"Liberdade" - era o que dizia o adesivo daquele monza preto em uma parada de estrada em uma das paradas da vida. Voltei para Juiz de Fora em minhas férias como uma loucura e, sem entender bem e fazendo o errado, novamente a deixei, repentinamente. Acontece que nessa parada, tudo fez sentido; de uma forma louca, aquele carro estava ali, esperando por mim, naquele segundo - e eu precisava estar ali. quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Abstrações de um mesmo tema
"Liberdade" - era o que dizia o adesivo daquele monza preto em uma parada de estrada em uma das paradas da vida. Voltei para Juiz de Fora em minhas férias como uma loucura e, sem entender bem e fazendo o errado, novamente a deixei, repentinamente. Acontece que nessa parada, tudo fez sentido; de uma forma louca, aquele carro estava ali, esperando por mim, naquele segundo - e eu precisava estar ali. segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Ego revolucionário - as revoluções "porção única"
Essa gradação afasta cada vez mais o homem de seu lado idealista e o aproxima de seu ego; às vezes eu olho ao meu redor e me sinto sozinho. Não parece haver mais revolucionários idealistas como os vistos em toda a história, como os vistos no século XX, o que eu vejo são pessoas que simplesmente querem ser vistas como aquelas do passado, admiradas por serem considerados revolucionárias, mas visando seu ego e não seus ideais - se é que possuem algum realmente.
É o que vemos a cada dia que passa; não há espontânea vontade, é preciso que um policial mate um adolescente e isto apareça na televisão para as pessoas se revoltarem; é preciso que setecentos palestinos morram e bombas explodam na Faixa de Gaza para que as pessoas se revoltem - é preciso que até os jornais se escandalizem para que as pessoas se assustem um pouco.
É aí que surgem os heróis porção única, que nunca haviam sequer ouvido falar no assunto, mas que lêem desesperadamente sobre ele, falam sem parar coisas que às vezes nem sequer sabem se estão certas ou têm algum embasamento para afirmá-las; repassam belos e-mails, muito bem escritos, com opiniões alheias, sem sequer terem certeza do que estão repassando. Informação, idealismo? Zero. Ego? Mil - olha como ele fala bonito e tem a barba grande.
A revolução não está morta, mas dorme na ignorância desses jovens "politizados".
sábado, 10 de janeiro de 2009
Rock n' roll nunca será passado
Me lembro de minhas duas primeiras bandas, meus tempos "Raul Seixas"; como eu mudei, como eu me sinto diferente.
Envelheci, mas de uma forma engraçada, muito do que foi ainda é - o rock ainda corre em minhas veias; amadureci, mas ainda acredito em meus sonhos. Olho para pessoas que passaram por minha vida musical de maneiras diversas em minha adolescência e sinto que neles o sonho de uma banda, mudança, ficou para trás, apagou-se perante as obrigações e preocupações da maturidade; esses sonhos não adormecem em meu coração; idéias amplamente diferentes, mas os sonhos se mantêm e se mantêm também a garra e a vontade de realizá-los.
Quando o rock n' roll se torna passado, descobre-se que ele nunca foi presente; uma descoberta que nunca experimentarei.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
(...)
Um barulho o fez parar instantaneamente. Por alguns segundos o homem fechou os olhos e sentiu sua respiração ecoar – estava mais bela do que nunca, soava como música; todos os pequenos sons da rua – como o gotejar de calhas de pequenas casas de baixo porte ou o vento movimentando papéis no chão – formavam uma simples e bela sinfonia, uma música em homenagem a alguém que por muito tempo esteve morto e agora finalmente voltara à vida.
Colocou a mão direita no interior de seu paletó e lá estava ela – sempre estivera lá – adormecida, esperando pelo momento de finalmente voltar a ser usada. Duvidamos de alguns sentimentos que são certos, mas simplesmente acreditamos em alguns que são duvidosos; o fato é que soava certo tocá-la naquele instante, o toque provocou-lhe a sensação de que sua mão estava no lugar certo, na hora certa; era hora de usá-la.
Abriu os olhos e sorriu; o garoto – algo em torno de dezenove anos – havia passado por ele fingindo indiferença, mas nem era preciso olhar em seus olhos para perceber a presença do medo, da desconfiança; talvez o garoto tentasse não admiti-la sequer a si mesmo e isso fosse o que a tornava tão gritante. O homem dobrou rapidamente uma esquina; precisava pegá-lo de frente, olhar em sua face enquanto ele sentia o que tinha por fazer.
Esperou os passos ficarem mais fortes e dobrou a esquina seguinte, parando bem em frente ao garoto – tão próximos que quase trombaram. Por um segundo que, se não houvesse sido criado um padrão para o tempo, poderia se dizer horas ou dias, eles se encararam, olho a olho – muito próximos – e, nesse segundo, um pôde entender perfeitamente o estado de espírito e as intenções do outro; apenas um deles sorria.
Com o braço esquerdo, o homem retirou um pano úmido do paletó e o pressionou contra o rosto do garoto, que se debateu em vão – não era forte o suficiente – até desmaiar.
A partir daí o homem se sentia cada vez menos consciente, como se seu próprio corpo fizesse seu trabalho agora; ficava parado, apenas observando seus braços agirem sozinhos.
Retirou de seu paletó uma bela faca que parecia brilhar, entender e responder ao luar. Virou o garoto de costas e, cuidadosamente, rasgou sua camiseta, a afastando e deixando suas costas a vista. De olhos fechados, enquanto movimentava a boca sem produzir sons, o homem, com a faca, desenhou habilmente uma partitura já preenchida por notas nas costas do garoto.
-Permita que esse cadáver utilize seu corpo para produzir vida – ele disse.
Repentinamente o homem se levantou, caindo para trás como se houvesse levado um susto; olhou para o garoto com indiferença enquanto se limpava (ou tentava se limpar) com um novo pano, ajeitou seu paletó e saiu andando novamente, tentando se lembrar onde havia estacionado seu carro."
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Morte
domingo, 4 de janeiro de 2009
"Quando o Bourbon é bom, toda noite é noite de luar"
Já freqüentei grandes festas
nos endereços mais quentes.
Tomei champagne e cicuta
com comentários inteligentes.
Mais tristes que o de uma puta
no Barbarella, às quinze pras sete
(...)"
Bom gosto, inteligência, sabedoria, merda; são todos sinônimos, inutilidades. Odeio pessoas inteligentes, finalmente percebi; tão vazias e retóricas, sempre procurando algo além para saber e poder preencher o espaço que sobra em suas falas por não terem nada a dizer sobre si mesmas. Não é necessário acreditar que o silêncio diga mais que as palavras, mas ao menos perceber que ele às vezes valhe a pena pelo valor que as palavras possuem, por mais que soem bonitas e alimentem seu ego perante pessoas que, além de burras, também são vazias.
Fale feio, escreva errado, não saiba os autores de livros consagrados, fodam-se os grandes cineastas, não decore o nome daquele bom ator, esqueça tudo que não tenha prática (não necessariamente mundana) - livre sua mente da estupidez desses nojentos inteligentes.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Mais um ano
É, a gente sobrevive mais um ano se estressando, esfolando, até chegar ao tão cobiçado fim de ano; festas, alegria, amigos, foguetes, champagne, felicidade..Ai ai ai; essa merda de vida é realmente uma grande utopia.
Antes que me esqueça, feliz ano novo.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Albergue espanhol
Eu não sou brasileiro; não sou boliviano, chileno, argentino, estado-unidense; não sou francês, inglês ou espanhol; não sou sírio, búlgaro, chinês, russo, angolano ou congolense. Cada pessoa é uma pessoa e cada pessoa é tudo. Sou Marcelo, brasileiro, argentino, búlgaro, sírio, francês, angolano.Cada pessoa é uma, mas cada pessoa deve experimentar e sentir as dores e os prazeres de todos os povos. Tentar focar e limitar-se a uma cultural local é uma tentativa intelectual inútil, a cultura pessoal prevalece, a cultura local é a cultura que avassala todo o mundo e a cultura que ataca cada pessoa individualmente; abandone o aprisionamento local e a indução à prisão de uma cultura estrangeira; todas as culturas são uma só, os costumes de uma só raça, os hábitos de um só coração que se divide em diversas batidas ao redor do mundo.
Hoje caminho em meu país, em meu estado, minha cidade, e me vejo um estrangeiro em meio a diversos estrangeiros, um povo dividido em singularidades, mas um povo com limitações artificiais que não os permitem notar que somos diferentes, mas somos iguais. Carregamos dores, felicidades, admirações, medos, todos diferentes, mas indiferentemente os carregamos.
Caminhamos e caminharemos sempre dotados de preconceitos e muros de vidro ao nosso redor, nos livrando de encarar o fato de que estamos todos em um albergue espanhol.
Visto a camisa do mundo e paradoxalmente brindo àquele que se reconhece: um estrangeiro em meio a estrangeiros.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Conselho de um poeta
Essa semana, esse mês, eu não sei dizer direito o quanto dormi e o quanto fiquei acordado. Quando deito, me perco em meus pensamentos e, às vezes, durmo, mas sonho comigo mesmo deitado em minha cama, ainda sem dormir, pensando e quando acordo, já de madrugada, não sei dizer se dormi a noite toda ou passei a noite toda em branco, acordado, perdido em pensamentos.
Hoje escrevo, mas por não ter outra opção, queria ter alguém aqui agora simplesmente para jogar conversa fora, conversar sobre coisas sadias, me perder em palavras e simplesmente esquecer um pouco as coisas lá fora. Mas diferente do que costuma acontecer, não estou triste, deprimido ou pessimista, estou puramente introspectivo e pessoal, simplesmente pensativo.
Por mais que digamos que não nos apegamos a objetos, lugares, a velha história de simplesmente estarmos com quem gostamos em qualquer lugar, que não ligamos para roupas etc; tudo isso não é verdade. Todo mundo tem aquela jaqueta já velha e gasta que nunca vai deixar de usar, todo mundo sente falta daquele parquinho que ia brincar quando criança, da primeira escola, do seu quarto, sua casa, aquele lugar que você ia tanto e que nunca tinha nada pra fazer, sempre te deixava entediado e te levava a pensar que você precisa encontrar um novo lugar pra freqüentar.
Há um ano não moro mais em Varginha e esse mês fará seis meses que não visito minha cidade natal. Minha vontade e ansiedade em voltar lá não se dá tanto pelas pessoas (apesar de sentir muitas saudades de algumas), mas sim em rever coisas, lugares, ver como eles devem ter mudado (minha casa mesmo está totalmente diferente), sentar nesses lugares e simplesmente deixar a cabeça trabalhar nas lembranças, olhar como eles estão agora, sentir dentro de mim um pouco da vida que já passou.
Ah, Varginha, acho que se uma pessoa nasce no inferno, sente saudades ao sair dele. Não importa aonde eu vá ou onde eu esteja, sempre sentirei imensas saudades dessa cidade que me proporcionou tantas alegrias e inúmeras tristezas, inesquecível.
Apesar de achar que alguém não pode se autoconhecer sozinho, acho que deve haver uma fase intermediária onde a pessoa fica sozinha e, sem muitas coisas acontecendo em sua vida, sobra tempo para parar e olhar para o passado, analisá-lo e, através de tudo o que viveu com outras pessoas, se entender melhor. Minha fase foi esse ano, sem dúvidas, mas sem dúvidas também está na hora de essa fase passar, sem dúvidas já estou preparado para voltar à vida, e me alegra muito finalmente ouvir isso de mim mesmo; espero que as coisas dêem certo para mim.
E quanto a você, ouça um conselho de um humilde poeta e escritor: só há vida fora dos livros.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
S.O.S. Santa Catarina
Antes de qualquer coisa, queria deixar o mais claro possível que esse texto tem a intenção de levar a pensar de forma sadia, estou amplamente comovido com a situação calamitosa de Santa Catarina, assim como estaria se essa situação estivesse ocorrendo em qualquer parte do Brasil.Em partes, é de se compreender o porquê do separatismo sulista; o sul não tem ampla participação na colonização do país, tendo uma integração a partir do Tratado de Madri em 1750, com a aderência forçada do Sete Povos da Missões, e em 1777, com o Tratado de Idelfonso que adquire algumas partes do atual estado de Santa Catarina. Tudo isso vem a se concretizar em 1801, com o Tratado de Badajós; mas os tratados não significaram o fim dos conflitos.
Porém, economicamente, desde por volta de 1703, quando a Intendência das Minas foi criada e a mineração começou a tomar força, o sul passou a ter uma integração pela pecuária, sustentando a mineração em Minas Gerais.
Por ter passado um tempo amplo como colônia espanhola, sustentando missões jesuíticas, por ter recebido diversas etnias, é óbvio que a cultura sulista possui uma imensa diferença da cultura do restante do país. Mas esses mesmos sulistas mais conectados à cultura espanhola, se procuram algum embasamento ou estudam a situação, deveriam enxergar que um dos grandes problemas da independência das colônias espanholas, como já frisava Simón Bolívar, com o Congresso do Panamá, antes mesmo da ocorrência, são as divisões, que tornaram os Estados fracos e vulneráveis. Ao incentivar os separatismos, os sulistas estão indo contra suas raízes. Lembre-se também de que uma das razões de o Brasil ter uma certa voz internacional e liderar movimentos do "Terceiro Mundo" (Perdão, odeio esse termo) é a sua dimensão territorial.
O Brasil é um país repleto de culturas diferentes, já houve movimentos de cunho separatista na Bahia, em Pernambuco, Maranhã, Pará, São Paulo, mas todos foram deixados para trás e isso manteve a esperança de surgir um espírito nacional que vá além de copas do mundo de futebol.
Estive duas vezes em Santa Catarina e posso dizer por experiência própria o quão certos estão os catarinenses de se orgulharem de seu estado, tão certos quanto eu estou de me orgulhar por esse estado fazer pate de meu país, assim como me orgulho da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará e São Paulo.
Se hoje visto a camiseta de ajuda à Santa Catarina, é por ver que o Brasil ainda é um país, ainda há caminhões que partem do Acre para Santa Catarina buscando amenizar a situação, é com dúvidas por pensar em com que ajuda Santa Catarina estaria contribuindo caso a tragédia fosse no Acre, mas é com certeza por saber que a grande e esmagadora maioria, se não totalidade, dos brasileiros que estão sofrendo com a tragédia não compõem movimentos separatistas e nem compartilham desses ideais.
Olhem para Santa Catarina, há brasileiros lá que precisam de ajuda.
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http://www.youtube.com/watch?v=LxR0wCcB5Vo
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Muros e grades
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
O Sonho (E A CABEÇA NO INFERNO DA MENTE)
Estava no sofá de um escritório de luxo e, sempre que respirava, fumaça saía de minha boca ao exalar o ar, e havia um cigarro em minhas mãos, aceso, mas não soltava fumaça; o traguei e, ao soltar o ar, não havia fumaça. Havia uma mesa e a mulher que estuprei estava atrás dela, na frente, um belo homem chegava caminhando: "Está tudo pronto, Deus, se quer destruir o mundo, basta assinar". E havia um papel, e uma caneta, e Deus pegou a caneta, se virou para mim e disse: "Nada está ao contrário, se parece ao contrário para você, talvez seja porque você queira o contrário".
Pisquei o olho e estava em meu quarto novamente, e transava comigo mesmo, e eu estava morto, mas sorria; me esfaqueei e o sangue esguichava, e eu estava no chão e só havia um eu; e eu enfiava a faca com força em mim mesmo, e não havia dor, tudo era tesão, e eu gemia. Corri rindo pela porta e novamente estava no escritório e me via no sofá, e me via atrás da mesa, e segurava o papel; gargalhei, assinei, tudo explodiu.
Novamente eu estava envolto por tentáculos líquidos, e sorria, só havia eu, mais ninguém. Havia, dessa vez, uma bela paisagem a minha volta, e os tentáculos a agarraram e tudo se tornou água e entrou em um balde. Essa água tomou forma de um homem, ergueu a mão para mim e eu a apertei; "é sempre bom fazer negócios com você", ele disse, e entrou novamente no balde. A água, como um soco, entrou direto em meu peito, caí de joelhos em frente ao balde e restava uma gota, que entrou em meu olho e, em seguida, saiu lentamente em forma de lágrima.
Acordei, sorrindo, com a cabeça fora do inferno da mente.
domingo, 23 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Filosofias de boteco
Hahaha! Desculpe, mas esse texto precisava se iniciar com uma gargalhada; já notaram que a gargalhada de um louco, que pra gente é uma demonstração de aprofundamento na insanidade, para ele pode significar um passo em direção à sanidade? Ou quem sabe não possa ser o inverso? Quem define a sanidade? Talvez Einstein e suas peripécias relativas.
A fórmula ao lado apenas demonstra, a princípio, um conceito ao qual estamos muito familiarizados: quanto mais próximos estamos de uma fonte emissora de sons, mais intensamente os ouvimos. Indo além, porém, percebemos também que, nesse momento, estamos ouvindo todos os sons do mundo, porém "alguns" com intensidade tão baixa que se tornam imperceptíveis. Entrando no campo da filosofia, o único som que não se ouve é o som que sai exatamente de onde ele é emitido, pois a área seria zero e, assim, a intensidade seria anulada.
Logo, a única coisa que não ouvimos é a nós mesmos; bem onde procuramos o autoconhecimento (hahaha). Procuramos, procuramos, não o encontramos; o que fazer? Leia-mos os clássicos, os consagrados, os distantes filósofos. Ó, tão sábios, porém tão distantes, como apreciar uma música que agora está sendo tocada a uma distância tão grande de você? Você a ouve, mas em intensidade tão baixa que nem é capaz de notá-la. Então como se autoconhecer? - pergunta o interlocutor desesperado.
Se algo estiver tão próximo de uma fonte sonora que a área seja quase zero, mas não zero, então a intensidade sonora recebida por este será de uma grandeza imensamente pleonástica. Que mundo irônico, nascemos todos hostis e diferentes, os que se julgam sábios passam a vida procurando respostas em livros escritos por pessoas que nunca as encontraram, os que se julgam espertos demais passam a vida desprezando quem está ao seu redor e buscando verdades de forma introspectiva quando, na verdade, os únicos que têm chances de encontrá-las talvez sejam os desprezados, os que não são sábios ou espertos, os que vivem a vida simplesmente e, talvez, nem busquem respostas. A única forma de se autoconhecer é deixar que alguém se aproxime tanto de você que possa compreender, sobre você, o que nem mesmo você compreende.
A ironia maior é que, duas ondas de freqüências iguais ou muito próximas, ao se interferirem, têm grandes chances de ter pontos de amplitude simplesmente igual a zero ou muito próximos a isso. Porém, ondas de freqüências diferentes, essas sim, muito improvavelmente terão pontos iguais a zero e podem ser construtivas ou destrutivas. É muito fácil se aproximar de alguém que se pareça muito com você, mas esse talvez tenha as mesmas dúvidas e anseios que você, como peças iguais de um quebra-cabeça. Para se autoconhecer, deve-se enfrentar o desafio de se aproximar daquele que se difere totalmente de você, outra ironia: apesar de tão diferentes, são exatamente as peças que se encaixam; para uma peça se encaixar na outra no quebra-cabeça, elas devem possuir uma superfície totalmente diferente e, quando essas e todas as outras se encaixam, tornam possível que se reconheça a imagem; quando todas as idéias se encaixam, é possível reconhecer o contexto final.
Por mais incrível que possa parecer, só aqui começa a piada. Se há um Deus, ele poderia ter criado todo esse funcionamento ao contrário: poderíamos ouvir melhor quem está extremamente distante de nós e mal quem está próximo. Que idéia louca e totalmente incoerente! Se vivêssemos em um universo que funcionasse dessa forma, o funcionamento do nosso soaria totalmente louco e incoerente. Talvez nosso universo funcione assim porque esse Deus queria que alguém, um dia, olhasse para essa fórmula e entendesse tudo isso. Talvez, por dez segundos, eu tenha conseguido conhecer o que é o foco do olhar de Deus.
Hahaha!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
"Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?"
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Pessoas e animais
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
"Podem calar os gênios, mas não podem apagar suas heranças (...)"
Quanto mais se aprende, mais medo se cria, mais desesperanças; o aprendizado alimenta o ódio, a sensação de ânsia de vingança, mas, principalmente, a sensação de estar em perigo. Não consigo dormir ao ver ao meu lado um grande irmão em um sono profundo e tranqüilo e imaginar que sua tranqüilidade possa ser rompida por cobiças artificiais alheias. Penso em minha família, em crianças de minha família, esse pensamento me remete a barbaridades cometidas em outros países e pensamentos de tristeza infinita vêm à minha cabeça, como se eu pudesse sentir uma pequena parte do que esses povos sentiram e apenas essa pequena parte já fosse insuportável. Lutaria até a morte por cada um deles, até que meu último pedaço de carne se decompusesse; mas me pergunto se adiantaria alguma coisa, me pergunto se estou sozinho nessa.
Há dias não durmo direito e, acima de meu cansaço físico, estou exaurido mentalmente em pensar que dias piores ainda possam vir, que as coisas se tornem mais artificiais. Pior que isso seria se a margem do sofrimento fosse ultrapassada e as pessoas deixassem escapar seus sentimentos por puro desespero.
Acordem, acordem! Mais que com insônia, minha mente acorda e se liga mais a cada noite que passo a observar a lua; talvez não compreenda o céu como um astrônomo, mas talvez o céu me compreenda melhor do que a qualquer um deles.
Podem calar os gênios, mas não podem apagar suas heranças; o desafio à luta pela hegemonia dos povos continua vivo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Marcelo Camelo; Los Hermanos e pós Los Hermanos

Mais difícil do que reconhecer um gênio da música vivendo em sua época, é criticá-lo em seu auge musical; enquanto não há polêmica sobre uma consagração, enquanto esta é unânime, posicionar-se contra soa como uma loucura.
O Los Hermanos é uma banda carioca, inciada em 1997, que conta com uma mistura de inúmeros estilos sonoros, o que a torna muito difícil de classificar, ainda levando em consideração que eu não gosto muito de rótulos na música, principalmente nos dias de hoje, em que uma banda é influênciada por inúmeros estilos e as correntes vão, cada vez mais, desaparecendo. A banda possui quatro álbuns: "Los Hermanos", "Bloco do eu sozinho", "Ventura" e "Quatro". Analisando esses álbuns, podemos notar não somente as mudanças e assimilações que a banda foi fazendo no decorrer de sua carreira, como também as mudanças de eixo dentre as composições e as diferentes personalidades que nela se encontram. Apesar de muitos negarem isso por simples fanatismo, comum para um fã de qualquer banda, que não aceita a idéia de que alguns dos membros desta não tenham grande utilidade ou influência, o Los Hermanos gira em torno de duas figuras: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante.
O "Los Hermanos", álbum, é lançado em 1999 pela banda. O álbum conta com um dos melhores baixistas dessa geração, com um baixo muito bem elaborado se chocando com melodias não tão boas assim, demonstrando a influência do hardcore e ska principalmente. É um álbum no qual o Los Hermanos ainda não se achou como banda e, apesar de razoável, não traz nada de novo e de excelente pro Rock, um álbum normal.
Em 2001, com o "Bloco do eu sozinho", a banda começa a encontrar realmente seu estilo, com uma mistura de MPB, samba, rock e mantendo ainda raízes do álbum anterior, sendo um marco para os fãs. Esse álbum divide pessoas que gostam da fase anterior e do que vem em seguida, mas simplesmente pelo óbvio fator "gosto pessoal". Aqui, o Los Hermanos começa a se destacar como uma boa banda, mas ainda não era o que viria a ser. Se no primeiro álbum a banda era praticamente Marcelo Camelo, nesse álbum, Rodrigo Amarante começa a se destacar como verdadeiro músico na banda.
Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante possuem personalidades e gostos musicais, tendências musicais, amplamente diferentes, mas isso se consolida de forma excepcional em um dos melhores álbuns da música nacional, um marco de nossa geração e o que torna o Los Hermanos, finalmente, a banda excepcional que é; em 2003, nasce o "Ventura". O álbum é uma mistura de MPB no melhor estilo Camelo com Rock no melhor estilo Amarante; porém, esses estilos se fundem em todas as músicas, demonstrando uma excelente confluência e uma linha que influenciará a música nacional e a difusão da cultura nacional de forma totalmente diferente, como se tornasse esse estilo, pouco procurado por jovens, algo acessível e interessante. Até aí, a parceria Camelo e Amarante era algo a se considerar explêndido e importantíssimo pra música nacional.
Porém, toda essa diferença musical e na própria personalidade começou a ir muito além e, em 2005, com o lançamento do "Quatro", nota-se que era algo que caminhava para já não mais dar certo. Se no "Ventura" essa mistura se fundiu em um álbum homogêneo e com um novo estilo, no "Quatro" essa mistura já se mostrava não conciliável, e temos um álbum totalmente heterogêneo que, apesar de apresentar músicas maravilhosas, não segue uma linha; era como se ouvíssemos dois álbuns de estilos diferentes em um álbum só. No "Quatro", o Los Hermanos já demonstra que seguir com a banda seria uma besteira, algo inconciliável e inútil.
Então, banda anuncia um recesso por tempo indeterminado para dedicação a projetos pessoais.
Essa breve divagação sobre a banda tem como objetivo seguir como base para analisarmos o pós Los Hermanos e chegarmos a conclusões sobre afirmações normalmente feitas durante a existência da banda.
Minha forma de ver Marcelo Camelo é como alguém que não possui tanta habilidade instrumental, mas que possui um talento nato para a música e, apesar de não ter tanto conhecimento teórico, possui uma capacidade incrível de composição de melodias; enquanto Rodrigo Amarante, apesar de um excelente instrumentista, se baseia em maior dedicação musical e um menor talento; porém, por muito tempo se ouviu que, no Los Hermanos, o talento em melodias estava em Amarante e as melhores composições também, apesar de estarem em menor número.
Em 2008, Marcelo Camelo lança o álbum "Sou" e Rodrigo Amarante se dedica a projetos como "Little Joy".
Apesar de ser uma boa banda, o Little Joy afasta o Amarante totalmente da cultura nacional e o coloca em uma cultura totalmente norte-americanizada, tendo como parceria o baterista Fabrizio Moretti, brasileiro da banda The Strokes. É um som razoável, mas que decepciona muito; principalmente ao se pensar que é algo vindo de um ex-membro de uma banda de ampla valorização da cultura nacional. Enquanto isso, Marcelo Camelo traz, no álbum "Sou", um álbum repleto de Brasil, com uma característica forte de MPB, mas diferente da MPB que estamos habituados, é como se fosse um álbum totalmente Camelo; sem dúvidas, um álbum excelente, muito melhor do que seria um quinto álbum do Los Hermanos; e o mais curioso, com uma melodia muito mais bem elaborada e composições muito melhores do que qualquer outra feita por Amarante no pós-Los Hermanos. Sem dúvidas, ao fim da banda, Camelo prova que o talento musical está, em boa parte, nele - apesar de o Amarante ser um excelente músico - e se consagra como um compositor a ser estudado futuramente como um marco dessa geração na música nacional. álbuns como "Sou" e "Ventura" estão entre álbuns que confirmam a existência de uma música nacional em meio a um cenário de extrema influência internacional, com bandas como "Cansei de ser sexy".
Porém, surge uma decepção grande ainda no ano de 2008, que é o que acabo de ouvir e é o principal objetivo desse texto; quase imediatamente após o início da turnê do álbum "Sou", Marcelo Camelo lança um álbum instrumental com uma banda chamada "Os imprevisíveis". O que sinto ao ouvir é uma tentativa de produzir algo alternativo e experimentalista. Há duas opções para esse álbum: ou ele é messiânico demais para mim, ou é um dos maiores lixos pseudo-experimentalistas que já ouvi em toda minha vida; e o pior é saber que Camelo não usa drogas e, portanto, não estava totalmente drogado ao fazê-lo. A impressão que tenho ao ouvi-lo é que os músicos tentam inibir seu talento e tocar o pior possível, como se isso fosse algo revolucionário. Acho que Camelo simplesmente perdeu seu lugar e tentou fazer algo em estilo Thom Yorke, o que, sem dúvidas, não está imbutido na personalidade musical dele. Admiro a tentativa, adoro experimentalismos, mas uma coisa é fato: bagunça sonora não é som alternativo e muito menos experimentalismo, é simplesmente algo dispensável aos ouvidos dos fãs.
Admiro muito o Marcelo Camelo, o tenho como uma das maiores influências musicais em minha vida; por isso, a partir de hoje, passarei a torcer para que ele esqueça essa idéia e volte a produzir o que eu chamo de "música".
domingo, 9 de novembro de 2008
Amor e vontade
sábado, 8 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
"(...) Eu gosto é do gasto"
desistir do que for dar errado?
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Logo, pretendo deixar o blog um tempo de lado, a não ser que algo de extrema necessidade de exposição me apareça. Não creio que o conto demore tanto tempo pra ser terminado, mas espero que no mínimo eu chegue ao fim deste.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Liberdade

domingo, 26 de outubro de 2008
sábado, 25 de outubro de 2008
Passo a passo
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
O imperialismo e o neocolonialismo
Logo, cada Estado procurou assegurar seu território como mercado consumidor próprio (na América, a origem da dependência tomando formato eterno está aí, pois os estado-unidenses procuraram subjugá-los e, de certa forma, pará-los no tempo, pois, com seus mercados consumidores consumindo produtos estrangeiros - muitos ingleses, no caso brasileiro, lembrar do Tratado de Comércio e Navegação e Aliança e Amizade - a industrialização nacional não se desenvolveu).
O mundo passava pela Segunda fase da Revolução Industrial, com ela se espalhando para vários países, como supracitado, tendo a produção se tornado mais eficiente com o surgimento do petróleo como matriz energética, a eletricidade e a aplicação de modelos de produção como o Taylorismo e o Fordismo.
Lembre-se também que em meados do século XIX surge o nacionalismo como expressão do direito de liberdade de um povo através de um governo próprio, e que este evoluirá para um sentimento extremista de ufanismo, o que limitará ainda mais o mercado consumidor de um país a ele próprio.
Com a grande mudança na forma de produção, empresas que cresceram mais passam a dominar determinadas áreas produtivas, tendo o capitalismo concorrencial não chegado ao fim, mas chegado onde tendia a chegar, com o monopólio de determinadas empresas, o capitalismo monopolista. Surgem os holdings, cartéis e trustes; formas de empresas maiores monopolisarem o mercado e excluírem empresas menores, "engolindo-as".
Com esse fechamento de mercado pelo alastramento da industrialização e a limitação do mercado na América, os olhos europeus se voltam para a África e Ásia.
Os países europeus iniciam o neocolonialismo e, se antes a África só era ocupada por europeus em Guiné, Moçambique e Angola pelos portugueses desde o período de expansão marítma no século XVI, agora a África e Ásia têm seus territórios repartidos entre os países centrais europeus.
O neocolonialismo era o complemento que estabilizava a economia industrial dos países europeus: com ele, possuíam novamente um amplo mercado consumidor, um fornecedor "estável" (ao menos a princípio) de matéria-prima.
Além disso, deve-se lembrar que toda essa evolução capitalista se baseou principalmente em uma intensificação na exploração do proletariado (a qual já era intensa) e isso acabou por gerar movimentos como o cartismo, na Inglaterra, que fazia reinvidicações operárias como limitação na carga horária, fim do trabalho infantil, salário mínimo, além de o direito de interferência política com o sufrágio universal. Surgem as trade-unions, que darão origem ao sindicalismo, o ideal operário começa a tomar forma e se basear em revoltas anteriores como a Conspiração dos Iguais, de Graco Babeuf, na Revolução Francesa. Surge, então, o ideal comunista e as doutrinas sociais, métodos através dos quais se chegaria ao Comunismo: Socialismo Utópico (Robert Owen, falanstérios), Socialismo Científico (Friedrich Engels, Karl Marx), Anarquismo (Bakhunin).
Assim, com o acirramento dessas revoltas e o acúmulo de capital, os empresários passam também a investir nessas colônias e mandar trabalhadores para elas, aliviando o exército industrial de reserva e, concedendo conquistas aos operários, amenizando esses ideais e acomodando os operários, tornando o sonho do Comunismo cada vez mais distante (claro que é um processo realmente gradativo, que vem acontecento até os dias de hoje).
Porém, as nações industrializadas começam a acomodar e abusar na exploração, surgindo, nessas colônias, revoltas.
A Inglaterra tinha na Índia um controle total, cobrando impostos, vendendo suas mercadorias e controlando os cipaios, tropas nativas. Quem cuidava da cobrança de impostos era a Companhia das Índias Orientais (a mesma que realizava o comércio do chá da Lei do Chá na América, uma das leis restritivas, do período de treze colônias, no pós-Guerra dos Sete Anos). Porém, os cipaios descobriram que os ingleses utilizavam em seus materiais couro de vaca (animal sagrado nesse país) e a Inglaterra aprofundou o controle sobre a cobrança de impostos, surgindo a Revolta dos Cipaios, que foi duramente reprimida e serviu de pretexto para a tomada de poder político na Índia por parte da Inglaterra.
Na China, surge a Guerra do Ópio, pela qual a Inglaterra tomou Hong-Kong (que só voltou a ser domínio Chinês no século XX) e, em seguida, teve seu território repartido entre potências industriais como França, Alemanha, Rússia e Estados Unidos. Essa dominação abusiva gerou a Guerra dos Boxers, que tentou expulsar esses países, mas foi duramente reprimida por uma coligação deles.
Vale perceber, nesse contexto, que a reforma agrária foi essencial para países pobres com grande concentração fundiária, como a França e o Japão, países que protegeram seus mercados, investiram em sua industrialização e realizaram a reforma agrária, dando assim, um salto de países prejudicados para potências mundiais. Países como o Brasil, que não conseguiu (e nem tentou na maior parte do tempo) proteger seu mercado nem realizar a reforma agrária continuaram pobres; portanto, a reforma agrária foi e continua sendo um passo essencial para o desenvolvimento de um país.
É importante também perceber que a unificação tardia italiana e alemã prejudicou muito esses países na disputa da neocolonização, principal motivo gerador da Primeira Guerra Mundial.
A Itália e Alemanha também desenvolveram laços por se unirem na luta pela unificação (Prúsia e Sardenha-Piemonte) que se aplicararão na Segunda Guerra Mundial (não por amizade, mas por passarem por um processo de formação e pós-formação muito semelhantes, gerando uma confluência política (tanto em parte da Primeira Guerra como em toda a Segunda).
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Diálogo de "Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde
-Quer então que eu defenda o meu trono?
-Quero.
-Ou diga as verdades de amanhã?
-Prefiro os erros de hoje, respondeu ela.
-Desarma-me, Gladys.
-Do seu escudo, Henrique: não da sua lança.
-Nunca pelejo contra a beleza, volveu êle, com um aceno de mão.
-É êsse o seu êrro, Henrique, creia-me. Exagera o valor da Beleza.
-Como pode dizer isso? Penso que vale mais ser belo do que ser bom. Mas por outro lado, ninguém primeiro do que eu reconhece que vale mais ser bom do que ser feio...
-Então a fealdade é um dos sete pecados mortais? exclamou a duquesa. Que é feito do seu simile a respeito da orquídea?
-A fealdade, Gladys, é uma das sete virtudes mortais. Como boa Tory, que é, não as deve menosprezar. A cerveja, a Bíblia e as sete virtudes mortais fizeram a nossa Inglaterra, o que ela é.
-Então não gosta da sua terra?
-Vivo nela.
-Para melhor poder censurá-la.
-Quer que eu adote a opinião da Europa sôbre ela?
-Que dizem de nós?
-Que Tartufo emigrou para Inglaterra e abriu uma loja.
-É sua essa frase, Henrique?
-Dou-lha
-Não me poderia servir dela. É verdadeira demais.
-Não tem que recear. Os nossos patrícios nunca reconhecem uma descrição.
-São práticos.
-São mais manhosos que práticos. Quando escrituram os seus livros, saldam a estupidez com a riqueza, e o vício com a hipocrisia.
-Contudo, temos feito grandes coisas.
-As grandes coisas é que foram atiradas ao nosso encontro, Gladys.
-Suportamo-lhes o pêso.
-Sòmente até à Bôlsa.
Ela abanou a cabeça e exclamou:
-Creio na raça.
-Representa a sobrevivência do impulso.
-Tem progredido.
-Fascina-me mais a decadência.
-E que diz da Arte?
-É uma doença.
-E o Amor?
-Uma ilusão.
-E a religião?
-Uma coisa que a moda inventou para substituir a crença.
-É um cético.
-Nunca! O ceticismo é o comêço da Fé.
-Que é você?
-Definir é limitar.
-Dê-me um rastro.
-Os fios partem-se. Extraviar-se-ia no labirinto.
(...)"
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Bom, "O Retrato de Dorian Gray" é um livro composto por diálogos interessantíssimos, o que me impossibilita de selecionar apenas um e ficar satisfeito com a minha postagem, levando em consideração que esse está longe de ser um diálogo que se destaque perante aos outros; é um livro que todos devem ler durante a vida; ou melhor dizendo, antes de completarem vinte anos.
Dedico a minha leitura e todo o meu aprendizado (na verdade, agradeço) à minha falecida tia Letícia Maria Recipute (Inscreve-se no livro que ela o recebeu no dia 21/09/1960).
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Pensamentos soltos..
Às vezes eu acho que a conheço melhor que qualquer um; danem-se os consagrados músicos e poetas. Eu, um insignificante varginhense, sou o que a melhor conhece e conheceu de todos os tempos. Sou o único que a percebo, a dou atenção e a alimento a todo instante, como um animal de estimação, ou melhor dizendo, uma fera que deve ser bem tratada para que não se enfureça e te devore.
Sei bem como ela é um falso amigo, aquele que você sente saudades quando se distancia, quando reaproxima, se reconforta por pouco tempo e logo vê que o idealizou esse tempo todo, mas que ele não traz nada de bom pra você. Modéstia à parte, o que a solidão me traz são os poemas que escrevo para você, as músicas para te reconfortarem e acompanharem nos momentos que você viveu e eu não. Às vezes eu escrevo algo e só passo a entendê-lo muito depois, e uma frase que, a cada dia que passa, eu a entendo melhor, é "(...) O artista deve ser triste para que as outras pessoas sejam felizes". É incrível como podemos estudar, ler e nos informar o tempo todo quando, na verdade, a resposta pra tudo nasceu dentro de nós e está guardada na ponta de um lápis mordido e mal apontado, assim como, às vezes, o melhor dos livros já passou pela mão de milhares de pessoas e espera para ser jogado no lixo em algum sebo, e não possui uma linda capa e está em alguma livraria enorme por aí.
E é esse o melhor e o pior momento do meu dia, a noite, o meu caderno, a minha cama. Ah, que coisa antagônica é a solidão!
Às vezes posso não estar nem um pouco cansado e ela não vem me visitar, então, é deitar e dormir. Mas acho que quanto mais você pensa, mais você se cansa e mais você a atrai, e é naqueles dias que você deita sem conseguir sentir seu corpo que ela vem te visitar, rouba seu sono e coloca em seu lugar lembranças e pensamentos.
Fecho os olhos e me lembro de estar em outra cama pela qual passei, deitado pensando no que aconteceu naquele dia, por que estava ali e como era bom (ou ruim). Acho que é por andar sem ter o que pensar sobre minha vida e meu dia que tenho de recorrer ao passado e tentar subverter a memória em esperança de repetição, o que nunca acontece; sempre se converte em agonia e desespero por estar parado aqui sem nada acontecendo ou por acontecer.
Um dia desses preciso pôr minha mochila nas costas e sair por aí de novo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Meu, seu, nosso
Fica claro na história que a imaginação é o pedestal da evolução, mas, com essa percepção e evolução da imaginação, o homem passa a perceber que vários conceitos com base racional precisaram ser reformulados por ignorarem diversos fatores, ou melhor dizendo, que além de a imaginação ser o pedestal da evolução, ela deve andar sempre lado a lado com o raciocínio lógico para que este não se perca.
É legal deixar que os campos imaginários se entrelacem em seu cérebro e esperar para "ver onde vai dar", por exemplo: todos já ouviram alguém dizer que duas retas paralelas se tocam no infinito, mas todos também já ouviram dizer que isso é infundado. Se você levar em consideração o conceito de retas paralelas, retas que mantêm sempre a mesma distância entre si, perceberá racionalmente que é uma idéia infundada. Mas tente abstrair a idéia, esqueça a teoria e pense na seguinte situação: dois prédios foram construídos lado a lado e você está muito próximo a eles; você verá entre eles uma enorme distância. Então, você se afasta um pouco, essa distância diminuirá; se você se afasta tanto que chega a vê-los no horizonte, apesar de estarem na mesma posição, parecem estar muito mais próximos. Agora imagine que os prédios possam se mover (afastam-se) e você fica parado: você estaria enxergando o desenvolvimento de duas retas paralelas. Se, a medida que eles se afastam, ficam mais próximos, quando se afastarem infinitamente, se tocarão. Surge, então, um conflito entre o que você imagina e o que é racional: apesar de parecerem mais próximos, se feita uma medição, estão à mesma distância de antes. Acontece que a visão espacial que nós temos é muito limitada, por isso há presença desses choques. Se a utilizarmos para situações terrenas, a construção de um prédio ou de uma rodovia, ela é funcional, mas se a expandirmos para um pensamento universal, ela chega a ser ridícula. basta pensar que, por exemplo, quando achamos que estamos caminhando em linha reta pelo planeta, sua esfericidade torna nossa trajetória curvilínea. Deve-se perceber uma relatividade nas medidas, abrir a mente e aceitar que nada é fixo - como aprendemos no colégio que a velocidade, a presença ou não de movimento em um corpo, depende de um referencial.
Se agora acreditamos que as retas se tocam no infinito, surge outro dilema causado pelo erro conceitual: os números são infinitos, logo, as pessoas pensam que é impossível contar até o "fim" dos números; se as retas se tocam no infinito, mas é impossível chegar até ele, então do que adianta modificar nossa visão espacial?
Os números são infinitos porque o homem ainda não sabe afirmar qual é o seu limite e nem tem idéia se ele existe e o que o causaria, por exemplo, se soubéssemos o funcionadmento de todos os fenômenos de todo o universo e os tivéssemos descritos na matemática, poderíamos por exemplo pegar o ápice da situação de módulo mias elevado e a chamar de limite dos números, ou somar os ápices de todas as situações e a considerar o limite, quebrando assim, o infinito dos números. O infinito não é algo impossível de se chegar, mas sim, algo que o ser humano ainda desconhece. Apesar de a imaginação nos permitir perceber que as retas paralelas se tocarão em algum ponto muito distante, não podemos ainda afirmar qual (por isso, no infinito, no desconhecido), sendo função agora do raciocínio, em cima da imaginação, encontrar esse ponto e quebrar mais um infinito até que este não exista.
Deve-se perceber então que o erro é essencial, porque quando se constrói um sistema em cima de algo, sua aplicação permite perceber que esse sistema está errado e tendencia a construção de um mais coeso e assim sucessivamente até que não sejam mais encontrados "infinitos" (para entender o infinito no plural, deve-se lembrar que o infinito é apenas um conceito, não é uma constante numérica, logo, existem vários infinitos de tamanhos variados porém de conceito constante: algo que se desconhece; pode-se provar isso através do tamanho diferente do grupo dos números naturais e inteiros, apesar de ambos serem infinitos).
O que não pode acontecer é, ao encontrar uma falha nesse sistema, ignorá-la e persistir nele, estagnando a evolução.
Esses limites encontrados nos permitem questionar diversos conceitos básicos de nossa visão espacial, por exemplo: ao se pensar que há três possíveis posicionamentos entre duas retas: coincidentes (apesar de um conceito também polêmico, nossa própria visão retrógrada já é capaz de prová-lo verdadeiro), paralelas (seguindo o raciocínio feito até aqui, a provamos falsa) e concorrentes. Mas como podemos afirmar essas posições se as retas são infinitas juntamente com o universo? Como podemos afirmar que, no fim do universo, o comportamento dessas retas não será totalmente diferente do que imaginamos?
O conceito de "fim do universo" pode soar ainda estranho à sua cabeça, mas lembre-se de que antes da comprovação da esfericidade da terra, o próprio oceano era infinito (dentro dos conceitos matemáticos) e havia um continente inteiro nesse infinito, algo antes ignorado e que hoje influencia todo o funcionamento e desenvolvimento mundial.
Aqui começa a idéia de uma forma de ver a vida totalmente diferente da que nós temos, pois, quando imaginamos o tempo, a nossa linha da vida, a imaginamos como uma reta em nosso conceito retrógrado. Suponhamos que o universo funcione de maneira a distorcer uma reta completamente, apesar de, ao seguirmos através dele, nos mantenhamos em linha reta (no nosso conceito) perante a nossa visão; imagine que, na verdade, o fim do universo seja uma espécie de retorno ao início (o que eu imagino que, em alguns milhares de anos, será considerado uma idéia retrógrada, assim como pensar no fim do oceano como o limite de tudo; mas, como supracitado, o erro é essencial para a evolução, representa cada vez mais a queda de barreiras e leva sempre ao fim de um ciclo e início de outro; portanto, devemos estabelecer limites em tudo para que possmaos evoluir até ele e quebrá-lo; eu escolhi, como limite, o universo). Se pensarmos assim, a reta é uma figura que não existe na forma como imaginamos: na verdade, a própria reta corta ela mesma e, nessa distorção do universo, quando se pensa em retas e em um ciclo, essas retas se cortam simultâneamente várias vezes em diversos pontos e cortam a si mesmas também diversas vezes.
Imagine esse trajeto do universo agora como um ciclo da vida: a partir do ponto onde a reta corta ela mesma, a pessoa nasce, morrendo no ponto onde a reta se corta novamente. Imagine essa linha da vida coincidindo com a linha do tempo.
Pensando assim, a linearidade do tempo acaba completamente, ele progride muito mais lentamente do que pensamos e uma pessoa volta a um ponto onde já esteve em um ciclo de vida várias vezes, fazendo do tempo uma espécie de mola, que contrai e, ao se soltar, avança um pouco, contraindo novamente em seguida e assim sucessivamente. Assim sendo, nós estamos voltando no tempo em todo o início de um ciclo e modificando a nós mesmos e a história, tornando o mundo algo passível de mudanças a todo momento. Mas como funcionaria esse retorno a um ponto onde você mesmo ainda está vivo? A resposta a isso seria uma idéia muito próxima à reencarnação: quando você nasce, você pode estar, simultaneamente, vivendo em outro corpo sem saber disso, mas que, na nossa visão cronológica, você já passou por todo seu ciclo ou ainda passará. Logo, se você está agora em uma sala cheia de pessoas, ao levantar a cabeça e olhá-los, é possível que você esteja olhando a si mesmo em outros corpos.
Mas se você for pensar assim, esse ciclo pode ser mais complicado do que parece: e se, por exemplo, ao matar uma pessoa, você mata a si mesmo? Imagine que você estará influindo na reta de seu próprio ciclo, fazendo-a pular para o ponto em que ela intercepta ela mesma (como uma disfunção), e isso poderá influenciar em seu próximo início ou em todos os seus ciclos.
Mas e se, por exemplo, alguém voltar no tempo e modificar toda a história da humanidade? É como se todos os progressos já feitos estivessem de alguma forma planejados e mudanças profundas fossem evitadas pelo próprio pensamento e instinto humano: por isso nunca houve uma real revolução, global e que alterasse todos os aspectos do mundo, isso desajustaria o ciclo.
Logo, estou dizendo que o instinto ruim humano é capaz de descontrolar a si mesmo, mas é necessário para controlar, manter no "eixo", os ciclos em geral.
Porém, acho que a forma mais adequada de se pensar é que, na história, não existe início, meio ou fim: toda ela está sendo construída simultaneamente e, por isso, as retas também se cortam entre si em vários pontos, um ponto da história está influenciando outro e ciclos distantes, dessa forma, se influenciam de qualquer forma e a qualquer momento.
Isso pode nos levar a refletir sobre a velha história de Deus estar dentro de nós mesmos, porque essa teoria nos permite pensar na história como vários organismos gigantes onde uma só reta constrói um período inteiro e abrange todos os ciclos presentes nesse período: cada período teria uma reta só que se cortaria em um enorme número de pontos, fazendo com que, nesse momento, todas as pessoas do mundo sejam você e inclusive a maioria das que ainda são lembradas, apesar de já estarem mortas (lembradas por parentescos recentes e não por feitos históricos) e inclusive algumas que já foram esquecidas.
Se progredirmos nessa idéia, poderíamos pensar em, ao invés de várias retas, uma reta só que representa todos os ciclos de vida da história, logo, você sou eu, nós somos todos, fomos todos e seremos todos; eu, você e todo o resto do mundo somos o que conhecemos como Deus e, ao reclamarmos por ele não mudar as coisas, reclamamos de nós mesmos (nesse ponto já não sei se ainda devo usar o plural) por nós termos vivido todas as vidas, termos realizado tudo de bom na história e, ao mesmo tempo, tudo de ruim, nunca mudando nada por não termos essa visão apresentada agora e por termos agido de acordo com as restrições e as formas de pensamento que cada corpo nos impôs. Tudo que alguém fez de ruim pra nós mesmos em nossa vida, foi feito por nós mesmos.
Claro que isso tudo, como deixei bem claro no início, é uma suposição, não significa que eu acredite nem dúvide disso, que eu brigue para que aceitem que é a verdade nem que eu permita que digam que é um absurdo, mas minha intenção é demonstrar aonde, quebrando o campo de pura racionalidade e os preconceitos, nossa imaginação pode nos levar.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O que trouxe, o século XV, para o mundo?
Esse clima foi amplamente favorável (obrigou) à formação dos feudos, pois os senhores tiveram de passar a defender a si mesmos com o alastramento bárbaro; os camponeses, precisando de proteção, se resguardavam nos feudos e trabalhavam, em troca disso, nas terras (por isso eram presos à terra, o que inclusive originou as "Jacqueries" posteriormente, camponeses que queriam ir para as cidades e se tornar homens livres), tendo um embasamento no sistema de "Colonato" (que surge em Roma; com a crise da expansão romana e o excesso latifundiário, os latifundiários acabm por arrendar suas terras para que o plebeu pobre possa trabalhar nela e o apgar com parte de sua produção) e a "Clientela" (também romano, quando o plebeu se dispunha a prestar serviços ao patrício em troca de proteção jurídica). O funcionamento da economia se baseava em camponeses que trabalhavam nas terras dominais (terras de onde toda a produção ia para o Senhor Feudal) para pagar a "Corvéia", "tinha" um lote para exploração onde metade da produção era para seu consumo e, a outra metade, para o Senhor Feudal, a chamada "Talha"; pagava pelo uso do moinho e ferramentas, "Banalidades", anualmente pagava uma taxa chamada "Capitação" e ainda era obrigado a pagar a "Herança" para "herdar" as terras do pai (uso "herdar" e "tinha" entre aspas porque essas terras pertenciam, oficialmente, ao Senhor Feudal.
Logo, o camponês sustenta a economia feudal, dá condições de defesa para a sociedade, realizada pelo Senhor Feudal. Os pedestais "Colonato", "Clientela" e "Comitatus" somados à situação criam uma sociedade de subsistência (o comércio surge posteriormente), apoiada economicamente no camponês, totalmente descentralizada (apesar da existência de um rei, este era impossibilitado de governar de forma abrangente pelo poder da igreja, única estrutura centralizada na época e que possuía o controle da cultura, e pelas relações de suseraniaa e vassalagem, onde o suserano criava um laço com o vassalo para aumentar seu exército e, este com aquele, por necessitar de terras ou camponeses; deve-se ver o rei como uma espécie de suserano-mor), de baixo nível de informação (conhecimento atrelado à igreja) e com um fraco comércio, que se torna crescente até seu fim.
Surge então, na Europa, um quadro de instabilidade trazido por uma mudança climática (baixas temperaturas e aumento na concentração de chuvas) que ocasiona fome, surge a "Peste Negra" e a "Guerra dos Cem Anos". Vale lembrar que, até aí, a europa passava por um crescimento populacional pelo desenvolvimento da agricultura e desaparecimento de boa parte das epidemias, o que permitiu acúmulo de produção, excedentes, que acabou por desenvolver o comércio.
Com essa crise, a Europa passa a necessitar de mais terras cultiváveis, população que possa produzir matéria prima e consumir produtos manufaturados. A solução seria a junção dos feudos em torno de um poder centralizado para realizar uma expansão territorial, busca por novas rotas de comércio (lembrar que o Mar Mediterrâneo está dominado pelos italianos, cobrando grandes impostos comerciais), é nesse contexto que surge a "Expansão Marítma".
A centralização do poder interessava aos burgueses por extingüir os pedágios que pagavam ao atravessar de um feudo ao outro com mercadorias (pedágio que já não existia em alguns locais pela formação das "Hansas", ligas de cidades comerciais), além de possibilitar um sistema único de comércio, que tornaria a prática mais justa. Estes, por sua vez, sustentariam o Estado Nacional, já que o comércio, a essa altura, já era a principal atividade econômica da época.
A nobreza, que já entrava em decadência por essa crise, via no apoio à formação do Estado Nacional uma forma de manter seus títulos e apanágios e, ao mesmo tempo, eram necessários para realizar a defesa do Estado Nacional, além de, pela tradição, sua opinião ter um enorme peso.
Mas ainda havia um problema na formação: a Igreja. A Igreja tinha uma influência enorme na sociedade já há mais de três séculos, mantendo-se em conflito com os reis (como na questão das "Investiduras", onde Henrique IV, imperador do Sacro-Império Romano Germânico, entra em choque com o papa Gregório VII; O papa dificultava a obtenção de cargos religiosos e boa parte do Sacro-Império Romano Germânico era composta por feudos religiosos. Assim, Henrique IV , com o apoio de bispos alemães, não aceita a decisão. Porém, com esse conflito entre poder da religião e dos reis, os imperadores alemães, em oposição aos bispos, apóiam o papa. Henrique IV, portanto, acaba derrotado e passa três dias implorando perdão ao papa; quando o perdão foi concedido, ele volta ao poder e invade a Itália, obrigando Gregório VII a se refugiar no sul) pelo poder; portanto, era claro que uma centralização e cedição de mais poder a um rei não teria o apoio da Igreja.
Para se entender a resolução desse impasse, devemos lembrar que passávamos pelo "Renascimento", movimento de resgate e renovação da cultura clássica (valores como o humanismo, antropocentrismo, individualismo, racionalismo e a presença de um espírito crítico). A escolástica tendo como principal nome São Tomás de Aquino (o qual se baseava nas idéia de Aristóteles), retira, em parte, o conflito entre fé e razão (em parte porque ele existe até hoje, mas em intensidade diferente), argumentando que ambas tem como busca o entendimento do homem perante o mundo, a vida, não havendo motivo para o conflito. Essa racionalidade se funde aos abusos (venda de indulgências, "tão logo tilintar a moeda, a alma ao céu sairá a voar") e a imoralidade da Igreja resulta nas "Reformas Protestantes" ("Calvinismo", "Luteranismo" e, complicado de citar por não ser um rompimento muito relacionado a esses fatores, mas mais por fatores internos ingleses, o "Anglicanismo"). A Igreja condenava a usura, o lucro, e isso era um atraso à economia da época, um conflito mental que acaba por se tornar incompatível com o momento (segundo a Igreja, o lucro estava relacionado com o tempo e este pertencia a Deus, logo, não se podia vender algo divino). Em oposição a isso, as doutrinas protestantes se encaixam no pensamento burguês, como o "Calvinismo", que exaltava o trabalho, a poupança, tinh auma visão de predestinação amplamente relacionada com a riqueza terrena.
Logo, para completar a formação dos Estados Nacionais, surge a solução de aderir às reformas protestantes e, em conseqüência dessas, com o surgimento da "Contra-Reforma Católica" (uma reação da Igreja Católica às reformas; as reformas surgiram na tentativa de revisar os dogmas da Igreja e, quando esta viu a situação se tornar insustentável, foi obrigada a fazê-lo. Apesar de manter preceitos como a infalibilidade papal e o celibato clerical, fez mudanças como a proibição da venda das indulgências, a criação da "Companhia de Jesus", do "Index" (Índice de livros proibidos) e a reaparição do "Tribunal da Santa Inquisição"), uma nova solução automática: a Igreja se vê obrigada a apoiar a formação dos Estados Nacionais para manter essas áreas como dominação católica e, através da mentalidade expansionista dos Estados Nacionais, expandir junto a fé cristã católica, ampliando sua área de influência.
Países como a França, Inglaterra e Suíça (onde se iniciou o Calvinismo) seguiram a "Reforma Protestante" e países como Portugal e Espanha se mantiveram ao lado da Igreja Católica.
Logo, chegamos ao fim da sociedade feudal e início da sociedade capitalista, com profundas mudanças em todos os aspectos da sociedade. A Igreja Católica já não mais domina a cultura e o saber, estando ele mais acessível (apesar de isso dar a impressão de uma Idade Média como Idade das Trevas, vale lembrar que as universidades surgem nessa Idade Média), o comércio substitui a agricultura como principal atividade econômica, desligando, portanto, aquela idéia de a terra representar a riqueza e eliminando a visão de uma economia de subsistência para uma economia baseada em excedentes para o comércio, o camponês deixa de estar preso à terra mas continua dependente, porém, ao invés de ser do Senhor Feudal, passa a ser da burguesia, vendendo sua força de trabalho; surge o proletariado (o conflito entre camponês e senhor feudal se transforma em conflito entre operário e burguesia).
Todo o contexto do mundo a partir da metade do século XV é possibilitado a partir dessas mudanças, que tornarão possível a expansão marítma, iniciada por Portugal e seguida pela Espanha, os dois Estados mais adiantados. Portugal vem primeiro pela Revolução de Avis: a morte de D. Fernando de Borgonha deixa o trono sem descendentes e gera uma disputa entre burgueses e nobres conservadores (buscavam reafirmar o feudalismo). Os burgueses vencem e consolidam o Estado Nacional Português, primeiro Estado Nacional formado. Por ser o primeiro Estado Nacional, já possuir uma cultura de pesca e comércio marítmo com o norte da África, era inevitável que os portugueses fossem os primeiros na expansão marítma.
Na expansão muçulmana, após a consolidação do Islamismo no século VII por Maomé, boa parte da Península Ibérica havia sido dominada por estes. Os europeus, impulsionados pelas "Cruzadas" (movimento para dominação de Jerusalém - terra sagrada - segundo a Igreja, mas claro que ia muito além disso: a Europa passava pela evolução agrícola, por uma diminuição de epidemias e pela instituição da chamada "Trégua de Deus" - onde a igreja impunha dias nos quais não era permitido guerrear - logo, havia um aumneto na população, não só de camponeses, mas nobres também e em quantidades maiores do que a amplitude de terras, acabando por inchar o exército; nesse mesmo período, como já foi citado, ocorria um aumento da atividade comercial. Logo, com as cruzadas, a Igreja conseguiria mais terras, expandiria as rotas comerciais, desincharia o exército, diminuiria a população em geral - famosa "Cruzada dos Mendigos" - e expandiria a fé católica. Provas desses interesses estão na quarta cruzada, que apenas saqueou Constantinopla, nem chegando a Jerusalém, e em lembrar que Jerusalém era uma importante cidade comercial. Vale citar a terceira cruzada como a mais marcante de todas pela sua violência, tendo nomes como Ricardo Coração de Leão e Barbaruiva), iniciam as chamadas "Guerras de Reconquista", com o objetivo de expulsar os muçulmanos da Península Ibérica. Essas guerras formam os reinos de Castela e Aragão que, com o casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, acabaram se unificando e formando o Estado Nacional Espanhol. Essas questões atrasaram um pouco a Espanha em relação a Portugal, mas a adiantaram em relação a outros países.
Inicia-se, então, o processo que aprofundará as mudanças em todos os aspectos da sociedade no mundo todo: as "Expansões Marítmas".









