rafael percebeu que a mulher o seguia e a esperou. Puxou-a pela mão para o banheiro masculino. Sofia realmente esperava que aquilo acontecesse no banheiro feminino, sentir-se-ia menos constrangida desta forma. Percebeu, então, que o queria tanto que mal conseguia sentir o constrangimento. Estava naquele estado em que se pode contornar qualquer coisa depois, o que importava é que aquilo acontecesse.&lt;br /&gt; Rafael não foi nada sutil, a puxou pelos braços e a empurrou para uma das cabines, onde nem se preocupou em levantar sua blusa ou qualquer coisa do tipo. Abaixou seus jeans apertados e, pressionando a mulher contra a parede, colocou suas mãos por baixo de suas saias e abaixou sua calcinha. Levantou-a, escorando-a na parede, e a penetrou de forma violenta. Sofia passou os braços pelos ombros de Rafael e tentou segurar-se para não gritar. Rafael não produzia qualquer som e não parecia segurar-se para não fazê-lo. No entanto, parecia muito excitado. Estava preso em seu mundo. Não queria que Sofia dissesse nada. Também não queria dizer nada.&lt;br /&gt; Sofia percebeu, então, que não ouvia mais nada ao seu redor. Falou e não ouviu sua própria voz. O homem parecia gritar, gemer. Ela simplesmente não ouvia. O prazer parecia trancá-la em um armário e encolhê-lo aos poucos. Já não estava sozinho, mas trouxe consigo a dor. A dor não era como uma ferida; aumentava o prazer e o prazer aumentava a dor. Os dois continuavam interagindo até um ponto em que tudo parecia prestes a explodir. O homem não havia colocado camisinha, ela não conseguia se importar. Sequer entendia por que havia lembrado deste detalhe.&lt;br /&gt; Sentiu, então, a vontade de vomitar do homem penetrar seu corpo. Prazer, dor, náuseas, silêncio. Tudo aquilo parecia duelar com sua mente por seu corpo. Sua mente parecia ceder, queria desfazer-se. Tudo era muito confuso. Como podia saber que o homem tinha vontade de vomitar? Era impossível. Notou que sabia muito sobre o homem. Rafael nada havia dito, mas ela sabia tudo. Conhecia o homem melhor do que a si própria, e não havia nisto muita diferença. Tudo o que o homem era estava nela, escondido em algum lugar. Rafael era mais Sofia do que ela própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordou em seu minúsculo apartamento. Sentia dores nas costas, dormia mais uma miserável noite naquele colchão horrível. Estava nua e se masturbava. No criado-mudo, ao lado de sua cama, havia um copo cheio até a metade de vodca pura, ruim, barata. Arremessou o copo contra a parede. Gritou, pôs-se de joelhos, puxou seus cabelos, chorou até a última lágrima, como se, secando-se as lágrimas, o sangue de seu corpo fosse parar de correr e ela finalmente pudesse ver-se livre de tudo aquilo.&lt;br /&gt; Virou-se, então, e dormiu. Nua e só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4482822594120041888?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4482822594120041888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4482822594120041888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/08/feche-os-olhos-e-dance.html' title='Feche os olhos e dance'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5146552515678969221</id><published>2010-08-24T04:11:00.000-03:00</published><updated>2010-08-24T04:13:19.369-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>Hoje a música está viva&lt;br /&gt;Suas unhas estão no vento&lt;br /&gt;Suas cores estão nos lábios&lt;br /&gt;Raios de luzes escuras&lt;br /&gt;Sopros de lâminas partidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando o dedo entre os cabelos&lt;br /&gt;De jovens passageiros, já perdidos&lt;br /&gt;Mas com coragem suficiente&lt;br /&gt;Pra tentar mudar o mundo&lt;br /&gt;Pra cravar os dentes em tudo&lt;br /&gt;O que tiver sangue ou semente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda noite, a música vive&lt;br /&gt;Mas hoje sua madeira está oca&lt;br /&gt;Revela por seu véu natural&lt;br /&gt;Tudo o que há de bem ou mal&lt;br /&gt;Como a mãe louca, que espera do filho morto&lt;br /&gt;Permissão pra enterrar o próprio corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5146552515678969221?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5146552515678969221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5146552515678969221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/08/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2872869145860040727</id><published>2010-08-18T02:13:00.001-03:00</published><updated>2010-08-18T02:18:26.036-03:00</updated><title type='text'>O corpo</title><content type='html'>Minha vida está estacionada. Às vezes sinto vontade de empurrá-la com toda força, mas logo após, agarro-a e a imobilizo. Medo de envelhecer. Medo de sobreviver por muito tempo. Este medo da dependência e a vontade de que minha existência salte todas as etapas restantes e desapareça, uma vez que já está morta.&lt;br /&gt; Encosto a cabeça na janela do ônibus, antes ou após minha aula, e me ponho a observar o asfalto a se movimentar infinitamente sob mim, o pneu a percorrê-lo agressivamente. Eu, no entanto, sei que continuo parado. Doeria se minha cabeça defendesse o asfalto? Talvez. Quando o ônibus está cheio, procuro um ponto para fixar meu olhar. Costumo optar por meu tênis, o que me mostra como a beleza não só pode estar nos detalhes, mas que também algumas coisas precisam ser não mais do que detalhes para que sejam belas. Procuro deixar a música o mais alto possível em meus fones de ouvido, para que não ouça nada ao meu redor; para que o exterior seja apenas imagens. Às vezes assisto à televisão, mas gosto de deixá-la muda. É estranho que, em um mundo com espaço para tantas palavras, grunhidos, gestos, o silêncio possa ser o mais confortável.&lt;br /&gt; Mas meu tênis bem sabe que isto não é suficiente. Eu sei o que aqueles inúmeros estudantes estão dizendo. Às vezes tenho a sorte de pegar algum trabalhador, com uma cansativa jornada de trabalho – mal recompensada – e me sinto confortado. Posso ver que em sua cabeça não se formam palavras, mas a dor se expressa de forma plena. Ele a compreende, faz-me ter pena daqueles que buscam a compreensão argumentativamente nas palavras, nos choques de imagens. Nele, o sentimento parece ter forma própria, assim como as tantas outras formas de expressão.&lt;br /&gt; Abaixo a cabeça e novamente lamento por todos os estudantes, debatendo suas aulas, cursos; suas idéias, como se nelas houvesse o fogo da vida. Enganaram-nos quando disseram que devemos estudar, ler, nos politizar, entender. Quando disseram que devemos nos interessar pelo interior – e não exterior – das pessoas. Que terrível engano, que consome tudo o que encontra.&lt;br /&gt; A inteligência destrói tudo, todas as verdades. Mostra que em seu mundo, que tenta separar-se do corpo, tudo é artificialmente construído e que, quanto mais a compreensão derruba, mais aproxima-se o vazio. O corpo, não. O corpo invoca dores, libera hormônios, grita sensações. Da dor à sexualidade, todas as sensações são igualmente prazerosas, só elas provam que você ainda está vivo.&lt;br /&gt; Lembro-me de imaginar que um dia, quando eu menos esperasse, uma garota estranha entraria no ônibus, se sentaria do meu lado e diria: “Você tá ouvindo The National? É minha banda favorita” – como nos filmes –, e daí viriam novamente as sensações, com elas o sangue voltaria a correr em meu corpo e, a partir daí, estaria vivo. Hoje olho à minha volta em um ônibus e vejo diversas possíveis garotas, com este potencial, e às vezes me provocam até um sorriso irônico, debochando de mim mesmo. Não as quero, porém, do meu lado. Quero que as sensações fiquem longe de mim e que eu permaneça para sempre um cadáver.&lt;br /&gt; Este é o mundo do corpo. Não pertenço a ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2872869145860040727?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2872869145860040727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2872869145860040727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/08/o-corpo.html' title='O corpo'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3526901794045690785</id><published>2010-08-01T18:52:00.003-03:00</published><updated>2010-08-01T19:07:56.391-03:00</updated><title type='text'>Realidade</title><content type='html'>Primeiro, as bases da vida.&lt;br /&gt;Um comprimido para manter-se acordado. Um comprimido para dar energias. Um comprimido para manter-se calmo na entrevista de trabalho. Um comprimido para esquecer o que não lhe é conveniente. Um comprimido para construir uma personalidade cheia de peculiaridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, para evitar a solidão.&lt;br /&gt;Um comprimido pela boa aparência. Um comprimido para sorrir. Um comprimido para ser divertido. Um comprimido para dançar. Um comprimido para ereção. Um comprimido para brincar com os filhos. Um comprimido para tirar férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o momento em que os comprimidos não são necessários (embora possam ser úteis).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3526901794045690785?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3526901794045690785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3526901794045690785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/08/realidade.html' title='Realidade'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-707801370842337846</id><published>2010-07-31T10:03:00.004-03:00</published><updated>2010-07-31T10:08:52.042-03:00</updated><title type='text'>Portador de grave doença é parte de história que faz crer no futuro da humanidade</title><content type='html'>"Sabe essas histórias que ainda fazem acreditar que a humanidade é boa? Esta é uma delas. Como um tsunami, essa gente invadiu uma casa ainda com mofo, piso de cimento cru e pouca luz. Bateu, entrou e transformou. Iluminou todos os espaços, retirou o mofo, levou piso bonito, começou a pintar e fez aquele menino sobrevivente ter a certeza que nem tudo está perdido. A mãe do menino chora de alegria. Belisca-se. Vive um sonho. O menino, embasbacado e de olhos acesos, repete: “Eu sabia que alguma coisa boa ia acontecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aconteceu. Mas, afinal, que história é essa? Voltemos 48 dias no tempo. No sábado, 12 de junho, o Correio contou a luta de Lucas Neres Pereira, 13 anos, para sobreviver. E a luta que travara, desde que nasceu, para ser mais forte que as previsões médicas. Portador de uma grave enfermidade pulmonar, a bronquiolite obliterante (doença respiratória causada por um vírus que destrói o pulmão e pode afetar outros órgãos, como o coração).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas nasceu no Hospital Regional de Planaltina (HRP). Com um mês de vida, os primeiros sinais da grave doença: muito cansaço para respirar. Numa ida de emergência ao HRP, um médico plantonista pediu um raios X. E foi incapaz de ver que metade do pulmão do bebê estava comprometido. Indicou nebulização. Era, segundo aquele homem e jaleco branco, apenas um resfriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o cansaço aumentou. Irani Neres Santana, então com 22 anos, a mãe, desesperou-se. Com os filhos nos braços, embarcou para a Rodoviária do Plano Piloto. Chorava e pedia para ele não morrer. Ao desembarcar ali, um carro da Polícia Militar levou mãe e filho para o Hmib. O médico de plantão, o intensivista neonatal Carlos Zacconeta, estava de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, voltou para atender aquela criança que morria. Sorte que nem toda gente de jaleco branco é igual. Um raios X às pressas revelou: Lucas tinha uma lesão severa em dois terços do pulmão esquerdo. Ficou ali por 80 dias, na UTI neonatal. E, nesse período, momentos vários de incerteza, dor e angústia. Houve dias em que até os médicos achavam que chegara ao fim. Irani chorava agarrada aos santos de devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como milagre, o menino valente surpreendia. Mas seu estado ainda era grave. Do Hmib, foi transferido para o Hospital de Base (HBDF). Lá, ficou aos cuidados da pneumologista Rita Heloísa Mendes, que cuidou de Lucas com dedicação comovente. Nunca escondeu qualquer informação — nem nos momentos delicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 13 meses de vida, a primeira cirurgia, para retirar parte do pulmão esquerdo. Era só o começo. Aos 7 anos, a segunda e a mais radical: retirada total do órgão. Meses de internação, recaídas, lágrimas e oração da mãe. Idas e vindas ao hospital. Preocupação com o pulmão direito, que já apresenta sinais de falência — dois terços já estão lesados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Corrente solidária&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há 48 dias, portanto, esta história foi contada. Lucas e a mãe moravam numa casa humilde em Arapoanga, bairro de Planaltina. O banheiro, cheio de mofo, era o pior inimigo para a saúde do menino. Na casa, humilde, faltava muita coisa. E a luta pela sobrevivência, a dificuldade em comprar remédios e o aparelho de que precisava com urgência, o oxímetro, que mede a saturação de oxigênio no sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem comoveu Brasília. O telefone de Irani começou a tocar logo nas primeiras horas daquela manhã de sábado. “Toca até hoje”, agradece a mãe. Gente que não quis se identificar. Mas ajudou. Gente que foi lá, ligou, visitou. Conferiu a história de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ajuda chegou como milagre. E de todos os lugares. Uma atrás da outra. Veio o oxímetro, que custa R$ 1,6 mil. E uma história que arrancou mais lágrimas de Irani. O aparelho, novinho em folha, foi doação de uma mãe que perdera o filho. O menino também se chamava Lucas. “Mas eu não vou morrer, não”, decreta Lucas, o valente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou também uma bala de oxigênio portátil, no valor de R$ 600, que lhe dará liberdade até para viajar. Cestas básicas, leite da dieta especial e dinheiro em conta. “Paguei tudo o que devia na farmácia”, diz Irani. E não parou por aí. Dois irmãos, comerciantes de Taguatinga, assumiram a reforma do banheiro cheio de mofo. Um major da PM deu as tintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no dia seguinte à publicação da reportagem, no domingo 13, uma turma do barulho — gente de todos os cantos do DF, homens, mulheres e até crianças — invadiu a casa do menino. Ele não sabia. Chegaram entoando o hino de guerra. O menino engasgou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mancha Verde de Brasília, torcida organizada do Palmeiras, levou solidariedade e esperança para Lucas. Assumiu a reforma total da cozinha, da área externa e do novo quarto do garoto — com direito até a faixa do time na parede. Levaram também cestas básicas e uniforme completo do Verdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a torcida chegou ali? Na matéria de 12 de junho, numa única frase perdida no meio do texto, informou-se que o menino era torcedor do Palmeiras. Não havia outra menção. Foi o suficiente para tamanha mobilização. “Meu pai, palmeirense como eu, me acordou no sábado e disse: ‘Leia essa matéria. Precisamos fazer alguma coisa. Ele é palmeirense...’ Eu tava dormindo, nem escutei direito”, conta o assistente administrativo Bruno Liporoni, de 32 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, Bruno leu o jornal. “O leite até esfriou na xícara. Liguei pra três amigos da Mancha Verde e decidimos que iríamos fazer alguma coisa.” E-mails foram disparados. No dia seguinte, Bruno e seu exército verde estavam lá, naquele lugar muito distante de onde todos vivem. Seguiu-se uma corrida para fazer o bem. “Percebi que quem recebe ajuda ganha menos do que aquele que pode ajudar. Fomos nós quem ganhamos”, emociona-se o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta e oito dias se passaram. Visitas de integrantes da torcida, para acompanhar a obra (feita pelo tio de Lucas, o pizzaiolo Hidevá Neres, 30, que nas horas vagas se torna pedreiro) tornaram-se constantes. Na manhã de ontem, lá estava parte deles. Vieram até dois torcedores de Cuiabá (MT), para conhecer Lucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino que desafiou a medicina — muitos pacientes morrem antes dos 2 anos de vida — comoveu a torcida mais uma vez. “Essa é uma corrente do amor. Só quero agradecer a todos que me ajudaram”, disse, com sorriso de vida. Evângelo Franco, 45 anos, diretor do Centro de Ensino Especial 2 de Brasília e diretor de imprensa e mobilização da Mancha Verde, ouviu o que aquele menino disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando esconder a emoção, ele admitiu: “A gente tinha obrigação de fazer isso. E que possa servir de exemplo para outros torcedores, outras ONGs. A filha de Franco, a adolescente Ana Luíza, 12, acompanhou o pai. Ao se deparar com realidade tão diferente da sua, refletiu: “Se todos fizessem um pouco, o mundo estaria melhor”. Ricardo Leal, 23, estudante de serviço social, resumiu: “É uma atitude cidadã”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o povo cantou. Bradou. Carregou-o. Marcou um superchurrasco na casa nova dele, assim que a pintura externa ficar pronta. Ele sorriu como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. E é. Quem vive de forma surpreendente com apenas um quarto do pulmão direito (o transplante não lhe é indicado em função da anatomia do tórax) e obrigou uma gente de jaleco branco a rever tudo que pensava saber tem direito à felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe disso. Tanto sabe, que faz planos. “O meu sonho é conhecer o Marcão (goleiro do Palmeiras).” Alguém duvida de que ele vai conseguir? A vida é engraçada. Um detalhe, perdido no meio de um texto, pode mudar a vida de alguém com a mesma velocidade de um gol. Daqueles que arrebentam a rede. Foi um golaço!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fonte:&lt;/span&gt; Correio Braziliense (www.correiobraziliense.com.br)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Marcelo Abreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade: o único produto do futebol é a violência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-707801370842337846?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/707801370842337846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/707801370842337846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/07/portador-de-grave-doenca-e-parte-de.html' title='Portador de grave doença é parte de história que faz crer no futuro da humanidade'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1911249347898988244</id><published>2010-07-14T04:42:00.007-03:00</published><updated>2010-07-14T04:51:47.119-03:00</updated><title type='text'>A esperança de um homem louco.</title><content type='html'>Era uma vez um homem louco. Por todos os dias de sua vida, este homem foi a uma praça movimentada de sua cidade e gritou, até que ficasse sem voz: "O amor salvará o mundo". &lt;br /&gt;Havia, porém, um detalhe: este homem nunca acreditou em suas próprias palavras. Sempre se considerou um idiota que continuava a gritar algo em que não acreditava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até sua morte, o mundo não havia sido salvo pelo amor. Seu mundo interior? Também não foi salvo pelo amor. Ao contrário, o amor consumiu seu espírito ao lhe impor a dúvida. Por que gritava aquilo todos os dias, se não acreditava que era possível? Duvidava de si, do mundo, do amor. Decidiu parar de perguntar. E que erro gravíssimo, imperdoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheço pessoas que ainda gritam, todos os dias, que acreditam no amor. E não pararam de fazer perguntas. Fico feliz por elas. Elas me tornam feliz por saber que passarei minha vida miserável ainda com o conforto de poder enxergar o que há de mais belo no pensamento humano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Esperança.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1911249347898988244?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1911249347898988244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1911249347898988244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/07/esperanca-de-um-homem-louco.html' title='A esperança de um homem louco.'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-616419697896362038</id><published>2010-06-26T22:31:00.002-03:00</published><updated>2010-06-26T22:54:49.959-03:00</updated><title type='text'>E-storia</title><content type='html'>Vinte e seis de junho de 2010. Este foi o dia em que sua voz gritou em minha memória. Sem contexto, sem por quê, como estas coisas que parecem manifestações puras de vida, correndo de qualquer padrão.&lt;br /&gt;Lembranças tristes ou felizes? Lembranças incertas, como todos nossos beijos. Eu nunca poderia dizer que te amo - ou amei - com convicção, assim como nunca poderia ter certeza de que estaria mentindo se dissesse. A arte pode se expressar de forma infeliz, alegre, nostálgica, otimista, mas nada se pode dizer sobre sua essência. Os relacionamentos comuns são expressões artísticas, nossa relação é a arte em sua essência. Misteriosa, independente, inconcebível. Entendo agora por que nunca consegui lhe escrever uma canção: você não está nas letras do papel, mas na mão que move o lápis. Seria triste dizer que te amo: nossa relação é tudo, pode ser qualquer coisa, nunca somente amor.&lt;br /&gt;Dizem que pessoas especiais se conhecem pelo acaso. Te encontei quando minha vida havia desmoronado, em um lugar onde nenhum de nós queria estar, por causa de uma camiseta velha. Te reencontrei quando sua vida havia desmonronado, quando você passava pelo único sentimento que ouso dizer que compreendo. A partir de ali, fomos nada mais que dois perdidos tentando fugir de um mundo ao qual não pertenciam e construir outro onde pudéssemos começar de novo; não porque víamos o mundo da mesma forma e da mesma forma éramos vistos por ele: fugitivos, incógnitas, pessoas reais.&lt;br /&gt;Cara, tu não vai nem acreditar, mas, sem você, "2001 - uma odisséia no espaço" tem uma cena a menos.&lt;br /&gt;Cara, cê não vai acreditar, mas, que me perdoe o ortomolecular, você me faz pensar no futuro.&lt;br /&gt;Você é incrível, Vilma. E linda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-616419697896362038?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/616419697896362038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/616419697896362038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/06/e-storia.html' title='E-storia'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2803761168952641342</id><published>2010-06-19T07:33:00.007-03:00</published><updated>2010-06-23T11:26:38.968-03:00</updated><title type='text'>Idealismo e instinto</title><content type='html'>Deve-se abolir a correlação do raciocínio com a idéia simplória de progressão em princípio, meio e fim. O homem é um ser racional o tempo todo, este raciocínio variando no grau de desenvolvimento atingido, o que dependerá do indivíduo, e do grau de consciência do indivíduo para com a formação da linha de raciocínio, variando quanto à superficialidade desta. Logo, o homem pode visualizar um fim e realizar um processo consciente de busca a este, mas também pode receber à consciência um fim, dissecando desta todo o processo. &lt;br /&gt;Algumas ações, porém, são baseadas em raciocínios cujos processos de desenvolvimento sequer chegam à consciência do indivíduo, este a realizando e muitas vezes desconhecendo até mesmo o fim, algumas vezes conhecendo, além do meio, somente o fim, sendo toda esta linha algumas vezes contraditórias às crenças de quem a realiza, de forma que, se conseguisse visualizá-la em sua formação, perceberia que é uma ação vulgarmente irracional(uma vez que lhe falta coerência), apesar de ainda ser produto do raciocínio. Estas ações nem sempre serão produto de mentes perturbadas ou patologias, podendo vir a ocorrer em mentes sadias. É certo, porém, que independente da natureza do raciocínio, haverá um princípio.&lt;br /&gt; Portanto, o “instinto” será sempre uma definição vulgar. O homem tem finalidades puramente racionais e finalidades intrínsecas a necessidades biológicas. Se uma pessoa tem um fim de necessidade biológica, deve-se analisar também a presença de um ou mais meios para alcançá-la. Se um homem tiver fome, portanto, e vários meios de saciá-la, optará por um meio que esteja adequado à imensa quantidade de fatores ao seu redor (inclusive e principalmente de moralidade social); por sua vez, se não houver meios adequados às circunstâncias ao seu redor, a necessidade biológica forçará o indivíduo a apelar por sua sobrevivência pelo simples princípio de autopreservação (o que é da essência não somente do homem, como de qualquer ser vivo), o qual ainda assim passará (no caso do homem) por todo o processo racional, surgindo um fim que force um meio. Um homem que mata por fome, portanto, não mata instintivamente, mas por uma racionalidade forçada a circunstâncias.&lt;br /&gt; A essência humana também se manifestará não só influenciando no desenvolvimento do raciocínio em qualquer âmbito, mas também lançando à consciência fins cujos processos de identificação da sua necessidade (em sua maioria) estão em partes da mente que o homem (determinado, que pratica a ação) ainda não alcançou compreensivamente, como uma ação tomada por alguém que prejudique uma outra pessoa sem trazer benefícios ao realizador.&lt;br /&gt; Nota-se, porém, que os raciocínios seguem um padrão lógico igual, independente de seu grau de superficialidade mental, de forma que, ao desenvolver seu raciocínio em questões puramente intelectuais, o homem estará desenvolvendo ainda mais meios para procurar sua autopreservação e saciar suas necessidades biológicas e de sua essência. Vulgarmente, o desenvolvimento da racionalidade implicará também no desenvolvimento instintivo, ao desenvolver sua capacidade de busca a alternativas (superficiais ou não à mente) de saciar suas necessidades biológicas. Este pensamento não é reversível ao passo que um homem que se deixa guiar pelo instinto, estará deixando-se guiar por processos que muitas vezes não conhece conscientemente.&lt;br /&gt; Os fins buscados por uma mente e a necessidade destes variarão, portanto, de acordo com questões biológicas, sociais, naturais e próprias do indivíduo.&lt;br /&gt; Apesar da capacidade de desenvolvimento do raciocínio da qual o homem é dotado, deve-se levar em consideração também a predisposição ao desenvolvimento deste, que variará de indivíduo, não desconsiderando o fato que todos terão a capacidade de desenvolvê-lo, cada um atingindo as determinações de seu limite racional. A predisposição também indicará, além de um desenvolvimento quantitativo e qualitativo do raciocínio, maior alcance sobre a profundidade destes; uma compreensão do instinto, de forma vulgar. Esta predisposição poderá variar, podendo criar, por exemplo, a tendência natural a se alcançar um alto nível de desenvolvimento do processo ou podendo variar a intensidade de cada fator (biológico, social, natural ou própria do indivíduo) no momento de afetar o desenvolvimento do processo. A predisposição ao raciocínio, por sua vez, é gestante de responsabilidade para o indivíduo em relação a seus semelhantes.&lt;br /&gt; Desenvolvendo o raciocínio, o homem desenvolverá também o alcance da essência de sua espécie, potencializando sempre o conflito tendencioso aos homens de racionalidade evoluída (não sendo estes superiores) entre sua mentalidade crítica e a essência “instintiva” que carrega. Para isto, a solução será sempre o grau de julgamento crítico que o homem poderá desenvolver sobre si mesmo e os outros. Esta crítica será, portanto, essencial não somente ao homem que pretende ser mais bem adaptado ao meio social ao seu redor, mas também ao homem que pretende uma reformulação do ser.&lt;br /&gt; Apesar de todos os homens vazios terem, como finalidade de vida, uma satisfação pessoal vulgar, não se pode exatamente definir a finalidade de vida de um homem predisposto naturalmente ou intencionalmente à racionalidade, podendo-se dizer unicamente que não é uma finalidade vulgar, uma vez que um homem racional pode buscar produzir uma razão à sua existência e outros simplesmente ter como razão um desprezo a esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é mais um rascunho do livro já citado anteriormente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2803761168952641342?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2803761168952641342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2803761168952641342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/06/idealismo-e-instinto.html' title='Idealismo e instinto'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3389775836602788266</id><published>2010-06-07T15:16:00.005-03:00</published><updated>2010-06-07T15:38:35.478-03:00</updated><title type='text'>(H)a vida embaixo do papel(?)</title><content type='html'>Muitos se perguntam quem sou. Arruinar-se-iam se encontrassem resposta a esta pergunta. Para muitos minha existência é completamente despercebida. Aos outros tantos, rastros, sombras de mim, e nada mais. Presença soturna, porém incômoda. Misteriosa, porém viva. Presença que dá o gosto da liberdade e guia pelo caminho da miséria. Presença onde felicidade é ausência: de dores de cabeça, insônia, solidão, silêncio, vício.&lt;br /&gt;Alguns se perguntam se sou Deus: a estes, digo que sou o contrário do padrão. Outros se perguntam se sou um criminoso, um canibal: a estes, digo que não há um dia sequer em que eu não sorria por não ser humano, criatura que tanto invejo. Meu crime é o que mantém minha existência tolerável, direciona-se a existências que seriam vazias sem mim, a existências que querem se esconder tanto quanto eu e o fazem da mesma forma, soprando esta corrente até que a arte domine o mundo e todos vivam sós. Não concedo resposta porque não julgo o sentimento que já entendo; escondo para não ser julgado.&lt;br /&gt;Há apenas uma diferença certa entre nós: a folha que lhe seve de chão se apresenta a mim como céu. Você não ouve minha voz, mas escolhe entre segui-la ou não a todo instante. Em minha presença, o estupro pode ser tão belo quanto o amor. O grito pode ser tão infeliz quanto o sopro. Da masturbação, sou o silêncio póstumo. Da insônia, sou os olhos.&lt;br /&gt;Estou nos contornos azuis ou pretos das pautas de todas as folhas. Flutuo no vazio mar cristalino da folha sulfite, produzindo ondas, como se fosse mera gota de chuva, ser que também invejo.&lt;br /&gt;No papel em branco, entendo o terror: minha nudez se expõe, afoga-me. Um assassino caminha em minha direção e eu não possuo braços. Um palhaço diverte a platéia de seu circo com piadas sobre meu pranto. O branco e os pesadelos, verdadeiros e sinceros como são.&lt;br /&gt;Textos vulgares são como lonas, máscaras de oxigênio: me mantêm vivo, escondido, e nada mais; como uma pessoa que não passa fome, mas se alimenta de pílulas todos os dias por dez anos.&lt;br /&gt;Cada palavra infeliz que um poeta miserável deposita num pedaço de papel, porém, cai sobre mim como cobertor. Os poemas de caligrafia quase ilegível constroem paredes ao meu redor, revelam-se um quarto quente e úmido em medida certa, com o odor perfeito, sem janelas ou portas, mas somente minha existência, com as verdades e mentiras cobertas, sem poderem ser assim discriminadas. Ao poeta, resta o fôlego da esperança (que cabe a ele - não julgar - sentir se é verdadeiro ou artificial), a força de manter-se vivo por mais um período de tempo.&lt;br /&gt;Se qualquer coisa dita acima fizer qualquer sentido para você, guarde suas lágrimas: nem elas poderão salvá-lo de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3389775836602788266?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3389775836602788266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3389775836602788266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/06/ha-vida-embaixo-do-papel.html' title='(H)a vida embaixo do papel(?)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4090848136044767312</id><published>2010-05-28T01:30:00.001-03:00</published><updated>2010-05-28T01:32:56.589-03:00</updated><title type='text'>O perdão</title><content type='html'>Senhor, eu te perdôo.&lt;br /&gt;Perdôo por ter-me imposto esta existência medíocre. Dedico a ti a bondade que sempre esperaste de amar teu crime até o fim e ainda assim perdoá-lo antes de partir, como um desumano sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4090848136044767312?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4090848136044767312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4090848136044767312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/05/o-perdao.html' title='O perdão'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-439089986547050843</id><published>2010-05-26T04:31:00.003-03:00</published><updated>2010-05-26T04:43:48.948-03:00</updated><title type='text'>Trecho de "Escritores medíocres"</title><content type='html'>"Sou um péssimo escritor, músico, compositor, poeta. Nao há, aqui, humildade besta, o que não condiz com minha pessoa, mas um fato reconhecido por qualquer pessoa que tenha comigo razoávelo contato.&lt;br /&gt;Há pessoas, porém, que cruzam meu caminho e conseguem notar os sentimentos que estão por trás de palavras e notas que não são capazes de expressá-los de forma completa, o que faz com que eu não deixe de me considerar artista, mas me veja como um artista solipsista. Não são estas pessoas super-dotadas ou sobrehumanas (assim como não são meus sentimentos). Desconheço a razão pela qual elas conseguem compreender o que está por trás de minhas cortinas: elas simplesmente podem.&lt;br /&gt;Sou, além de péssimo escritor, também humano. Ficaria satisfeito com o simples fato de estas pessoas absorverem parte do que sinto e praticarem. Porém, infelizmente, sou também humano. Este desabafo não deve ser visto como súplica ou exigência, porém, como humano, esperei sempre que houvesse por parte destas pessoas gratidão - na forma de sentimento fraterno -, o que não recebo, talvez por arrogância defensiva própria ou por estar enganado quanto a tudo.&lt;br /&gt;Por vezes tentei me libertar desta expectativa e ficar feliz por mudar, ainda que infimamente, estas pouquíssimas pessoas, mas nunca consegui me libertar de minha humanidade, sem sucesso.&lt;br /&gt;Não vejo nestas pessoas - que vão à fundo em meus sentimentos, me vendo a princípio não só como um péssimo escritor, mas como também um grande ser humano, e, posteriormente à absorção do meu íntimo (muitas vezes o distorcendo, o que é o mais doloroso), voltam a me desprezar como somente um péssimo escritor e nada mais (o que talvez eu seja) - erro ou acerto, uma vez que tudo talvez não passe de minha culpa, mas vejo na situação insustentabilidade humana.&lt;br /&gt;Por ser humano, agora evito o papel, meu violão, evito abrir os olhos em público; por ser humano, adentrei na arte; por ser humano, permiti às pessoas que pudessem me abandonar.&lt;br /&gt;Por ser humano, aspiro arte e agora tenho medo de expirá-la. Por ser humano, penso agora em largar tudo.&lt;br /&gt;Esta humanidade, que produz o que tenho de valor em seu ponto forte e o quer esconder por seu ponto fraco.&lt;br /&gt;Por ser humano e disposto a ser julgado, desde que na condição de humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto explica muita coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De autoria de um blogueiro obeso e desconhecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-439089986547050843?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/439089986547050843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/439089986547050843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/05/trecho-de-escritores-mediocres.html' title='Trecho de &quot;Escritores medíocres&quot;'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1272597790166530429</id><published>2010-05-17T00:30:00.001-03:00</published><updated>2010-05-17T00:32:08.689-03:00</updated><title type='text'>Asperger</title><content type='html'>Canto que silencia&lt;br /&gt;Vinho que anestesia&lt;br /&gt;Sonho que grita&lt;br /&gt;Só pra mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo da ejaculação:&lt;br /&gt;Ninguém nunca saberá quem sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1272597790166530429?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1272597790166530429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1272597790166530429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/05/asperger.html' title='Asperger'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3332414465312413651</id><published>2010-05-13T10:36:00.002-03:00</published><updated>2010-05-13T10:38:48.745-03:00</updated><title type='text'>Migalhas</title><content type='html'>Página em branco&lt;br /&gt;O velho, antes manco&lt;br /&gt;Agora vive sem pernas&lt;br /&gt;Espera, em miséria&lt;br /&gt;Que suas lágrimas chulas&lt;br /&gt;Derretam sua bengala muda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje chove água do mar&lt;br /&gt;A loucura está permitida&lt;br /&gt;É real ferida&lt;br /&gt;Mata mas não cria&lt;br /&gt;É dor que não dói&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serei dois filhotes no inverno&lt;br /&gt;O teatro está cheio&lt;br /&gt;Mas hoje não haverá poesia&lt;br /&gt;Deixe-me sua piedade, em migalhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Migalhas maltratadas de pão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3332414465312413651?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3332414465312413651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3332414465312413651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/05/migalhas.html' title='Migalhas'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2687251775293667850</id><published>2010-04-23T16:21:00.003-03:00</published><updated>2010-04-23T16:26:16.993-03:00</updated><title type='text'>The last time I saw Richard (Joni Mitchell)</title><content type='html'>"Last time I saw Richard was Detroit in 68&lt;br /&gt;And he told me all romantics meet the same fate&lt;br /&gt;Someday, cynical and drunk and boring someone&lt;br /&gt;In some dark cafe&lt;br /&gt;You laugh, he said, you think you're immune,&lt;br /&gt;Go look at eyes&lt;br /&gt;They're full of moon&lt;br /&gt;You like roses and kisses and pretty men to tell you&lt;br /&gt;All those pretty lies, pretty lies&lt;br /&gt;When you gonna realize they're only pretty lies&lt;br /&gt;Only pretty lies, pretty lies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He put a quarter in the wurlitzer, and he pushed&lt;br /&gt;Three buttons and the thing began to whirl&lt;br /&gt;And a barman came by a fishnet stockings and a bow tie&lt;br /&gt;And she said: "drink up now it's getting on time to close"&lt;br /&gt;Richard, you haven't really changed, I said&lt;br /&gt;That's just now you're romanticizing some pain that's in your head&lt;br /&gt;You've got tombs in your in your eyes, but the songs&lt;br /&gt;You punched are dreaming&lt;br /&gt;Listen, they sing of love so sweet&lt;br /&gt;When you gonna get yourself back on your feet?&lt;br /&gt;Oh and love can be so sweet, love so sweet&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard got married to a figure skater&lt;br /&gt;And he bought her a dish washer and a coffe percolator&lt;br /&gt;And he drinks at home now most night with the TV on&lt;br /&gt;And all the house lights left up bright&lt;br /&gt;I'm gonna blow this damn candle out&lt;br /&gt;I don't want nobody comin'over to my table&lt;br /&gt;I've got nothing to talk to anybody about&lt;br /&gt;All good dreamer pass this away someday&lt;br /&gt;Hidin' behind bottles in dark cafes&lt;br /&gt;Dark cafes&lt;br /&gt;Only a dark cocoon before&lt;br /&gt;I get my gorgeous wings&lt;br /&gt;And fly away&lt;br /&gt;Only a phase, these dark cafe days"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2687251775293667850?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2687251775293667850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2687251775293667850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/04/last-time-i-saw-richard-joni-mitchell.html' title='The last time I saw Richard (Joni Mitchell)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2611175228824738168</id><published>2010-04-11T05:42:00.002-03:00</published><updated>2010-04-11T05:47:51.566-03:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>Meu corpo não vale nada&lt;br /&gt;Não vale as pedras sob meus sapatos&lt;br /&gt;Não vale as idéias que se chocam com a solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O solo de minha mente é impróprio ao que não é racional&lt;br /&gt;Meu coração não suporta o que faz sentido total&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor é saliva&lt;br /&gt;Minha retribuição é o álcool&lt;br /&gt;Isto não faz sentido para vocês&lt;br /&gt;A bondade é minha natureza&lt;br /&gt;A maldade é minha solução&lt;br /&gt;Isto não faz sentido para vocês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Injetem sangue em minhas veias&lt;br /&gt;E me ensinem a ser humano&lt;br /&gt;Ou me matem com todo o amor&lt;br /&gt;Que insistem em não compreender&lt;br /&gt;Ou me masturbem&lt;br /&gt;Até que eu não consiga pensar&lt;br /&gt;Me maltratem com o pior dos fetiches&lt;br /&gt;Até que me sinta em casa&lt;br /&gt;Até que me sinta no inferno&lt;br /&gt;Até que todas as luzes se apaguem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você for embora, não se esqueça de cospir em mim&lt;br /&gt;Para que eu perceba que sou pior que você&lt;br /&gt;Não esqueça de fechar a porta&lt;br /&gt;Para que eu perceba que estou sozinho&lt;br /&gt;Não esqueça de nunca contar a ninguém o que viu&lt;br /&gt;Para que eu não tenha de responder perguntas infantis&lt;br /&gt;Não esqueça de gritar seu testemunho&lt;br /&gt;Para que Deus saiba que tentei&lt;br /&gt;Para que todos saibam que Deus não existe&lt;br /&gt;Até que todos percebam&lt;br /&gt;Que a arrogância não é um belo defeito&lt;br /&gt;Que nenhum arrogante quer ser só&lt;br /&gt;E que o Álcool é o sexo dos miseráveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir embora, me sirva outra dose&lt;br /&gt;E prometa que vai tentar&lt;br /&gt;Depois não olhe para trás&lt;br /&gt;Porque a noite acabou&lt;br /&gt;Mas o que sinto está em seus pulmões&lt;br /&gt;E é eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2611175228824738168?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2611175228824738168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2611175228824738168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/04/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8863936462936597173</id><published>2010-03-31T03:05:00.000-03:00</published><updated>2010-03-31T03:07:17.627-03:00</updated><title type='text'>Mal nenhum</title><content type='html'>&lt;p&gt;"Nunca viram ninguém triste?&lt;br /&gt; Por que não me deixam em paz?&lt;br /&gt; As guerras são tão tristes&lt;br /&gt; E não tem nada demais&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Me deixem, bicho acuado&lt;br /&gt; Por um inimigo imaginário&lt;br /&gt; Correndo atrás dos carros&lt;br /&gt; Como um cachorro otário&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Me deixem, ataque equivocado&lt;br /&gt; Por um falso alarme&lt;br /&gt; Quebrando objetos inúteis&lt;br /&gt; Como quem leva uma topada&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Me deixem amolar e esmurrar&lt;br /&gt; A faca cega, cega da paixão&lt;br /&gt; E dar tiros a esmo e ferir&lt;br /&gt; O mesmo cego coração&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não escondam suas crianças&lt;br /&gt; Nem chamem o síndico&lt;br /&gt; Nem chamem a polícia&lt;br /&gt; Nem chamem o hospício, não&lt;/p&gt; Eu não posso causar mal nenhum&lt;br /&gt; A não ser a mim mesmo&lt;br /&gt; A não ser a mim mesmo&lt;br /&gt; A não ser a mim"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cazuza - Mal nenhum&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8863936462936597173?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8863936462936597173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8863936462936597173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/03/mal-nenhum.html' title='Mal nenhum'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3559616145776485426</id><published>2010-03-31T00:10:00.004-03:00</published><updated>2010-03-31T00:20:27.306-03:00</updated><title type='text'>Pensamentos em migalhas de pão</title><content type='html'>Se antes fumava, agora apenas assiste ao cigarro queimar.&lt;br /&gt;Percebo que o fato de encontrar-se a liberdade ao perder as esperanças possui uma amplitude ainda maior do que a que sempre admirei. Isto porque me dei conta de uma enorme contradição pessoal: nunca acreditei na felicidade - da forma como as pessoas procuram -, no entanto, sempre vi nas formas imaginárias da liberdade algo de feliz e real. A liberdade, porém, é o estado mais infeliz que um homem pode experimentar, se alcançada de uma maneira permanente e extensa. O que as pessoas procuram é como pôr a língua na borda de um doce com um recheio horrível, uma espécie de "liberdade de fim de semana", uma sensação que mantenha o desejo funcionando enquanto se vive em uma prisão mental.&lt;br /&gt;O homem sempre deseja se apegar a algo, seja este outra(s) pessoa(s) ou objetos quaisquer. É natural que sinta-se horrível não podendo se apoiar em nada, se for indiferente a tudo; é como um filho que perde os pais antes de nascer, como não ter por que lutar ou em que sonhar. Um tédio mental repleto de idéias muito mais numerosas do que em uma cabeça comum, porém sem valor para quem está ao seu redor e, portanto, sem oportunidades e importância para/de serem expostas.&lt;br /&gt;O raciocínio começa a se cortar, como se fosse uma doença incurável e com a qual a convivência é impossível.&lt;br /&gt;Só resta, a uma pessoa livre, a ambição de que as outras também se libertem, para que tudo tenha valor. Ainda há, dormindo em meio à liberdade, o egoísmo e o sonho, que ardem e machucam sem se expor.&lt;br /&gt;É recorrente à pessoa livre o pensamento no suicídio, não porque este vá libertá-la, mas porque a liberdade isolada é uma ferida em progressão.&lt;br /&gt;E como dói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3559616145776485426?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3559616145776485426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3559616145776485426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/03/pensamentos-em-migalhas-de-pao.html' title='Pensamentos em migalhas de pão'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8999650390821357526</id><published>2010-03-01T11:07:00.001-03:00</published><updated>2010-03-01T11:08:53.658-03:00</updated><title type='text'>Porque nada temos...</title><content type='html'>"Porque nada temos…&lt;br /&gt;O Chile estava em ruínas.&lt;br /&gt;Outro terremoto.&lt;br /&gt;O mesmo país.&lt;br /&gt;Morte e desespero em todos os olhares.&lt;br /&gt;A Copa do Mundo era o de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos...&lt;br /&gt;Como pensar em Copa do Mundo quando se contavam os mortos.&lt;br /&gt;As mães chorando pelas calçadas.&lt;br /&gt;Talca e Concepcion vermelhas de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos…&lt;br /&gt;A FIFA ameaça mudar a sede do Mundial.&lt;br /&gt;Carlos observa o seu país devastado.&lt;br /&gt;Carlos que nascera longe dali.&lt;br /&gt;Em Niterói.&lt;br /&gt;Um chileno carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos…&lt;br /&gt;O Chile ouve as palavras de Carlos.&lt;br /&gt;O Chile junta seus trapos e farrapos humanos.&lt;br /&gt;Seu coração e sua honra.&lt;br /&gt;Constrói pedaço por pedaço em desenho mágico.&lt;br /&gt;Campos. Cidades. Vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos…&lt;br /&gt;Dos que nada possuem chega a força para voltar a sonhar.&lt;br /&gt;O futebol torna-se símbolo da ressurreição nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos…&lt;br /&gt;Dois meses antes da Copa do Mundo de 1962.&lt;br /&gt;O Chile está pronto para receber Pelé, Garrincha e Masopust.&lt;br /&gt;O país chorando suas cruzes.&lt;br /&gt;O país de pé novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada temos…&lt;br /&gt;Os jornais dão a manchete.&lt;br /&gt;Aos 38 anos morre Carlos Dittborn.&lt;br /&gt;O coração dizendo adeus.&lt;br /&gt;Como um final de tarde em Viña Del Mar.&lt;br /&gt;Como um poema de Neruda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Roberto Vieira&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8999650390821357526?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8999650390821357526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8999650390821357526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/03/porque-nada-temos.html' title='Porque nada temos...'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7464653668645103223</id><published>2010-02-23T04:21:00.004-03:00</published><updated>2010-02-23T04:36:09.188-03:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>Ando com medo de tantas coisas. Medo de escrever. Tenho medo de ficar rodeado de pessoas, tenho medo de morrer só. Tenho medo de ter um filho e me tornar meus pais, tenho medo de nunca ter filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando recusando ligações, dormindo pela manhã e vivendo à noite. Quero ficar só, é tudo o que me importa. O maior prazer em escrever é ouvir as teclas ecoando no silêncio, como um inseto gritando à noite, como um lembrete: "não se preocupe, não há ninguém em volta de você, ninguém está acordado. Só você no mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de ter medo. Tenho medo de esquecer que eu tenho de ter medo. Tenho medo de ter de me expor desnecessariamente. Medo de fugir e nunca mais me expor. Medo de esquecer o que são as pessoas, pra que elas servem, o que elas fazem. Medo de pensarem que sou uma pessoa. Medo de ter amigos. Medo de ter de sair do quarto. Medo de viajar com meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo que minha mãe descubra quem eu sou. Tenho medo de um dia ter de me explicar pra alguém. Tenho medo de chorar e alguém ver. Tenho medo de acreditar no que penso, em que vocês são. Tenho medo de luzes. Tenho medo de ser encontrado no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de ficar lúcido. Tenho medo de dormir e sonhar. Tenho medo de viver demais. Tenho medo de morrer de câncer. Tenho medo de ouvir músicas que me marcaram. Medo de lembrar. Tenho medo de pensar demais. Tenho medo das cidades pequenas. Tenho medo de não ser mais um na multidão. Tenho medo de proteger os fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de sentir, de ouvir, de abrir os olhos. Medo de compor. Tenho medo de amar uma mulher de verdade. Medo de transar por amor. Tenho medo de ler um muro pixado. Tenho medo de deitar no meio do mato. Tenho medo do mar. Tenho medo de não fechar a porta. Tenho medo do que sou capaz de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo da dor física. Medo da morte esperada. Tenho medo de matar um pai. Tenho medo de induzir um suicídio. Tenho medo que meus pés fiquem descobertos pelo edredom. Tenho medo de ter errado o caminho. Tenho medo de não haver caminho certo. Tenho medo que leiam este texto. Tenho medo que fiquem em meu apartamento sem eu estar presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de morar sozinho. Tenho medo da intimidade. Tenho medo dos pêlos do meu corpo. Tenho medo de descobrir que ninguém serve para nada. Tenho medo do calendário, do Natal, do meu aniversário. Tenho medo de não morrer antes de ficar velho. Tenho medo de terminar este texto e esquecer algum medo. Tenho medo de conseguir escrever todos meus medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de reencontros. Tenho medo de ficar bêbado em público. Tenho medo de nunca poder dirigir uma moto. Tenho medo de virar advogado. Tenho medo de palcos. Tenho medo de bater pênaltis. Tenho medo de trair. Tenho medo de reler meus textos. Tenho medo da fome. Tenho medo de deixar o cabelo crescer. Tenho medo de fazer solos de guitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo da métrica, da rima, da simetria. Tenho medo do meu rosto. Tenho medo de olhos escuros. Tenho medo de injeções. Tenho medo de não me decepcionar com alguém. Tenho medo de conhecer alguém até me decepcionar. Tenho medo de decepcionar quem amo. Tenho medo de não amar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de descansar. Tenho medo de cumprimentar e não se lembrarem de mim. Tenho medo de ter problemas com os dentes. Tenho medo da lua desaparecer. Tenho medo de não sentir mais saudades. Tenho medo de mudanças. Tenho medo de não haver perspectivas de mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de não entender um quadro, um filme. Medo de não compreender um sentimento. Medo de não resolver um exercício de matemática. Medo de deitar na rede. Medo de ficar gordo. Medo de pensar no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de que este texto seja uma mentira e eu não tenha medo de nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7464653668645103223?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7464653668645103223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7464653668645103223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/02/medo.html' title='Medo'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-157151950929452234</id><published>2010-01-31T06:01:00.002-02:00</published><updated>2010-01-31T06:15:20.665-02:00</updated><title type='text'>Sound of Silence</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/S2U5Hm5SrpI/AAAAAAAAAP0/8MfVnO2uW84/s1600-h/a.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432811328355085970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/S2U5Hm5SrpI/AAAAAAAAAP0/8MfVnO2uW84/s320/a.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Hello darkness, my old friend,&lt;br /&gt;I've come to talk with you again,&lt;br /&gt;Because a vision softly creeping&lt;br /&gt;Left it's seeds while I was sleeping,&lt;br /&gt;And the vision that was planted in my brain&lt;br /&gt;Still remains&lt;br /&gt;Within the sound of silence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In restless dreams I walk alone&lt;br /&gt;Narrow streets of cobblestone,&lt;br /&gt;Neath the halo of a street lamp,&lt;br /&gt;I turned my collar to the cold and damp&lt;br /&gt;When my eyes were stabbed by the flash of a neon light&lt;br /&gt;That slip the night&lt;br /&gt;And touched the sound of silence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And in the naked light I saw&lt;br /&gt;Ten thousand people, maybe more,&lt;br /&gt;People talking without speaking,&lt;br /&gt;People hearing whithout listening,&lt;br /&gt;People writing songs that voices never share&lt;br /&gt;And no one dared&lt;br /&gt;Disturb the sound of silence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Fools', said I, 'You do not know&lt;br /&gt;Silence like a cancer grows&lt;br /&gt;Hear my words that I might teach you&lt;br /&gt;Take my arms that I might reach you.'&lt;br /&gt;But my words like silent raindrops fell&lt;br /&gt;And echoed&lt;br /&gt;In the wells of silence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And the people bowed and prayed&lt;br /&gt;To the neon god they made,&lt;br /&gt;And the sign flashed out it's warning&lt;br /&gt;In the words that it was forming,&lt;br /&gt;And the sign said: 'The words of the prophets are&lt;br /&gt;Written on the subway walls&lt;br /&gt;And tenement halls'&lt;br /&gt;And whispered in the sounds of silence"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Simon and Garfunkel - The sound of silence)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-157151950929452234?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/157151950929452234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/157151950929452234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/01/sound-of-silence.html' title='Sound of Silence'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/S2U5Hm5SrpI/AAAAAAAAAP0/8MfVnO2uW84/s72-c/a.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6522604665328121497</id><published>2010-01-15T04:25:00.004-02:00</published><updated>2010-01-21T16:43:53.538-02:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>(...)&lt;br /&gt;Seu sufismo não fazia sentido. Seu caminho e seu consolo eram a dor, o ódio, a misantropia, o egocentrismo. Era um sufista ateu.&lt;br /&gt;Se Deus não existisse, nada do que ele via teria sentido; se Deus existisse, nada teria sentido de qualquer forma. Ainda assim, acreditava encontrar o sentido de tudo.&lt;br /&gt;Sua função de dar às pessoas o que as falta através de todos os livros que nunca conseguira escrever não era sustentada por qualquer motivo racional, mas ele sentia seu peso e, à noite, quando seus ombros gritavam, era mais real que qualquer lei do universo. Bêbado, assistia a si mesmo demonstrar toda infalibilidade de sua idéia sem se compreender; estava certo, nunca errava.&lt;br /&gt;Quando via sua mulher sofrer, queria vomitar sua "doença" (não a considerava patológica, mas se referia a ela dessa forma em seus pensamentos, sem saber ou procurar saber por quê), via que não era mais apenas ele que abria mão de sua vida pela verdade do mundo. Nunca deveria ter se casado.&lt;br /&gt;Era a pessoa mais racional e também a mais emotiva do mundo.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este trecho foi retirado de um livro que estou escrevendo. Ainda é um esboço, podendo ser modificado posteriormente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6522604665328121497?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6522604665328121497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6522604665328121497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5792661276180007712</id><published>2010-01-08T03:34:00.004-02:00</published><updated>2010-01-16T17:54:07.942-02:00</updated><title type='text'>Vícios</title><content type='html'>“Como deve ser pular desta sacada?”&lt;br /&gt;Todas as verdades viciam. Eu podia fechar os ouvidos, olhos, forçar minha mente para estar em outro lugar, mas pra onde quer que eu corresse, essa pergunta continuaria ecoando em minha mente. Era uma idéia que esteve presente em minha vida por dois anos e se encontrava adormecida em um canto empoeirado, poeiras as quais se transformavam em vômito, poesia e música.&lt;br /&gt;Estava há dias sem tomar qualquer remédio quando esta pergunta trouxe todos os dias que se passaram de volta pra mim em dez segundos, como tempo perdido, como pesados dez dias a mais.&lt;br /&gt;O primeiro a desferir golpes de conforto acabou por consolar, na verdade, a mim. Eu não era hipócrita, eu não tinha o direito de convencê-lo de que aquilo era errado, eu e ele não éramos diferentes. Aquele hipócrita que agora beijava sua mão seria, em alguns dias, o mesmo que o empurraria de um prédio meses depois, enquanto aquela pergunta estaria ecoando em minha cabeça, destruindo minha vida, me puxando pelo mesmo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo encontro contou com um amigo a menos. Um amigo feio, burro e chato a menos. As pessoas sentiram sua falta nos momentos em que deveriam ser engraçados para a maioria e torturantes pra um único indivíduo. Nos momentos em que eram obrigados a expor os defeitos um do outro, porque o dono de todos os defeitos estava morto.&lt;br /&gt;O maior problema é que eu ainda não conseguiria ser hipócrita, mas ainda teria de suportar aquela maldita pergunta ecoando em minha cabeça, em curvas, passeando por todos meus pensamentos, vindo rir e me bater enquanto estivesse em um ônibus, uma festa ou almoçando com a família. Embriagado, dez anos depois, escreveria aquela pergunta à caneta em meu braço, na parede de meu quarto, choraria sem me achar no direito de chorar, sem conseguir acreditar que haveria um porquê pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é um vício, nunca uma resposta, nunca uma solução. Enxergar isso é simplesmente notar que a verdade não tem valor algum, que não existe. É ter consciência de que não sofremos por nada, que o sofrimento é simplesmente independente. A verdade é um vício, o sofrimento não é verdadeiro, é algo que existe e independe de qualquer padrão.&lt;br /&gt;Sofrimento não é a verdade, sofrimento é a resposta que nunca conseguiremos enxergar, a doença que arderá todos os dias em equações que nunca desvendaremos, o qual morreremos ignorando, isolando; algo que não queremos entender, mas simplesmente evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é um vício, o sofrimento é apenas uma lágrima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5792661276180007712?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5792661276180007712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5792661276180007712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2010/01/vicios.html' title='Vícios'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5756675116752886498</id><published>2009-12-31T02:38:00.004-02:00</published><updated>2010-01-16T17:54:37.338-02:00</updated><title type='text'>A primeira prece</title><content type='html'>Hoje eu conheci um doente mental.&lt;br /&gt;A maioria das pessoas pensa que sofrer é saber que um inferno espera quem comete pecados. O verdadeiro inferno é ter a certeza de que não há infernos que esperem quem tente compreender o mundo.&lt;br /&gt;Ele havia sido traído e estava triste. Eu não compreendia o que ele dizia e ele sabia que dizia demais. Seria um romance à lua cheia, se ele não fosse retardado e eu tivesse preconceitos diversos misturados à perversidade benevolente de querer ser alguém. Eu precisava ajudá-lo, não sei por quê, e ele me respondeu: “Sou eu quem está te ajudando, e não você quem está me ajudando”. Foi a única coisa que ele disse, e me respondeu a ignorância de muitos, menos a minha. Não era o que eu sentia, mas eu acreditava no que eu pensava, apesar de sentir que pensava o que não traduzia aquilo que consistia em mim.&lt;br /&gt;Era só uma pessoa que havia sido traída e não podia deixar que eu o acompanhasse pra casa e, enquanto ele caminhava embora, até atingir o horizonte e o lugar no qual eu nunca mais poderia vê-lo, lágrimas pulavam de meus olhos e tentavam acompanhá-lo em vão; eu ficaria ali, parado.&lt;br /&gt;Ele conhecia além do que podia compreender. Sabia que, enquanto eu estivesse parado ali, assistindo a ele caminhar até desaparecer, eu estaria descobrindo parte do que eu era: um doente que precisa ajudar outros doentes, um delinqüente responsável que detesta seu próprio serviço.&lt;br /&gt;Tudo o que eu queria era ficar bêbado e assisti-lo desaparecer, tentando fingir que isto nunca havia acontecido. Que todas minhas memórias e minha consciência fossem embora junto com aquele retardado mental. Aquele surdo com o qual tentei me comunicar e o qual tentei ajudar com lágrimas de minha bondade semi-hipócrita.&lt;br /&gt;Posso nunca ser bem-sucedido ou posso ser bem-sucedido enquanto você estiver lendo este desabafo, mas indiferente disto (e que isto fique bem claro), peço que você corte em pedaços tudo o que não escrevi e sou, tudo o que escrevi e não sou, tudo o que sofri e não senti, tudo o que senti e não sofri, tudo o que bebi e não vomitei, tudo o que vomitei e não bebi; tudo o que sou e não sei, tudo o que sei e não sou. Tudo.&lt;br /&gt;Mate-me com um machado, faça com que eu sinta dor. Acabe com tudo.&lt;br /&gt;Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5756675116752886498?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5756675116752886498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5756675116752886498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/minha-primeira-prece.html' title='A primeira prece'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-816088833069500763</id><published>2009-12-18T21:37:00.003-02:00</published><updated>2009-12-18T21:40:10.538-02:00</updated><title type='text'>Analgésicos e solidão</title><content type='html'>"Salva o mundo e ganharás&lt;br /&gt;Analgésicos e solidão"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que lhe disseram&lt;br /&gt;Aceitou, sem pensar no que viria&lt;br /&gt;Sentia na pele a vertigem da verdade&lt;br /&gt;Passava pelos olhos a ânsia da mentira&lt;br /&gt;Construiu para si uma coroa de pesadelos&lt;br /&gt;Espancou-se com a dor que nada valia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dele restou um bilhete&lt;br /&gt;Para o filho que não teve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deus não existe;&lt;br /&gt;Deixe este peso de lado&lt;br /&gt;E vá brincar de miséria"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-816088833069500763?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/816088833069500763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/816088833069500763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/analgesicos-e-solidao.html' title='Analgésicos e solidão'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7686292664449812285</id><published>2009-12-16T23:10:00.002-02:00</published><updated>2009-12-16T23:11:43.195-02:00</updated><title type='text'>Poema da catarse sem rimas</title><content type='html'>A insônia é o sufismo dos loucos&lt;br /&gt;A arrogância é o sufismo dos sábios&lt;br /&gt;A prisão é o sufismo dos livres&lt;br /&gt;O vazio é o sufismo dos vícios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite é o sufismo dos poetas&lt;br /&gt;A felicidade é o sufismo dos ignorantes&lt;br /&gt;O pinto é o sufismo das putas&lt;br /&gt;O não-ser é o sufismo do ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vice-versa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7686292664449812285?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7686292664449812285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7686292664449812285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/poema-da-catarse-sem-rimas.html' title='Poema da catarse sem rimas'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1724024735830752452</id><published>2009-12-07T16:20:00.003-02:00</published><updated>2009-12-07T16:29:40.205-02:00</updated><title type='text'>Passageiro de um esboço passado</title><content type='html'>Já estive em tantos lugares&lt;br /&gt;Que não estou em lugar nenhum&lt;br /&gt;A cada passo o passado não passa&lt;br /&gt;"Pra onde vou?", esta pergunta eu passo&lt;br /&gt;Por enquanto fico aqui,&lt;br /&gt;Sentado neste compasso&lt;br /&gt;Nos olhos, passando o passado&lt;br /&gt;Passo a passo&lt;br /&gt;Três por quatro, escasso&lt;br /&gt;Infindável esboço&lt;br /&gt;Vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1724024735830752452?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1724024735830752452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1724024735830752452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/passageiro-de-um-esboco-passado.html' title='Passageiro de um esboço passado'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6456554503192631289</id><published>2009-12-03T12:55:00.002-02:00</published><updated>2009-12-03T12:59:21.709-02:00</updated><title type='text'>Green Day - Emenius Sleepus</title><content type='html'>"I saw my friend the other day&lt;br /&gt;And I don't know&lt;br /&gt;Exactly just what he became&lt;br /&gt;It goes to show&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It wasn't that long ago&lt;br /&gt;I was just like you&lt;br /&gt;And now I think I'm sick and&lt;br /&gt;I wanna go home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;How have I been, How have you been&lt;br /&gt;It's been so&lt;br /&gt;What have you done with all your time&lt;br /&gt;And what went wrong&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I knew you back when&lt;br /&gt;And you, you knew me&lt;br /&gt;And now I think you're sick&lt;br /&gt;I wanna go home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anybody ever say no?&lt;br /&gt;Ever tell you that you weren't right?&lt;br /&gt;Where did all the little kid go?&lt;br /&gt;Did you lose it in a hateful fight?&lt;br /&gt;you know it's true"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6456554503192631289?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6456554503192631289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6456554503192631289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/green-day-emenius-sleepus.html' title='Green Day - Emenius Sleepus'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2356308514173721328</id><published>2009-12-02T02:31:00.004-02:00</published><updated>2009-12-02T02:44:52.333-02:00</updated><title type='text'>Errar é Humano. Acertar é desumano.</title><content type='html'>Estou na porta da casa da Júlia. Muito álcool.&lt;br /&gt;Carol discute sobre como não liga para o que os outros pensam e como a fidelidade é boçal enquanto João, gritando como de costume (quando está bêbado), debocha dela.&lt;br /&gt;Daniel discursa sobre como é emocionante ser flamenguista e o Flamengo é um time superior enquanto João, gritando como de costume (quando está bêbado), debocha dele.&lt;br /&gt;Júlia não consegue parar de rir. Gargalha. Serve álcool para todos: “Mais ‘Balalouca’. Mais ‘Balalouca’”. Irrita-me muito quando chama “Balalaika” de “Balalouca”. Mas sorrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, quando eu iria imaginar que reuniria essas pessoas? Estávamos todos sentados no meio da rua, poderíamos ser atropelados a qualquer momento (mas nenhum carro passaria, eu sabia disto), completamente bêbados; mas eu sorria.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Algo grande vai acontecer hoje”&lt;/em&gt;. “O quê?”. &lt;em&gt;“Você vai morrer”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;“Vamos roubar o carro do pai da Júlia?”, sugeri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel, João e Carol, no banco de trás, morriam de rir, compartilhando estórias nas quais eu estava envolvido. No volante, Júlia estava muito séria. No banco da frente, eu tinha uma garrafa de “Balalaika” em mãos.&lt;br /&gt;Júlia passava dos 100km/h e a sensação era excelente. Ao contrário do que se pensa, a velocidade é um remédio anestésico e hipnótico. Desacelera o coração, tudo fica sereno, embaçado. É uma nova embriaguez.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Errar é humano. Acertar é desumano”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Na beirada da estrada, eu movia arbustos da forma como eu desejasse, como se fossem dedos de minhas mãos; prolongamentos de meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Errar é humano. Acertar é desumano”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Dobrava as faixas amarelas da estrada, como se eu as formasse com a ponta de um lápis. Como se fossem vibrações das cordas de um violão; do meu violão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Errar é humano. Acertar é desumano”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Abri a janela e fiz ventar muito forte em meu rosto, fechando os olhos. Já não mais ouvia a voz de ninguém. Virei-me para trás e notei que eles ainda conversavam. E riam muito. Virei-me para Júlia: ela ainda estava séria. Tentei fazê-la sorrir, mas não tinha controle sobre isto.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Errar é humano. Acertar é desumano”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fechei os olhos e me vi, com os braços abertos e as pernas juntas e esticadas, em minha cama. Não podia me mexer, minhas mãos e pés estavam pregados.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Errar é humano. Acertar é desumano”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Abri os olhos e vi uma curva acentuada à frente. Do outro lado, um enorme e íngreme barranco.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O carro atravessará a curva. Seus amigos não se machucarão. Você morrerá”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Júlia pisou no acelerador e tentou virar o volante. Ela não parecia assustada, não sei se realmente pretendia escapar da curva. Talvez estivesse tão bêbada que nem compreendia que havia uma curva a nossa frente. Que se machucaria e poderia morrer se não a fizesse. Talvez nem percebesse que estava em um carro. Talvez nem estivesse pensando. O carro atravessou a curva, voando pelo barranco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspenso no ar, o carro parou. O tempo parou.&lt;br /&gt;Olhei para trás, todos estavam parados, em uma gargalhada congelada. Olhei para o lado, Júlia ainda estava séria.&lt;br /&gt;Acho que agora eu deveria estar lembrando toda minha vida, mas na verdade, foda-se.&lt;br /&gt;Em uma montanha-russa, a adrenalina não é completa porque no fundo tem-se a noção de estar seguro. Se eu não tivesse medo de morrer, aquela seria a melhor emoção de minha vida. Seria o meu momento. Valeria pelo que vivi e pelo que ainda viveria. Se eu não tivesse medo da morte. Não tenho medo da morte.&lt;br /&gt;Dei uma golada da garrafa de “Balalaika”. “Queria poder fazer sexo agora”. Uma risada e o tempo voltou a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti ao carro ser inteiramente destruído, capotando infinitas vezes, sendo moldado à força do acaso. Sentia cada pancada nele em meu corpo, sem haver, porém, dor, como se estivesse anestesiado. Caímos em um local plano.&lt;br /&gt;Eu estava vivo.&lt;br /&gt;Saí do carro, este de cabeça para baixo. Pela janela, puxei Carol. Merda, enquanto a puxava, sua perna se rasgou na ferrugem. Ela estava horrível. Seu rosto todo roxo, inchado e repleto de cortes.&lt;br /&gt;Puxei João. Porra, como era pesado. Algo havia penetrado em um de seus olhos, o qual sangrava muito.&lt;br /&gt;Pela outra janela, tirei Daniel. Uma de suas pernas parecia quebrada, com algo que deduzia ser um osso se projetando em sua calça jeans, com muito sangue. Enquanto o puxava, seu osso agarrou na lataria. Náusea. Senti o vômito chegar à minha boca, mas o engoli. Um enorme corte procurava ênfase, se extendendo desde o início de sua barriga até a metade de seu peito.&lt;br /&gt;Puxei Júlia e ela não parecia ferida. Seus olhos estavam abertos, mas estava morta. Todos eles estavam. Eu sabia disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrastando seus cadáveres, fiz com eles um círculo ao meu redor. Eu não respirava. Não havia vento, barulho, não havia nada.&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e o fumei até o fim, sem pensar em nada – também não havia pensamentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2356308514173721328?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2356308514173721328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2356308514173721328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/12/errar-e-humano-acertar-e-desumano.html' title='Errar é Humano. Acertar é desumano.'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7828241291751660350</id><published>2009-11-20T22:04:00.003-02:00</published><updated>2009-11-20T22:10:15.894-02:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>De que me adianta tentar escrever neste papel&lt;br /&gt;Se sentimentos não podem ser descritos?&lt;br /&gt;Muito menos deve-se tentá-lo fazer&lt;br /&gt;Sinta-os, e só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma balança de qualidades e defeitos&lt;br /&gt;Os sentimentos nos mostram a beleza&lt;br /&gt;Independentes, o que os mantém vivos&lt;br /&gt;Fugitivos do mundo no qual foram criados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos versos mais brancos e livres&lt;br /&gt;Os sentimentos atribuem sentido&lt;br /&gt;Miteriosos, como olhos desconhecidos&lt;br /&gt;Carregando, em suas entrelinhas, o prazer da dúvida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7828241291751660350?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7828241291751660350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7828241291751660350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/blog-post_20.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3744653174385647672</id><published>2009-11-17T15:20:00.005-02:00</published><updated>2009-11-17T15:47:18.187-02:00</updated><title type='text'>Itacoatiara</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SwLhlbCYGKI/AAAAAAAAAPo/Q4gWuNmAhDA/s1600/1848662593_1510b8fc09.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405130535827151010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SwLhlbCYGKI/AAAAAAAAAPo/Q4gWuNmAhDA/s320/1848662593_1510b8fc09.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Buraco na cortina&lt;br /&gt;Transparece o sol&lt;br /&gt;Tecido rasgado&lt;br /&gt;Transparece o estofado&lt;br /&gt;Brilho na saliva&lt;br /&gt;Transparece a loucura&lt;br /&gt;Vazio da alma&lt;br /&gt;Transparece no olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barraco de tijolos&lt;br /&gt;Desnudos, expostos&lt;br /&gt;O chão é o próprio solo&lt;br /&gt;Lágrimas de água do mar&lt;br /&gt;O teto são estrelas&lt;br /&gt;Cabeça regada ao luar&lt;br /&gt;Casa velha desmorona&lt;br /&gt;Transparece alguém a sonhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos, sonhos&lt;br /&gt;Trabalhar, trabalhar&lt;br /&gt;Risca na madeira podre&lt;br /&gt;Sua vontade de gritar&lt;br /&gt;Suado, acorda à noite&lt;br /&gt;Beber leite, talvez um cigarro fumar&lt;br /&gt;A fumaça transparece&lt;br /&gt;Alguém que se põe a cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só o princípio do fim&lt;br /&gt;Dia-a-dia que corrói o ser&lt;br /&gt;Lembrou seu pai, vida idêntica&lt;br /&gt;Pediu a Deus para não crescer&lt;br /&gt;Mais uma prece oca&lt;br /&gt;Não atendida pelo vento&lt;br /&gt;Transparece, em sua caligrafia torta,&lt;br /&gt;Sua vontade de morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não sabe disto&lt;br /&gt;A chuva ofusca tudo&lt;br /&gt;Mudo, se põe a pensar:&lt;br /&gt;Fim de semana ganho um beijo&lt;br /&gt;Que mate meu desejo&lt;br /&gt;Do sal ardente do mar&lt;br /&gt;Na vida, o sonho flutua&lt;br /&gt;Itacoatiara, nada é pesar&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3744653174385647672?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3744653174385647672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3744653174385647672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/itacoatiara.html' title='Itacoatiara'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SwLhlbCYGKI/AAAAAAAAAPo/Q4gWuNmAhDA/s72-c/1848662593_1510b8fc09.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4705198654123585105</id><published>2009-11-17T15:14:00.002-02:00</published><updated>2009-11-17T15:20:16.733-02:00</updated><title type='text'>(...)</title><content type='html'>ZCK1VCKXCK2YCKCTC1W3CKCU3&lt;br /&gt;CKCS3CKCRZCK2Y3CKCXZ1CW3&lt;br /&gt;CKCKX3CVCKCYCKC1U3CKCT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Z3CKU3CKX2CQ2CKCKW1&lt;br /&gt;CV3CTCYCKC2SCKCP1CR5&lt;br /&gt;COCKNZ2CKCKV5CWCKC2&lt;br /&gt;Y3CKCU2CXCK2T1CSZ2CY&lt;br /&gt;1CXZCYC3W5CX3CVCKCU&lt;br /&gt;ZCKC1Y3CKCX&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4705198654123585105?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4705198654123585105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4705198654123585105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/blog-post.html' title='(...)'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2682545773088823923</id><published>2009-11-16T15:42:00.002-02:00</published><updated>2009-11-16T15:50:39.624-02:00</updated><title type='text'>ZCKC1Y3CKCX3CKCKW</title><content type='html'>Z1CY3CKCKXZCKC1YCK3X3CKCKWZ5CYZ2CY3CKCKX5CWCK&lt;br /&gt;VC3U2CT5CS2CR1CQZ2CKCY5CXCKCW5CV2CU2CT3CKCSCK&lt;br /&gt;CKR5CQCKPZ2XY5CXZ2CKCY1CXCKCWCKC1V3CKCUCK2T5C&lt;br /&gt;SCKR3CQ2CP5CO2CN1CMZC2Y3CKCKXCK1W5CVCK2U5CT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2682545773088823923?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2682545773088823923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2682545773088823923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/zckc1y3ckcx3ckckw.html' title='ZCKC1Y3CKCX3CKCKW'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-8665395268118791206</id><published>2009-11-08T18:10:00.004-02:00</published><updated>2009-11-08T18:55:08.730-02:00</updated><title type='text'>Futebol: manifestação cultural ou bem de consumo?</title><content type='html'>Duas coisas devem ficar bem claras antes de qualquer crítica vinda de mim:&lt;br /&gt;Sou palmeirense, torço pra um time paulista que sempre foi favorecido pela mídia em sua história; estou em posição de lançar qualquer crítica sobre o caráter de mercadoria que assume o futebol? Talvez.&lt;br /&gt;Devemos, acima de tudo, ter clara a idéia de que a Mídia e o Futebol são estruturas administrativas separadas, apesar de toda interdependência, de forma que a administração do Futebol Brasileiro não pode controlar o poder de modelar o esporte que a mídia possui (basta lembrar que a mídia não é, por exemplo, um critério de qualidade musical, mas influencia na música de forma direta sem que a música tenha o que fazer para frustrar esse controle, podendo no máximo buscar ferramentas alternativas a ele). Seria muito mais coerente, sem dúvidas, porém, que um torcedor do Vitória, Sport ou Cruzeiro fizesse aqui esta crítica.&lt;br /&gt;Mas o que há de possível para que se evite que a justiça se perca completamente no futebol? É óbvio e até desnecessário e engraçado que eu inclua aqui (porém, mais necessário do que aparenta ser): o aparelho que regula a justiça futebolística: CBF, STJD.&lt;br /&gt;Estou aqui desmerecendo o time do Fluminense? Há dez rodadas digo que o Fluminense está jogando excelentemente bem e defendo suas chances de escapar do rebaixamento (escapatória pela qual torço assim como torci pelo Vasco no ano passado; acho que acima de tudo, devemos torcer pela grandeza do futebol), além de tudo, o Fluminense é um time carioca que tenho uma enorme simpatia, a torcida mais bonita que vi pessoalmente (Nas quartas-de-final, contra o Corinthians - claro que não sirvo de critério, por ter visto poucos jogos no Maracanã) e uma torcida que realmente tem presença marcante nos momentos de necessidade de seu time.&lt;br /&gt;Estou aqui desmerecendo o time do Palmeiras? Excetuando o Vagner Love, jogador que venho criticando antes mesmo de voltar ao Palmeiras, me orgulho e muito do elenco de meu time (crises são normais em todos os campeões brasileiros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que se trata esse texto, afinal?&lt;br /&gt;Da justiça esportiva no Brasil. Será que ainda existe um critério?&lt;br /&gt;Vagner Love foi expulso no jogo contra o Santo André em uma falta que, na minha opinião, não era nem pra amarelo. Foi denunciado e eu concordo com o STJD: o critério utilizado foi a opinião do árbitro dentro de campo, ignorando as conclusões posteriores sobre a real presença de violência desnecessária ou não. Foi suspenso e, até aí, com minha concordância&lt;br /&gt;Mas se o critério é esse, como é que funciona denunciar o Danilo por conclusões posteriores (cartão amarelo no jogo contra o Corinthians) e não pela opinião do árbitro? O futebol se decide dentro ou fora de campo? Vamos criar um critério pra isso? Uma justiça mais racional? O fato é que fica a dúvida se o Danilo vai ser suspenso ou não: já não sei, porque com a derrota contra o Fluminense essa suspensão pode se tornar "desnecessária". Mas vamos ainda além; se as conclusões posteriores são aceitas, por que não validar o gol do Obina contra o Fluminense hoje? Afinal de contas, ficou claro que o Simon, mais uma vez, errou.&lt;br /&gt;"O Simon mais uma vez errou"? É, sim. Apesar de o Rogério Ceni dizer que o Símon sempre prejudica o São Paulo, alguém lembra qual jogo tirou o Palmeiras da disputa do título ano passado? Acho que eu lembro: o Jogo contra o Grêmio, apitado pelo Símon. Aquele que o Grêmio segurou o jogo em faltas desde o princípio e o Simon atribuiu dois cartões amarelos já no fim do segundo tempo; aquele, em que assisti à atitude mais bonita de minha vida (goleiro Marcos, aos 30 do segundo tempo, já correndo pra área e buscando fazer o gol, mostrando por que é o maior ídolo da história do futebol brasileiro), apesar de a beleza da raça do santo ser incoerente com a sapiência do árbitro.&lt;br /&gt;Mas espere aí, ir além disso? Então vamos: A Justiça desportiva deixa bem claro que não tolera que questões relacionadas ao futebol sejam resolvidas na Justiça comum, mas deixa nossos árbitros totalmente vulneráveis? Quer dizer então que o Rogério Ceni pode ser expulso no jogo contra o Santos e difamar publicamente o Simon, que o STJD não tomará partido nenhum do caso? Quer dizer então que o esportista deixa de ter Direitos Civis pra entrar no futebol?&lt;br /&gt;Ou será que não? Ou será que o Obina teria sido punido hoje, se saísse de campo crucificando o Simon (em uma situação em que ele realmente merecia)?&lt;br /&gt;Não vou além e citar a Mala Branca que acabou por tirar os dois principais jogadores do Barueri apenas no confronto com o São Paulo (Val Baiano e Renê), porque esse é o assunto menos importante e o que a mídia, a mesma que favorece o eixo Rio-São Paulo, mais polemizou (apesar de todos nós, com exceção do Rogério Ceni - que é muito sábio, por sinal - achar o lance um pouco estranho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizarei dizendo que o futebol tende, mesmo, a cada vez mais funcionar menos como Manifestação Cultural e mais como Bem de Consumo, a não ser que nós nunca abandonemos nosso time e a cultura do mesmo. Com ou sem título, com ou sem justiça, o amor por meu time ficará sempre inalterado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PALMEIRAS, SEMPRE!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-8665395268118791206?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8665395268118791206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/8665395268118791206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/futebol-manifestacao-cultural-ou-bem-de.html' title='Futebol: manifestação cultural ou bem de consumo?'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-117673974925806336</id><published>2009-11-05T11:52:00.004-02:00</published><updated>2009-11-05T11:56:57.477-02:00</updated><title type='text'>Epitáfio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VCKCW1CX4CR1CZCKU2CYC3T5C/S2C/Q&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Passo a passo, do fim ao início.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mergulhar além da superfície.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vivo em seis cômodos vazios&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, por isso, sei melhor que ninguém:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sentimentos são foneticamente diferentes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E invariavelmente dolorosos.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-117673974925806336?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/117673974925806336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/117673974925806336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/epitafio.html' title='Epitáfio'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-22700592378954487</id><published>2009-11-02T22:09:00.003-02:00</published><updated>2009-11-02T22:16:41.814-02:00</updated><title type='text'>Lupus Eritematoso Sistêmico</title><content type='html'>Hoje descobri a felicidade nos detalhes&lt;br /&gt;Nas cores das pernas desnudas&lt;br /&gt;No cheiro putrefato dos açougues&lt;br /&gt;Nos riscos da lâmina fina e afiada de uma navalha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lágrimas são menos salgadas se você sorri&lt;br /&gt;Mais quentes se você sonha&lt;br /&gt;Duras, se você ama&lt;br /&gt;Vazias, se você é humano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me afogo em Lá Menor&lt;br /&gt;Os acordes tapam meus ouvidos&lt;br /&gt;Minha voz emudece minha razão&lt;br /&gt;A melodia transforma meus sentimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cadáver, mais vivo que a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música acaba e já não mais sou mudo&lt;br /&gt;Meus pensamentos voltam, devoram meu ser&lt;br /&gt;Aqueles, que deveriam construir&lt;br /&gt;Que vêm do passado volumoso, do presente escuro, do futuro vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bocas se voltam contra mim, no interior de minha pele&lt;br /&gt;Me mastigam e gritam tudo o que sou&lt;br /&gt;A mim, não resta o que dizer&lt;br /&gt;Eles estão certos, isto é tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tudo que a vida tem a oferecer&lt;br /&gt;Este nada em que se torna no meu interior&lt;br /&gt;Esta dor na alma (alma que já não acredito ter)&lt;br /&gt;Canibalismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hipocondria e aversão a remédios&lt;br /&gt;Uma bailarina sem palco&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;Álcool e um quarto vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ser encontrado morto em meu quarto&lt;br /&gt;Corpo nu no chão empoeirado&lt;br /&gt;Sem móveis, sem papel&lt;br /&gt;Sem letras, sem dinheiro&lt;br /&gt;Com um blues de pano de fundo&lt;br /&gt;(Ou melhor, sem música)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cadáver, mais morto que a morte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-22700592378954487?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/22700592378954487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/22700592378954487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/lupus-eritematoso-sistemico.html' title='Lupus Eritematoso Sistêmico'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3061490540090902868</id><published>2009-11-01T22:19:00.002-02:00</published><updated>2009-11-01T22:26:50.473-02:00</updated><title type='text'>Visão geral</title><content type='html'>Cara, preciso de umas férias de seis meses, em uma praia de nudismo, com a Fernanda Machado e uma caixa de Midazolam.&lt;br /&gt;Enfim, não ando postando por, como sempre, ter deixado o que não me interessa - e, ao mesmo tempo, me é essencial - pra última hora, o que anda ocupando meu tempo, apesar de, como sempre, passar a maior parte do dia olhando pela janela sem fazer nada.&lt;br /&gt;Pretendo postar, quando tiver mais folgado pra detalhes, o livro ("Silêncio") explicando poema por poema (mas algo me diz que nunca terei paciência pra fazer isso, então pode acontecer de eu só postá-lo sem explicar nada também). A maioria dos poemas estão no Blog, por isso não tô me apressando em colocar aqui.&lt;br /&gt;Também criei um twitter (&lt;a href="http://www.twitter.com/marceloriceputi"&gt;www.twitter.com/marceloriceputi&lt;/a&gt;), que pretendo usar concomitantemente ao blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que isso é tudo. Abraços e se cuidem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3061490540090902868?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3061490540090902868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3061490540090902868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/11/visao-geral.html' title='Visão geral'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-714551982189167223</id><published>2009-10-29T16:50:00.002-02:00</published><updated>2009-10-29T16:52:44.015-02:00</updated><title type='text'>Sufismo psicológico e social</title><content type='html'>Prisão&lt;br /&gt;É onde vivemos, apesar de você dizer que&lt;br /&gt;Não&lt;br /&gt;Pode pensar que sabe o que sinto, mas não pense que peço&lt;br /&gt;Perdão&lt;br /&gt;Descrever sentimentos e tentar entendê-los com&lt;br /&gt;Razão&lt;br /&gt;Esconder o lixo, expor o luxo e chamar isto de&lt;br /&gt;Civilização&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão, não, você tem razão&lt;br /&gt;A civilização é uma prisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão, civilização, você tem razão&lt;br /&gt;Mas não vou viver nesta prisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ração&lt;br /&gt;Branquear os dentes, remover as cáries, esconder a&lt;br /&gt;Podridão&lt;br /&gt;Forçar o riso, esboçar o siso e perder de vez a&lt;br /&gt;Noção&lt;br /&gt;Levantar da cova e trazer as novas a esse inferno&lt;br /&gt;Pagão&lt;br /&gt;Erguer o muro, lavar a alma e celebrar, em festa, a&lt;br /&gt;Nação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, nação, perdi a noção&lt;br /&gt;Mas não vou mais comer sua ração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chame pagão, me crucifique com noção&lt;br /&gt;Mas não vou mais cheirar sua podridão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bom-senso é censura&lt;br /&gt;O Bom-senso é censura&lt;br /&gt;O Bom-senso é censura&lt;br /&gt;O Bom-senso é censura&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-714551982189167223?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/714551982189167223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/714551982189167223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/sufismo-psicologico-e-social.html' title='Sufismo psicológico e social'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7748055919778111840</id><published>2009-10-26T15:24:00.003-02:00</published><updated>2009-10-26T15:33:22.096-02:00</updated><title type='text'>This is the end, my only friend</title><content type='html'>Merda, cara, mas que merda. Vontade de encher um papel de xingamentos e porra alguma. Vendi, há muito tempo, minha felicidade ao demônio por um preço que nunca vou receber. Sonho com este erro todos os dias e, ao acordar, não ganho nem sequer o privilégio de me arrepender. Vida injusta filha de uma puta.&lt;br /&gt;Nunca fiz questão de ser feliz e ainda não faço. A peça acabou, sem platéia alguma, e algum filho da puta esqueceu de abaixar as cortinas, me deixando aqui: nu, exposto, sozinho.&lt;br /&gt;Uma doença só mata se você a descobrir em você. Nunca faça exames preventivos, corram da porra do exame de próstata. Escrevi um livro de poemas julgando ser um "Sentimento do Mundo", mas agora vejo que nunca será publicado, nunca será lido. É um livro sobre um câncer que as pessoas não sabem ou não querem saber que possuem. Eu sou a única pessoa nesta porra achatada onde dizem haver vida? É só uma porra, um esboço, um rascunho, de vida.&lt;br /&gt;Obrigado a minha educação por me mostrar que vivemos sem poder fazer escolhas - seguimos uma estrada sem bifurcações, onde os fracos morrem no caminho e os fortes tomam champanhe na virada dos anos e, no fim, escrevem livros desinteressantes sobre suas existências; acordamos todos os dias e, depois de milhares de anos de racionalidade, concordamos com o instinto humano mais primitivo. Obrigado a meus amigos por serem complacentes com isso e devorarem tudo o que há de especial em mim e depois me abandonarem exposto (não preciso mais dessas merdas, fiquem com tudo isso pra vocês, não vale nada). Obrigado a meu pai por toda sua preocupação mesquinha e por se esquecer de olhar para minhas vontades (apesar de tudo, o amo, por saber que se parece comigo e que é uma pessoa totalmente diferente do que demonstra ser).&lt;br /&gt;Agora quero que todos vão tomar em seus cus com a mesma certeza de que precisam ser sábios, passar no vestibular, fazer faculdade, trabalhar e ser bem-sucedidos. Vão se foder como se essa fosse uma verdade dogmática, como todas as outras verdades de suas cabecinhas burras e idéias medíocres.&lt;br /&gt;Por fim, um agradecimento sincero à sociedade - e toda sua concepção moral - por comer todos meus sonhos; hoje os vejo pueris e percebo que de nada valeria realizá-los.&lt;br /&gt;Vão todos tomar no cu, não faço parte de toda esta merda. Hoje tomei uma decisão e preciso estudar coisas às quais perdi todo o interesse à medida que perdi a esperança, mas só por mais dois anos e então desaparecerei.&lt;br /&gt;Não me façam perguntas, não façam perguntas a ninguém, apenas vão tomar no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pra que(m) serve seu conhecimento?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7748055919778111840?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7748055919778111840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7748055919778111840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/this-is-end-my-only-friend.html' title='This is the end, my only friend'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-3284278441101818448</id><published>2009-10-18T21:50:00.003-02:00</published><updated>2009-10-18T21:54:15.262-02:00</updated><title type='text'>Parede de fotografias</title><content type='html'>As paredes de meu quarto já não refletem mais&lt;br /&gt;Tudo o que passou&lt;br /&gt;Meu reflexo no espelho já não mostra mais&lt;br /&gt;Tudo o que eu sou&lt;br /&gt;(E o que será que eu sou?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã, pela janela, o sol não ilumina mais&lt;br /&gt;O que sobrou&lt;br /&gt;Há um mar de escolhas e meu corpo não emerge mais&lt;br /&gt;Fico com o que restou&lt;br /&gt;(E o que será que me restou?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartas que já não interessam&lt;br /&gt;Versos no canto do caderno&lt;br /&gt;Lembranças do que um dia foi sincero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto no espelho do baneiro&lt;br /&gt;Os olhos carregando o passado&lt;br /&gt;Todo o fardo sendo abandonado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus livros na estante já não refletem mais&lt;br /&gt;O que aprendi&lt;br /&gt;Os CD's e o walkman já não mostram mais&lt;br /&gt;Tudo o que eu vi&lt;br /&gt;(O que eu vi, eu aprendi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A promessa da menina já não reflete mais&lt;br /&gt;O que virá&lt;br /&gt;E soprando na esquina, o destino, o acaso traz&lt;br /&gt;O que será&lt;br /&gt;(O que será que me virá?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça deitada no travesseiro&lt;br /&gt;No caderno, as idéias novas&lt;br /&gt;A bondade que o mundo, lá fora, reprova&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço vazio na parede&lt;br /&gt;Os retratos que ainda estão por vir&lt;br /&gt;Retratos que um dia também vão partir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-3284278441101818448?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3284278441101818448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/3284278441101818448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/parede-de-fotografias.html' title='Parede de fotografias'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2457378119219502213</id><published>2009-10-16T23:03:00.002-03:00</published><updated>2009-11-06T18:36:25.912-02:00</updated><title type='text'>Papel sujo de letras</title><content type='html'>Este é um papel imundo;&lt;br /&gt;Imundo de letras,&lt;br /&gt;Imundo de pessoas,&lt;br /&gt;Imundo de mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e sete homens arrogantes aqui cuspiram.&lt;br /&gt;Seqüestraram lápis suicidas&lt;br /&gt;E o encheram de besteiras;&lt;br /&gt;Alguns até as acharam inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma prostituta se deitou,&lt;br /&gt;Abriu suas pernas,&lt;br /&gt;Mostrou o medo e a vontade de ser feliz;&lt;br /&gt;Alguns sentiram nojo; outros, se excitaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vinte e sete homens que se excitaram&lt;br /&gt;Gozaram neste papel&lt;br /&gt;E nele brotou vida;&lt;br /&gt;Suja e desperdiçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vinte e sete homens que sentiram nojo&lt;br /&gt;Vomitaram aqui o muito do que haviam se fartado&lt;br /&gt;E tudo se tornou comida;&lt;br /&gt;Comida do descaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não sei se as letras devoram o papel&lt;br /&gt;Ou o papel devora as letras.&lt;br /&gt;Não sei qual é a esperança e qual a morte.&lt;br /&gt;Desconheço, como minha sorte e a mim mesmo.&lt;br /&gt;Reconheço que, como tudo que no mundo é imundo,&lt;br /&gt;(imundo como ele próprio)&lt;br /&gt;Meus sentimentos passeiam por meu interior&lt;br /&gt;E a tudo tornam sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carrego comigo uma certeza:&lt;br /&gt;Este papel foi escrito por lágrimas;&lt;br /&gt;As mais sujas e sinceras lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que vejo são lágrimas imundas dos olhos castanhos de Lisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2457378119219502213?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2457378119219502213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2457378119219502213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/papel-sujo-de-letras.html' title='Papel sujo de letras'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-2690080236788607914</id><published>2009-10-15T02:09:00.003-03:00</published><updated>2009-10-15T02:10:48.740-03:00</updated><title type='text'>Palavra</title><content type='html'>Antigamente, a palavra era feliz&lt;br /&gt;Enchia de amores quem a observava&lt;br /&gt;Suas aventuras eram vitoriosas&lt;br /&gt;Seus riscos, psicológicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, a palavra ficou suspeita&lt;br /&gt;Se difundiu&lt;br /&gt;Era lágrima, esperança&lt;br /&gt;Era coragem, mudança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a palavra é muda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-2690080236788607914?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2690080236788607914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/2690080236788607914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/palavra.html' title='Palavra'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5210103450866977121</id><published>2009-10-12T14:33:00.006-03:00</published><updated>2009-10-15T02:09:03.719-03:00</updated><title type='text'>Carne morta</title><content type='html'>Carne morta rasteja ao outro lado da porta;&lt;br /&gt;Brinca, festeja, sorri&lt;br /&gt;Mas está morta;&lt;br /&gt;Morta como o que sente a natureza aos homens,&lt;br /&gt;Morta como o que sente os homens a sua própria natureza,&lt;br /&gt;Morta como a certeza da morte,&lt;br /&gt;Morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mão se move a cada cicatriz sua.&lt;br /&gt;Minha mão se move a cada uma de suas deformidades.&lt;br /&gt;O medo da eterna existência desta porta&lt;br /&gt;Confronta-se com o medo do grotesco&lt;br /&gt;Em uma batalha de surrealidade bêbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dos lados silenciou:&lt;br /&gt;A noite se tornou dia;&lt;br /&gt;A felicidade, inconstante como deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era um bêbado;&lt;br /&gt;Não mais ignorante,&lt;br /&gt;Não mais só,&lt;br /&gt;Apenas um bêbado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5210103450866977121?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5210103450866977121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5210103450866977121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/carne-morta.html' title='Carne morta'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7646356649023953902</id><published>2009-10-09T15:38:00.002-03:00</published><updated>2009-10-09T15:45:24.907-03:00</updated><title type='text'>Bad Memories</title><content type='html'>Leave this place inside of me&lt;br /&gt;I'll leave this brain inside my head&lt;br /&gt;I'll leave you laid on this bed right now&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;I feel my mind spinning all around&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Take my hand&lt;br /&gt;I'll show you that I'm about to fall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;I'm stuck inside this dream and I can't go out&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;I've got bad memories in my head&lt;br /&gt;And I can't throw this knife from the inside out&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Take my hand&lt;br /&gt;I'll show you that I'm about to fall&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sample:&lt;br /&gt;http://rapidshare.com/files/290816949/Bad_Memories_Sample1.wav.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7646356649023953902?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7646356649023953902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7646356649023953902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/bad-memories.html' title='Bad Memories'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1479032066554718490</id><published>2009-10-07T00:35:00.004-03:00</published><updated>2009-10-07T00:44:06.145-03:00</updated><title type='text'>Nostalgia - Volume dois</title><content type='html'>Resgatando momentos históricos.&lt;br /&gt;Éramos heróis e ninguém sabia disso, nem nós mesmos..&lt;br /&gt;Mas éramos, e ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste vídeo, estamos comemorando meu aniversário de dezessete anos. Acabou se tornando o vídeo de apresentação da Legendarius (a segunda banda da qual participei em Varginha e, obviamente, a preferida).&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cK332sM3XUY"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=cK332sM3XUY&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste, estamos cantando "Cogumelos Azuis", Ventania, na praça central da cidade de Varginha (onde nasci), em horário extremamente movimentado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xo7YgMWQZJ0&amp;amp;NR=1"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=xo7YgMWQZJ0&amp;amp;NR=1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São momentos que provavelmente nunca se repetirão.&lt;br /&gt;Sentimentos grandes passam despercebidos no momento em que se mostram presentes, mas se tornam notáveis e nostálgicos quando passam a fazer parte do passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1479032066554718490?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1479032066554718490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1479032066554718490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/nostalgia-volume-dois.html' title='Nostalgia - Volume dois'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-4865218115601852901</id><published>2009-10-03T12:57:00.002-03:00</published><updated>2009-10-03T13:14:01.296-03:00</updated><title type='text'>Harrowdown Hill</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lrXtb1QK9hQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=lrXtb1QK9hQ&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thom Yorke (Radiohead) no vocal, Flea (Red Hot Chili Peppers) no baixo;&lt;br /&gt;Incrível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-4865218115601852901?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4865218115601852901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/4865218115601852901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/harrowdown-hill.html' title='Harrowdown Hill'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-7448364111697213026</id><published>2009-10-01T14:17:00.004-03:00</published><updated>2009-10-01T19:29:51.617-03:00</updated><title type='text'>O advogado do Diabo</title><content type='html'>Algumas coisas me dão vontade de vomitar;&lt;br /&gt;Outras, de dormir.&lt;br /&gt;Há ainda as que me são indiferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia o que me fazia amar,&lt;br /&gt;Mas extinguiu-se com minha infância.&lt;br /&gt;O que me fazia chorar&lt;br /&gt;Foi extinto com a vontade de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo?&lt;br /&gt;Este é o mundo do orgasmo,&lt;br /&gt;Fique imundo e aprenda a dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-7448364111697213026?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7448364111697213026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/7448364111697213026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/10/o-advogado-do-diabo.html' title='O advogado do Diabo'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-989514922124872139</id><published>2009-09-29T14:31:00.003-03:00</published><updated>2009-09-29T14:37:47.947-03:00</updated><title type='text'>Espelho</title><content type='html'>A prostituta observa seu reflexo, nu, no espelho&lt;br /&gt;Em seu corpo, marcas que nunca cicatrizaram&lt;br /&gt;Mas lhe deram comida e álcool&lt;br /&gt;Permitiram que sua vida continuasse, sem sentido&lt;br /&gt;(com ou sem vírgula)&lt;br /&gt;Seu sexo, disforme, devorado pelo instinto humano&lt;br /&gt;Seus seios nunca amamentaram,&lt;br /&gt;Mas foram chupados, até secarem, pela irracionalidade&lt;br /&gt;Seu ânus havia sido cruelmente violentado&lt;br /&gt;Ela ainda se lembra da dor, mas este custava mais caro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se de quando era jovem e bela&lt;br /&gt;Em uma mesa prostituída,&lt;br /&gt;Brindou a infidelidade da felicidade&lt;br /&gt;E a infelicidade da fidelidade&lt;br /&gt;Sentiu o vinho caríssimo deslizar suave por sua garganta&lt;br /&gt;Depois deste, a porra suja e agressiva&lt;br /&gt;E, como esses rastros de vida que engoliu,&lt;br /&gt;Perdeu-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se de sua infância&lt;br /&gt;Seu sorriso era dócil, ingênuo, feliz&lt;br /&gt;E não pedia um porquê&lt;br /&gt;Não se lembra de quando tudo passou a pedir um&lt;br /&gt;Se a dor trouxe a falta de sentido&lt;br /&gt;Ou a falta de sentido trouxe a dor&lt;br /&gt;Tentou esboçar um sorriso,&lt;br /&gt;Não conseguiu chorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a bala atravessou o céu de sua boca&lt;br /&gt;Perfurou suas lembranças, desavenças, suas noites&lt;br /&gt;Perfurou os detalhes de sua vida&lt;br /&gt;Perfurou seu amor que não alcançava nem sequer ela própria&lt;br /&gt;O eco, porém, não pertenceu ao tiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo de Lisa se foi,&lt;br /&gt;Infeliz para sempre&lt;br /&gt;Seu sorriso, porém, se prendeu naquele quarto&lt;br /&gt;Feliz e infeliz, eterno&lt;br /&gt;À espera de um porquê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso deixar de amar esta garota&lt;br /&gt;O que a sociedade fez com seu corpo&lt;br /&gt;Fez também com minha alma&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-989514922124872139?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/989514922124872139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/989514922124872139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/09/espelho.html' title='Espelho'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-5423629483864856806</id><published>2009-09-28T15:53:00.003-03:00</published><updated>2009-09-28T15:57:36.536-03:00</updated><title type='text'>A ponte</title><content type='html'>Do diretor norte americano Eric Steel, "A ponte" é um documentário sobre suicídio, onde uma equipe cinematográfica se põe a acompanhar a ponte de São Francisco (Califórnia, EUA) durante todo o ano de 2004, capturando vinte e três suicídios e, em torno destes, entrevistando parentes e amigos para se chegar a conclusões sobre o que os levou ao ato e o que deixaram para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE I - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HRvlzN_AIms" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=HRvlzN_AIms&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE II - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qjd6xZMd9Vk" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=qjd6xZMd9Vk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE III - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pObw8_aTqsk" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=pObw8_aTqsk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE IV - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SW-MuC9Un3E" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=SW-MuC9Un3E&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE V - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gd4g-ZYy_4k" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=gd4g-ZYy_4k&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE VI - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VnM9_KmN82E" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=VnM9_KmN82E&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-5423629483864856806?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5423629483864856806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/5423629483864856806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/09/ponte.html' title='A ponte'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-6233821498223268702</id><published>2009-09-24T19:35:00.001-03:00</published><updated>2009-09-24T19:38:44.173-03:00</updated><title type='text'>Universo de um só são</title><content type='html'>O brilho do diamante ofuscou sua visão&lt;br /&gt;E, desapercebido, desacelerou seu coração&lt;br /&gt;De repente, sentira-se feliz&lt;br /&gt;Pois a riqueza lhe levara também sua visão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca gritava e ele não escutava&lt;br /&gt;Pois o que lhe valia era o que&lt;br /&gt;Apalpava com sua mão&lt;br /&gt;Esqueça o pão, esqueça o pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universo de um só são, mundo cão&lt;br /&gt;Perdão, perdão&lt;br /&gt;A assonância corroeu o cérebro&lt;br /&gt;Mas compreender o valor das palavras, não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engolia mentiras e vomitava o luxo&lt;br /&gt;O sofá adornado de suor em vão&lt;br /&gt;Quem não come, apalpa a fome&lt;br /&gt;E a pele descasca em violência e opressão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprovido, ele só gritava&lt;br /&gt;E lhe gritavam de volta: "desprovido de nada"&lt;br /&gt;Suicidou-se e nem pôde entrar em um caixão&lt;br /&gt;Não morreu como cristão, nem pode servir de lição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universo de um só são, mundo cão&lt;br /&gt;Perdão, perdão&lt;br /&gt;A assonância corroeu o cérebro&lt;br /&gt;Mas compreender o valor das palavras, não&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-6233821498223268702?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6233821498223268702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/6233821498223268702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/09/universo-de-um-so-sao.html' title='Universo de um só são'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-571692734923932569.post-1329059052210098152</id><published>2009-09-23T18:49:00.002-03:00</published><updated>2009-09-23T18:51:37.064-03:00</updated><title type='text'>Midazolan</title><content type='html'>Midazolan distorcido&lt;br /&gt;Caligrafia torta&lt;br /&gt;Olheiras de cansaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a marca de baba nesta folha&lt;br /&gt;(De quem dormiu sem perceber)&lt;br /&gt;Seja mais poética do que seus versos&lt;br /&gt;(Nem deu tempo de fazer uma oração)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amém&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/571692734923932569-1329059052210098152?l=marceloriceputi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1329059052210098152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/571692734923932569/posts/default/1329059052210098152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marceloriceputi.blogspot.com/2009/09/midazolan.html' title='Midazolan'/><author><name>Marcelo Riceputi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17566969562781368881</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_trFiPOz2HFw/SQJNjm61YhI/AAAAAAAAAHs/Ze2mVvSo0Dw/S220/DSC04744.JPG'/></author></entry></feed>
