quinta-feira, 24 de abril de 2008

(...)

"(...)
Há coisas que fogem de nosso controle
como fumaça no ar.
Como um navio que naufraga
Em alto mar de uma sala de estar.
Então você pára e se pergunta
para onde devo nadar?
Para a saída que não nos leva a nada
Ou deixar-se afogar em uma mesa de bar.
Há coisas que passam por nossas cabeças
como um vento a soprar.
Como as ondas que limpam tudo
Na beira-do-mar, é no que eu tento acreditar
(...)"

This is the end, my only friend

"(...)
Então ela pegou o revólver e deu mais três tiros no corpo já sem vida de Arm. Tirou seu perfume do armário e espalhou pelo quarto, apagou a luz, trancou a porta e foi para seu quarto dormir.
Se a vida de Arm mudou, eu não sei, no escuro e sozinho foi como ele passou a maior parte de sua vida.
Havia um bilhete em sua mão, nunca foi lido."

segunda-feira, 10 de março de 2008

10/03/2008 - Raciocínio Divino

10/03/2008

Raciocínio Divino

-Muito bom, Ricardo, mas tente jogar como um homem amanhã!
-Você me deve uma cerveja por aquele gol, senhor testosterona!
E foi assim que Ricardo se despediu de um amigo, enquanto preparava para tomar uma ducha “pós-pelada”. Apesar de ser tudo em um clima de pura alegria e descontração para todos, Ricardo levava aquilo mais a sério do que aparentava; desde pequeno ele leva consigo o sonho de ser profissional no futebol, coisa que todo garoto tem e perde no decorrer da vida. Essa perda não aconteceu para Ricardo, pois, tendo uma infância conturbada, a única coisa que lhe trazia alegria era o futebol, assim como o pincel ao pintor depressivo ou o violão ao músico, e seu único sonho era defender o escudo palmeirense, não por dinheiro ou consagração, mas por puro amor.
Enquanto a água escorria por sua cabeça, Ricardo recapitulava cada pequeno lance do dia, o que durou tempo o suficiente para se enxugar e vestir.
Assim, Ricardo ia caminhando pela rua, pensando em si mesmo com a camisa do palmeiras, logo após fazer um gol em uma final, pulando e agitando a torcida.
Foi nessa distração que Ricardo acabou se pondo no meio da rua, esquecendo de olhar para os lados, despertando ao ouvir o barulho de uma freada brusca e sentindo uma pancada que dobrou o ritmo de batimentos de seu coração.
Ele não parecia muito ferido. Quando o motorista saiu do carro, desesperado, encontrou Ricardo no chão, olhos abertos, respirando fortemente e muito assustado. Infelizmente, primeiros socorros não era seu ponto forte e, achando que estava tudo bem, o homem foi tentar ajudar Ricardo a se levantar.
Hoje em dia, Ricardo passa todo o seu dia em uma varanda, com uma Televisão de lado que ele só gosta de ouvir, nunca olhando para ela. Depois que o médico lhe disse que ele só poderia voltar a ter seus movimentos da perna com um milagre ou com células tronco, Ricardo permanece ali, esperando que um dia ouça pela televisão que as pesquisas e o uso de células tronco foram liberados para que ele, finalmente, possa concretizar seu sonho.
É engraçado como costumamos ligar o termo “milagre” ao sobrenatural e nunca pensar no que o conhecimento humano pode trazer de extraordinário; enquanto vários religiosos podem permitir um milagre da ciência ao invés de esperar milagres divinos, Ricardo senta e espera que eles pensem quem é mais importante: ele ou um agrupamento de células indiferenciadas que nem sequer tem uma forma que lembre, ao menos forçando muito a visão, algum ser vivo conhecido.
Claro que essa espera pode demorar muito pois nós, como somos totalmente saudáveis e podemos andar até a igreja no fim de semana e orar pelo próximo, sempre podemos adiar discussões como essa para amanhã, mês que vem ou nunca.





Já imaginou quantas pessoas como Ricardo existem no mundo, esperando apenas que você tome um pouco de consciência? Se Deus deu a inteligência ao homem, talvez seja para que, a partir de agora, nós operemos os milagres.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Lost


I can't find myself

In the head of this stranger in love
Holding on given up
To another under faded setting sun
And I wonder where I am...
Could she run away with him?
So happy and so young
And I stare
As I sing in the lost voice of a stranger in love
Out of time letting go
In another world that spins around for fun
And I wonder where I am...
Could he ever ask her why?
So happy and so young...
And I stare... But...
I can't find myself

In the heart of this stranger in love
Given up holding on
To this other under faded setting sun
And I'm not sure where I am...
Would he really turn away?
So happy and so young...
And I stare...
As I play out the passion of a stranger in love
Letting go of the time
In this other world that spins around for one
And I'm not sure where I am...
Would she know it was a lie?
So happy and so young...
And I stare... But...
I can't find myself

In the soul of this stranger in love
No control over one
To the other under faded setting sun
And I don't know where I am...
Should he beg her to forgive?
So happy and so young...
And I stare...
As I live out the story of a stranger in love
Waking up going on
In the other world that spins around undone
And I don't know where I am...
Should she really say goodbye?
So happy and so young
And I stare... But...
I can't find myself
I got lost in someone else.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

(...)

"(...) A empunhei e a ergui como um campeão ergue um troféu e, a essa altura, os gritos já não me importavam mais. Quando a lustrei pela manhã, sabia que algo grande iria acontecer, mas nem fazia idéia que seria algo que venho esperando por toda minha vida. Nesse momento, posso enxergar meus próprios olhos no cano da arma, que agora mais me parece um espelho, e vejo que estou firme como nunca estive; pela primeira vez, vejo mais grandeza ao olhar a mim mesmo do que ao olhar o que mais me parece um verme desprezível, ajoelhado, implorando e se humilhando para que eu o mantenha vivo.
Sem desviar a mira, acendi um cigarro e fui até o som, não poderia fazer isso sem ouvir "The Church" tocando "Under the Milky way tonight", imaginei esse dia como uma mulher que imagina seu casamento desde os seus cinco anos de idade e, agora que ele chegou, tudo deveria ser perfeito.
De repente, tudo ficou ainda mais calmo, eu não podia ouvir seus gritos, tudo o que eu ouvia era a música e minha própria respiração, nada ofegante. Desviei o olhar encontrando, pela primeira vez depois de muito tempo, o olhar de minha vítima e, como uma criança que se diverte vendo outra criança que acaba de cair e machucar o joelho, empunhei minha faca, antes sobre a mesa e apenas assisti o sofrimento da vítima aumentar à minha frente, sem eu ao menos tê-la tocado.
Observei sua mão sobre a mesa de canto de olho e, com um movimento brusco, cravei minha faca sobre ela, prendendo sua mão à mesa. Acho que não há palavras que sejam capazes de descrever tamanho prazer que senti ao sentir sua pele abrir, como um tecido que se rasga, porém com sangue, muito sangue, que agora já se alastrara em minha mão e pulso.
Rapidamente segurei sua outra mão e a prendi contra a parede. Guardando o revólver na cintura, tirei vagarosamente outra faca da cintura, enquanto assistia seu choro subhumano e desesperado e, vagarosamente, encostei a ponta da faca na palma de sua mão.
Fechei os olhos, prendi a respiração e me concentrei, dessa vez não perderia qualquer detalhe e, pressionando a faca devagar, pude sentir a primeira gota de sangue, a carne se rompendo até o fim e, finalmente ou infelizmente, a parede fria, como se a faca, naquele momento, passasse a fazer parte de meu corpo. Com um pouco mais de força, cravei a faca, em parte, na parede, imobilizando seus dois braços.Sentei em sua frente, por um momento, e passei a fitá-la de perto, como há muito também não fazia. Era incrível como o medo e a dor haviam distorcido toda sua fisionomia, porém, seus olhos continuavam firmes e maravilhosos como sempre costumaram estar; admito que sempre os preferi iluminados pelo sol, mas eles sempre costumaram estar lindos, não importava a situação.
Devagar, passei seus cabelos para trás de suas orelhas e, me aproximando de seu rosto, lhe dei o último beijo, tendo, por esses poucos segundos, a sensação de que tudo havia voltado ao normal e que eu havia acabado de acordar depois de várias horas deitado no sofá, enquanto ela passava lenta e carinhosamente seus dedos pelos meus cabelos.
Não agüentando mais as memórias que agora transbordavam em minha mente, me levantei rapidamente, sacando a arma, e primeiro mirei em seu pé, atirando.De repente tudo se tornara barulhento, eu podia ouvir seus gritos, os meus gritos, e, às vezes, os dois pareciam soar como um só, como se eu estivesse atirando em mim mesmo.
Desesperado, mirei na canela, atirando, depois na coxa, no braço, cada vez mais desesperado, como se nada pudesse me trazer alívio naquele momento.Atirei, em seguida, em seu umbigo, para que nunca pudesse ter lembranças que me infernizassem. Em seguida, em sua vagina e, vendo que nada me traria alívio, mirei em sua cabeça.
Nesse momento, pude ver o reflexo de meus olhos, cheios de lágrimas, no cano da arma e, de repente, o silêncio reinou novamente. Agora podia ouvir o "The Church" como se eles estivessem pessoalmente ao meu lado, tocando seus instrumentos e assistindo a cena; e minha respiração, ofegante como nunca havia estado, como se, nesse momento, eu tivesse corrido todo o estado, enquanto era perseguido por mim mesmo.Foi nesse momento que coloquei o cano da arma dentro de minha própria boca e atirei, caindo em cima de minha vítima.
Enquanto eu caía, ainda podia ouvir seus gritos de desespero e, já deitado, fiquei confuso se tinha mirado em minha cabeça ou na sua."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Agir, pensar

Engraçado, hoje eu estava totalmente entediado jogando "paciência" (aliás, aos poucos estou descobrindo por que o jogo se chama assim) e, pra variar, eu tenho várias manias e superstições em determinadas jogadas. Por exemplo, se eu tenho duas opções pra liberar uma nova carta nos montes do jogo, eu sempre escolho o monte da direita, por simples mania (e sou muito paranóico com isso, realmente acho que se não fizer, vou perder o jogo por isso), mas faz um certo sentido, já que o monte da direita tem mais cartas e, portanto, é mais importante que fique todo liberado.
Acontece que hoje eu estava jogando meio sonolento e acabei por optar um da esquerda, por não ver o da direita, mas, pra minha surpresa, acabei ganhando o jogo por isso; conclusão, às vezes agir impulsivamente, sem impregnação de raciocínio, pode ser um grande passo para alcançar algo que desejamos.


(Isso não significa que minhas manias vão terminar).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Trecho de "O Perfume", Patrick Süskind

"(...) Havia sido um erro comprar a casa sobre a ponte, e um duplo erro ficar com uma do lado oeste. Tinha permanentemente diante dos olhos o rio a correr, e, para ele, era como se fosse junto com a correnteza, ele, a sua casa e a sua riqueza obtidas em decênios, tudo junto com o rio, como se fosse velho e fraco demais para se contrapor à poderosa corrente. Às vezes, quando tinha algo a fazer na margem esquerda, no bairro em torno da Sorbonne e de Saint-Sulpice, não ia pela ilha e pelo Pont Saint-Michel, mas tomava o caminho mais longo, pelo Pont Neuf, pois esta ponte não era cheia de casas. E ele se postava no parapeito leste e ficava olhando rio acima, para ao menos uma vez ver tudo correndo na sua direção; e por alguns momentos se regalava imaginando que a tendência da sua vida se invertera; os negócios floresciam, a família prosperava, as mulheres corriam atrás dele e a sua existência, em vez de diluir, só fazia revigorar-se.
Mas logo, erguendo um pouco o olhar, via a algumas centenas de metros de distância a sua própria casa, tão frágil, estreita e alta sobre o Pont au Change, a janela do seu gabinete de trabalho no primeiro andar, e via a si mesmo parado à janela, olhando o rio e observando a água que seguia correndo, como agora. E com isso desvanecia-se o belo sonho, e Baldini, sobre o Pont Neuf, afastava-se, mais abatido do que antes, tão abatido quanto agora, quando se afastou da janela, foi até a escrivaninha e sentou-se. (...)"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Good old times....


Green Day - Reject
Who the hell are you to tell me,
What I am and what's my master plan?
What makes you think that it includes you?
Self-righteous wealth?
Stop flattering yourself.
So when the smoke clears here I am,
Your reject all-American,
Sucking up to your social sect,
Making you a nervous wreck,
To hell and back and hell again I've gone,
You're not my type.
Not my type.
What's the difference between you and me?
I do what I want, and you do what you're told,
So listen up shut the hell up.
It's no big deal.
And I'll see you in hell.
So when the smoke clears here I am,
Your reject all-American,
Sucking up to your social sect,
Making you a nervous wreck,
To hell and back and hell again I've gone,
You're not my type,
Not my type,
Not my type,
Your not my type.
So when the smoke clears here I am,
Your reject all-American.
Falling from grace, right on my face,
To hell and back and hell again I've gone.
Pois é, bons tempos, o que não me deixa cair na nostalgia é que muito do que foi ainda é, coisas que entram e alteram tudo, coisas que passaram a ser verdades, foram adicionadas à nossa personalidade, e provavelmente nunca deixarão de fazer parte de nós.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

(...)

"Every little creature in this world dies alone"

sábado, 8 de dezembro de 2007

"Singularidades de uma rapariga" - (Eça de Queirós)

"(...) Vinha de atravessar a serra e os seus aspectos pardos e desertos. Eram oito horas da noite. Os céus estavam pesados e sujos. E, ou fosse um certo adormecimento cerebral produzido pelo rolar monótono da diligência, ou fosse a debilidade nervosa da fadiga, ou a influência da paisagem escarpada e chata, sobre o côncavo silêncio noturno, ou a opressão da eletricidade que enchia as alturas, o fato é que eu - que sou naturalmente positivo e realista - tinha vindo tiranizado pela imaginação e pelas quimeras. Existe no fundo de cada um de nós, é certo - tão friamente educados que sejamos -, um resto de misticismo; e basta às vezes uma paisagem soturna, o velho muro de um cemitério, um ermo ascético, as emolientes brancuras de um luar - para que esse fundo místico suba, siga como um nevoeiro, encha a alma, a sensação e a idéia, e fique assim o mais matemático, ou o mais crítico, tão triste, tão visionário, tão idealista - como um velho monge poeta. (...)"

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Amor..

(...)
Um dia super..
Uma noite super..
Uma vida superficial...
(...)

domingo, 28 de outubro de 2007

Fartura..

Estou farto das pessoas ao meu redor..
Farto da comida de todos os dias..
Farto dos mesmo acordes em todas as músicas..
Farto dos bêbados ao meu redor..
Farto de todos os lúcidos do mundo..
Farto de andar em circulos, sabendo que não há outra maneira de se andar nesse mundo..
Farto do temporário..
Farto do irreal que bate à sua porta dizendo ser real..
Farto do imaginário..
Farto de acordar cedo todos os dias..
Farto de acordar tarde nos fins de semana..
Farto de livros..
Farto de sorrir..
Farto de chorar..
Farto da falsidade impregnada em cada pequeno centímetro das pessoas..
Farto das mesmas ruas todos os dias..
Farto de todas as ruas pelas quais já passei..
Farto das minhas roupas..
Farto do meu quarto, da minha casa..
Farto de olhares, conversas..
Farto da impessoalidade..
Farto da ciência, do excesso literal..
Farto do óbvio..
Farto do ceticismo..
Farto da religião..
Farto de fotos, de pinturas, gráficos..
Farto de envelhecer..
Farto da juventude..
Farto de minha velha palheta, do meu velho all star..
Farto de relembrar o passado..
Farto de tentar entender o que não tem explicação..
Farto de querer mudar o que é imutável..
Farto da responsabilidade..
Farto da ética, e da ausência da mesma..
Farto da ignorância, estupidez..
Farto da pseudo-intelectualidade..
Farto da arrogância intelectual..
Farto de distorções..
Farto da insônia e ao que ela pode levar um ser humano a pensar..
Farto do arquétipo de beleza..
Farto da feiúra..
Farto da futilidade..
Farto da vida..
Farto do medo irracional da morte..
Farto das contradições, principalmente as minhas..
Farto de ter de continuar caminhando sem ao menos saber quem realmente eu sou..

domingo, 7 de outubro de 2007

I Won't be around















.


Good Riddance - Shame
Good Riddance

Minutes, running down the drain
This is where our lives go
This is where we stay
In a job that really pays
So much like the first step
Maybe just a misstep
Maybe just a phase, just a phase

What am I supposed to do?

Take a Dramamine for nausea
Another pill for the broken bones
And the ringing in my head now
Sounds just like the telephone
So it's over-complicated
A shame so shoved aside
Like the broken years I've waited
And the emptiness inside

What am I supposed to do?

Take one more on the chin
Grow a somewhat thicker skin
Let the scars all fade away
Like the promise of today
And when the sky falls down
I hope you're still around

And everything keeps changing, but I won't be around!

sábado, 29 de setembro de 2007

"Gastei uma hora pensando um verso
Que a pena não quer escrever.
No entanto, ele está cá dentro
Inquieto e vivo."
Carlos Drummond de Andrade.


É impressionante a capacidade de Carlos Drummond de me traduzir, percebo isso a cada simples poema que leio, nesse ele inclusive traduz um sentimento perturbador e frustrante que eu tenho, quando às vezes quero escrever, sei o que quero escrever, como se algo estivesse preso em minha garganta, mas simplesmente não sei como passar o que sinto para o papel.
Às vezes me pergunto se sou apenas um sentimental sem talentos poéticos, ou se sou um poeta sem sentimentos.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Engenheiros do Hawaii

























Engenheiros do Hawaii - Crônica
Já não passa nenhum carro por aqui
Jã não passa nenhum filme na TV
Você que enrola outro cigarro por aí
E não dá bola pro que vai acontecer

Mais um pouco mais um século termina
Mais um louco pede troco na esquina
Tudo isso já faz parte da rotina
E a rotina já faz parte de você

Que tem idéias tao modernas
É o mesmo homem que vivia nas cavernas
Você que tem idéias tao modernas
É o mesmo homem que vivia nas cavernas

Todo mundo já tomou a coca-cola
E a coca-cola já tomou conta da China
Todo cara luta por uma menina
E a Palestina luta pra sobreviver
E a cidade cada vez mais violenta
Tipo Chicago nos anos 40
E voce cada vez mais violento
No seu apartamento ninguém fala com você

Que tem idéias tao modernas
É o mesmo homem que vivia nas cavernas
Você que tem idéias tao modernas...


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Sei que estou há muito tempo sem postar no blog, nem digo que voltarei a postar com freqüência agora, só sinto que estou aos poucos voltando à vida e sinto que em breve estarei pronto pra escrever sobre assunstos adeqüados ao blog.

Abraços, Marceleza

domingo, 19 de agosto de 2007


"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o 'pra sempre' sempre acaba".



terça-feira, 14 de agosto de 2007

Eternamente só

E só novamente eu estou,
Como em um barco em pleno oceano;
Um oceano de pessoas, um oceano de vazio,
Um vazio repleto da ausência da esperança.

E só novamente eu estou,
Em um livro sem final, um livro sem palavras;
Páginas em branco de uma vida sem vivência,
Páginas ilustrando a ausência de um sentido.

E só novamente eu estou,
Tentando descrever em poucas palavras
a simples imensidão do nada, que forma
uma corrente e mastiga todos os meus sentimentos.

E só novamente eu estou,
E só eternamente eu estarei.

domingo, 12 de agosto de 2007

A Vela

A Vela

E aqui estou eu, em um pequeno quarto a observar esta vela, a única luz que posso enxergar no momento. Num momento de tamanha reflexão como esse, consigo enxergar nessa vela as raízes dos problemas da humanidade.

Olhando para essa simples chama que solta ardentemente dessa vela, poderia muito bem descrever tudo o que a compõe, mas estaria estragando sua beleza. As pessoas passam a estudar e olhar as coisas de um ângulo tão besta que tornam a vida uma coisa feia e desleal, que é o que vemos hoje.

Essa pequena chama demonstra para mim nesse momento uma beleza única e uniforme, que joga em minha cara minha ignorância de nunca tê-la percebido e admirado.

Como o mundo pode chegar ao ponto de uma pessoa colocar os estudos e futuramente o dinheiro acima do amor e de qualquer outra coisa? Com dinheiro posso comprar bilhões de velas como essa, mas sem o amor nunca a admiraria de tal forma.

O tempo passa e a vela começa a diminuir e sua chama a enfraquecer, como o próprio ser humano; e o que fez de marcante essa vela? Com uma reflexão tão grande como essa, esta vela teve utilidade bem maior do que o comum e, quando ela esgotar, com certeza ninguém, inclusive você, lembrará dela, ou a esquecerão com o tempo, mas eu não.

Você poderá ser um grande advogado, ganhar um absurdo por mês e então, depois de morrer, seus filhos, netos e talvez até bisnetos se lembrarão de você; e você se contenta com tão pouco? Em ser praticamente igual a esta pequena chama? Viver muito bem e morrer, deixando a humanidade exatamente como quando você veio ao mundo: injusta, burra e sem coração?

Ame, observe, analise os detalhes a sua volta, não tenha medo de ser feliz, não deixe que seus pais programem a sua vida e corra atrás de seus sonhos com coragem, pois qualquer coisa é possível, difícil é ter coragem o suficiente para correr atrás e consegui-la. Não tenha vergonha de dizer o que pensa, nem medo, só lembre-se sempre de usar o que ouviu para seu bem. Seja sempre você mesmo e, não importa o que for, valorize-se; afinal, essa vela pela manhã seria inútil, mas à noite, na falta de alternativas, mostrou que até ela é importante e, se até uma vela tem sua importância, então sem dúvidas você também tem a sua.


30/10/2005




(Como vocês devem ter notado, escrevi esse texto em 2005 e achei-o no computador agora e resolvi postá-lo. Escrevi na época porque passava por uma fase muito difícil da minha vida e depois passei a acreditar que fases como aquela nunca voltariam. Hoje em dia passo por uma que posso dizer sem dúvidas ser muito pior, então esse texto significa muito para mim hoje em dia).

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Bakhunin estava certo

Bakhunin estava certo




É engraçado como essa vida funciona.. Estou escrevendo hoje, no dia do meu aniversário, às 3:30 da manhã, e posso afirmar com toda certeza do mundo que hoje é o dia mais feliz e mais triste de toda minha vida, ao mesmo tempo.
Sabe, eu nunca fui um cara de ir em igrejas todo fim de semana, mas nunca considerei ninguém nesse mundo mais religioso do que eu, sempre estive conversando com Deus, sempre estive procurando fazer o que fosse o melhor para mim e para os outros, pensando no bem das pessoas, mas chega uma hora que uma pergunta é inevitável: se nem mesmo Deus é justo, por que logo eu tenho de ser?! É óbvio, se o mundo é tão injusto, se a cada dia que passa você nota que Deus é capaz de te jogar ao céu e de repente te mandar para o inferno, por que nós temos de ser justos? Por que temos de fazer uma coisa que nem Deus, supondo que ele exista, é capaz de fazer?!
Por muito tempo eu me enganei, eu sempre sonhei, e ainda sonho em ser um revolucionário, mudar o mundo, não é o que todos querem? Chegar até o topo do mundo, pregar uma bandeira, e virá-lo do avesso, colocá-lo de cabeça pra baixo. Nunca vou deixar esse sonho de lado, mas se faço isso agora, não é por Deus, é por mim, é porque quero me sentir bem, quero saber que se eu mudei, se eu fiz uma pessoa que sofria sequer deixar de sofrer, é porque eu atualmente posso dizer que sei o que é sofrimento e sei o que é felicidade e sei a mudança que fiz pra essa pessoa, sei que fiz o que Deus não foi capaz de fazer.
Nesse tempo todo, cheguei à conclusão que é muito fácil as pessoas ficarem falando que Deus faz coisas que no momento nos parecem ruins, mas que depois vão ser boas pra nossa vida, concordo, faz mesmo, mas Deus conhece muito bem a teoria, nunca sequer foi capaz de pensar em como seria a prática e isso o torna um ser tão imperfeito quanto qualquer um de nós, muito mais imperfeito do que nós, que enquanto deixamos um número limitado de pessoas infelizes e felizes ao nosso redor, Deus dá às pessoas felicidade e depois tira-a como se tudo não passasse de uma brincadeira, de um jogo educativo.

Acontece que na minha vida inteira eu nunca me senti sozinho, nem sequer por um momento, mesmo quando eu estava trancado no meu quarto, eu sentia como se algo sobrenatural estivesse ali sussurrando nos meus ouvidos, me observando, seguindo cada passo meu, e eu sempre me questionei o porquê disso.
Quando eu menos esperava, atravessando a rua agora, de madrugada, no meu aniversário, eu simplesmente parei, no meio da rua, como se algo me mandasse parar, e me senti pela primeira vez completamente sozinho no mundo, de repente uma avenida que eu atravesso todos os dias me pareceu algo completamente diferente do que eu estou acostumado a ver, simplesmente fiquei parado no meio de uma faixa de trânsito, não ligando que talvez pudesse aparecer um ônibus e me atropelar, porque eu era dono de mim mesmo agora, não precisava de me preocupar com ninguém, só tinha de ficar ali parado observando o mundo de uma forma que eu nunca imaginei que veria na minha vida, completamente sozinho.

Não se pode deixar abalar pelas injustiças que acontecem em sua vida, se Deus não é justo, que ele guarde as suas imperfeições para ele, eu sempre serei e, pode parecer besteira, mas um dia eu realmente vou chegar no topo desse mundo, pregar minha bandeira e virá-lo do avesso, com acompanhamento ou sem acompanhamento.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

As Caridades odiosas

As caridades odiosas

(...)
Foi em uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se encanchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.
-Um doce, moça, compre um doce pra mim.
Acordei finalmente. O que estivera pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.
Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.
De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce você...
Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.
-Que outro doce você quer? Perguntei ao menino escuro.
Este, que mexendo as mãos e a boca ainda esperava com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.
-Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levantando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los. Mesmo os doces estavam tão acima do menino escuro. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:
-Afinal, uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas que passavam, mas ninguém quis dar.
Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso fora necessário um menino magro e escuro... E para isso fora necessário que outros não lhe tivessem dado um doce.
E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outros sentimentos. E, agora sozinha, meus pensamentos voltaram lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.



Clarice Lispector (A descoberta do mundo)